terça-feira, 1 de setembro de 2020

Auxílio emergencial terá mais quatro parcelas de R$ 300

Governo federal anuncia extensão do benefício, popularmente conhecido como coronavoucher, até dezembro

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O ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro: o coronavoucher fica, mas com responsabilidade fiscal | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após uma reunião no Palácio da Alvorada nesta terça-feira, 1° de setembro, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes anunciaram que o auxílio emergencial — popularmente conhecido como coronavoucher — será estendido.

O governo federal pagará mais quatro parcelas de R$ 300 a desempregados e trabalhadores informais, que com isso chegará até dezembro.

“Não é um valor o suficiente muitas vezes para todas as necessidades, mas basicamente atende”, avaliou o presidente. “O valor definido agora há pouco é um pouco superior a 50% do valor do Bolsa Família. Então, decidimos aqui, até atendendo a economia em cima da responsabilidade fiscal, fixá-lo em R$ 300.”

Criado em abril, o auxílio foi única fonte de renda para mais de 4,4 milhões de lares em julho, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para Guedes, coronavoucher serviu para que o governo jogasse luz sobre 38 milhões de trabalhadores brasileiros que estavam invisíveis e acabavam não sendo atendidos por nenhum programa social, por serem informais.

O Cadastro Único realizado para o recebimento do benefício deverá servir também para outros programas a serem lançados futuramente pelo governo.

, RevistaOeste

"Mais um exemplo prático de que, no capitalismo, quem define o tamanho das empresas é o consumidor", por Jacob Hornberger

Exceto quando a empresa usufrui um monopólio garantido pelo governo

A petrolífera Exxon Mobil era a maior e mais valiosa empresa do mundo em 2013

Em 2014, seu valor de mercado subiu ainda mais, e chegou a US$ 446 bilhões

Em 2016, a imprensa dizia que, se ela fosse um país, sua economia seria maior que a da Irlanda.

No início de 2020, ainda antes da pandemia de Covid-19, o valor de mercado da empresa já havia desabado para US$ 262 bilhões.

Semana passada, a empresa simplesmente foi retirada do índice Dow Jones, um índice exclusivo do qual a empresa fazia parte há 92 anos. Seu valor de mercado caiu impressionantes US$ 270 bilhões desde o topo e hoje está em exíguos US$ 172 bilhões.

Segundo a reportagem da CNN, a "Exxon é hoje apenas um resquício do que já foi". A empresa já teve, só este ano, um prejuízo de US$ 1,7 bilhão até o fim do primeiro semestre.

A realidade versus a fantasia

Mas como assim? Isso não é possível. A teoria defendida por intervencionistas e seguidores da tese do anti-truste é a de que grandes corporações não apenas dominam o mercado e estabelecem os preços que querem, como também vão continuamente se tornando cada vez maiores. 

Segundo economistas keynesianos, grandes corporações em geral, e empresas petrolíferas em particular são "oligopólios", o que as permite elevar os preços sempre que quiserem e auferir o volume de lucro que desejarem.

Defensores da intervenção estatal na economia passaram toda a sua carreira afirmando que é necessário o governo intervir e fatiar essas "grandes corporações", pois elas detêm muito poder sobre os consumidores, os quais são explorados por elas.

Se o governo nada fizer, prosseguem eles, tais empresas crescerão a tal ponto que irão dominar a economia mundial.

Se isso é verdade, o que está havendo com a Exxon? Não apenas se trata de uma grande corporação, como também era, até bem recentemente, a maior empresa do mundo. Por que ela não continuou crescendo e monopolizando ainda mais?

Um fenômeno corriqueiro

O que está acontecendo com a Exxon (mais sobre as causas abaixo) é apenas mais uma demonstração prática, dentre várias, de que, não importa o tamanho de uma empresa, ela sempre pode perder sua fatia de mercado e até mesmo ser expulsa do mercado e ir à falência.

Em um livre mercado, quem define o destino das empresas é o consumidor. Ele é o soberano. Por meio de suas decisões de consumir ou de se abster de consumir, é ele quem decide quais empresas continuam existindo, quais vão à falência, e quais devem se reestruturar e passar por um redimensionamento (downsizing).

Em 2017, outra grande corporação foi à falência. A até então gigante e toda-poderosa Toys "R" Us, considerada uma das varejistas de brinquedos mais famosas do mundo, se não a mais famosa, pediu concordata e anunciou o fechamento de todas as suas 735 lojas nos EUA

A rede tinha operações em diversos outros países, como Reino Unido, Canadá, França, Áustria, Suíça, Alemanha e em vários países da Ásia. Na Alemanha, na Áustria e na Suíça, a rede foi comprada por outra menor (a Smyths Toys). No Reino Unido e na França ela simplesmente fechou. Na Ásia ela ainda se mantem, mas reestruturada.

Até então vista como uma gigante imbatível, a empresa acabou tendo o mesmo destino de Kodak, Nokia e Blockbuster. Durante décadas, todas essas empresas pareciam imbatíveis e absolutamente dominantes em seus respectivos mercados. Hoje, no entanto, ou elas já foram absorvidas por outras empresas ou simplesmente declararam falência.

Kodak, que por décadas reinou absoluta no mercado fotográfico, sucumbiu perante o surgimento das câmeras fotográficas digitais. Ela não soube adaptar seu modelo de negócios aos novos produtos que seus concorrentes haviam começado a oferecer de forma mais eficiente e com melhor custo-benefício do que a própria Kodak. A popularização dos smartphones e suas câmeras fotográficas cada vez melhores enterrou por vez a empresa, que pediu recuperação judicial em 2012.

Nokia, que era onipresente no mercado de aparelhos celulares no início da década de 2000, sucumbiu ante a chegada dos smartphones. A multinacional finlandesa, que simplesmente dominou o comércio mundial de telefones celulares de primeira geração durante 13 anos, não foi capaz de bater os padrões de qualidade e funcionalidade dos novos aparelhos ofertados por outros fabricantes, como Apple e Samsung. Em 2007, a empresa ainda era a líder mundial na fabricação de celulares e detinha aproximadamente 40% do mercado mundial de telecomunicações. Em 2013, ela era apenas a 274.ª maior empresa mundial.

Blockbuster, que já foi simplesmente a maior rede de locadoras de filmes e videogames do mundo, sucumbiu perante a chegada dos vídeos por streaming. O surgimento destes serviços tornou totalmente absurda e impensável a ideia de ter de sair de casa e ir a uma videolocadora para poder assistir a um filme. Os serviços de streaming concentraram a demanda doméstica por lazer em provedores como Netflix e Amazon Prime. E os próprios canais de TV a Cabo também adotaram esta tecnologia, como HBO Go, Fox Premium e Telecine Play, mostrando que querem saciar a demanda dos consumidores.

(E, para aumentar ainda mais a ironia da situação, a própria Blockbuster teve a oportunidade de comprar, anos atrás, a Netflix pelo módico preço de 50 milhões de dólares. Declinou. Foi à falência em 2010 e fechou todas as lojas que tinha. Eis aí um grande exemplo de incapacidade de antecipar a demanda dos consumidores.)

No caso da Toys 'R' Us, o crescimento da Amazon tornou obsoleta a fórmula de grandes estabelecimentos físicos ultra-especializados, que sempre foi a fórmula adotada pela outrora gigante norte-americana.

Quem manda é o consumidor

Esses exemplos de gigantes que sucumbiram mostra que, ao contrário do que muitos afirmam, o capitalismo não é um sistema econômico que privilegia as grandes empresas: o capitalismo é um sistema econômico que expõe todas as empresas — grandes, médias e pequenas — a um contínuo processo de concorrência, o qual é orientado pela satisfação das necessidades dos consumidores. 

Em uma economia capitalista, quem está no comando são os consumidores. São eles que decidem o que comprar, quando comprar, de quem comprar e em qual quantidade. São suas decisões de comprar ou de se abster de comprar que determinam a viabilidade dos empreendimentos.

E, como consequência, somente aquelas empresas capazes de satisfazer, a todo e qualquer momento, as necessidades dos consumidores da melhor maneira possível conseguirão sobreviver neste processo competitivo, não importa qual seja seu tamanho.

É um grande equívoco imaginar que o capitalismo funciona primordialmente para beneficiar os produtores. Ao contrário: quem está no comando são os consumidores. Consumidores sempre estão interessados apenas em conseguir as melhores barganhas para si próprios. Eles não estão interessados em facilitar a vida dos empreendedores (e nem dos empregados destes empreendimentos).

Consequentemente, quem determina a sobrevivência de empresas, lucros, empregos e salários são os consumidores, e não os capitalistas. Os críticos do capitalismo jamais entenderam isso.

Há vários outros exemplos atuais de grandes produtores sendo impactadas de maneira inclemente. A internet reduziu a demanda dos consumidores pelos grandes jornais tradicionais, que hoje operam no vermelho. A Google alterou completamente a indústria de marketing. Uber, Lyft e Cabify afetaram severamente a demanda pela indústria de táxis, assim como o Airbnb afetou a indústria hoteleira (bem antes da pandemia de Covid-19).

O caso da Exxon

Dizer que a Exxon foi afetada pela pandemia de Covid-19, a qual derrubou os preços do barril de petróleo (o que, por si só, já refuta por completo a tese de que as petrolíferas são monopolistas que colocam os preços que querem no petróleo), seria um reducionismo simplório e errado: afinal, todas as petrolíferas foram igualmente afetadas pela pandemia.  

