Em Hartlepool, no nordeste da Inglaterra, Jill Mortimer obteve 15.529 votos, quase o dobro de seu adversário de esquerda, o trabalhista Paul Williams
O Partido Conservador britânico, do primeiro-ministro Boris Johnson, obteve uma vitória histórica nas eleições locais realizadas na quinta-feira 6. Pela primeira vez em quase 50 anos, desde que o distrito de Hartlepool, reduto histórico do Partido Trabalhista no nordeste da Inglaterra, passou a ter direito a um assento no Parlamento de Westminster, a direita elegeu um representante.
Trata-se da candidata conservadora Jill Mortimer, que obteve 15.529 votos — quase o dobro de seu adversário de esquerda, o trabalhista Paul Williams (8.589). Hatlepool está localizada no chamado “cinturão vermelho” do nordeste mais desindustrializado da Inglaterra.
“É um resultado muito encorajador”, afirmou o premiê Boris Johnson ao comentar a vitória da correligionária. “Acho que é porque nos concentramos, como governo, nas prioridades das pessoas e na recuperação da pandemia”, completou.
Em 2016, Hartlepool votou em peso favoravelmente ao Brexit, recentemente sacramentado pelo Parlamento Europeu. O sucesso da campanha de vacinação contra a covid-19 no Reino Unido também foi apontado por analistas como um dos fatores que impulsionaram a vitória dos conservadores na região.
Já o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, classificou o resultado eleitoral como um “mau presságio” para a esquerda britânica nas eleições gerais de 2024. “Este é um resultado devastador para os trabalhistas, absolutamente devastador. Hartlepool foi trabalhista por meio século e, agora, estar nas mãos dos conservadores é de partir o coração”, complementou o trabalhista Steve Reed em entrevista à BBC.
Na chamada “superquinta” eleitoral no Reino Unido, cerca de 48 milhões de britânicos votaram para eleger 5 mil vereadores em 143 assembleias locais na Inglaterra, além dos parlamentos regionais do País de Gales e da Escócia.
O Partido Trabalhista não governa o Reino Unido desde 2010, quando Gordon Brown deixou o poder. Desde então, os conservadores comandaram o país com David Cameron (2010-2016), Theresa May (2016-2019) e Boris Johnson (desde 2019)
Fábio Matos, Revista Oeste
