sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Sergio Moro lidera cenários de 1º e 2º turnos para o governo do Paraná

 


Senador Sergio Moro. (Foto: Beto Barata/PL).


Um levantamento feito pelo Instituto Real Time Big Data, divulgado nesta sexta-feira (28), mostra que o senador Sergio Moro (PL-PR) lidera cenários de primeiro e segundo turno na disputa pelo governo do estado do Paraná.

Em um cenário simulado, Moro lidera com 35%, contra Sandro Alex (PSD) com 23%, Requião Filho (PDT) com 29%, Luiz França (Missão) com 2% e outros fecharam em 1%. Brancos e nulos somam 6%; indecisos somam 13%.

Os candidatos Adriano Teixeira (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP) somam 1%.

Em uma disputa de eventual segundo turno, Moro lidera contra o nome de Requião Filho (PDT), candidato apoiado pelo presidente Lula (PT).

No cenário, Moro aparece com 54%, seguido de Requião com 27%. Brancos e nulos com 10% e indecisos somam 9%.

No cenário de segundo turno contra Sandro Alex (PSD), Moro lidera com 44%, contra 32% do oponente. Brancos e nulos somam 13%, indecisos somam 11%.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número PR-07845/2026.

Luan Carlos -- Diário do Poder




Confira quem frequentava mansão/covil de lobista cúmplice de Lulinha

Movimentação em torno da casa alugada por Roberta Luchsinger está no centro de inquérito da PF que investiga tráfico de influência e corrupção



O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Redes sociais


A movimentação em torno de uma mansão luxuosa em Brasília usada como base pela lobista Roberta Luchsinger está no centro de um inquérito da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.

O caso, repercutido pela revista Veja, ganhou destaque pela articulação de negócios privados com órgãos federais, incluindo tentativas de contratos milionários com o Ministério da Saúde para medicamentos à base de canabidiol. 

Mensagens analisadas pela PF revelam que Lulinha atuava em parceria com empresários e lobistas, como Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS, figura ligada a esquemas de fraude em aposentadorias. Depois do escândalo que envolve o INSS, as tratativas sobre o canabidiol foram abandonadas, mas o grupo manteve outras iniciativas para acordos em setores como portos, aeroportos e empresas públicas.


O papel e os visitantes da mansão


A lobista reuniu figuras do governo Lula na residência - Foto: @roberta.luchsinger/Reprodução

Roberta Luchsinger, que possui conexões com integrantes do PT, era responsável por aproximar interessados em contratos públicos de autoridades influentes. Segundo apuração do jornal O Globo, a mansão em Brasília servia para reuniões e festas, reunindo empresários, ministros e assessores do presidente. Lulinha era hóspede frequente e aproveitava a estrutura do imóvel, localizado em condomínio de alto padrão a 8 quilômetros do Palácio do Planalto.

Entre os visitantes da residência estavam Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Saúde; Wellington Dias (PT-PI), ministro do Desenvolvimento Social; Frederico Siqueira (PT-SP), ministro das Comunicações; Swedenberger Barbosa, chefe-adjunto do gabinete presidencial; além de Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete. Os irmãos Kalil e Fernando Bittar, sócios de Lulinha, também compareciam, assim como a própria Roberta.

Mensagens sugerem que Frederico Siqueira, “Fred”, aconselhou lobistas que buscavam negócios na Dataprev. O ministro, um dos frequentadores da mansão, foi alvo de preocupação quando explodiu o escândalo do INSS. “Eu tô com casa aqui, Fábio, filho do presidente, fica aqui comigo”, escreveu Roberta a um consultor de crise, segundo a Veja. “Estamos vindo toda semana [a Brasília]. Fred merece uma atenção especial.” 

O acesso à casa era controlado pela portaria do condomínio, mas as regras eram flexíveis para os convidados da lobista. “A ordem era para não registrar nada”, relatou um funcionário do local à Veja. “A pessoa chegava, o porteiro ligava na casa e perguntava se a entrada estava liberada.” Segundo ele, Lulinha era visto informalmente, circulando de bermuda e sem camisa pelos jardins. 

Em um outro diálogo, Roberta convidou o chefe de gabinete de Lula da Silva para almoçar na mansão. “Quer um churrasquinho?”, pergunta. 

Marcola responde que a ideia era boa, mas o tempo disponível seria curto demais. “Amanhã o presidente está aqui”, explica e sugere: “A gente pode pedir uma carne”. 

Depois da parte gastronômica, a lobista faz um pedido: “Leva o Berger”. E esclarece: “O Fábio pediu”.


Contrato de aluguel e relações da lobista e de Lulinha 

O imóvel foi alugado em meados de 2024, com contrato inicialmente no nome do dentista Rafael Nicolau Arbex, amigo de Fernando Bittar. 

Arbex, citado como testemunha na Operação Lava Jato, afirmou que apenas assinou em nome de Roberta por um imprevisto dela e que todas as despesas, que chegaram a R$ 100 mil mensais, eram de responsabilidade da lobista. A suspeita é que empresários interessados em negócios com o governo custeavam esses valores. 

A Polícia Federal aponta Lulinha, Fernando Bittar e Roberta Luchsinger como parte de um grupo oculto que negociava influência e oferecia facilidades a clientes interessados em acessar órgãos públicos. As mensagens mostram que Roberta esperava faturar até R$ 100 milhões em 2024 e relatava proximidade com o presidente.

“Fui uma das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde você quer ficar”, afirmou. Sobre Lulinha, declarou:

 “Fábio e eu somos uma pessoa só” e explicou: 

“Ele só entra em campo quando precisa”. 

Lucas Chelddi - Revista Oeste

'O debate real', por Adalberto Piotto

No Brasil que precisa salvar a democracia antes e a economia logo a seguir, só vale o que realmente importa



Ausência de Flávio Bolsonaro e Lula é marcada por púlpitos vazios em debate para as eleições presidenciais de 2026 - Foto: Reuters/Jean Carniel


E leição é história, a corrida eleitoral é o presente. É isso o que pauta os marqueteiros e coordenadores de campanhas majoritárias, como a de presidente da República, e os eleitores: a vida real. Portanto, sem diminuir em nada a iniciativa tradicional do grupo Bandeirantes de realizar grandes debates no primeiro turno, o pragmatismo de resultados, seja do candidato com chances de ganhar ou do eleitor com sede de soluções, é a resposta para o encontro esvaziado do último domingo, 23 de agosto. Sem conseguir trazer para o palco Lula e Flávio Bolsonaro, restou a segunda divisão dos candidatos presidenciais e uma audiência baixa com repercussão menor ainda. 

Dois fatos demonstram que esse modelo, embora seja histórico e tenha pautado eleições no passado, está superado. Ao menos no primeiro turno. A primeira realidade inalienável é que Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), quando somados, não ultrapassam os 10 pontos, segundo o Datafolha da sexta-feira, 21, justamente a última pesquisa que antecedeu o debate da Band. 

Outro ponto indiscutível é que nenhum dos que foram seria capaz de fazer algo que pudesse mudar o cenário das intenções do eleitor. Alguém acredita que Caiado, Renan e Augusto Cury poderiam fazer algo no debate que pudesse tirar 13 ou 14 pontos de Lula ou Flávio e avançar para o segundo turno como uma terceira via? Não. Atualmente, são todos coadjuvantes, como Romeu Zema (Novo), outro que desistiu de ir porque sabia que só faria número. A cena de Gilberto Kassab, candidato a vice na chapa do PSD, cochilando durante a fala do próprio Caiado, é o resumo caricato de um debate que resultou pífio.


Debate presidencial reúne os candidatos Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos na corrida eleitoral de 2026 - Foto: Reuters/Jean Carniel

O modelo de grandes debates sobre temas nacionais e propostas de candidatos funcionou de maneira excepcional nos anos 1980. Nos anos 1990, a fórmula engessada de pergunta, resposta, réplica e tréplica, com tempo determinado em segundos, já suscitava críticas. O modelo até avançou, com mais liberdade de tempo e mobilidade de palco para os candidatos, mas só funciona para dois, no segundo turno. O que se viu semanas atrás, no debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela própria Bandeirantes, é uma exceção que confirma a regra. Debate bem-sucedido, com repercussão, um debate de primeiro turno com só dois candidatos: Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.

Ainda assim, o modelo sugere um certo cansaço. Houve críticas pela inconsistência e despreparo de Haddad, o herdeiro de Lula que saiu do Ministério da Fazenda com a alcunha de “Taxad” e incapaz de controlar a sanha gastadora do padrinho e presidente. Fato é que na eleição presidencial, o governo Lula tem contestação forte e justa pelo descalabro fiscal, pela ineficiência administrativa, violência crescente, inflação e diplomacia errática, altamente ideologizada. É terreno fértil para discussões acaloradas. Em São Paulo, não. Tarcísio tem alta aprovação, grande probabilidade de ser reeleito já em 4 de outubro e era, até outro dia, o pré-candidato mais bem avaliado a suceder o próprio Lula. Neste caso, mesmo tendo dado certo, a pergunta que ficou foi se era preciso. 

Neste século, até antes de a internet e das redes sociais serem o fenômeno que são, com mais ou menos motivos de contestação, os debates no primeiro turno até reservavam algum apelo. Mas o formato caótico do debate da TV Cultura à prefeitura de São Paulo, em 2024, com candidatos paraquedistas na política, falastrões e a cadeirada de José Luiz Datena em Pablo Marçal, transformou o que deveria ser uma discussão política sobre o futuro da maior cidade do país em um picadeiro de circo mambembe. Além do mais, hoje vivemos outros tempos, de comunicação ampla e quase instantânea com o eleitor. Uma estratégia bem feita numa rede social arregimenta milhões de cabos eleitorais espontâneos e aguerridos na defesa de seu candidato.


Pablo Marçal e Datena, no episódio conhecido como “Cadeirada” | Foto: Reprodução/TV Cultura

Na média, os brasileiros gastam mais de 9 horas por dia na internet, a segunda maior do mundo. Nas redes sociais, 3 horas e 49 minutos, o que nos coloca no top 5 global. A internet no Brasil é o que se chama no interior produtivo do Brasil de terra roxa — o que plantar, floresce. E, mesmo nesse ambiente conturbado das redes, muita coisa boa cresceu. A consciência política, o gosto por escrutinar governantes e, sobretudo, a descentralização da comunicação. Os veículos tradicionais já não são a única fonte, não há mais monopólio da verdade.

O debate presidencial de 1989, talvez o mais relevante de todos, é hoje apenas uma memória. E ali havia situações muito diferentes. Era a primeira eleição direta para presidente. Vivíamos o auge da redemocratização com a Constituição recém-promulgada no ano anterior, em 1988. A TV era um veículo único, que gerava prestígio imediato a quem conseguisse aparecer em seus programas. Os veículos de comunicação gozavam de credibilidade porque haviam se juntado na luta pela volta da democracia, das eleições diretas e tudo o que a nossa sede de participação política ensejava num Brasil que se reencontrava com o debate público livre e um país por fazer dar certo. As dores eram coletivas, como a hiperinflação e o subdesenvolvimento. 

E o desejo de liberdade, uma causa inalienável. Com isso em mente, numa época em que os debatedores eram políticos do nível de Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Leonel Brizola, pegue o túnel do tempo e veja que no Brasil de 2026, os brasileiros precisam lutar para fazer a democracia valer novamente. A realidade é de retrocesso. Hoje, lida-se com o PT de Lula — que se sentia “oprimido” no passado — associado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O conluio do consórcio de poder entre ambos transformou a mais alta Corte do país em um aparelho de perseguição política para calar a oposição de direita e conservadora. 

A emergência das pessoas e do país é outra, que o debate parece não ser capaz de enfrentar. Uma parte da imprensa, veja só, aplaudiu a censura porque era contra concorrentes ou colegas jornalistas de pensamento diferente. A anistia de 1979 seria hoje negada por essa gente. Teriam de reescrever a história do Brasil.

Afinal, os célebres debates de 1989 só aconteceram porque a anistia assinada pelo governo militar permitiu que políticos perseguidos pudessem concorrer e jornalistas exilados fizessem a cobertura, alguns em atividade até hoje.


Debate presidencial de 1989, na imagem, da esquerda para a direita, os canditatos Paulo Maluf, Mário Covas, a jornalista Marília Gabriela, Luiz Inácio Lula da Silva, Ronaldo Caiado e Guilherme Afif Domingos - Foto: Jorge Araújo/Folhapress


No Brasil de 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível e preso, condenado em um julgamento de exceção dentro do próprio STF, e parte da imprensa ignora todos os abusos processuais. A anistia lá de trás, garantida e comemorada para sequestradores e assassinos, é negada por essa mesma gente à Debora do Baton, a moça que pintou aquela estátua fria e sem graça em frente ao STF. O voto do ministro Luiz Fux na alegada trama golpista, talvez o mais longo da história, exibe com riqueza de detalhes a sequência de ilegalidades que deveria anular todo o processo. 

Pedir que os brasileiros ignorem tudo isso e assistam aos debates de primeiro turno entre presidenciáveis como se nada de grave estivesse acontecendo é querer um pouco demais. Um dos ministros que condenou Bolsonaro se dizia vítima. Mesmo assim, votou por condenar seu algoz. Faz sentido? 

Dada a realidade, a rejeição ao modelo dos anos 1980 não é só uma questão temporal ou de forma ultrapassada. É entender que o principal não será discutido. O Brasil de hoje, que trabalha e produz, quer retomar o país e refazer a vida democrática que lhe foi tirada. E, diante de um governo impopular e consorciado com um Supremo abusivo, esse eleitor realmente interessado em política, muito similar àquela audiência dos debates dos anos 1980, sabe que o desafio da oposição é um só: apear Lula do poder. 

Lula é hoje o atraso contra o qual se lutava na redemocratização, contra a ditadura que não se quer mais diante de sua parceria com a ala arbitrária e abusiva do Supremo Tribunal Federal. O voto de oposição a Lula é contra a indignidade do voto de cabresto, que quer doutrinar milhões de brasileiros enganados por políticas assistencialistas e, por fim, contra a violência e a inflação, que corroem o presente e postergam o futuro do país de todos que, nos dois mandatos que antecederam o atual (Temer e Bolsonaro), souberam que poderia dar certo justamente por se opor às políticas destrutivas do PT e de Lula.

Não por acaso, Flávio Bolsonaro, do PL, o candidato de oposição que aparece apenas um ponto atrás nas pesquisas de segundo turno, disse que não foi ao debate porque “quer debater com quem está destruindo o Brasil e piorando a vida dos brasileiros. Debater com quem acabou com o poder de compra da população, com quem está endividando as famílias, sufocando as empresas, empresários e microempreendedores”. Antes, não ir o um debate de primeiro turno parecia o fim do mundo. Hoje, não mais! Porque o debate que importa ao Brasil, cuja economia e democracia estão sob ataque no governo Lula, é um só: que país queremos a partir de outubro e de que lado cada brasileiro pretende ficar.


 Adalberto Piotto - Revista Oeste

'O furacão Roberta', por Eugênio Esber

Uma lobista imparável. Um governo corrupto. Um telefone que sopra ventos de 250 quilômetros por hora no coração do poder


Roberta Luchsinger e Lulinha - Foto: Montagem Revista Oeste/Redes Sociais/IA


E la surgiu na ribalta brasileira em 2017. Lula havia sido condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP). O ex-metalúrgico que enriquecera ao longo de dois mandatos como presidente da República enfrentava um bloqueio judicial de R$ 10 milhões em seus bens e disponibilidades financeiras. Foi naquele momento que a grande imprensa apresentou, aos brasileiros, o admirável desprendimento de uma bilionária que oferecia a Lula uma doação de R$ 500 mil (R$ 800 mil, a valores de hoje). Nome da benfeitora: Roberta Luchsinger. 

\Em tom de fanfarra, a imprensa de Rio e São Paulo se ocupou de iluminar a história por trás daquele gesto de altruísmo. Ali estava, resplandecente, uma neta de banqueiro, descendente e herdeira do financista suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, sócio do Banco Credit Suisse. O país embasbacava-se com o perfil de Roberta, que apesar da linhagem e do sobrenome, era brasileiríssima. Um tanto excêntrica, é verdade, mas gente boa. Uma grã-fina de alma nobre e coração sincero estendendo a mão para o ex-retirante que a comovia e inspirava. Tudo lindo. Só que não.


Roberta Luchsinger |-Foto: Reprodução/Redes Sociais

Como revelaria o jornalista Luís Nassif, ainda em agosto de 2017, o noticiário festivo sobre as origens da moça e de sua fortuna se fiava em um colar de falácias. Nem mesmo a tal doação, em dinheiro e em joias, se concretizaria. Aliás, ela não era bem uma socialite, nem nadava em dinheiro. 

Mas Roberta Luchsinger caiu nas graças do PT. E, após tentativas fracassadas de se eleger deputada estadual em São Paulo pelo PCdoB, e depois pelo PT, ressurgiu na cena política brasileira com sua verdadeira face, a de uma lobista voraz, operando com a sutileza de uma locomotiva.

