quarta-feira, 19 de abril de 2017

Emílio confessa que pediu a Lula ajuda para Odebrecht em negócio na Venezuela

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo - O Estado de São Paulo

Patriarca da delação revelou que grupo se sentiu prejudicado por Itamaraty e por 'pessoas de dentro do Planalto', em licitação de usina hidrelétrica de Hugo Chávez, que tinha Andrade Gutierrez como concorrente


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (d) e o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morto em 2013, na Refinaria Abreu e Lima, no Porto de Suape, em Pernambuco em 26 de março de 2008 / Foto: Ed Ferreira/AE
Lula e o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morto em 2013 / Foto: Ed Ferreira/AE
O empresário Emílio Odebrecht, patriarca da delação premiada, confessou que pediu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele intervisse com o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez, morto em 2013, em defesa do grupo, que estava ameaçado pela Andrade Gutierrez, em obra da usina hidrelétrica de Tocoma.
O Termo 24 do delator Emílio Odebrecht trata sobre anotação que havia sido apreendida com o presidente afastado do grupo, Marcelo Odebrecht – preso desde 19 de junho de 2015. A anotação registrava: “Lula vs Ven e comentário AG”;
EMILIO LULA VS VENEZUELA

“Esta nota se refere ao pedido que Marcelo me fez de falar com o ex-presidente Lula sobre a interferência que algumas pessoas ligadas ao governo do Brasil estavam fazendo junto ao governo da Venezuela em favor da Andrade Gutierrez”, registra o anexo 24, da delação de Emílio.
“Acredito que as empresas devem conquistar contratos e espaço em outros países em função das suas competências técnicas e negociais”, afirma o delator. “Porém, acredito, da mesma forma, que o governo de origem não deve privilegiar uma determinada empresas em detrimento de outra (s). Era o que aparentemente estava acontecendo no caso.”
No anexo entregue à Procuradoria Geral da República (PGR), que antece o depoimento filmado, em que ele elenca temas que pode revelar, Emílio disse que não se recordava se tratou do assunto com Lula, “mas muito provavelmente” o fez.


Ao ser interrogado pelos procuradores, o delator confirma que falou com Lula sobre o tema.
“Cheguei a ter a oportunidade, a pedido de Marcelo, de conversar com ele próprio Lula, de que isso não podia estar acontecendo.”
“No fundo foi uma reclamação de que o governo dele estava, em detrimento de outra,s estava privilegiando uma em uma negócio, em uma licitação, houve na área da siderúrgica e na de uma hidrelétrica.”
O procurador da República quis saber se ele foi mesmo falar com Lula e qual foi sua responsta
“Falei.” O delator afirmou que o ex-presidente Lula “ouviu”. “E disse ‘você tem toda razão e vou verificar o que está acontecendo’. Ele procurou minimizar, achando que não era.”
Emílio afirmou que teria dito a Lula que não levava a ele “coisas que eu não tenho confirmado”.
Segundo ele, era “o Itamaraty” que estaria apoiando a Andrade Gutierrez. “Não só o Itamaraty como pessoas de dentro do Planalto”. O delator afirmou não ter descoberto quem no governo.
O delator disse que a Odebrecht acabou vencendo uma das obras.

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