segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Mendonça quebra sigilo sobre rede de pagamentos de Vorcaro para fraude no Master

 O magistrado acatou uma petição de Alexandre de Moraes e de Edson Fachin


Ministro André Mendonça - (Foto: Antonio Augusto/STF).



O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo do processo que consta uma rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, derivados de fraudes do Banco Master. O pedido havia sido feito pelo ministro Alexandre de Moraes e defendido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para dar embasamento ao julgamento na Corte nesta terça-feira (15).

O ministro Edson Fachin também endossou a posição de que o material fosse entregue aos ministros.

O processo consiste em apenas três peças. A primeira delas é uma petição protocolada pela Polícia Federal. Nela, o delegado responsável afirma que, com o objetivo de dar andamento às investigações do Caso Master e rastrear a possível movimentação de dinheiro ilícito por parte de Vorcaro, solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a disponibilização de relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) das pessoas investigadas.

De acordo com a PF, o Coaf atendeu somente a parte do pedido pois, ao analisar os relatórios, identificou pagamento a pessoas que teriam foro privilegiado. Por isso, o conselho só poderia enviar os pagamentos realizados a essas pessoas com autorização expressa do STF.

A PF pede então ao ministro André Mendonça dê essa autorização. Não há registro no processo de que o ministro tenha dado qualquer decisão nesse sentido.

A peça seguinte que aparece no processo é o relatório entregue pelo Coaf à PF. Nele é possível encontrar alguns pagamentos realizados por Vorcaro. Dentre os destaques, está mais de R$ 57 milhões destinados à Igreja Batista da Lagoinha e relacionados entre dezembro de 2024 e de 2025. A instituição foi alvo de apuração na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor na instituição

No mesmo período, há R$22 mil repassados a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Conhecido como Sicário, ele era um dos “capangas” de Vorcaro, responsável por ações de monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos a mando do ex-banqueiro.

Moraes deve usar a investigação em seu favor, afirmando que o banqueiro mantinha relação com outras autoridades políticas e de grande influência em Brasília.

Diário do Poder