Além de as preferências dos consumidores terem se manifestado, há também um outro fator envolvido: a possibilidade de uma má administração ou mesmo de decisões econômicas erradas. 

Em específico, a Exxon fez um pesado investimento em gás natural entre 2008 e 2010, apostando que a demanda, e consequentemente o preço do produto, iria explodir com o tempo. Só que, de lá para cá, o preço do gás natural desabou, o que demonstra que a empresa errou na magnitude da demanda dos consumidores. Confira no gráfico.

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Evolução do preço do gás natural, em dólares.

A queda da Exxon, bem como das outras supracitadas, serve para mostrar como as leis anti-truste são ridículas e destrutivas. Em um livre mercado, uma empresa ser grande significa simplesmente que ela soube atender às demandas dos consumidores e tomou boas decisões administrativas. A partir do momento em que ela deixa de agradar aos consumidores ou toma uma má decisão administrativa ou de investimento, ela cai.

Agora, compare a Exxon com um genuíno monopólio, aquele que é amado por todos os esquerdistas e economistas keynesianos: os Correios. Esta empresa usufrui uma posição privilegiada na sociedade, pois uma lei federal a protege contra concorrência na entrega de cartas carta, telegramas, cartões-postais, malote e "correspondência-agrupada". Se uma empresa privada tentar concorrer, um juiz federal imediatamente ordenará seu fechamento, com o empreendedor podendo até mesmo ir para a cadeia. Isso, sim, é monopólio. Isso, sim, é anti-consumidor.

Imagine se a Exxon tivesse pedido ao governo federal para ser beneficiada por um monopólio, como os Correios. Os estatistas iriam vituperar exasperados. E corretamente. E esse é o tipo de "grandeza" que é ruim — pois se trata de um tamanho que foi alcançado em decorrência de um privilégio monopolista garantido pelo governo, e não pela satisfação da demanda dos consumidores e por sólidas e sensatas decisões administrativas e de investimentos.

Para concluir

Se uma empresa se tornou grande atuando em um setor cuja entrada da concorrência é livre, não se preocupe. Ela cresceu porque soube satisfazer a demanda dos consumidores. Enquanto ela mantiver essa eficiência, não há nenhum motivo para preocupação.

E tão logo ela incorrer em más decisões administrativas ou de investimentos, ou tão logo ela deixar de satisfazer os consumidores, sua queda será iminente.

A única garantia de sobrevivência no capitalismo não é o tamanho, mas sim sua superior eficiência em servir os consumidores e sua qualidade administrativa. Aquelas empresas que forem bem-sucedidas em agradar os consumidores com bens e serviços que estes considerem atrativos serão aquelas que irão se manter no mercado e se dar bem.

Não é necessária nenhuma regulação estatal para impor tudo isso.

Jacob Hornberger
é o fundador e presidente da The Future of Freedom Foundation.

Mises Brasil

Provocada pelo vírus chinês, PIB do Brasil registra forte queda de 9,7% no 2º trimestre, maior retração da série histórica iniciada em 1996

 

(Foto: Getty Images)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve queda de 9,7% no 2º trimestre de 2020 na comparação com o 1º trimestre, trazendo os impactos mais agudos da pandemia provocada pelo vírus chinês. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a igual período de 2019, o PIB caiu 11,4%. Ambas as taxas foram as quedas mais intensas da série histórica, iniciada em 1996. No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, houve queda de 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

A expectativa era de que o PIB brasileiro tivesse registrado um recuo de 9,2% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano, de acordo com projeção mediana em pesquisa Bloomberg. Na comparação anual, a expectativa era de baixa de 10,7%, segundo a pesquisa Bloomberg.

O IBGE ainda revisou os dados do PIB do primeiro trimestre de queda de 1,5% para de 2,5%.

Em valores correntes, o PIB do no segundo trimestre de 2020 totalizou R$ 1,653 trilhão, sendo R$ 1,478 trilhão em Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 175,4 bilhões em Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

A taxa de investimento no segundo trimestre de 2020 foi de 15,0% do PIB, ficando abaixo da observada no mesmo período de 2019 (15,3%).

No 1º semestre de 2020, o PIB caiu 5,9% em relação a igual período de 2019. Nesta comparação, houve desempenho positivo para a agropecuária (1,6%) e quedas na indústria (-6,5%) e nos serviços (-5,9%).

Já na comparação trimestral, entre os segmentos, a maior queda foi na indústria (-12,3%), seguida por serviços (-9,7%). A agropecuária apresentou variação positiva de 0,4%.

Entre as atividades industriais, destacam-se as quedas nas indústrias de transformação (-17,5%), na construção (-5,7%), na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-4,4%) e nas indústrias extrativas (-1,1%).

