quinta-feira, 20 de abril de 2017

Léo Pinheiro diz que gastos com tríplex e sítio foram abatidos de conta de R$ 15 milhões da OAS com PT

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Luiz Vassallo - O Estado de São Paulo

Empresa tinha acerto de 'propinas' com partido via ex-tesoureiro João Vaccari e gastos de reformas do apartamento do Guarujá e de sítio de Atibaia foram descontados dessa conta


Fachada do Condomínio Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS
Fachada do Condomínio Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS
O custo das reformas do apartamento tríplex 164-A do Edifício Solaris e a reforma no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, foram abatidos de um acerto de R$ 15 milhões da OAS com o PT. É o que afirmou o ex-presidente da empreiteira José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, que confessou ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, as duas obras foram benesses concedidas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que nega ser dono dos imóveis.
“Levei esses créditos e esses débitos. Levei o que a OAS estava devendo por conta desses pagamentos de vantagens indevidas ao PT naquele momento, o que estava atrasado e que ainda ia acontecer. E os custos dos empreendimentos que estávamos fazendo, desses passíveis ocultos, e mais os custos do tríplex e do sítio”, afirmou Léo Pinheiro, ouvido como réu na ação penal em que Lula também é réu por receber o imóvel e a reforma dele como propinas do escândalo Petrobrás.
Moro quis saber se “inclusive em relação a esses débitos havidos pela OAS no tríplex…”
“No tríplex, no sítio e nos outros empreendimentos”, respondeu Léo Pinheiro. “A soma total disso, me parece, era de R$ 15 milhões.”
Candidato a delator pela segunda vez, da Operação Lava Jato, Léo Pinheiro disse que o apartamento foi adquirido e reformado a pedido de Vaccari, autorizado por Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, e sua propriedade e reforma discutidas diretamente com Lula.
Encontro de contas. Léo Pinheiro explicou sobre o encontro de contas da OAS com o PT espontaneamente.
“Pulei um detalhe que eu acho muito importante, que era o retorno que eu fiquei de dar ao João Vaccari do encontro de contas.”
Segundo ele, em maio ou junho de 2014, com o custo de todos os empreendimento Bancoop aferidos “e também toda a especificação de tudo que ia ser feito, tanto no sítio como no tríplex, eu procurei o João Vaccari”.
“Vaccari disse: ‘está tudo ok, está dentro do princípio que nós sempre adotados’. Sempre que ia haver o encontro de contas com ele, de quando em quando: ‘não você paga isso a um diretório tal, paga isso a um político tal. Isso era feito e era uma coisa corriqueira. Então não vamos mudar a metodologia’.”
Léo Pinheiro afirmou que Vaccari disse que como “tinha coisa aqui de cunho pessoal” no assunto, “que trata do presidente, eu vou conversar com ele sobre isso e lhe retorno”. E teria pedido ainda ao empreiteiro para que ele não citasse esses fatos para a diretoria da Bancoop.
“Passaram-se alguns dias, uma semana no máxima, ele (Vaccari) me retornou, dizendo que estava tudo ok, que poderíamos adotar o sistema de encontro de contas de créditos e débitos que tínhamos com ele.”
Léo Pinheiro disse que aos executivos da OAS foi orientado sobre o encontro de contas. “Quando fomos autorizados a fazer o encontro de contas, eu tive que informar a cada diretor-superintendente que não fizesse pagamentos na conta da propina do PT porque isso seria um encontro de contas feito que não era para fazer o pagamento. Não entrei em detalhes com ele, e o pagamento não foi feito.”
Pedido. Léo Pinheiro explicou que a OAS comprou o Edifício Solaris no Guarujá, em 2009, da Bancoop – que estava em falência – a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Apesar da falta de interesse comercial no empreendimento, ainda em construção, Vaccari teria orientado a compra por envolver um imóvel de Lula. O negócio foi referendado posteriormente pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto.
Para a Lava Jato, a aquisição do empreendimento pela OAS, em 2009, da Bancoop, e a reforma do apartamento foi propina da empreiteira para o ex-presidente.

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