quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

‘Moro mente’, diz PF, ao rebater declarações do ex-ministro

 Polícia Federal 'não deve ser usada como trampolim para projetos eleitorais', afirma nota

Ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro | Foto: Saulo Rolim/Podemos
Ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro | Foto: Saulo Rolim/Podemos

A Polícia Federal (PF) divulgou nesta terça-feira, 15, uma nota em que rebate declarações do ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro (Podemos). Atualmente, ele está na disputa pelo Palácio do Planalto.

Ontem, em entrevista à Jovem Pan, Moro disse que “hoje não tem ninguém no Brasil sendo investigado e preso por grande corrupção”.

Em resposta, a corporação disse que o ex-juiz “mente” ao dar esta declaração. “A Polícia Federal efetuou mais de mil prisões, apenas por crimes de corrupção, nos últimos três anos.”

A PF informou ainda que, no mesmo período, realizou 1.728 operações contra esse tipo de crime. Somente em 2020, foram deflagradas 654 ações – maior índice dos últimos quatro anos.

Na nota, a cúpula da Polícia Federal também afirma que Moro faz ilações ao afirmar que “esse é o resultado de quantos superintendentes eles afastaram e que estavam fazendo o trabalho deles”.

“O ex-ministro não aponta qual fato ou crime tenha conhecimento e que a PF estaria se omitindo a investigar. Tampouco qual inquérito policial em andamento tenha sido alvo de ingerência política ou da administração”.

“O ex-juiz confunde, de forma deliberada, as funções da PF. O papel da corporação não é produzir espetáculos. O dever da Polícia é conduzir investigações, desconectadas de interesses político-partidários”, destaca a corporação.

A cúpula da Polícia Federal vai além e diz que Moro desconhece a instituição e negou conhecê-la quando teve a chance. “Enquanto Ministro da Justiça não participou dos principais debates que envolviam assuntos de interesse da PF e de seus servidores.”

A nota afirma que, para “preservar a imagem de umas das mais respeitadas e confiáveis instituições brasileiras”, a PF repudia a afirmação feita por Moro de que a corporação não tem autonomia.

“A PF – instituição de Estado – mantém-se firme no combate ao crime organizado, à corrupção e não deve ser usada como trampolim para projetos eleitorais.”

Afonso Marangoni, Revista Oeste