Nos serviços, os resultados negativos foram: outras atividades de serviços (-19,8%), transporte, armazenagem e correio (-19,3%), comércio (-13,0%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-7,6%), Informação e comunicação (-3,0%). Por outro lado, houve resultado positivo nas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,8%) e nas atividades imobiliárias (0,5%). Pela ótica da despesa, a Formação Bruta de Capital Fixo (-15,4%), a despesa de consumo das famílias (-12,5%) e a despesa de consumo do governo (-8,8%) caíram em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Já as exportações de bens e serviços cresceram 1,8%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 13,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

Comparação com segundo trimestre de 2019

Já na comparação anual, entre as atividades, a agropecuária cresceu 1,2%, em relação a igual período de 2019, o que pode ser explicado, principalmente, pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no segundo trimestre e pela produtividade, afirma o IBGE.

A indústria teve queda de 12,7%, a mais intensa da série histórica, nesta mesma basede comparação. A atividade indústrias de transformação teve o pior resultado (-20,0%), outro recorde negativo da série histórica, influenciado, principalmente, pelo recuo na fabricação de veículos; de outros produtos de transporte; de máquinas e equipamentos; e na indústria têxtil e de artigos de vestuário.

O segundo recuo mais intenso veio da construção (-11,1%), corroborada pela redução da ocupação e da produção de seus insumos.

A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos apresentou queda de 5,8%, explicada pela queda da economia como um todo. Em contrapartida, as indústrias extrativas apresentaram variação positiva de 6,8%, com um aumento da extração de petróleo. A extração de minérios ferrosos continua a cair, porém em taxas menores.

Já serviços caiu 11,2% em relação ao mesmo período de 2019, a maior queda já registrada na série histórica. Os piores resultados foram em outras atividades de serviços (-23,6%) e transporte, armazenagem e correio (-20,8%). Houve quedas em comércio (-14,1%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-8,6%) e Informação e comunicação (-3,2%). Por outro lado, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (3,6%) e atividades imobiliárias (1,4%) apresentaram resultados positivos.

A despesa de consumo das famílias teve contração de 13,5%, índice que representa a maior queda registrada na série histórica. Este foi o segundo resultado negativo desta comparação após 11 trimestres de avanço. O índice pode ser explicado pelo isolamento social no país, proibição de funcionamento de algumas atividades especialmente de serviços prestados às famílias, além queda da massa de salarial no país no segundo trimestre de 2020, aponta o Instituto.

A formação bruta de capital fixo recuou 15,2% no segundo trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. A queda é justificada pelos resultados negativos registrados tanto na produção interna de bens de capital quanto na construção. A despesa de consumo do governo teve queda de 8,6% em relação ao segundo trimestre de 2019.

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 0,5%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 14,9% no segundo trimestre de 2020.

InfoMoney

Ibovespa Futuro sobe com correção após agosto de queda; investidores repercutem PIB, Orçamento e exterior

 

O Ibovespa Futuro abre em alta nesta terça-feira (1) com correção depois do principal índice da B3 cair 3,44% em agosto na contramão das altas históricas das bolsas dos Estados Unidos.

Os investidores estão atentos aos dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre. A economia do País sofreu uma contração de 9,7% no período, na comparação com o primeiro trimestre na série com ajuste sazonal.

Este dado veio um pouco pior que a expectativa mediana dos economistas, que era de um recuo de 9,2% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano, de acordo com a pesquisa Bloomberg. A medição anterior foi revisada para queda de 2,5%, de -1,5% anteriormente.

Outro destaque no noticiário nacional é o Orçamento para 2021, que foi enviado na noite de ontem ao Congresso. Somando os déficits esperados entre 2021 e 2023, o buraco é de R$ 572,9 bilhões. Além disso, os investidores esperam o anúncio da prorrogação do auxílio emergencial, que deve ter mais quatro parcelas de R$ 300.

Lá fora, depois dos índices Dow Jones e S&P 500 consolidarem seus maiores ganhos para um mês de agosto desde a década de 1980, os futuros desses benchmarks voltam a subir.

Às 09h14 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para outubro tinha alta de 1,02%, aos 100.720 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial cai 0,77% a R$ 5,4372 na compra e a R$ 5,4287 na venda. O dólar futuro para outubro tinha queda de 1,05%, a R$ 5,440.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 tem baixa de dois pontos-base a 2,84%, o DI para janeiro de 2023 recua três pontos, a 4,03%, o DI para janeiro de 2025 registra perdas de três pontos-base a 5,89% e o DI para janeiro de 2027 cai um ponto-base a 6,86%.

Já no exterior, o tom mais positivo veio do Índice de Gerentes de Compras (PMI) da Caixin/Markit da China em agosto, que ficou em 53,1 pontos. Leituras acima de 50 indicam expansão, enquanto resultados inferiores a 50 revelam retração.

O resultado superou as expectativas e causou uma alta do yuan frente ao dólar, ao ficar no nível mais alto desde janeiro de 2011. Também foi o quarto mês consecutivo acima da marca de 50.

