Publicação do balanço da estatal mitigou riscos de antecipação
de pagamentos aos credores; crédito de 13 bilhões de dólares
também ajudou a dissipar incertezas

A agência de classificação de risco Fitch manteve a classificação de risco da Petrobras em moedas local e estrangeira da em BBB. Contudo, a agência revisou a perspectiva para as notas de crédito da estatal para o campo negativo. A decisão de manter inalterados os ratings da Petrobras foi tomada depois que a companhia publicou, na noite de quarta-feira, seu balanço de 2014 auditado - o que, segundo a Fitch, evitou um processo de antecipação de pagamento de dívidas.
De acordo com a agência, a divulgação dos resultados financeiros auditados mitigou as incertezas em relação à capacidade da Petrobras de fazer os ajustes necessários para cumprir com esse compromisso. Além disso, acrescenta a Fitch, a companhia melhorou sua liquidez ao anunciar 13 bilhões de dólares em novos financiamentos.
Na avaliação da Fitch, o acesso ao crédito, a redução nos investimentos e os planos de venda de ativos minimizam as preocupações de liquidez no curto prazo.
Entretanto, a perspectiva negativa evidencia que as incertezas em relação à capacidade da empresa de desalavancar seu balanço de pagamentos no médio prazo permanecem. Os escândalos de corrupção, de acordo com a Fitch, podem resultar em atrasos nos negócios. A agência ressalta que continuará monitorando a estratégia da Petrobras para fortalecer sua estrutura de capital.
Para a agência, a nota da Petrobras continua a refletir sua estreita ligação com o rating do Brasil, devido ao controle estatal da companhia e sua importância estratégica no quase monopólio do mercado de combustíveis líquidos domésticos.
"A ligação é evidenciada pelos recentes empréstimos oferecidos pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, bem como a decisão de manter os preços da gasolina e do diesel nas bombas acima dos níveis internacionais, a fim de reforçar a geração de caixa da Petrobras", diz o comunicado, que acrescenta que a posição de caixa da companhia é suficiente para atender necessidades de financiamento no curto prazo.
Além disso, a Fitch avalia que a produção da petroleira continuará a crescer no médio prazo e que os preços domésticos devem convergir com os preços internacionais no médio/longo prazo.
Revisões - A Fitch ainda alerta que uma eventual ação de rating negativa para a Petrobras pode ocorrer caso a companhia não reduza a sua relação dívida/Ebitda a menos de 5 vezes no médio prazo e se houver uma diminuição na percepção do apoio do governo.
A agência avalia ainda que uma ação de rating positiva para a estatal é improvável no curto e médio prazo. No entanto, pondera o relatório, o apoio explícito direto do governo poderia ajudar a estabilizar as notas da companhia.
(Com Estadão Conteúdo)