quarta-feira, 26 de abril de 2017

Aeronautas podem parar voos a Brasília para atrapalhar reformas. Que Temer siga o exemplo de Reagan...



(Em 1981, Ronald 
Reagan demitiu 11.359 grevistas que tentaram prejudicar a maioria da população, interrompendo vôos. E proibiu sua readmissão no serviço público) Aqui 


O Sindicato Nacional dos Aeronautas (categoria que reúne pilotos, copilotos e comissários de voo) realiza assembleias nesta quinta-feira em cinco cidades na qual vai debater uma paralisação apenas dos voos para Brasília (DF) na próxima semana. A intenção é prejudicar a chegada de parlamentares à capital nacional e, consequentemente, a votação das reformas, em especial, a da Previdência.

A proposta, antecipada por fontes ao GLOBO, ainda é tratada nos bastidores pela categoria e defendida como a medida ideal porque atenderia a dispositivos da legislação sobre greve no setor, de manter 80% das atividades e anunciar a paralisação com 72 horas de antecedência. Se aprovada, a mobilização teria início na próxima terça-feira, mesmo dia em que está marcada a votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara.

Na sexta, trabalhadores das mais variadas atividades poderão cruzar os braços ao longo do dia, em todos os estados, segundo as centrais sindicais. O apelo das entidades é direto: 

"Não saia de casa nesta sexta-feira, dia 28!", diz a convocação. Funcionalismo público, professores e trabalhadores em transporte estão entre as principais categorias.

No Rio, os motoristas de ônibus já confirmaram que vão participar da greve, enquanto metroviários e ferroviários ainda decidem. A CUT informou que 34 categorias já confirmaram a participação no movimento. Estão no grupo trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ), bancários do Rio, Teresópolis, Baixada, Macaé e Campos, profissionais de educação do Rio e de vários municípios da Baixada Fluminense (Educadores Municipais e Estaduais (Sepe-RJ), docentes da UFRRJ (Adur-RJ), professores da UFRJ, Adufrj, docentes e servidores da UFF, Aduff, Sintuff, docentes da UERJ, Asduerj).

Em São Paulo, trabalhadores do transporte público (ônibus, metrô e trens), bancárias, comerciários, professores das escolas públicas e privadas e até os motoboys já decidiram cruzar os braços na sexta-feira.

Em dezenas de assembleias realizadas nos locais de trabalho nos últimos dias, os bancários paulistas fecharam com a paralisação. De acordo com o sindicato, filiado à CUT, oito em cada dez bancários votaram pela adesão.

Além das escolas públicas e privadas, até as Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus avisaram em nota: por conta da “Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e o Projeto de Terceirização aprovado pela Câmara dos Deputados (...) comunicamos nossa adesão à paralisação a ser realizada no dia 28 de abril de 2017”.

Na base da Força Sindical e da CUT, ainda vão aderir ao movimento ainda categorias como metalúrgicos, químicos e trabalhadores da construção civil.

“A mobilização é necessária para mostrar ao governo a força da classe trabalhadora, que não aceita a retirada de direitos”, declara Paulo Pereira da Silva, Paulinho, presidente da Força Sindical.A União Geral dos Trabalhadores (UGT), que reúne os sindicatos dos comerciários de vários estados realizou assembleias durante os últimos dias que ratificaram a adesão ao movimento.

“Essa paralisação é para mostrar a indignação dos trabalhadores brasileiros com relação sobretudo à absurda aprovação da reforma trabalhista. Estamos vendo a destruição da CLT, há uma intenção muito clara de acabar com a estrutura sindical, de flexibilizar e retirar direitos adquiridos”, disse Ricardo Patah, presidente da UGT.

Em São Paulo, disse, os motoboys estão encarregados de fechar as principais vias da capital paulista, com fileiras de motos, a partir das 5 horas de sexta. A UGT também colocará carros de som nas principais estações do trem para explicar aos usuários os motivos da greve.

No Rio, segundo balanço divulgado pela CUT, mas com base em dados de outras centrais, já confirmaram a adesão à paralisação de sexta os professores municipais e estaduais, rodoviários, os servidores públicos federais e do judiciário, Correios e enfermeiros, além dos bancários das cidades do Rio de Janeiro, Teresópolis, Campos e Macaé.

AERONAUTAS E AEROVIÁRIOS

Os aeronautas se opõem especialmente à Reforma da Previdência e estão em negociação com o governo em busca de alterações no texto. O principal ponto sob questionamento é a exigência de 40 anos de contribuição para se obter o benefício integral. Os aeronautas destacam que a profissão, principalmente a de pilotos, exigem longa formação e tem um início com baixos salários em aeroclubes. Com isso, somente após os 30 anos os profissionais chegariam a grandes empresas.

Além disso, a legislação internacional proíbe a atuação de pilotos com mais de 65 anos. Com isso, os profissionais teriam de se aposentar sem atingir o tempo de contribuição exigido para obter o benefício integral. O principal entrava na negociação é que o governo tem evitado fazer concessões para categorias específicas.

No caso da reforma trabalhista, já foram feitas duas mudanças para atender aos aeronautas, com limitações para contratações intermitentes e a retirada de artigo que permitiria demissão por justa causa quando ocorresse algum problema em renovação de licenças. A categoria, porém, ainda pressiona para retirar do texto um artigo que poderia permitir demissões em massa sem negociação prévia com sindicatos e outro artigo que fixa prazo de validade para convenções coletivas.

Já os aeroviários representados pelo Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNBA) já decidiram pela adesão à paralisação de sexta-feira em protesto contra a reforma da Previdência e do Trabalho. A previsão é de atraso e cancelamentos de voos nos principais aeroportos do país, já que os aeroviários são responsáveis por tarefas em terra como check in, embarque e desembarque de passageiros.

Segundo o sindicato, a entidade representa pelo menos 50 mil trabalhadores em todos os aeroportos, com exceção de Recife, Guarulhos (SP), Porto Alegre e Manaus. Nestas bases, os trabalhadores também deverão cruzar os braços. O SNA informou que dirigentes sindicais vão organizar as paralisações já no turno da manhã, sem horário previsto para término. Entre os metalúrgicos, a recomendação dos sindicatos é que os trabalhadores não compareçam ao trabalho na sexta-feira.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que já fez paralisações de uma hora na terça-feira, atrasando a entrada dos trabalhadores nas linhas de montagem, informou que devem ficar paralisadas as linhas de montagem da Ford, Scania, Volkswagen e Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo.

“O que sair de resultado das reformas valerá para o resto das nossas vidas. Portanto, vale a pena fazer esta luta. Vamos nos comprometer e assumir esta luta. Dia 28 é Greve Geral. Não é para trabalhar e não é para dar trabalho para ninguém, nem vir à fábrica”, ressaltou o secretário-geral do sindicato e presidente eleito da entidade para o próximo mandato, Wagner Santana.