O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 5, por unanimidade, elevar a Selic, a taxa básica de juros, em 0,75 ponto porcentual, de 2,75% para 3,50% ao ano. Esse foi o segundo aumento consecutivo dos juros, na esteira da alta recente da inflação.
A decisão era largamente aguardada pelo mercado financeiro. De um total de 68 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, todas esperavam pela elevação da Selic para 3,50% ao ano. Para o fim de 2021, as casas esperam desde uma Selic em 4,50% até um aumento dos juros a 6,50% ao ano. A mediana é de 5,50%.
Ao justificar a decisão de hoje, o BC avaliou que a nova elevação nos juros é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022.
Alta recente da Selic está ligada às preocupações do Banco Central com o avanço da inflação. Foto: André Dusek/EstadãoO colegiado destacou que, sem prejuízo ao objetivo de estabilização dos preços, a decisão do Copom também "implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", segundo comunicado.
"Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", destacou o BC.
O Copom explicou que a normalização parcial da taxa de juros implica a manutenção de "algum estímulo monetário" ao longo do processo de recuperação econômica. Por outro lado, o colegiado enfatizou que essa visão não significa um compromisso do BC com essa posição. "Os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação", destacou o documento.
Sobre as reformas, o Copom repetiu o parágrafo com o alerta de que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. "O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia".
Ainda segundo o Banco Central, o prolongamento de medidas fiscais de resposta à crise também podem pressionar a Selic.
Inflação
No Brasil, a alta recente de juros está ligada às preocupações do Banco Central com o avanço da inflação. O IPCA - a inflação oficial do País - fechou março com elevação de 6,10% no acumulado de 12 meses. Os preços de combustíveis e alimentos seguem afetando o índice.
O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).
Em documento divulgado nesta quarta, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário básico, que utiliza câmbio variando conforme a Paridade do Poder de Compra (PPC) e juros do Relatório de Mercado Focus, o BC alterou a projeção do IPCA de 2021 de 5,0% para 5,1%. No caso de 2022, a expectativa foi de 3,5% para 3,4%.
O Copom disse ainda que a alta nos preços das commodities seguem pressionando a inflação. "Com exceção do petróleo, os preços internacionais das commodities continuaram em elevação, com impacto sobre as projeções de preços de alimentos e bens industriais. Além disso, a transição para patamares mais elevados de bandeira tarifária deve manter a inflação pressionada no curto prazo", apontou o comunicado.
Ainda assim, o Copom insistiu no diagnóstico de que os choques atuais são temporários, e reiterou que segue atento à sua evolução.
Com informações de Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo