quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Servidores do Judiciário querem reajuste de 20%

 Presidente do STF, Luiz Fux deve levar a questão ao plenário da Corte

Luiz Fux, presidente do STF, recebeu dirigentes da Fenajufe para discutir eventual reajuste
Luiz Fux, presidente do STF, recebeu dirigentes da Fenajufe para discutir eventual reajuste | Foto: Divulgação/Fenajufe

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) apresentou um pedido de reajuste salarial de 20% para a categoria. Segundo os servidores, a reivindicação é feita com base na inflação acumulada durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.

O pedido já chegou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que afirmou que deve levar essa questão aos demais ministros da Corte. O tema foi debatido na terça-feira 15 por Fux e dirigentes da Fenajufe.

Segundo o coordenador da Fenajufe, Thiago Gonçalves, Fux teria classificado o pedido como “legítimo”. “Ele se comprometeu a pautar o pleno do Supremo a respeito do assunto”, afirmou.

Um eventual reajuste aos servidores do Judiciário não pode ser determinado monocraticamente pelo presidente do STF. Ele precisa submeter o tema aos demais magistrados da Corte, em uma sessão administrativa interna. Caso os ministros deem aval à proposta, o STF deve apresentar um projeto de lei ao Congresso Nacional.

“Ele [Fux] falou que nem é pouco, nem muito. É sensível com o momento econômico do país, porque estamos pedindo a recomposição da inflação e não as perdas históricas”, disse Gonçalves.

Judiciário mais caro do mundo

Reportagem publicada em novembro do ano passado por Oeste mostrou que mais de R$ 100 bilhões por ano são consumidos no Brasil apenas em gastos com o Poder Judiciário. Os dados são da edição mais recente da pesquisa “Justiça em Números”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne informações referentes a 2020. O valor desembolsado com a Justiça brasileira corresponde a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional — ou seja, mais de 1% da soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

De acordo com o CNJ, as despesas totais com o Judiciário representam 11% de todos os gastos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Na comparação com 2019, houve uma queda de 4,5% nas despesas totais do Judiciário (o que equivale a R$ 4,7 bilhões). Só em gastos com pessoal, a redução foi de 3,3% — o resultado é atribuído, em grande medida, aos efeitos da pandemia de covid-19.

Em relação a outros países, o peso do Judiciário brasileiro sobre o PIB é significativamente maior, segundo estimativas obtidas pela reportagem de Oeste. Na América do Sul, por exemplo, a Venezuela gasta 0,34% do PIB com a Justiça do país, índice levemente superior ao da Argentina (0,32%). Chile e Colômbia desembolsam cerca de 0,2% do PIB com o Judiciário.

Na Europa, os gastos da Alemanha correspondem a 0,4% — um porcentual mais de três vezes menor do que o do Brasil. Em Portugal, o índice é de 0,3% do PIB. Na Itália, de apenas 0,19%. Inglaterra e Espanha ficam na casa de 0,1% do PIB. As despesas dos Estados Unidos com a Justiça ficam em 0,14% do PIB.

J.R. Guzzo: “A Justiça mais cara do mundo”

Revista Oeste