Bruno Rosa e Ramona Ordoñez - O Globo
Estatal inclui Operação Lava-Jato nas causas para perda de R$ 44,6 bilhões
Apesar de ter contabilizado em R$ 6,2 bilhões o custo da corrupção em seu balanço, a influência do pagamento de propinas pode ser muito maior. Em Relatório de Administração enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras informou que entre os motivos para as baixas (impairment) de R$ 44,6 bilhões no resultado da empresa está a “postergação por extenso período de tempo” de projetos como o Comperj, em Itaboraí, no Rio de Janeiro, e a segunda unidade da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Entre as causas, segundo a estatal, estariam “problemas na cadeia de fornecedores oriundos das investigações da Operação Lava-Jato”.

Ao citar os adiamentos dos projetos da área de Abastecimento, a Petrobras lembra que, além do preço do petróleo e do real, houve “insolvência de empreiteiras e fornecedores, com carência no mercado de fornecedores qualificados disponíveis (como resultado das investigações da Operação Lava-Jato ou por outros motivos)”.
— Essas obras do relacionadas ao impairment dão a entender que tiveram custo maior do que deveriam. Assim, levantam, sim, as suspeitas de que que possa haver corrupção envolvida. Mas o ponto positivo é que a empresa quis dar logo baixa nesses empreendimentos — afirmou João Pedro Brugger, da Leme Investimento.
SEM UNANIMIDADE
O balanço da Petrobras em 2014 não foi aprovado por unanimidade. Dos dez membros do Conselho de Administração, Sílvio Sinedino, representante dos funcionários, e Mauro Cunha, representante dos minoritários que possuem ações ordinárias, votaram contra a aprovação. Em nota, Sinedino disse não concordar com a metodologia apresentada em dois pontos: não ter havido nenhuma baixa contábil na primeira unidade da Refinaria Abreu e Lima, e a responsabilidade assumida pela Petrobras como patrocinadora da Petros, o fundo de pensão da estatal. Já no Conselho Fiscal, dos cinco membros, Reginaldo Alexandre e Walter Abertoni votaram contra.
Nesta quinta-feira, a CVM abriu processo para analisar o balanço de 2014. O resultado do terceiro trimestre auditado ficou em outro processo, aberto no início deste ano para analisar os resultados não auditados.
(Colaborou: Rennan Setti)