Ao mesmo tempo, o desemprego na zona do euro subiu, enquanto os efeitos do coronavírus continuam a ser sentidos. A taxa de desemprego na região foi de 7,9% em julho, mostrando uma deterioração do cenário. No entanto, o número ainda está abaixo do recorde visto no meio da crise.

Orçamento de 2021

O governo enviou ontem ao Congresso a proposta de Orçamento para 2021, que prevê um déficit nas contas públicas até 2023. Somando os déficits esperados entre 2021 e 2023, o buraco é de R$ 572,9 bilhões, de acordo com O Estado de S.Paulo.

No ano que vem, a expectativa é de déficit de R$ 233,6 bilhões; em 2022, o resultado deve ficar negativo em R$ 185,5 bilhões; já em 2023, faltarão R$ 153,8 bilhões para fechar as contas do governo.

No entanto, o governo destacou que os gastos da pandemia ficarão restritos a 2020.

O governo reservou para 2021 R$ 34,8 bilhões para gastar com o Bolsa Família no ano que vem, segundo O Globo. O Renda Brasil ficou de fora do projeto de lei orçamentária.

Outro destaque do texto é a insuficiência de R$ 453,715 bilhões para que seja cumprida a regra de ouro no próximo ano. Esta regra proíbe que o governo tome financiamentos para pagar gastos correntes, como o pagamento de salários, por exemplo. Por isso, o governo precisará da autorização do Congresso para realizar estes gastos.

Também chamou atenção o fato de que o governo desistiu de dar mais recursos à Defesa do que à Educação em 2021.

Além disso, a previsão que consta da proposta de Orçamento para 2021 prevê uma alta de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem. A projeção para o salário mínimo é de R$ 1.067, alta de 2,1% ante o valor atual de R$ 1.045.

Auxílio emergencial

O ministro da Economia disse ontem que e o auxílio emergencial vai ser prorrogado, e terá mais quatro parcelas de R$ 300, de acordo com a Folha de S. Paulo. O valor foi definido em encontro realizado ontem à tarde entre o ministro e o presidente Jair Bolsonaro.

A prorrogação do auxílio deve ser anunciada hoje. Para fazer a mudança do valor, que atualmente é de R$ 600, o presidente vai enviar uma medida provisória para o Congresso.

De acordo com a publicação, a medida deve ampliar os gastos da União neste ano em mais R$ 100 bilhões. Com isso, o governo vai chegar a um número inédito, com déficit de R$ 1 trilhão nas contas públicas em 2020.

Outro destaque no noticiário brasileiro é a conclusão das investigações sobre um suposto esquema de “rachadinhas” que teria sido comandado pelo senador Flávio Bolsonaro quando era deputado federal. Segundo a CNN, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção do Ministério Público do Rio considerou encerradas as investigações.

O resultado foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, que repassou o material para o subprocurador da área criminal, Ricardo Ribeiro Martins. Ele poderá pedir novas investigações ou apresentar a denúncia ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio.

Ainda no noticiário corporativo, segundo a CNN, o presidente Bolsonaro foi diagnosticado com cálculo renal e fará uma cirurgia para retirá-lo em setembro.

Radar corporativo

O mercado vai repercutir hoje os balanços divulgados na véspera pela Lojas Renner (LREN3), pela IMC (MEAL3) e pelo grupo Technos (TECN3).

A Lojas Renner registrou um lucro líquido de R$ 818,1 milhões no segundo trimestre, alta de 254,5% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pelo reconhecimento de R$ 1 bilhão referente a um crédito fiscal.

Outro destaque é o anúncio da parceria entre Bradesco e J.P.Morgan. O banco brasileiro vai herdar os clientes do private banking do J.P.Morgan, que está deixando de atuar neste segmento no Brasil.

Ainda no noticiário corporativo, a Pague Menos precificou a sua oferta de ações (IPO), mas teve que dar um desconto em relação ao preço inicialmente previsto. A ação foi precificada a R$ 8,50; de acordo com o documento divulgado no mês passado, a faixa estimativa de preço era entre R$ 10,22 e R$ 12,54 por papel.

O Brasil precisa ser o país do “E” e não do “OU”, escrevem Adriano Pires e Bruno Pascon

 

Brasil tem potencial para se tornar potência em biogás, destacam autoresPixabay


Apandemia de covid-19, que custou e ainda custa uma quantidade enorme de vidas, tem trazido reflexões importantes sobre a preservação do planeta e uma visão mais sustentável e ambientalmente limpa para o desenvolvimento econômico.

Dentro desse escopo, as discussões sobre a transição energética e a eletrificação da economia têm se intensificado, com repercussões em vários segmentos da economia.

Por um lado, o advento da pandemia levou a preocupações em acelerar a transição de abandono de fontes fósseis nas matrizes energéticas. Mas de outro, uma preocupação em gerar emprego e renda dado o significativo impacto na atividade econômica global.

Neste momento de reflexão e de transformações é fundamental que as discussões sobre o pós-pandemia possam ter uma conotação de “E” e não de “OU” de maneira a evitar polarização de debates e clima de nós versus eles. Coisa muito comum no Brasil nos últimos anos. O momento impõe uma ampla reflexão sobre a maneira como produzimos e usufruímos das coisas e a sustentabilidade dos processos produtivos. E essa ampla reflexão deve observar uma maior gama de exemplos mundiais e, em particular, um olhar cuidadoso para as regiões que concentram boa parte da população global e o seu crescimento nos próximos anos e séculos. Estamos falando, em particular, da Ásia e África.

Com relação ao acesso à eletricidade, atualmente 800 milhões de pessoas ainda não têm luz elétrica do total de 7,8 bilhões de habitantes do planeta. No caso da cocção de alimentos por fontes limpas como o GLP e o gás natural, o número é ainda maior. São 2,7 bilhões de pessoas no planeta, todas na Ásia e na África subsaariana, que utilizam carvão ou lenha para cozinhar alimentos, o que causa anualmente a morte de 4,2 milhões de pessoas em função da poluição interna de lares.

O momento é oportuno e pela 1ª vez desde a revolução industrial inglesa, o foco energético é multi-variado. Se o século 19 foi o do carvão, o 20 do petróleo, o 21 é o da pluralidade de fontes e intensidade de investimentos tecnológicos disruptivos em prol de uma matriz energética mais limpa e sustentável, universalizando o acesso à energia.

Dentro deste tema, fala-se muito da transição para uma matriz 100% renovável. Do ponto de vista de tendências, o debate se encaminha para uma discussão de quando e não mais de se. E para tanto, a evolução nas soluções de baterias, de back up, para a expansão de renováveis é fundamental e ocorre no mundo inteiro.

Essa importante discussão sempre precisa caminhar paripassu com a busca por uma tarifa adequada para o consumidor. Porque o nível de renda dos países da OCDE em relação a países emergentes como o Brasil alcança disparidades enormes. A renda per capita do Brasil, por exemplo, é 40 vezes inferior à renda média dos países da OCDE.

Recentemente, o caso dos blackouts na Califórnia tem chamado a atenção dos planejadores em função da busca de uma matriz 100% renovável. E aqui não buscamos criticar o modelo com tom pejorativo. Mas só trazer uma reflexão que foi introduzida recentemente em trabalho seminal do International Gas Union sobre a transição energética e as soluções estado da arte para o processo.

No caso da Califórnia, a tarifa de energia elétrica em condições normais é de US$ 50/MWh. Porém analisando um cenário de matriz 80% renovável com backup de baterias (de Íon-Lítio), a evolução da intermitência e a necessidade de prover back up para desligamentos que possam durar mais do que 4 horas (atualmente 60% dos casos é inferior a 4 horas, porém com maior penetração de renováveis não convencionais, as estimativas mudam) sugerem preços de US$ 400/MWh –que foram alcançados recentemente em função de adversidade climática– e alcançariam US$ 1.600/MWh no cenário de uma matriz 100% renovável com backup por baterias.

E por que isso? Porque mesmo com a evolução tecnológica reduzindo o custo e aumentando a eficiência de baterias, as mais eficientes ainda não conseguem sustentar uma rede por período superior a 4 horas em um dia, com custos crescendo exponencialmente se o número de horas for de 6 ou 8 horas em um dia. A vida útil de uma bateria é de 10 a 12 anos e possui custos de descarte e considerações ambientais não desprezíveis.

O gás natural –a mais limpa das fontes fósseis– cumpre o papel de backup com custo baixo e maior eficiência. Uma planta a ciclo aberto de despacho rápido atinge o pico de capacidade em até 10 minutos e pode ser utilizada como bateria do sistema elétrico 24h/7 dias por muitos anos e com vida útil superior a 20-25 anos, desde que cumprindo cronograma de manutenções.

Em função disso, uma lista significativa de países tem adotado uma visão complementar entre a expansão termelétrica a gás natural (flexível e inflexível) e a expansão renovável, com a lógica que chamamos de “E” e não de “OU”. Em razão disso, projeta-se que o pico de demanda energética do carvão ocorrerá até 2026, mas do gás natural não antes de 2034, com crescimento do seu uso nas diversas modalidades até 2035 (IEA).

O gás natural pode ser uma importante fonte de redução de emissão de partículas na atmosfera, além de gases de efeito estufa (GEE). Pensando em mobilidade, a substituição de frota de veículos a diesel –tanto leves quanto pesados– pelo gás natural (comprimido ou, para maior escala, liquefeito) reduz significativamente a poluição da atmosfera e aumenta a qualidade do ar. A poluição externa (atmosfera) causa 3,7 milhões de mortes por ano. A interna, 4,2 milhões. Portanto debate mais do que oportuno e necessário.

Olhando para o Brasil, achamos que o gás natural pode assumir um protagonismo na matriz energética. E quando falamos de gás estamos nos referindo a todas suas vertentes, incluindo o biogás, cuja produção atual está concentrada na Europa (60%), mas que o Brasil possui a oportunidade de ser o maior país do mundo em produção desse gás verde. É o nosso pré-sal caipira. No mundo, 73% de sua produção está associada à agropecuária. E o Brasil neste campo alimenta mais de 1,5 bilhão de pessoas no planeta.

Portanto, em clima pró-Brasil, de “E” e não “OU”, e levando em consideração que o Brasil continuará sua expansão renovável com muita propriedade e competência, esperamos que o gás natural possa cumprir um papel relevante na nossa transição energética. Com isso, o país poderá retomar uma trajetória de crescimento econômico sem preocupação com suprimento de energia. É sempre bom lembrar que o Brasil já tem 80% de sua matriz baseada em fontes limpas e renováveis. Porém, para poder gerenciar melhor o nível dos reservatórios e dar resiliência e garantia de abastecimento com a expansão da energia eólica e solar, precisamos de usinas térmicas a gás natural flexíveis e inflexíveis. Sem isso, corremos o risco de ter blackouts, em particular no Nordeste, e de ter um custo sistêmico de backup similar ao estudo da Califórnia. Só que o consumidor brasileiro não consegue aguentar aumentos tarifários. E para enfrentar esse problema e outros que possam conduzir o Brasil a ser um protagonista no mundo pós-pandemia, temos de deixar de ser o pais do “OU” e adotarmos definitivamente o “E”.

Poder360

Efeito da pandemia provocada pelo vírus chinês, PIB tem queda histórica de 9,7% no 2º trimestre. Havia estimativa de retração de até 17,3%...

 As expectativas em relação ao desempenho da economia brasileira em 2020 até melhoraram, após a divulgação de dados mais recentes, de junho e julho, mas a pandemia provocada pelo vírus chinês, covid-19, levou a um tombo histórico no Produto Interno Bruto (PIB, o valor de tudo o que é produzido na economia) do segundo trimestre, assim como ocorreu em praticamente todos os países, confirmou nesta terça-feira, 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

A retração de 9,7% em relação aos três primeiros meses do ano é a maior da atual série histórica do IBGE, iniciada em 1996, mas, segundo cálculos de pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV), não há registro de um trimestre com desempenho pior desde 1980.

Foi também o segundo trimestre de retração, primeira vez que isso ocorre desde 2016. As duas retrações seguidas caracterizam uma “recessão técnica”, classificação comumente usada no mercado financeiro, embora o comitê independente da FGV dedicado a analisar os ciclos econômicos já tivesse marcado o início da recessão no primeiro trimestre.

Reabertura do comércio em São Paulo
Funcionário de loja no centro de São Paulo mede a temperatura 
dos clientes no dia da reabertura do comércio, em junho. 
Foto: Werther Santana/Estadão - 10/6/2020

A queda do PIB no segundo trimestre foi tão pior do que em outras crises porque “nunca antes se propôs uma política que fosse desligar a economia”, diz Eduardo Zilbermann, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, numa referência às regras de restrição ao contato entre as pessoas, como forma de estancar o avanço do vírus chinês. Em outras crises econômicas - causadas por inflação, desequilíbrios nas contas externas ou bolhas financeiras, etc. -, as empresas entram em dificuldade, suspendem investimentos e demitem funcionários, ou a renda das famílias é corroída, e elas consomem menos.

Assim, nas outras crises, as lojas vendem menos do que o normal, amargam receitas menores, mas seguem vendendo. Indústrias veem a demanda caindo, o estoque começa a encalhar nas fábricas e reduzem a produção, mas seguem produzindo. Só que o “desligamento” provocado pela pandemia fechou lojas, que não podiam receber clientes, e fábricas, que não podiam aglomerar trabalhadores. Vendas e produção foram para perto de zero.

Como explica Zilbermann, o PIB é uma medida de fluxo, de quanto se produz continuamente ao longo do tempo. Assim, mesmo que a parada para valer tenha ocorrido em abril, o fundo do poço da economia, a reabertura gradual a partir de maio e junho foi insuficiente para salvar o PIB do segundo trimestre, formado por essa produção contínua em cada um dos meses.

O quadro catastrófico só não foi pior por causa das medidas adotadas pelo governo para mitigar a crise, com destaque para o auxílio emergencial de R$ 600 ao mês pago aos mais pobres e aos trabalhadores informais. Desde junho, estudos têm apontado que os pagamentos de emergência chegaram a elevar a renda dos mais pobres, reduzindo, temporariamente, a pobreza. Ainda assim, esse impulso não impediu o tombo de 12,5% no consumo das famílias ante o primeiro trimestre. 

