quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Dívida pública brasileira é a 3ª maior entre 20 principais emergentes

 Dados do Fundo Monetário Internacional colocam déficit do país em 87% do PIB, somente à frente de Argentina e Bolívia


Mastro especial da Praça dos Três Poderes, em Brasília, com a bandeira do Brasil | Foto: Daderot/Domínio Público

A dívida pública do Brasil se tornou uma questão central na economia, figurando como a terceira maior entre 20 principais países emergentes. Essa situação gera desconfiança entre investidores, impacta o valor do dólar e as taxas de juros. Segundo agências de classificação de risco, esse fator é um dos principais obstáculos para o país melhorar sua nota de crédito e recuperar o grau de investimento.  

Nos últimos dez anos, a dívida brasileira cresceu significativamente, passando de 54% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2014, para 76% do PIB, em 2023, conforme dados do Banco Central (BC). Entre as economias em desenvolvimento, o Brasil fica atrás apenas de Bolívia e Argentina, em termos de endividamento.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que a dívida do Brasil tenha alcançado 87% do PIB, índice consideravelmente superior ao de países como México (57,7%), Colômbia (55,8%) e Chile (41%). A metodologia do FMI difere da do Tesouro Nacional, resultando em valores mais elevados — o que é extremamente relevante para comparações internacionais. 

Apesar disso, o Brasil, ao lado da Turquia, é um dos poucos países onde a proporção da dívida em relação ao PIB não aumentou desde 2019, mesmo depois da tendência de alta global a partir de 2020, em razão dos efeitos da pandemia de covid19.

O FMI concluiu que a dívida pública brasileira se manteve praticamente estável desde o período pré-pandemia. A variação foi de 87,1% do PIB, em 2019, para 87,6% em 2024 — diferença absoluta de 0,5%.

Em contraste, nos países do G7, a média da dívida em relação ao PIB é de 124%, segundo o FMI. O grupo é formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Países ricos conseguem sustentar dívidas mais elevadas sem perder a confiança dos investidores. Eles têm um nível de renda maior e a taxas de juros significativamente mais baixas.  

Tais fatores reduzem os custos com pagamentos de juros e permitem que essas nações façam mais despesas sem comprometer sua solvência financeira. No Brasil, a dívida pública é um fator crucial.


Revista Oeste