sexta-feira, 20 de maio de 2022

CNJ suspende posse de juiz branco que entrou por cotas

 Tarcisio Francisco Regiani Júnior foi aprovado para uma das vagas reservadas para candidatos negros

Tarcisio Francisco Regiani Júnior foi considerado branco pelo CNJ | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Tarcisio Francisco Regiani Júnior foi considerado branco pelo CNJ | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) suspendeu temporariamente, nesta quinta-feira, 19, a posse de Tarcisio Francisco Regiani Júnior como juiz substituto no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Regiani Júnior foi aprovado para uma das vagas reservadas para candidatos negros e seria empossado hoje, mas segundo a decisão, há “fortíssimos indícios” de que ele seja branco.

“A política pública de cotas se destina a pessoas que aparentam ser negras, com base em caracteres fenotípicos de pardos ou pretos e não pessoas que são geneticamente negras ou que se sintam pertencentes à cultura dos afrodescendentes. Isso não foi observado quando da análise fenotípica do candidato”, disse o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, do Conselho Nacional de Justiça, na decisão.

O processo foi proposto pela Associação Nacional da Advocacia Negra (Anan). A entidade alegou que as características físicas avaliadas não conferem ao candidato a aparência racial negra que o torne vítima ou potencial vítima de discriminação racial.

Segundo resolução do CNJ, a comissão responsável pela verificação deve ser formada por especialistas em questões raciais e direito antidiscriminação. De acordo com a Anan, o princípio não foi obedecido na escolha de Tarcisio. “As vagas reservadas devem ser destinadas para candidatos que tenham experiência com a temática racial, o que não foi observado”, destaca a associação.

Revista Oeste