É dela o telefone celular que está em poder da Polícia Federal e que conta uma arrepiante história de corrupção iniciada no terceiro mandato de Lula, em 2023. Por mais de sete meses, o conteúdo das revelações foi mantido longe do conhecimento público para não arruinar a campanha de reeleição de Lula, dado o envolvimento acintoso de Fábio, filho mais velho do presidente, com as negociatas articuladas por Roberta dentro do Palácio e dos ministérios da Saúde, da Previdência e do Desenvolvimento Social. 

A catimba da cúpula petista da Polícia Federal só não durou mais porque até mesmo a paciência de André Mendonça, ministro zen do STF, tem limite. Relator dos processos relativos ao Banco Master e ao INSS, Mendonça exigiu acesso aos elementos de prova recolhidos pela PF, e de imediato uma torrente de escândalos passou a inundar o cotidiano dos brasileiros. 

O mais escabroso, para um governo exercido por um partido sedizente “de esquerda” e “dos Trabalhadores”, é que Roberta e Lulinha aparecem nas mensagens telefônicas como cúmplices do homem que operou o roubo de mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS. 

No balaio de vítimas do “Careca do INSS” e sua gangue de picaretas estão trabalhadores brasileiros apanhados em seu momento mais vulnerável — a velhice, a doença, a pobreza ou tudo isso junto e misturado. Há também portadores de deficiência que foram tungados pelo fraudulento sistema de descontos automáticos montados pela rede de pilantras de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca”, preso na Papuda desde setembro de 2025.


Lulinha, filho do presidente Lula da Silva - Foto: Reprodução/YouTube

À medida que vêm à tona os luxos inimagináveis desfrutados por uma gangue de picaretas que se sentia em casa dentro do governo, e inclusive na antessala do presidente da República, mais insustentável se torna a legitimidade de Lula para pedir um novo mandato aos brasileiros. Uma mensagem de janeiro de 2024 que a Polícia Federal recuperou no celular de Roberta traz uma informação gravíssima que Lula, pessoalmente, ainda não contestou. 

Com a palavra, Roberta: “Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando. Tô em cargo nenhum e ando onde quero”. Em tempo: ela se refere a Fernando Bittar, que se apresentou à Justiça como dono do Sítio de Atibaia para tentar, sem sucesso, livrar Lula de mais uma condenação por corrupção e lavagem de dinheiro. 

O relato sobre o convite que recebeu para ocupar o cargo que bem quisesse no governo é uma granada que Roberta jogou no colo de Lula. O destinatário da revelação foi o empresário Gustavo Gaspar, o “Gasparzinho”, que nas diligências da PF figura como parceiro de Careca em vários “negócios”, inclusive a tentativa de vender medicamento à base de canabidiol para o SUS.

Seria um blefe de Roberta? Talvez. Mas, se Lula e os petistas puxarem a carta da mitomania para desacreditá-la, estarão incorrendo em altíssimo risco. Em primeiro lugar, a mania de mentir e acreditar nas próprias mentiras está grudada na biografia de Lula, que já foi e voltou incontáveis vezes em temas como aborto ou taxa das blusinhas, além de adotar um zigue-zague estonteante quando confrontado com o que fez ou deixou de fazer, disse ou deixou de dizer. 

Em segundo lugar, se fingir que não conhece Roberta e, principalmente, se ousar desmenti-la sobre o convite para integrar o governo, Lula se arrisca a provocar os brios e mexer com os sentimentos de uma aliada que se sente miseravelmente descartada. Segundo Veja publicou, emissários de Roberta já deixaram claro que, se for abandonada, ela não aceitará cair sozinha.

Em uma delação, o primeiro a cair com Roberta é Lulinha, a se levar em conta as mensagens que ela tentou inutilmente apagar do seu celular: “Eles sabem que eu sou o Fábio. Fábio e eu somos uma coisa só. A gente é mesmo irmão“.

Há uma troca de mensagens entre Roberta e Lulinha em que o filho do presidente praticamente se incrimina. Foi em janeiro de 2024. Roberta planejava uma viagem à Europa, em mais um capítulo da série em que espertalhões se esbaldam à custa de brasileiros feitos de otários. Não era só lazer. Ela queria tratar de abertura de contas bancárias na Suíça. Orçamento de ricaço: R$ 100 mil por cabeça.


O relato sobre o convite que recebeu para ocupar o cargo que bem quisesse no governo é uma granada que Roberta jogou no colo de Lula - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Lulinha, até ele, achou que aquilo podia ser demais. Beliscou o freio. — Roberta, a gente tá se arriscando. Não precisa… É só esperar uns poucos meses e podemos fazer isso sem medo de nada.

Esfuziante, como sempre, Roberta não deu a mínima atenção e seguiu argumentando em favor da realização da viagem. Dinheiro não era problema. 

— Então, meu amor — balbuciou Lulinha, sem firmeza —, eu não tenho dindim nem origem pra isso. Não dá preu gastar esse tanto agora… Qualquer m. não tem explicação nenhuma. 

A m. já aconteceu. Pior: está acontecendo. A sequência eletrizante de novidades lembra novelas que marcaram época no tempo em que a TV aberta hipnotizava multidões às 8h da noite. Já se sabe das maquinações comprometedoras que Roberta, Lulinha e “Fefê” (Fernando Bittar) urdiam em um grupo de WhatsApp intitulado “Musaranhos”, nome de um bichinho que parece um rato de focinho alongado, com faro aguçadíssimo e necessidade de caçar e comer o tempo todo para se manter vivo. Roberta, a “musa” do grupo, era um pouco assim, insaciável. 

Em mensagem para Gustavo Gaspar, assessor de Weverton Rocha (PDTMA), vice-líder do governo no Senado, ela deixou claro o que esperava de 2024, quando o tráfico de influência do grupo andava a todo vapor: “Eu quero 100 milhões esse ano. Pra mim.” Convicta de estar absolutamente a salvo de qualquer investigação, atreveu-se a ironizar a própria ambição. “Sou modesta.” 

Roberta está agarrada a Lulinha, e ele a ela, ambos no centro de um furacão que abala o coração do poder com ventos de 250 quilômetros por hora. A porta do gabinete de Lula já foi arrancada a partir da demissão de “Marcola”, o assessor que operava o telefone presidencial, fazia agendas e abria portas para o lobby de Roberta e Lulinha, mediante recebimento de valores, joias e até obra de arte, cujo destinatário final pode ser ele, ou alguém a quem servisse como intermediário. 

\O furacão Roberta mandou tudo para os ares da curiosidade pública: malas de dinheiro, armário com maços de cédulas… Nada ficou no lugar, nesta mixórdia de ilicitudes que compõem o mais estupendo bazar de corrupção palaciana já visto no Brasil.

Diferentemente do que alegam petistas, há negócio fechado, contrato assinado e dinheiro no bolso em pelo menos um caso — a empresa de tecnologia 3Structure, que vendeu serviços para o Ministério do Desenvolvimento Social em valores que, acumulados, ultrapassam R$ 60 milhões. Em síntese, o negócio se consumou graças à atuação da RL Consultoria, iniciais de Roberta Luchsinger. Há, portanto, “materialidade” na traficância dos Musaranhos. “Emite a NF pro Cleber”, teclou Lulinha. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, exultou Lulinha. 

Cleber Ribas, dono da 3Structure, se diz amigo de Lulinha. Há pelo menos uma viagem que os dois fizeram juntos, com passagens pagas por Cleber. 

Tudo está no Supremo Tribunal Federal, hoje uma Corte política aliada de Lula e que passa vergonha no mundo inteiro por ter destruído a Lava Jato, maior operação de combate à corrupção de que se tem notícia. A atuação solitária do ministro André Mendonça, que formalmente é o condutor das investigações sobre Lulinha, Roberta, Careca e cúmplices, não parece capaz de fazer o simples — aplicar a lei. 

Enfrenta um titânico consórcio de poder que está determinado a abafar os ventos de 250 quilômetros por hora produzidos pelo furacão Roberta. Portanto, convém levar a sério a predição que ela fez para Lulinha, em mensagem que tentou deletar de seu telefone: “A gente tá em outro nível. Nosso futuro é a Suíça“. A gente, quem? Ou melhor: quem mais, além dela e do interlocutor, Lulinha?

Em 2023, em evento que celebrava a posse de Cristiano Zanin no STF, Roberta postou em sua rede social uma foto em que afetava poder e influência ao lado de Gilmar Mendes e de Alexandre de Moraes. A legenda que ela colocou na foto com dois adversários de André Mendonça na Corte é cheia de significado e de pontos de exclamação: 

“Muito bem acompanhada!!!“


Eugênio Esber - Revista Oerste


Augusto Nunes e o 'Duelo no bordel'

 A capivara de Lulinha é mais perigosa que um dragão


Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", Fábio Luís Lula da Silva, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução/Agência Brasil


L ulinha vai para Portugal com o Careca do INSS, a dupla volta pronta para vender ao governo uma imensidão de canabidiol e Lula nada vê. O filhão voa para a Espanha, instala-se num bairro de gente riquíssima e o pai de nada sabe. O Ronaldinho da Informática embolsa gordas mesadas doadas por vigaristas e agenda encontros entre seus patrocinadores e o chefe de gabinete do presidente, sempre assaltado por surtos de miopia conveniente. A trambiqueira Roberta Luchsinger informa que passou a identificar-se com o prenome mágico — Fábio — para entrar sem bater no esconderijo do Marcola do Lula. O dono do Planalto jura que tudo ignora. Decididamente, Lula é um São Jorge de bordel. 

Explico-me. Na cidade onde nasci, um quadro de São Jorge duelando com o dragão era o único enfeite da Casa da Diná, a mais apreciada da zona do meretrício de Taquaritinga. Toda cidade paulista com mais de 10 mil habitantes tinha uma um punhado de três ou quatro habitações erguidas naquele território impreciso onde a área urbana acabava sem que tivesse começado o mundo rural. O elenco de moradoras sofria oscilações, mudavam o mobiliário, o tamanho da sala de espera, a metragem e a quantidade dos quartos. Nada disso importava muito. O que não podia faltar de jeito nenhum eram uma cama de casal em cada quarto e o mesmíssimo quadro de São Jorge matando o dragão.


Pintura de São Jorge lutando contra um dragão | Foto: Wikimedia Commons

Havia detalhes belíssimos. O capacete do herói rima com as vestes multicoloridas do santo guerreiro que, enquanto luta, domina o corcel com as patas empinadas. A extremidade da lança, empunhada pela mão direita, já está parcialmente enterrada no lombo do dragão. A esquerda segura as rédeas e, simultaneamente, envolve com os dedos a haste da lâmina que perfura a couraça da fera. 

O espetáculo da coragem temerária contrasta com a expressão beatífica do herói. Só mesmo um São Jorge de bordel conseguiria arrostar tais perigos com tamanha placidez. Concentrado no embate perigosíssimo, o exterminador de dragões nunca prestava atenção ao que acontecia fora do retrato. Nos quartos, gritos, gemidos e uivos avisavam que a farra corria solta. Na sala, homens e mulheres negociavam o preço do prazer. A zona era uma zona, mas São Jorge parecia nada ver, nada ouvir e nada estranhar. 

