sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Confira quem frequentava mansão/covil de lobista cúmplice de Lulinha

Movimentação em torno da casa alugada por Roberta Luchsinger está no centro de inquérito da PF que investiga tráfico de influência e corrupção



O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Redes sociais


A movimentação em torno de uma mansão luxuosa em Brasília usada como base pela lobista Roberta Luchsinger está no centro de um inquérito da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.

O caso, repercutido pela revista Veja, ganhou destaque pela articulação de negócios privados com órgãos federais, incluindo tentativas de contratos milionários com o Ministério da Saúde para medicamentos à base de canabidiol. 

Mensagens analisadas pela PF revelam que Lulinha atuava em parceria com empresários e lobistas, como Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS, figura ligada a esquemas de fraude em aposentadorias. Depois do escândalo que envolve o INSS, as tratativas sobre o canabidiol foram abandonadas, mas o grupo manteve outras iniciativas para acordos em setores como portos, aeroportos e empresas públicas.


O papel e os visitantes da mansão


A lobista reuniu figuras do governo Lula na residência - Foto: @roberta.luchsinger/Reprodução

Roberta Luchsinger, que possui conexões com integrantes do PT, era responsável por aproximar interessados em contratos públicos de autoridades influentes. Segundo apuração do jornal O Globo, a mansão em Brasília servia para reuniões e festas, reunindo empresários, ministros e assessores do presidente. Lulinha era hóspede frequente e aproveitava a estrutura do imóvel, localizado em condomínio de alto padrão a 8 quilômetros do Palácio do Planalto.

Entre os visitantes da residência estavam Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Saúde; Wellington Dias (PT-PI), ministro do Desenvolvimento Social; Frederico Siqueira (PT-SP), ministro das Comunicações; Swedenberger Barbosa, chefe-adjunto do gabinete presidencial; além de Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete. Os irmãos Kalil e Fernando Bittar, sócios de Lulinha, também compareciam, assim como a própria Roberta.

Mensagens sugerem que Frederico Siqueira, “Fred”, aconselhou lobistas que buscavam negócios na Dataprev. O ministro, um dos frequentadores da mansão, foi alvo de preocupação quando explodiu o escândalo do INSS. “Eu tô com casa aqui, Fábio, filho do presidente, fica aqui comigo”, escreveu Roberta a um consultor de crise, segundo a Veja. “Estamos vindo toda semana [a Brasília]. Fred merece uma atenção especial.” 

O acesso à casa era controlado pela portaria do condomínio, mas as regras eram flexíveis para os convidados da lobista. “A ordem era para não registrar nada”, relatou um funcionário do local à Veja. “A pessoa chegava, o porteiro ligava na casa e perguntava se a entrada estava liberada.” Segundo ele, Lulinha era visto informalmente, circulando de bermuda e sem camisa pelos jardins. 

Em um outro diálogo, Roberta convidou o chefe de gabinete de Lula da Silva para almoçar na mansão. “Quer um churrasquinho?”, pergunta. 

Marcola responde que a ideia era boa, mas o tempo disponível seria curto demais. “Amanhã o presidente está aqui”, explica e sugere: “A gente pode pedir uma carne”. 

Depois da parte gastronômica, a lobista faz um pedido: “Leva o Berger”. E esclarece: “O Fábio pediu”.


Contrato de aluguel e relações da lobista e de Lulinha 

O imóvel foi alugado em meados de 2024, com contrato inicialmente no nome do dentista Rafael Nicolau Arbex, amigo de Fernando Bittar. 

Arbex, citado como testemunha na Operação Lava Jato, afirmou que apenas assinou em nome de Roberta por um imprevisto dela e que todas as despesas, que chegaram a R$ 100 mil mensais, eram de responsabilidade da lobista. A suspeita é que empresários interessados em negócios com o governo custeavam esses valores. 

A Polícia Federal aponta Lulinha, Fernando Bittar e Roberta Luchsinger como parte de um grupo oculto que negociava influência e oferecia facilidades a clientes interessados em acessar órgãos públicos. As mensagens mostram que Roberta esperava faturar até R$ 100 milhões em 2024 e relatava proximidade com o presidente.

“Fui uma das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde você quer ficar”, afirmou. Sobre Lulinha, declarou:

 “Fábio e eu somos uma pessoa só” e explicou: 

“Ele só entra em campo quando precisa”. 

Lucas Chelddi - Revista Oeste