
Os dois celerados seguem soltos e debochando dos brasileiros
Divulgação
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira, 18, a 70ª fase da Operação Lava Jato, que mira contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobras, sob responsabilidade da Diretoria de Abastecimento da empresa. Policiais cumprem doze mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A ação conta com o apoio do Ministério Público Federal e foi apelidada de Óbolo, em referência à mitologia grega. O objetivo é coletar provas da corrupção de agentes públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Não está sendo cumprido nenhum mandado de prisão.
De acordo com a PF, três empresas estabeleceram mais de 200 contratos de afretamento de navios entre 2002 e 2018, em valores que ultrapassam 6 bilhões de reais. São alvos da investigação: o armador Maersk, responsável pela embarcação, e os shipbrokers Tide Maratime e Ferchem, empresas que atuam como intermediárias nas negociações.
Tais empresas teriam sido beneficiadas com informações privilegiadas que deram a elas vantagens competitivas, tendo o pagamento de propina a funcionários da Petrobras como contrapartida.
Segundo o MPF, a Maersk celebrou 69 contratos de afretamento com a Petrobras, entre 2002 e 2012 no valor aproximado de 968 milhões de reais; a Tide Maritime, 87 contratos com a estatal, entre 2005 e 2018, no valor de 2,8 bilhões de reais; já a Ferchem, 114 contratos, entre 2005 e 2015, num valor superior a 2,7 bilhões de reais.
As informações privilegiadas para a Maersk eram veiculadas por Wanderley Granda que constituiu uma empresa de shipbroker para repassar propina ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Em uma planilha apreendida com o engenheiro no início das investigações da Lava Jato, há uma estimativa dos pagamentos de subornos em razão de onze contratos da Maersk.
O celular do ex-tesoureiro do Partido Progressista, Cláudio Genu, já condenado no Mensalão e pela Lava Jato, também foi utilizado como provas para a relação entre a Petrobras e as empresas Tide Maritime e Ferchem. Ele é apontado pelo MPF como a pessoa que direcionava contratos de afretamento para os armadores.
O ex-gerente de Afretamentos da Petrobras, Dalmo Monteiro, é investigado por atuar em benefício da Ferchem, recomendando a armadores que contratassem a empresa. Monteiro já é réu na Lava Jato por ter lavado dinheiro de propinas pagas por Konstantinos Kotronakis, também no contexto de contratação de navios pela estatal.
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Óbolo
Em referência à mitologia, a operação foi batizada de Óbolo por causa da tradição da Grécia Antiga de colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver para pagar o barqueiro, Caronte, que conduzia as almas pelo rio que separava o mundo dos vivos dos mortos.
Giovanna Romano, Veja