Demorei a compreender que o santo estava lá não para garantir a moral e os bons costumes, muito menos para transformar zona em convento. Estava lá para matar um dragão, e quem peleja com um bicho desses não tem tempo a perder com batalhas de alcova ou guerras extraconjugais. E então entendi por que era chamado de “São Jorge de bordel” todo homem da cidade que mantinha a cara de paisagem enquanto prosseguia o cortejo de bandalheiras domésticas. O filho que abandonara os estudos e continuava desempregado voltava da rua cada vez com mais dinheiro. 

A filha apaixonada pelo cafajeste do bairro dizia que ficara conversando na casa de uma amiga ao chegar às 6 da manhã. A mulher vivia com os cotovelos na janela sorrindo para desconhecidos. Netos trocavam sopapos na divisão do produto do roubo do cofrinho da avó. E a tudo o chefe da família seguia indiferente. Concentrado na luta para pagar as contas da casa, não tinha tempo para outras incumbências. Como um São Jorge de bordel.

Como um São Jorge de bordel age Luiz Inácio Lula da Silva desde que deixou o emprego de torneiro-mecânico para viver de discurseira. O exlíder sindicalista que começava a carreira política morou oito anos — sem pagar um só centavo — num apartamento pertencente ao advogado Roberto Teixeira. Concentrado na fundação do PT, nem perguntou quanto custava o aluguel nem se devia pagar a taxa do condomínio. 

Concentrado no ofício de candidato à Presidência da República, jamais quis saber de onde vinha a dinheirama derramada nas campanhas. Concentrado no combate à fome, o ex-operário nascido em Pernambuco fantasiou-se de Pai dos Pobres para desfrutar da vida mansa de Mãe dos Ricos.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução/Youtube 


Só depois da entrada em cena da Lava Jato ficou claro que Lula sempre soube de tudo o que ocorria na zona do PT (e na própria casa). Fingiu ignorar a catarata de bandalheiras que incluíram, entre outros assombros, o Mensalão e o assalto à Petrobras porque dela foi, sucessivamente, beneficiário, sócio majoritário e mentor antes de assumir a chefia do maior esquema corrupto da história do Brasil. Fez de conta que o sítio em Atibaia era coisa de amigo dele para passar 111 fins de semana descansando em sua casa no campo. Continuou a negar qualquer interesse pelo triplex do Guarujá mesmo depois de flagrado visitando sua futura casa na praia.

Lula já se comparou a Tiradentes, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Nelson Mandela e Jesus Cristo. A devassa das catacumbas do Petrolão provou que é apenas uma versão degenerada do São Jorge de bordel. Numa zona de antigamente, o santo interromperia o duelo com o dragão para descer do quadro e botar ordem na zona do Planalto. Num Brasil imbecilizado pela idiotia endêmica, o São Jorge de araque foi libertado pelo Supremo da merecidíssima cadeia, conseguiu um terceiro mandato e agora reivindica outros quatro anos de vadiagem muito bem remunerada. 

Concretizar tal sonho está ficando tão complicado quanto entender a dança que Janja está dançando. Além da exaustão de milhões de brasileiros, o chefão do PT enfrenta um bicho mais perigoso que dragão soltando fogo pelas ventas: a capivara de Lulinha. 

Augusto Nunes - Revista Oeste

O cerco a André Mendonça (pelo cartel lula-stf-globolixo), por Cristyan Costa

Governo, cúpula do STF e Polícia Federal se movimentam para conter o ministro que comanda as investigações sobre o roubo do INSS e a fraude bilionária do Banco Master


Capa da Revista Oeste


Durante uma cerimônia no Quartel-General do Exército, em Brasília, nesta terça-feira, 25, o presidente Lula se esquivou de jornalistas que o interpelaram sobre o avanço das investigações da Polícia Federal (PF) a Lulinha, citado no inquérito que apura a roubalheira aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso já vem preocupando o petista há mais de um ano. Por volta das 20h de 25 de agosto de 2025, dois ministros de Estado receberam por WhatsApp a informação segundo a qual André Mendonça acabara de ser sorteado relator, no Supremo Tribunal Federal (STF), das investigações do escândalo do INSS. Depois de lerem a mensagem, ambos se entreolharam e, na sequência, levaram a notícia a Lula. O presidente ficou em silêncio. 

Àquela altura, o petista mal digerira outra derrota: a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS começara os trabalhos havia cinco dias. Por meses, a esquerda tentou impedir a instalação da comissão. Para piorar, a presidência e a relatoria do colegiado ficaram com a oposição. As notícias já aproximavam o escândalo da família de Lula, a começar por Frei Chico, irmão mais velho de Lula e vicepresidente de um sindicato investigado por descontos indevidos em aposentadorias. O presidente tampouco tinha superado o desgaste causado pela queda de Carlos Lupi, então ministro da Previdência. Dirigente nacional do PDT, Lupi deixara o governo em maio, depois de o escândalo alcançar sua pasta e provocar o afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Os dois eram alvo de uma operação da PF, que suspeitava do envolvimento deles com os desvios no INSS.


Ministro André Mendonça |Foto: STF




'Frei Chico', irmão de Lula, é vice-presidente do Sindnapi, que recebeu R$ 77,1 milhões de aposentados | Foto: Reprodução/Redes Sociais 


Ofensiva suprema 

A chegada do caso às mãos de Mendonça também incomodou o outro lado da Praça dos Três Poderes, principalmente a ala liderada pelo decano do STF, Gilmar Mendes, que reúne Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Toffoli havia conduzido o caso do INSS, mas deixou a relatoria após sua atuação virar alvo de questionamentos. O temor era que Mendonça acumulasse poder ao comandar uma apuração que alcançasse governo, políticos e empresários. Em um telefonema para Mendes na manhã seguinte, Lula manifestou “profunda insatisfação” com o rumo que as coisas tomaram. 

