sexta-feira, 21 de abril de 2017

"Precisa-se de um herói", por José Paulo Cavalcanti Filho

Com Blog do Noblat - O Globo



Na Grécia antiga, em Atenas, Diógenes de Sinope andava pelas ruas, duranteo dia, com uma lanterna acesa. À procura de um Homem Honesto. Depois da delação devastadora da Odebrecht, quem anda procurando esse Homem Honesto somos nós…

No bem conhecido diálogo de sua peça “Galileu Galilei”, (Eugen) Bertolt (Friedrich) – que adotou o sobrenome literário de Brecht – põe Andreas, um discípulo, se dirigindo a seu mestre: Infeliz do povo que não tem herói!  Galileu o repreende: Infeliz do povo que precisa de heróis! Diferente deles, penso que verdadeiramente infeliz é o povo que precisa e não tem heróis! Como, hoje, o povo brasileiro.

 Na Grécia antiga, em Atenas, Diógenes de Sinope andava pelas ruas, durante o dia, com uma lanterna acesa. À procura de um Homem Honesto. Depois da delação devastadora da Odebrecht, quem anda procurando esse Homem Honesto somos nós.

Único consenso, hoje, é que nossas elites são muito ruins. Velhas. Praticantes de uma pornopolítica (a expressão é do mestre Roberto Damatta)…

O cenário que temos é razoavelmente previsível. Temer irá com seu governo até o final. Em 2018. Porque ninguém deseja que ele acabe antes. Nem mesmo aqueles que hoje gritam, pelas ruas, Fora Temer. Já no próximo ano vamos ter campanhas presidenciais. Estão próximas demais. Sem contar que a economia só agora começa a se recuperar. Se sair Temer (ou Meireles), antes disso, vamos nos converter em algo próximo à Venezuela.

Único consenso, hoje, é que nossas elites são muito ruins. Velhas. Praticantes de uma pornopolítica (a expressão é do mestre Roberto Damatta). Não obstante eleitas por brasileiros, em absoluta falta de sintonia com eles. Com seus valores. Com suas expectativas. Com suas esperanças.

Há um herói em gestação, entre nós. Só não vê quem não quer. Ou for cego. Será ruim ou bom?-  para o Brasil. É cedo para dizer.

O futuro desejável pode vir de algum tipo de consenso social. Entre cidadãos. A partir do reconhecimento da prevalência do interesse coletivo sobre o individual. Esse é o cenário que todos desejamos. Talvez inviável, nos dias que correm. Alternativa seria, então, a adesão dos eleitores a um herói. Um salvador da pátria. Em linguagem mais simples, caso as mudanças não venham de baixo, como seria desejável, elas virão de cima.

É comum se dizer que isso iria ser ruim, para o país. E cita-se, invariavelmente, (Silvio) Berlusconi. Não é uma comparação justa. Berlusconi foi herói só no seu primeiro governo, em 1994/1995. Que, logo depois, acabou derrotado por Romano Prodi. Democracia é coisa boa. Os heróis passam. Depois, trocou seu partido – de Força Italia para Povo da Liberdade. Sendo notórias suas relações com a máfia calabresa (‘Ndrangheta) e os muitos processos que respondeu por corrupção e fraude. Mas já não era, então, herói de nada. E ainda assim, como um político tradicional, ganhou eleições em 2004/2005, 2005/2006 e 2008/2011. Eleições tem disso.

Berlusconi é só um exemplo ruim. Mas poderíamos lembrar de um bom. Como o Papa Francisco. Que veio redimir a Igreja Católica, em meio a uma crise devastadora – decorrente de sua incapacidade em se modernizar. Sofrendo perdas de fiéis para igrejas evangélicas ou messiânicas. Até que veio do fim do mundo. Da América Latina. Para fazer reformas modernizantes. Francisco, para a Igreja, foi uma bênção.

A sensação, hoje, é que nomes tradicionais não sobreviverão até o próximo ano. Uns porque serão atingidos pela Lei da Ficha Limpa. Outros porque não terão coragem para subir em palanques, depois de tantos processos. Outros, mais, porque seus discursos perderam atualidade. Envelheceram. Há um herói em gestação, entre nós. Só não vê quem não quer. Ou for cego. Será ruim ou bom?-  para o Brasil. É cedo para dizer.


Nenhum comentário:

Postar um comentário