segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Temer diz que país não suporta mais carga tributária elevada e defende corte de gastos


Ana Fernandes e Ricardo Chapola - Agência Estado

Para uma plateia de empresários, vice-presidente diz que "não é bom" para o governo apresentar proposta orçamentária com déficit

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) afirmou nesta segunda-feira, 31, que é uma "coisa extremamente preocupante" o fato de o governo enviar uma proposta orçamentária de 2016 ao Congresso com previsão de déficit primário, mas que é algo necessário para a transparência. "É para registrar a transparência absoluta das questões orçamentárias, ou seja, não há mais maquiagem nas contas", disse Temer em evento promovido pela revista Exame. 

Ele disse que o governo avaliou que sofreria uma derrota se propusesse a volta da CPMF e que por isso foi melhor ter uma proposta transparente. "Foi melhor que a transparência se desse para que, desde logo, disséssemos que precisamos de apoio de todos os setores da sociedade brasileira, do Congresso, para construirmos juntos uma solução para a crise econômica", disse o vice-presidente.

Temer disse não ver, num cenário próximo, espaço para aumento na carga tributária. "Não vamos pensar numa carga tributária mais elevada, ninguém quer isso, ninguém suporta isso", disse ele em evento promovido pela revista Exame, com plateia ligada ao setor empresarial, da qual recebeu aplausos. "Vou levar esse aplauso para o (Joaquim) Levy e para o ministro Nelson Barbosa", brincou, numa referência aos ministros da Fazenda e Planejamento.
Na palestra, Temer também voltou a falar da gravidade da situação econômica do País e disse que "não é bom" ter de apresentar uma proposta orçamentária com déficit para o ano que vem, pois isso aumenta o risco de o País perder o grau de investimento, o que seria "péssimo para o País", destacou.

O vice-presidente disse ainda que tem estado com empresários e que o setor privado tem vontade de investir no Brasil. "O mundo está desejoso de investir no País", disse ao argumentar que é preciso um trabalho conjunto para o Brasil sair do cenário de crise.
Temer, que recentemente deixou o "varejo" da articulação política e se afastou da negociação de cargos de segundo escalão e emendas, disse ainda crer que o governo e o Congresso caminham para um consenso de que o ajuste nas contas públicas deve passar por um corte de gastos e não por um aumento de receita, com alta na carga tributária. "Creio que a grande maioria vai optar pelo corte das despesas da máquina estatal. Se todos se convencerem disso, acho que haverá meios e modos", disse. 
Segundo o vice-presidente, anteriormente havia a ideia de "rachar o prejuízo", com corte de despesas e com alta de impostos, mas que isso tem mudado. "A primeira ideia é essa (ficar com o corte de gastos), tanto que se abandonou a ideia da (volta da) CPMF."
Ele afirmou que o governo ainda não tem uma receita para conduzir esse ajuste apenas com o corte de gastos. "Como construir isso, confesso que nem eu nem o governo temos uma estratégia determinada. Mas tenho convicção que sairemos dessa crise muito melhor do que entramos", afirmou. Temer admitiu reiteradas vezes nesta manhã, contudo, que a crise econômica e política são graves e que o governo tem uma base "muito instável" no Congresso Nacional.
O vice-presidente disse à plateia também não ver espaço hoje no País para aumentar a carga tributária. 
Na abertura de sua fala, no evento, Temer citou sua polêmica de cerca de um mês atrás, quando falou da gravidade da crise econômica e política e disse que o País precisava de "alguém" que reunificasse a nação. Temer disse que hoje o País passa por um "momento difícil" e que às vezes as coisas óbvias precisam ser colocadas. 

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