O primeiro avanço contra Mendonça ocorreu na frente parlamentar. Informações reunidas pela CPMI do INSS começavam a aproximar Lulinha do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado pela PF como operador do esquema de desvios na autarquia. O elo entre os dois seria a lobista Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente. Documentos registraram a relação de proximidade que se estabeleceu: Lulinha e Careca viajaram juntos de primeira classe de Guarulhos para Lisboa, em novembro de 2024. Um requerimento da comissão ainda mencionou que Roberta pagou as passagens e uma mesada de aproximadamente R$ 300 mil para o filho de Lula. 

Diante dos primeiros indícios de corrupção, Mendonça autorizou medidas destinadas a aprofundar as apurações, entre elas, quebras de sigilo. Meses depois, quando permitiu a prorrogação da CPMI, a ala de Gilmar percebeu que era hora de reagir. O decano pressionou o presidente do STF, Edson Fachin, e ameaçou travar o andamento do Código de Ética do tribunal caso ele não convencesse Mendonça a submeter a liminar ao plenário. Isolado, Fachin cedeu e Mendonça aceitou por acreditar ter maioria. Antes do julgamento, contudo, Gilmar convenceu os colegas a mudar de posição. Em 26 de março de 2026, apenas Fux acompanhou Mendonça. Os ministros Nunes Marques, Fachin, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia teriam virado a casaca. Por 8 votos a 2, o STF derrubou a prorrogação e encerrou a CPMI. A ala do decano eliminava, assim, uma de suas principais preocupações no Parlamento.


Careca do INSS: suspeita de ocultação de patrimônio no exterior | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil 


O cerco, então, passou a acontecer em outras áreas. Embora a própria PF tivesse solicitado a quebra dos sigilos de Lulinha, a corporação levou mais de sete meses para entregar o material ao gabinete de Mendonça. O relator cobrou os dados ao menos três vezes. Diligências permaneciam inconclusas, procedimentos deixavam de ser comunicados e a equipe responsável pelo caso sofria alterações sem o conhecimento do ministro. A resistência pôs Mendonça em confronto com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, aliado de Lula e próximo da ala de Mendes. No fim de junho, Mendonça exigiu a entrega dos relatórios de apurações que se arrastavam havia meses. Somente depois das cobranças do ministro e da pressão midiática em cima do caso, as investigações prosseguiram. 

Em um dos capítulos mais recentes do confronto, Mendonça determinou que os dados brutos obtidos nas apurações, incluindo os resultados das quebras de sigilo fiscal e telemático, permanecessem sob a custódia de seu gabinete. Também proibiu os delegados de compartilhar as informações com seus superiores hierárquicos e submeteu ao relator eventuais mudanças nas equipes. As ordens buscavam impedir novas alterações sem seu conhecimento e preservar provas que a PF demorara meses para entregar. 

No fim de julho, surgiu uma nova tentativa de afastar Mendonça. A PF encaminhou à presidência do STF outra frente de investigação a respeito de Lulinha, sem indicar claramente que o processo deveria ser remetido ao relator do caso do INSS. A omissão abriu caminho para um novo sorteio e para a possibilidade de entregar a apuração a outro ministro. 

A manobra fracassou: o próprio sistema do STF sorteou Mendonça novamente. No dia seguinte ao recebimento do processo, ele abriu o inquérito contra Lulinha. Impedida de afastar o relator, a cúpula da PF tentou limitar seus poderes. Rodrigues procurou a Advocacia-Geral da União (AGU) e pediu a apresentação de um recurso para derrubar as determinações do ministro. A AGU, contudo, recusou-se a interferir. 

O diretor-geral recorreu, então, à Procuradoria-Geral da República. A PGR solicitou a Mendonça que enviasse a investigação a respeito de Lulinha à primeira instância da Justiça. O juiz do STF, no entanto, deve rejeitar essa solicitação e manter o processo na Corte. 

A sequência expôs o tratamento diferente dispensado pela PF e pela PGR aos ministros do Supremo. Diante de Mendonça, os dois órgãos contestaram decisões, buscaram limitar os poderes do relator e defenderam a retirada de parte das investigações de suas mãos. A mesma resistência não apareceu em inquéritos conduzidos por Moraes, como o das Fake News, apesar do controle direto exercido pelo ministro acerca de diligências e equipes policiais.

Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e seu pai, o presidente Lula da Silva - Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segunda trincheira 

Quase seis meses após assumir as investigações do INSS, Mendonça abriu uma segunda trincheira no STF. Em 12 de fevereiro de 2026, foi sorteado relator do caso Master, em razão de Dias Toffoli deixar o comando da investigação sob suspeitas de proximidade com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo banco. 

Naquele momento, Rodrigues entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de cerca de 200 páginas que descrevia em minúcias os negócios e as relações entre Toffoli e Vorcaro. O STF arquivou o documento. O desgaste, contudo, tornou insustentável a permanência de Toffoli à frente da investigação. O ministro deixou a relatoria, mas continuou no tribunal sem responder aos questionamentos reunidos pela própria PF.

O episódio também revelou outro contraste na atuação da corporação. As relações de Moraes com Vorcaro haviam sido divulgadas pela imprensa, mas Rodrigues não produziu contra ele um relatório semelhante. Nos últimos meses, vieram a público sucessivos relatos de vazamento de informações sigilosas do STF. As únicas investigações que produziram consequências, porém, foram aquelas relacionadas a Moraes. 

Sob o comando de Mendonça, a Operação Compliance Zero avançou sobre a fraude bilionária do Master, as operações com o Banco de Brasília e a participação de agentes públicos. O ministro autorizou prisões e outras medidas cautelares contra Vorcaro, familiares do banqueiro e personagens apontados como integrantes do esquema. A reação da ala do decano não tardou. No INSS, o grupo conseguira encerrar a CPMI. 

