Isabel Braga e Letícias Fernandes - O Globo

Os três deputados do PT no Conselho de Ética votarão a favor da continuidade das investigações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A decisão foi anunciada pelos deputados depois de reunião, nesta quarta-feira, da bancada do PT na Casa em que a maioria dos deputados se posicionou a favor do voto neste sentido.
Os três deputados — Zé Geraldo (PA), Valmir Prascidelli (SP) e Léo de Brito (AC) — deram entrevista há pouco reafirmando que adotarão no conselho a posição da bancada
— A bancada tirou uma posição pela admissibilidade do processo. Vamos votar unidos, expressando a posição da bancada. Nós cobramos uma decisão e eles nos ajudaram — disse Zé Geraldo.
Indagado se o enfrentamento com Cunha possa significar a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff foi avisado, Zé Geraldo afirmou que sim.
Durante toda o dia de ontem, os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Governo) atuaram para garantir a vitória do presidente da Câmara. Os três representantes do PT no Conselho de Ética foram pressionados a dar os votos que faltavam para salvar Cunha.
No Palácio do Planalto, a avaliação é que não há como prever a sequência de acontecimentos caso Cunha decida deflagrar um processo de impeachment. A palavra mais usada por integrantes do governo para definir a atuação pró-Cunha é “insegurança”.
O PT fez na terça-feira uma jogada dupla: trinta e um deputados do partido divulgaram um abaixo-assinado pedindo que o Conselho de Ética acate a representação contra Cunha, e o presidente da legenda, Rui Falcão, divulgou no Twitter que o partido estava orientando os três petistas a votarem pela admissibilidade. Mas o ato público de Falcão serviu apenas para dar uma satisfação à militância. Nos bastidores, a sigla jogou pesado para arrancar de seus representantes no conselho o compromisso de que apoiariam o principal inimigo do Palácio do Planalto.
A pressão fez o deputado Zé Geraldo dizer, ontem, que o governo está sendo chantageado por Eduardo Cunha.
- Diria que o governo está sendo chantageado (por Eduardo Cunha), o PT não, porque ninguém chantageia - respondeu, ao ser perguntado se o partido estava sofrendo chantagem.
Ele afirmou ainda que o presidente da Câmara "trabalha com a metralhadora" do impeachment:
- O Cunha tem uma metralhadora nas mãos, todo mundo sabe que ele e o grupo dele trabalham com essa arma. E o PSDB está só esperando (a abertura do impeachment). Não confiamos no Cunha, ele já colocou tanta p