quarta-feira, 12 de abril de 2017

Dilma 'trambique' quis saber se Temer recebeu propina por contrato, diz Marcelo Odebrecht

Fabio Serapião e Rafael Moraes Moura - O Estado de São Paulo

“Eu contei tudo que tinha contado pra Graça contei pra ela. Presidenta, veja bem, não é justo o que Graça fez. Eu achava que ela queria saber se Michel estava envolvido... mas você percebe que ela queria instigar quem era a pessoa que estava recebendo isso”, detalhou Odebrecht


Dilma Rousseff e Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão
Dilma Rousseff e Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em um dos seus depoimentos prestados no âmbito do acordo de colaboração premiada com a Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht assumiu pagamentos de propina para o PMDB e o PT por conta do contrato PAC SMS da diretoria Internacional da Petrobrás. Segundo o delator, tanto a ex-presidente da estatal, Graça Foster, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foram informadas sobre os pagamentos ilícitos. Na conversa com Dilma, segundo Marcelo, teria transparecido que a então presidente queria saber se seu vice, Michel Temer, teria recebido valores oriundos do contrato.
“Eu contei tudo que tinha contado pra Graça contei pra ela. Presidenta, veja bem, não é justo o que Graça fez. Eu achava que ela queria saber se Michel estava envolvido… mas você percebe que ela queria instigar quem era a pessoa que estava recebendo isso”, detalhou Odebrecht.
Os repasses ao PMDB, disse Marcelo, foram solicitados a Márcio Faria, diretor de Oléo e Gás do grupo Odebrecht, pelos então deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Por parte do PT, os repasses teriam sido tratados com o tesoureiro do partido João Vaccari. Questionado sobre os valores, Marcelo informou que não saberia o valor exato, mas que “foi relevante, foi 10, 20 milhões de reais” pagos na véspera da campanha de 2010.
Em sua delação, Odebrecht contou que soube dos pagamentos quando Graça Foster telefonou para perguntar se o PMDB havia recebido valores oriundos do contrato. “O que na época me foi informado, comentado, é que ela estava preocupada era com esse tal pagamento que foi feito para eleição de 2010 do grupo do PMDB”, explicou Marcelo.
Aos investigadores explicou que o caso foi diferente dos outros da estatal uma vez que não era costume o político solicitar os repasses. “No caso a Petrobras, a conversa era com diretores, a mensagem dos padrinhos políticos eram pelos diretores”, explicou Odebrecht.
O PAC SMS foi um contrato de prestação de serviços para a área de Negócios Internacionais da Petrobras, dentro do plano de ação de certificação em segurança, meio ambiente e saúde. O contrato guarda-chuva contempla vários países e, em 2011, foi ampliado para incluir serviços específicos em Pasadena.

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