No Master, adotou uma estratégia mais sofisticada: registrar desde já argumentos jurídicos que poderão ser usados pelas defesas para anular a investigação no futuro. A ofensiva tornou-se pública em 16 de junho, durante uma sessão da 2ª Turma. Embora o colegiado tenha mantido a prisão do pai e de um primo de Vorcaro, Mendes comparou repetidamente a Compliance Zero à Lava Jato e afirmou enxergar “desconcertantes semelhanças” entre as duas operações.



O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em nova operação da Polícia Federal - Foto: Reprodução/Redes sociais


Mendonça reagiu. “Não estamos aqui a julgar a Lava Jato”, afirmou. “Estamos aqui a julgar a maior fraude financeira da história do nosso país.” O relator também demarcou a diferença entre sua conduta e os métodos criticados em outras operações: “Não prendo para obter delação”. Mendes não precisava derrubar imediatamente as decisões do relator. Em julgamentos sucessivos, acompanhou parte das medidas, mas registrou ressalvas sobre prisões preventivas, vazamentos, diligências e fundamentos jurídicos. Cada crítica acrescentava um argumento ao arsenal que as defesas poderão usar em habeas corpus, recursos e pedidos para invalidar provas. Investigadores que acompanham o caso enxergaram nos votos do decano um roteiro de futuras nulidades. 

O método lembrava o percurso que levou ao desmonte da Lava Jato: primeiro, questionam-se procedimentos específicos; depois, as críticas convertem-se em teses gerais; por fim, essas teses são usadas para invalidar provas e derrubar processos inteiros. Um ex-ministro do STF confirmou reservadamente o risco. Na avaliação dele, as manifestações de Mendes deixaram de representar divergências pontuais e passaram a oferecer fundamentos para futuras contestações das defesas. Ciente da armadilha, Mendonça procura fechar cada uma dessas saídas. 

O ministro trata acordos de colaboração com cautela, evita que a investigação dependa exclusivamente da palavra de delatores e exige da PF a delimitação das diligências. Cada medida cautelar deve estar vinculada a fatos determinados. O rigor busca afastar acusações de investigação genérica e impedir que falhas processuais sejam usadas para salvar os responsáveis pela fraude. Mendonça também vigia os vazamentos de informações sigilosas. Para o relator, não basta descobrir como o esquema funcionou: é necessário produzir provas capazes de sobreviver aos recursos que certamente chegarão ao Supremo. 

Na 2ª Turma, Fux tornou-se o principal aliado dessa resistência e passou a divergir das posições defendidas por Mendes. Com Toffoli impedido, Nunes Marques completa o muro de contenção, embora menos previsível — como mostrou ao mudar de posição no julgamento que acabou com a CPMI.

Esse muro, contudo, protege Mendonça apenas nos embates imediatos. A ofensiva da ala do decano tem alcance mais longo: cercar a investigação de teses de nulidade que possam chegar ao plenário e, no futuro, invalidar diligências, provas e condenações. Mendonça resiste para evitar que a fraude bilionária do Master tenha o mesmo destino da Lava Jato. Resistência A tentativa de romper o muro de proteção erguido por Mendonça não ficou restrita aos processos. 

Nesta semana, Oeste revelou que Mendes e Dino pressionaram pessoas e instituições próximas ao ministro para isolá-lo dentro e fora do STF. Em uma das investidas, Dino advertiu um empresário do setor de saúde de que Mendonça poderia atuar contra ele e contra o segmento. Em outra frente, Gilmar pressionou um empresário da área de comunicação a romper relações com o relator e a deixar de aproximá-lo de representantes de setores influentes. 

O recado era inequívoco: quem permanecesse ao lado de Mendonça também poderia pagar um preço. A disputa ultrapassa os casos do INSS e do Master porque a composição do Supremo mudará profundamente nos próximos anos. As aposentadorias compulsórias de Fux, Cármen, Mendes e Fachin abrirão quatro vagas até 2033. As escolhas dos futuros ministros poderão alterar completamente o equilíbrio entre as alas do tribunal e definir se Mendonça continuará isolado ou ganhará aliados. Diante do cerco, o ministro tenta resistir. 

No INSS, luta para impedir que atrasos, omissões e manobras enterrem as investigações; no Master, protege as provas das nulidades preparadas para o futuro. Se recuar, a derrota não será apenas sua. Será o triunfo daqueles que apostam no isolamento, no desgaste e nas chicanas para escapar da Justiça.


Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes - Foto: Antonio Augusto/STF


Cristyan Costa - Revista Oeste

Crime controla 35% do Rio - STF preserva, como faz com a facção do Lula...

 

Reprodução



Quem manda no asfalto no Rio de Janeiro não é o Estado, é o tráfico, que retalia a ação policial como se governasse. Ações de guerrilha das facções parou o Rio nesta quarta-feira (26). Tiroteio, postos de saúde fechados, 19 ônibus sequestrados, vias bloqueadas, escolas sem aula. Enquanto isso, o Supremo (STF) avalia há 8 meses se deixa ou não a polícia executar o Plano Estratégico de Reocupação Territorial que o governo do Rio mandou em dezembro. A PGR faz “ressalvas”.



Análise da rua

Alexandre de Moraes pediu mais análise, mas, na rua, a análise já veio: ônibus viram barricada, ao som de granadas e fuzis, a cidade tem medo.

Domínio de milhões

Estudos indicam que 35% da população da Região Metropolitana do Rio vive sob o controle de facções e milícias. São 4 milhões de reféns.

Estado de fato

Caminhoneiros pagam pedágio para não ser assaltados, moradores são obrigados a pagar gás, internet e até cigarros fornecidos pelos bandidos.

Sexo dos anjos

O crime mata, tortura, trafica, prende, até decreta fé religiosa autorizada. Define o preço do medo, enquanto Brasília discute “letalidade policial”.


Com Diário do Poder