Ações em alta (Crédito: Shutterstock)
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (11) puxado pelos expressivos ganhos de Petrobras (PETR3; PETR4), que avançou 1,82% e de Vale (VALE3), que teve alta de 3,51%. Juntas, as ações dessas duas empresas respondem por mais de 20% da composição da carteira teórica do benchmark.
Com mais um dia de euforia sobre os papéis ligados a commodities, a Bolsa por aqui acabou se descolando do ambiente de forte queda das bolsas nos Estados Unidos.
Lá fora, o que pesou foram os temores de alta da inflação na maior economia do mundo. Papéis de ações de tecnologia são especialmente afetados e na véspera já haviam registrado fortes quedas.
O Federal Reserve vem sinalizando que não pretende apertar sua política monetária enquanto não houver sinais mais claros de recuperação do emprego. Mas há temor sobre o impacto de um período de alta da inflação sobre a economia.
O rendimento dos juros do Tesouro americano com vencimento em dez anos, atingiu 1,6% na segunda, uma alta de 0,03 ponto percentual, o que prejudica principalmente as companhias de tecnologia.
Essas empresas são vistas como de muito crescimento independente do cenário econômico, então grande parte do fluxo de caixa delas está na perpetuidade, de modo que acabam sofrendo mais com uma alta da taxa de juros longa.
Perto do meio dia foi divulgado o indicador de aberturas de vagas de trabalho nos EUA, que totalizaram 8,1 milhões em março, acima do recorde anterior, de 7,6 milhões em novembro de 2018, conforme reportou o Wall Street Journal.
Por aqui, atenção também para os dados de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,31% em abril, segundo dados divulgados pelo IBGE, número praticamente em linha com os 0,30% da expectativa dos analistas consultados pela Refinitiv. Em março, o índice tinha subido 0,93% na comparação com fevereiro.
O Ibovespa teve alta de 0,87%, a 122.964 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,23 bilhões. Foi o maior patamar de fechamento do índice desde o dia 14 de janeiro, quando o benchmark encerrou a sessão cotado em 123.480 pontos.
Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,18% a R$ 5,222 na compra e a R$ 5,223 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em junho registra leve variação positiva de 0,01% a R$ 5,234.
No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai cinco pontos-base a 4,79%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de 11 pontos-base a 6,53%, o DI para janeiro de 2025 recuou nove pontos-base a 8,07% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de três pontos-base a 8,68%.
As bolsas asiáticas também sofreram pressão do movimento de vendas de empresas de tecnologias nos EUA. O índice Nikkei, do Japão, fechou com queda de 3,08%; o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 1,23%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, caiu 2%. Na China continental, no entanto, o índice Shanghai composto fechou com alta de 0,4%, enquanto que o Shenzhen composto subiu 0,36%.
Na terça, o governo chinês anunciou que os preços ao consumidor em abril subiram 0,9% em comparação com um ano antes, abaixo da expectativa de 1% feita por analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters. No entanto, o índice de preços ao consumidor subiu 6,8%, acima da projeção de 6,5% feita por analistas ouvidos pela Reuters.
Além disso, a China também divulgou dados sobre o seu Censo, realizado de dez em dez anos, que indicou desaceleração do crescimento populacional na China continental, a 0,53% no período. Entre 2000 e 2010, o patamar havia sido de 0,57%.
Radar corporativo
A temporada de resultados segue movimentada nesta terça-feira. A Itaúsa anunciou que seu lucro recorrente de janeiro a março somou R$ 2,4 bilhões, 123% a mais do que no mesmo período de 2020. Em termos líquidos, o lucro de R$ 2,2 bilhões foi 118% maior do que um ano antes.
A Lojas Marisa teve queda do prejuízo líquido, passando de R$ 107 milhões para R$ 53,4 milhões no primeiro trimestre de 2021.
O lucro líquido da Direcional cresceu 170%, para R$ 27 milhões, enquanto a receita líquida teve alta de 42%, para R$ 414 milhões. Já o prejuízo da Mitre teve alta de 82,2%, no 1º trimestre, para R$ 11,7 milhões; a receita líquida subiu 77,2%, para R$ 85 milhões.
A Aura Minerals teve prejuízo de R$ 78,6 milhões no primeiro trimestre do ano passado (US$ 18 milhões) e registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 76,4 milhões (US$ 14 milhões) nos primeiros três meses de 2021. O lucro da Blau Farmacêutica mais que dobrou na comparação anual, indo de R$ 31 milhões para R$ 86,1 milhões.
Maiores altas
| ATIVO | VARIAÇÃO % | VALOR (R$) |
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Maiores baixas
| ATIVO | VARIAÇÃO % | VALOR (R$) |
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Ainda em destaque, o lucro líquido da Petz teve baixa de 40,7% na comparação anual, para R$ 11,48 milhões. Já a Intelbras reverteu prejuízo registrado nos primeiros três meses de 2020 e teve lucro de R$ 89,7 milhões no trimestre.
BTG e Klabin divulgam resultados antes da abertura enquanto que, após o fechamento do mercado, Carrefour Brasil, Banco Inter, BR Distribuidora, Lopes Brasil, Marfrig, Grupo Notre Dame Intermédica, RD, Santos Brasil, SulAmérica, Vivo, Vulcabras, Wilson Sons e Espaço Laser revelam seus números.
Fora da temporada, a petroleira brasileira PetroRio informou que a perfuração realizada no reservatório do Eoceno no Campo de Polvo apresentou resultado “bastante satisfatório”, com produção inicial em torno de 2.500 barris de óleo por dia.
A Petrobras assinou contrato para a venda da totalidade de sua participação de 50% no campo terrestre de Rabo Branco, na Bacia de Sergipe-Alagoas, em Sergipe, para a Petrom, por US$ 1,5 milhão, informou a companhia nesta segunda-feira em comunicado ao mercado.
O tráfego de passageiros em voos da Azul em abril recuou 9,1% em relação a março, segundo dados informados pela companhia aérea nesta segunda-feira, mostrando os efeitos sobre o setor da segunda onda de contaminação pela Covid-19 no Brasil.
Ricardo Bonfim, InfoMoney