quarta-feira, 15 de julho de 2015

PMDB diz que terá candidato próprio à Presidência em 2018

Simone Iglesias - O Globo

Segundo Michel Temer, 'está sendo estabelecido que partido quer ser cabeça de chapa'



O vice-presidente Michel Temer durante o lançamento da plataforma digital da Fundação Ulysses Guimarães - Ailton de Freitas / O Globo



O vice-presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, todos do PMDB, participaram nesta quarta-feira do lançamento da nova página da Fundação Ulysses Guimarães no Facebook. Durante o evento, os peemedebistas lançaram a intenção de ter candidato a Presidência da República, em 2018, rompendo a aliança com o PT.

- O que está sendo estabelecido é que o PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018. Estamos abertos para todas as alianças com todos os partidos - disse Temer.
Renan Calheiros completou:

— O PMDB tem uma aliança estratégica com o PT, circunstancial, porque ela deveria acontecer em torno de um programa, mas o PMDB está deixando claro desde logo que vai ter um projeto de poder, com um candidato competitivo a presidente da República — defendeu o senador.


Ao chamar de “delicado” o momento político que o país atravessa, Eduardo Cunha defendeu também candidatura própria e o fim da coligação com os petistas.

— Em 2018, o PMDB seguirá um caminho que não é com essa aliança (PT). O partido tem que recuperar seu protagonismo — afirmou.

Depois do evento, Temer foi ao gabinete de Renan pedir que ele agilize a votação do projeto de repatriamento de recursos, incluindo ainda hoje na pauta, para que seja aprovado antes do recesso parlamentar, a partir de sexta-feira.

VICE-PRESIDENTE PEDE PACIFICAÇÃO NACIONAL

Um dia após a deflagração da Operação Politeia, que levou a Polícia Federal a fazer buscas e apreensões nas casas e escritórios de deputados e senadores, Temer disse ainda que é hora de buscar tranquilidade, num momento de forte conflagração entre o governo e o Congresso. Disse que o ambiente “há de melhorar”.

— O Brasil precisa de otimismo. Não temos que nos impressionar com esses atos e levar adiante a ideia de uma grande pacificação nacional — defendeu Temer, ao participar de um evento da Fundação Ulysses Guimarães, na manhã desta quarta-feira.

O vice-presidente tratou da Operação Politeia como um “assunto extremamente delicado”. Disse que é preciso aguardar os acontecimentos.


— Temos que buscar no país uma certa tranquilidade institucional porque essas coisas todas estão abalando um pouco a natural tranquilidade que sempre permeou a atividade do povo brasileiro. Temos que ter tranquilidade, temos que buscar isso — afirmou Temer.
Para ele, há um clima de desestabilização no país que não é resultado apenas da Operação Lava-Jato. Disse que esta situação não é “útil” ao país.

— Não é a Operação Lava-Jato (que está desestabilizando). Sinto que há um clima de certa discordância que não é útil para o país e nem é muito fruto do espírito do povo brasileiro. O que precisamos é buscar uma concórdia de todos os brasileiros - disse.