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, que, em maio, chegou a estimar uma retração de 17,3% no PIB do segundo trimestre, já havia revisado sua projeção, na semana passada, para uma queda de 9,7%. Além do impulso do auxílio emergencial no consumo, contribuíram para a melhora do quadro, na visão de Vale, a baixa adesão dos brasileiros à quarentena, que manteve alguns comércios funcionando, e o crescimento do agronegócio. O PIB da agropecuária teve o melhor desempenho entre os componentes da oferta, com alta de 0,4% ante o primeiro trimestre.

Auxílio emergencial
Fila para saque do auxílio emergencial de R$ 600 em agência da Caixa em São Paulo. 
Foto: Felipe Rau/Estadão - 30/4/2020

“Há commodities que não são agrícolas, mas também se beneficiaram do aumento da demanda chinesa e do câmbio, como minério de ferro e também petróleo, num grau menor. Se você junta esses segmentos todos, estamos falando de 35% a 40% do PIB com retorno positivo no primeiro semestre”, afirma Vale.

Ainda pelo lado da oferta, os serviços, que respondem por cerca de 70% do PIB, encolheram 9,7% em relação ao primeiro trimestre, e a indústria tombou 12,3%. Com as empresas adiando compra de maquinário e obras suspensas, a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) despencou 15,4% em relação aos três primeiros meses do ano.

Os rumos a crise

No cenário de Bráulio Borges, economista sênior da LCA Consultores, a dinâmica global da recessão poderá ditar os rumos da crise. O fato de todas as economias do mundo terem sido atingidas, de forma semelhante e mais ou menos ao mesmo tempo - apenas a China, onde a covid-19 surgiu, foi atingida um pouco antes -, é uma das características inéditas da crise. Para ele, a recuperação poderá acabar sendo ditada pela dinâmica internacional, que, por sua vez, é marcada pelas medidas de mitigação adotadas pelos principais países.

Por isso, na visão de Borges, o desempenho da economia no Brasil poderá ser melhor do que o dos vizinhos da América Latina, porque os brasileiros não respeitaram a quarentena que o STF e os governos estaduais e municipais tentaram impor  - ao custo de mais mortes pela covid-19 - e por causa do tamanho das medidas emergenciais. 

Nas contas do Observatório de Política Fiscal do Ibre/FGV, as políticas do governo federal somam 11,5% do PIB - 8,27% do PIB em ações com gastos fiscais e 3,21% do PIB em medidas de “crédito fiscal”, voltadas para empréstimos. O pacote está praticamente no mesmo nível do dos Estados Unidos, que soma 11,6% do PIB.

“O pacote de suporte fiscal no Brasil foi muito elevado. Até mais elevado do que se poderia imaginar, dada a situação fiscal”, afirma Borges.

Para Zilbermann, da PUC-Rio, a economia brasileira está numa “encruzilhada”. Por um lado, no momento mais imediato, as medidas emergenciais impulsionam a economia e podem ajudar na recuperação nos próximos meses. Por outro lado, os gastos públicos associados às medidas ameaçam o equilíbrio fiscal nos próximos anos. Desequilíbrios poderão elevar o risco país e a cotação do dólar e afastar investidores, o que tiraria ímpeto da recuperação da economia. 

A saída, segundo o professor, seria o governo sinalizar claramente que a elevação de gastos é temporária, tem data para terminar, e que o equilíbrio das contas voltará no médio prazo. / COLABORARAM CÍCERO COTRIM e GREGORY PRUDENCIANO

Com informações de Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

Rodrigo Maia esconde na gaveta PEC que acaba penduricalhos no serviço público

 O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, “engavetador-geral” de projetos que extinguem privilégios, trancou em sua gaveta a proposta de emenda (PEC) acabando os “penduricalhos” que tornam simples salários em vencimentos de marajás.

No dia 17 completa um ano que o deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) apresentou a proposta. 

Até hoje, Maia nem sequer designou o relator. Em dois anos, diz Cunha Lima, graças a penduricalhos, 8 mil juízes receberam R$100 mil ao menos em um mês.

O caráter ilegítimo dos pagamentos fica claro quando os Três Poderes escondem a sete chaves o custo bilionário dos penduricalhos.

A PEC 147 acabam penduricalhos desmoralizantes do serviço público, como auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-livros, auxílio-babá… etc etc.

Pedro Cunha Lima lembra que num Brasil sem creches para os pobres, tem auxílio-creche para quem ganha R$30 mil mensais no setor público.

Engavetar projetos é o jeito Rodrigo Maia de fazê-los “caducar”, como faz com medidas provisórias de Bolsonao, ou condená-los ao esquecimento.

A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.