quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hilberto Mascarenhas Silva diz à Lava Jato que ‘Açougueiro’ pagou R$ 37 milhões a marqueteiros da dupla corrupta Lula-Dilma

Julia Affonso, Breno Pires, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Fábio Serapião - O Estado de São Paulo

Executivo da Odebrecht indica repasse milionário a João Santana e Monica Moura, das campanhas presidenciais de Lula e Dilma


O marqueteiro João Santana e Mônica Moura em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer
O marqueteiro João Santana e Mônica Moura em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

O delator Hilberto Mascarenhas Silva, da Odebrecht, revelou à Operação Lava Jato que ‘Açougueiro’ pagou R$ 37 milhões ao casal de marqueteiros do PT João Santana e Monica Moura. O valor, segundo o executivo, inicialmente seria repassado pela empreiteira.
A referência ao pagamento consta de e-mail trocado por executivos da Odebrecht em 5 de julho de 2014, às 18h01. A mensagem foi enviada por Marcelo Odebrecht, então presidente do grupo, para Alexandrino Alencar, com cópia para Claudio Melo Filho, Hilberto Mascarenhas, Luiz Bueno e Benedicto Júnior, todos executivos da empreiteira.
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“So para ficar claro: ficamos apenas com os 20 iniciais+ 5 adicionais para Feira. E os outros 37 que era para ser conosco (e acho até que havia liberado HS) ficou para o acougueiro?. Nestes 37 tem até o cara que me procurou e LB falou com ele. Eh isto? Se for sugiro que: – LB acompanhe com o cara para ter certeza que ele sabe que o compromisso não está mais conosco, e que CMF acompanhe/alinhe com MT, até porque deveria haver um tema de SP para nos liberar. Marque com seu amigo então 15 ou 16”, escreve Marcelo Odebrecht.
Em 15 de dezembro do ano passado, Hilberto prestou depoimento à Lava Jato. O executivo foi questionado sobre quem seria o ‘Açougueiro’.
“Não sei. Eu fiz uma ilação, acho até de certa forma, sem nenhuma base que seria algum executivo da JBS”, afirmou.
O Ministério Público Federal quis saber detalhes do conteúdo do e-mail. “De um valor X que foi solicitado, ele (Marcelo Odebrecht) fica com 20 + 5. Os outros 37, que seriam dele em princípio, ficou para o ‘Açougueiro’. Fazendo a conta, seria 25 + 37 que ele tinha assumido. No final ele ficou com 25 e 37 foi para o ‘Açougueiro’.”
acougueiro
Hilberto foi questionado sobre o destinatário do pagamento ‘de 37’. “Acredito pelo que está aqui, junto com os 20+5 para a Feira. Isso também deveria ser parte de um pacotão de campanha possivelmente da… Que ano é isso aqui? 2014 teve eleição”, declarou. “Acredito esse que era um pacotão. Era um pacote de 62, dos quais ele ficou com 25 e 37 foi para o ‘Açougueiro’.”
O Ministério Público Federal perguntou quem seria ‘Feira’.
“Feira era o João Santana, representado em todos os momentos de recebimento de recursos pela esposa dele dona Monica Moura”, disse.
“O que é MT?”, perguntou o Ministério Público Federal.
O executivo-delator respondeu. “Quem será MT? Aqui está claro. Realmente isso era recurso para o PMDB. ‘Cláudio Melo Filho acompanhe/alinhe com MT’. Deduzo que Michel Temer. Até porque deveria haver um tema de São Paulo para nos liberar. Isso aqui deve ter sido a parcela do PMDB de Michel Temer solicitada para a campanha. Eu coloco tudo isso como uma tentativa de contribuição”, afirmou.
“Cláudio Melo era uma pessoa que se relacionava com Michel. Michel era amigo do pai de Cláudio, o velho Cláudio Melo.”
Acordo. No início do mês, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou as delações premiadas de João Santana, Monica Moura e do funcionário do casal André Reis Santana. A homologação do acordo foi feita pelo ministro porque os delatores citaram em seus relatos políticos com foro privilegiado no Supremo.

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