quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Investimentos de brasileiros superam R$ 3 tri no 1º semestre, puxados pelos mais ricos

Os investimentos dos brasileiros superaram pela primeira vez a barreira dos R$ 3 trilhões no fim de junho deste ano, um aumento de 5% em relação a dezembro. Os números constam no relatório de pessoas físicas divulgado nesta quinta-feira, 8, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Essa alta foi liderada pelos mais ricos. Os investidores de alta renda e private banking, categoria que responde por 9,33% das contas e 70% dos volume investido, registrou alta de 19,8% da total investido, na comparação com o último semestre de 2018.
Investimentos
Investimentos em renda variável cresceram 17,4% 
no primeiro semestre de 2019 
Foto: Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas

O varejo, que na média das instituições congrega quem tem renda mensal de menos de R$ 10 mil, registrou recuo de 4,8% no período. Para o presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, José Rocha, isso acontece porque o segmento é muito sensível às despesas de começo de ano. "As pessoas sacam o dinheiro da poupança para pagar as despesas como IPVA e IPTU. No segundo semestre, a tendência é de crescimento da poupança", afirma.
Do total de investimento, R$ 1,176 trilhão vem do segmento private, que é segundo o mercado financeiro para quem tem a partir de R$ 3 milhões em produtos financeiros, R$ 968,7 bilhões no varejo de alta renda e R$ 912,7 bilhões do varejo tradicional.
Considerando o volume do varejo como um todo, ou seja, R$ 1,881 trilhão, os investimentos em fundos de investimentos correspondiam a R$ 626 bilhões, crescimento de 5,1% no período. Outros R$ 525,6 bilhões - alta de 4,2% - foram destinados em títulos e valores mobiliários.
O maior volume, de R$ 729,8 bilhões, ainda está na poupança, montante praticamente estável em relação a dezembro do ano passado. No varejo tradicional a poupança representa 67,1% do volume, porcentagem que cai para 12,1% no varejo de alta renda.

No segmento private houve no semestre maior exposição em renda variável, com alta de 17,4% no período, para R$ 172,7 bilhões registrados no fim de junho. Em fundos de investimento estão alocados R$ 590 bilhões, R$ 278 bilhões em ativos de renda fixa e R$ 125,9 bilhões em previdência.  

Renato Jakitas e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo