segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

BNDES aprova financiamento de R$1,5 bi para aeroporto de Viracopos, em SP

BNDES aprova financiamento de R$1,5 bi para aeroporto de Viracopos, em SP
 


De São Paulo
 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a concessão de financiamento de longo prazo no valor de 1,5 bilhão de reais para a concessionária do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), a empresa Aeroportos Brasil Viracopos.

A participação do BNDES corresponderá a 62,6 por cento do investimento total no aeroporto, informou o banco de fomento nesta segunda-feira, por meio de comunicado.

A Aeroportos Brasil Viracopos já havia recebido empréstimo-ponte de 1,2 bilhão de reais em dezembro de 2012.

A concessionária também emitirá debêntures de infraestrutura, no valor de 300 milhões de reais, numa operação que também contará com a participação do BNDES.

As debêntures de infraestrutura têm isenção de Imposto de Renda para o investidor pessoa física e para o investidor estrangeiro, além de alíquota de 15 por cento para a pessoa jurídica.

A Aeroportos Brasil Viracopos tem como sócios a Infraero (49 por cento) e a Aeroportos Brasil (51 por cento). Esta última, por sua vez, é controlada pela UTC Participações, pela Triunfo Participações e Investimentos S.A. e pela empresa aeroportuária internacional Egis Airport Operation, que opera 13 aeroportos no mundo, além de Viracopos.

A concessionária fará investimentos na ampliação e modernização do aeroporto até dezembro de 2014, como construção de um novo terminal, com capacidade para atender, inicialmente, 14 milhões de passageiros, podendo chegar a até 22 milhões

Bovespa decepciona em 2013 e deve encerrar o ano em queda de 15%

Bovespa decepciona em 2013 e deve encerrar o ano em queda de 15%

Entre outros motivos, a crise na OGX e de outras empresas do grupo X, de Eike Batista, pressionou o Ibovespa para baixo

 
 
Renata Pedini e Olívia Bulla, da Agência Estado
 

A Bovespa se despede de 2013 nesta segunda-feira, 30, em tendência alta, mas o resultado do ano decepciona. Em dia de agenda fraca, não há motivos para que a Bolsa mude o placar de quase 15% de perdas acumuladas ao longo do ano. Entre outros motivos, a crise na OGX e de outras empresas do grupo X, de Eike Batista, pressionou o Ibovespa - índice de referência do mercado - para baixo.
Entre as grandes bolsas do mundo, somente a do Peru, que cai mais de 20%, teve um resultado pior. Nesta terça-feira, 31, o pregão de ações, mercado futuro e dólar não funcionará, ou seja, a Bolsa tem apenas algumas hroas para reverter a qeuda, o qeu dificilmente ocorrerá.

Apesar do mal desempenho no ano, no dia o desempenho é positivo. Às 15 horas, o Ibvoespa avançava 0,91%, aos 51.734 pontos. A Petrobrás ajudava no desempenho, subindo 1,42%. Nos EUA, a Nasdaq cai 0,10%.

"Os negócios locais devem acompanhar Nova York", previu um operador, não descartando que terminem o dia no "zero a zero". "A liquidez deve ser reduzida e os indicadores previstos para o dia, nos EUA, só movimentarão o mercado se vierem muito distorcidos em relação às expectativas", acrescentou.

Dólar. Em relatório, a equipe de analistas do BB Investimentos destaca que os negócios no Brasil podem ser influenciados pelo aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 0,38% para 6,38%, para compras de cartões de débito no exterior, compras de traveller checks e saques em moeda estrangeira fora do País, que entrou em vigor no sábado.

O dólar à vista abriu em queda de 0,47% nesta segunda-feira, 30, cotado a R$ 2,3310 no balcão, mas a sessão deve ser esvaziada hoje em meio à proximidade do fim do ano e à antecipação da briga pela Ptax na semana passada. Os investidores que arriscarem suas apostas hoje devem repercutir a decisão do governo federal de elevar o IOF. Para o operador de câmbio Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora, a influência dessa medida cambial deve ser indireta nos negócios com dólar.

"Foi uma manobra que deve direcionar o fluxo para a moeda em espécie", avalia, acrescentando que os turistas brasileiras não devem diminuir a compra de dólares por causa do aumento do imposto.

Ainda assim, Ricardo Filho não descarta a possibilidade de uma futura taxação para a aquisição do dólar em papel moeda. O operador também afirma que a decisão do governo deve ajudar a melhorar a arrecadação federal e aliviar as contas públicas, em uma tentativa de mexer com a percepção dos investidores.

Seja como for, a tendência para o dia no câmbio é de pouca liquidez e oscilações tênues. Ainda assim, o dia de formação da taxa Ptax pode aguçar a volatilidade, até o início da tarde. É válido lembrar que a Ptax deste mês será usada na liquidação dos contratos futuros de janeiro e dos quase US$ 10 bilhões em swaps que vencem dia 2

Romeu Tuma Junior e a “banalidade das reputações”

Romeu Tuma Junior e a “banalidade das reputações”
Uma declaração abre a obra: “em quase trinta e cinco anos de Policia, nunca estive a serviço de governos, mas tão somente da Justiça e, claro, da sociedade, pagadora do meu salário”. Assim, Romeu Tuma Junior e o jornalista Claudio Tognolli, iniciam um documento que abala as verdades sobre mentiras trabalhadas na república chamada Brasil.

O Delegado de Polícia e ex-Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, em depoimento ao Jornalista Claudio Tognolli, constroem um documento histórico sobre verdades e mentiras de um governo que foi feito para o povo, mas me pergunto, que povo?

Com o lançamento da obra, “Assassinato de Reputações – um crime de Estado”, publicado pela editora Topbooks, as 557 páginas aguçam a imaginação do leitor, principalmente do cidadão brasileiro, que desde o descobrimento do Brasil, vive em condições enganadoras. O país parece adorar uma ditadura, seja ela militar, civil, ou até mesmo como Romeu Tuma Junior afirma, “a ditadura do Google”.


Romeu Tuma Junior, independente da forma, tem uma coragem verdadeira, pois afirmar tudo o que ele colocou e compôs na obra, o mesmo tem que ter “culhão”. Após ler detalhadamente “Assassinato de Reputações”, me pergunto, por quê o país não avança nos quesitos Educação, Segurança Pública, Saneamento, Logística, Defesa, Inteligência e Saúde? A resposta parece óbvia, o Brasil não tem um projeto de país e sim um projeto de poder e partido.

Romeu Tuma Junior - Fonte: Veja
Romeu Tuma Junior – Fonte: Veja

Uma vez entrevistei o embaixador americano e espião da CIA, Henry A. Crumpton, e o mesmo foi categórico em afirmar, “líderes dos EUA têm um apetite insaciável por adquirir conhecimento sobre seus pares estrangeiros. Querem conhecer suas políticas e também suas personalidades. Querem compreender seu caráter. A CIA dedica tempo e esforço substanciais para atender a essas exigências. Líderes estrangeiros desfrutam de grandes e luxuosas suítes de hotel. Isso vem junto com o cargo, com as expectativas de hierarquia e protocolo. Também preferem hotéis próximos de suas embaixadas. Isso explica a tendência de os hotéis mais caros se instalarem numa área delimitada. Os serviços de inteligência adoram a previsibilidade” (A ARTE DA INTELIGÊNCIA, 2013, Ed. Novo Século), e depois de ver as denúncias de Edward Snowden, e comparar com os fatos apresentados por Romeu Tuma Junior, a análise é muito clara, “Snowden, você perdeu”. Tudo o que o embaixador americano e o espião traidor afirmam são fichinhas perto do que o delegado Tuma Junior afirma. Na verdade nós brasileiros já temos nossa própria NSA.

Jornalista Claudio Tognolli
Jornalista Claudio Tognolli

Os 15 capítulos são fortes e agressivos. Mas a agressividade busca uma verdade, ou pelo menos provoca o leitor a refletir, por quê Romeu Tuma Junior faria e falaria tudo isso? Vingança? Em um primeiro momento pensei nisso, mas depois analisando o contexto, e os fatos apresentado, junto com o próprio cenário do Brasil, o mesmo nos faz um alerta.

Enquanto escrevo este texto, analiso o editorial do Estado de São Paulo de hoje, 29 de dezembro de 2013, sob o tema “A república do despudor”. É notório o desrespeito com a coisa pública. O político de hoje esculacha com a necessidade do cidadão. Por exemplo, a Força Aérea Brasileira de hoje parece só servir para transporte de cabelos, cabeças e carecas, sem contar ministras que se acham as verdadeiras “Ana Marias”, com todo respeito às apresentadoras e seus “louros”.

E quando vemos os desastres no Espírito Santo e Minas Gerais, me pergunto, e os PAC’s? Sem contar a desgraças que os devidos governadores já fizeram. Se acompanharmos as estatísticas e levantamentos científicos que são realizados sob as históricas “chuvas”, era mais do que previsível a catástrofe, mas o governo insiste em fazer cena. E os amigos do governo em potencializar o estado de Madre Tereza de Caucutá para a presidente.


Aí juntamos as parcerias entre Malufs e Sarneys, a coisa está feita. E como diria Florência Ferrer em entrevista ao Jornal Estado de São Paulo de hoje, 29 de dezembro de 2013, “enquanto corrupção se moderniza, mecanismos de controle patinam”, ou melhor “patinham”, andam no mesmo lugar como os patos. A coisa está tão encarnada, que o procurado pela Interpol, o deputado federal pelo PP-SP, Paulo Maluf tenta falar sério, como afirmou em agosto passado, “ninguém encarna melhor o espírito das ruas, de correção na política, do que eu”. Só se for espírito de “porco”, com todo respeito ao suíno.

Mas Tuma Junior e Claudio Tognolli foram certeiros na análise da nova ditadura, da ditadura Google, e também da “tropa de elite” das redes sociais. Hoje se falar algo contra o governo, e principalmente o partido, você é incriminado como Jesus. A turma “de elite” como apregoou o ex-presidente Lula, adora um “Barrabás”. E nessa onda, a sociedade, ou pelo menos 51% dela, parece ser Pilatos, “lavo as mãos”. Aí, como diria o ex-presidente Lula, o Brasil “sifu”.

A obra traz grandes questionamentos: qual o real poder de Gilberto Carvalho? Por quê Lula e Dilma devem tanto a ele? O que realmente aconteceu com Celso Daniel? Quem morreu ou sofreu com as “informações” de Lula, o Barba no DOPS? Por quê o governo insiste em um “Estado Policial”? Por quê o Brasil não tem um projeto de país? Por quê muitos ex-petistas estão abrindo o jogo? Até onde, mesmo preso, José Dirceu manda na Presidência? A Ditadura de 64 é uma desinformação para criar uma fumaça sobre uma nova “ditadura velada”?

No capítulo 7, Romeu Tuma Junior apresenta um contexto importante para entender a lógica perversa, “a demolição ou assassinato da reputação das pessoas, além de levar o indivíduo à morte moral, o que provoca um profundo abatimento de ordem psicofísica, objetiva tirar, antecipadamente, qualquer credibilidade em eventuais ações ou testemunhos”. Na mesma linha, “o Estado não protege. Ainda mais quando o agente malfeitor é o próprio Estado. Então, é muito fácil assassinar a reputação de quem lhe traz qualquer tipo de aborrecimento ou empecilho”. O que vemos, uma nação refém de um Estado, que ela mesmo constituiu, sob uma ótica do “não me ensina a pescar, mas sim me dá o peixe”. Com tantos problemas sociais e de violência, podemos entender que o foco do governo é outro.

Com tantas verdades e mentiras, precisamos entender o fato. Com segurança, e coragem, Romeu Tuma Junior afirma, de forma categórica, detalhes sórdidos, e até nefastos de uma política nada produtiva para o Brasil. Quem está falando a verdade? E qual é a verdade que nós brasileiros devemos saber? Nos fatos apresentados por Tuma Junior, Lula aprendeu com a ditadura e criou uma ditadura velada? As perguntas são fortes. Que Brasil nós temos? Que Brasil nós teremos?
Como ler o livro “MAO – a história desconhecida”, de Jung Chiang e Joh Halliday, publicado pela Companhia das Letras, a história do líder comunista e da tragédia cometida maior do que os nazistas, ler “Assassinato de Reputações – um crime de Estado”, é também entender uma história desconhecida, e pelo que temos acompanhado nas redes sociais, e nas diversas livrarias do país, a história insiste em não se apresentar. Como um silêncio ensurdecedor.
O Blog EXAME Brasil no Mundo conversou com o ex-Secretario Nacional de Justiça e hoje advogado, Romeu Tuma Junior.

Brasil no Mundo: Quais as motivações e idéias para o surgimento do livro “Assassinato de Reputações – um crime de Estado”?
Romeu Tuma Junior: Basicamente o livro surgiu como uma forma de mostrar minha inocência referente as levianas calúnias contra mim levantadas. Não tive espaço para me defender em lugar algum. Ninguém quis me ouvir, por isso precisei escrever. Outra coisa, eu sempre achei que o servidor público deve prestar contas a população sobre seus atos, suas ações e principalmente sobre sua carreira. É uma contribuição para a História que todo Homem público deveria dar. Um relato sem adjetivos, sem assombro, com base em fatos reais. O mais complicado é mostrar que tecnicamente e juridicamente eu nunca fui acusado de nada, nem pela PF, nem pelo MPF e nem pela Justiça. Então quando as pessoas perguntam se fui absolvido, respondo que sequer fui acusado! Ninguém entende isso porquê estavam estampadas “acusações” nas capas dos jornais! Mas quem são os jornais e os veículos de comunicação no sistema judicial? Ninguém! Entretanto não perceberam ainda que são a poderosa arma dos “Assassinos de Reputações”. Vi, também a necessidade de dar um alerta à Justiça e a sociedade, para que se de um basta nessa modalidade criminosa leviana e devastadora, pois aquele que é condenado dessa forma (sem provas e sem defesa) pela “opinião publicada”, recebe uma prisão perpétua. É uma pena de morte moral. Não tem apelação.

Brasil no Mundo: Logo no primeiro capítulo, “Páginas em Branco”, o senhor aborda a questão de princípios de sua vida profissional, e ao mesmo tempo “a falta” de princípios do ex-presidente Lula, e faz um desenho da forma de jogo político que o mesmo trata: “É assim que Lula funciona: nunca sabe de nada, nunca viu nada, nunca ouviu nada. Sempre que pode silencia de forma ensurdecedora sobre temas desconfortáveis para ele e sua gente, usa a tática de se dizer “traído”, mas o verdadeiro Judas nessa história é outro”. E com todos os fatos expostos pelo senhor no decorrer do livro, podemos tirar a seguinte conclusão: Lula traiu o Brasil e seus “companheiros”?
Romeu Tuma Junior: Sob o aspecto que você pergunta, com certeza sim. E continua.

Brasil no Mundo: Durante anos, a militância de esquerda, principalmente do PT sempre apontaram o dedo riste junto aos militares, e todas as pessoas que de alguma forma tiveram ligação com a ditadura militar de 1964. Mas considerando os procedimentos ideológicos, e todo aparato policial, de inteligência e contra-inteligência que o governo atual utiliza desde Lula, podemos entender que vivemos sob ambientes semelhantes, quiçá piores?
Romeu Tuma Junior: Muito pior agora, porquê estão travestidos de Estado Democrático de Direito e com o um novo modelo de tortura, a psicológica em escala assustadora. O “pau de arara” virtual!

Brasil no Mundo: O senhor afirma que o ex-presidente Lula foi informante do DOPS na época da ditadura. Que prejuízos a dita “luta armada” e outros “companheiros” de Lula tiveram com as suas “caguetagens”?
Romeu Tuma Junior: É uma questão de ponto de vista. Depende de quem, como e porquê acreditava e/ou estava com ele!

Brasil no Mundo: A Presidente Dilma Rousseff “cobrou geral” do presidente americano Barack Obama, referente às denúncias de espionagem maciça realizadas pela central NSA. As denúncias do espião traidor, Edward Snownden, colocam o Brasil como um dos principais alvos. Mas com os fatos apresentados no seu livro, a sociedade brasileira deveria ter mais preocupações com a NSA doméstica do governo brasileiro, em vez dos espiões americanos? Como o senhor vê este trabalho de desinformação da sociedade?
Romeu Tuma Junior: Com profunda preocupação. O desvio do foco é uma arma da contra-inteligência doméstica. Nós temos uma PNI (Política Nacional de Inteligência) criada por quem entende do tema, mas engavetada pelo planalto que não parece ter interesse em regulamentar o assunto. O próprio SISBIN precisa ser reformulado e nada do governo se mexer. Nesse caso o reflexo é um desastre na segurança pública. É mais fácil monitorar o cidadão num sistema sem regulação efetiva e sem política definida. A coisa é tão ridícula, que todo aplicativo que você baixa num equipamento de telefonia celular ou num tablet, você concorda com um contrato onde há termos (cláusulas) que permite acesso aos seus contatos, suas informações, seus arquivos, etc… O governo brasileiro ao invés de atacar os EUA, deveria regulamentar que tipo de contrato ou cláusula pode ser firmado aqui e qual a validade perante a Constituição brasileira e nossa legislação. O mesmo ocorre quando você cria uma conta de e-mail num provedor internacional. Ninguém avisou a Presidente que abrir uma conta no outlook a sujeitava as condições do termo de adesão que ela aceitou? Ela não foi espionada, ela autorizou a bisbilhotagem!

Brasil no Mundo: Infelizmente o Brasil não tem um “Projeto de País”. O senhor destaca com profundidade o “Projeto de Poder do PT”. Como este projeto está hoje? Que riscos e conseqüências corre a sociedade brasileira?
Romeu Tuma Junior: O de perpetuação de um projeto político-partidário com interesses pessoais e não republicamos. Com o tempo, o apoderamento das instituições e Poderes constituídos, por um grupo de indivíduos que atuam com a estratégia de que o fim justificam os meios. Um estado bolivariano.

Brasil no Mundo: A filósofa judia Hannah Arendt, quando acompanhou o julgamento do nazista Eichmann em Jerusalém cunhou o termo “Banalidade do Mal”. Podemos afirmar que hoje existe no Brasil a “Banalidade dos Grampos e do Estado Policial”?
Romeu Tuma Junior: Eu diria mais! Já passamos a fase da banalização dos grampos, estamos na fase da prostituição da quebra do sigilo das comunicações. Obviamente com a conivência de alguns “Promotiras” e “Magitiras”.

Brasil no Mundo: O trabalho com o jornalista Claudio Tognolli tem uma excelente fluidez para a compreensão dos fatos. Mas no início da obra, o senhor afirma que a idéia original foi dada por Mino Carta e Paulo Henrique Amorim. Quais as motivações dos mesmos para a idéia? E por quê Mino Carta em seu último editorial na Carta Capital tentou menosprezar e diminuir seu trabalho?
Romeu Tuma Junior: A motivação foi provar minha inocência! Agora, não consigo entender o que pode levar um jornalista com mais de 50 anos de carreira, que se tornou um ícone no jornalismo, mesmo que amado por uns e nem tanto por outros, possa nessa fase da vida, faltar com a verdade. Talvez algum compromisso que necessitasse daquele gesto. A censura comercial e oficial é uma coisa muito séria, suponho.

Brasil no Mundo: Teremos um “Assassinato de Reputações – Parte II”?
Romeu Tuma Junior: Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, afinal são 35 anos de carreira, vida pública, mais toda a vivência com meu pai, enfim, vamos aguardar.

"O embuste ideológico", por Denis Lerrer Rosenfield

O embuste ideológico

 
  • O assassinato político tornou-se uma forma ‘corriqueira’ de a esquerda resolver os seus
Denis Lerrer Rosenfield - O Globo
 
 
O assassinato político de Jang Song-Thaek, tio e mentor político de Kim Jong-un, Líder Máximo da Coreia do Norte, apesar de grotesco, não deixa de ser algo, digamos, “normal”, dada a característica stalinista deste regime político. Nada muito diferente do que a esquerda totalitária fez na extinta União Soviética, nos hoje amplamente conhecidos Processos de Moscou, que eliminaram a velha guarda bolchevique.

Em outro célebre episódio, Trotsky primeiro foi apagado de uma foto junto a Lênin em uma comemoração revolucionária para, depois, ser “apagado” com uma machadinha na cabeça, no México. Quem perpetrou tal assassinato foi um agente de Stálin, Ramón Mercader, que acabou placidamente os seus dias, em Cuba, com todos os privilégios da nomenclatura castrista.

Nada tampouco distinto do que Mao fez na China. Os camaradas, amigos de ontem, tornavam-se os inimigos de hoje, taxados de contrarrevolucionários a serviço do capitalismo.

No Brasil, ainda atualmente, há os que admiram Marighella e a guerrilha do Araguaia, que compartilhavam das mesmas concepções marxistas. Há, em todos esses casos, uma patológica perversão das ideias.

O assassinato político tornou-se uma forma “corriqueira” de a esquerda resolver os seus conflitos intestinos. Processos jurídicos de fachada, tortura, acusações infundadas e mortes eram características próprias da esquerda no Poder. Não há sequer uma experiência histórica de compatibilização entre socialismo/comunismo e democracia. Lá onde o socialismo vingou, a democracia jamais germinou. Cuba e Coreia do Norte são rebentos deste período.

Se tomarmos a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, teremos uma oportunidade rara de comparação entre socialismo e capitalismo. O capitalismo sul-coreano produziu uma sociedade próspera, com alto grau de desenvolvimento industrial, científico e tecnológico. Empresas e universidades lá se retroalimentam. Sua educação tornou-se referência mundial. A democracia é o seu regime político.

A Coreia do Norte, por sua vez, é um regime tirânico, liberticida, que reduz a sua população a uma vida miserável. A fome grassa e os servos deste país sucumbem à falta de alimentos. Nada funciona, a não ser o Exército dotado de armamento nuclear, usado como ameaça constante à Coreia do Sul. Os seus processos políticos são uma caricatura, tendo sido neste país instaurada uma monarquia comunista, com direito de hereditariedade!

O século XX também apresentou outra experiência altamente significativa. Só os tolos hesitam em extrair dela o seu ensinamento. Havia duas Alemanhas, a Ocidental, capitalista, e a Oriental, socialista.

A primeira se caracterizava pela pujança, pelo respeito às liberdades, por uma vida sindical forte, por um crescimento econômico notável e por condições sociais invejáveis. Sua indústria tornou-se um exemplo mundial. Veio a ser uma das maiores economias do Planeta.

A segunda tinha como característica central a dominação violenta de sua população, com uso do partido e de sua polícia política. As suas condições sociais eram precárias e a liberdade era
sistematicamente pisoteada. Tais eram seus problemas que o socialismo sucumbiu às suas próprias contradições. Nem os prussianos resistiram ao socialismo. A queda do Muro de Berlim foi um símbolo da derrocada socialista/comunista. A ideia socialista esborrachou-se no chão.

A esquerda tupiniquim, porém, teima em nada aprender. Parafraseando Talleyrand, discorrendo sobre a aristocracia emigrada, que se obstinava em não reconhecer os eventos revolucionários: “Eles nada aprenderam e nada esqueceram.”

Para essa esquerda, o socialismo continua plenamente vigente, sendo superior ao capitalismo, compreendido como fonte de todos os males. Trata-se de uma visão religiosa: o capitalismo é o pecado, o mal sobre a Terra, a origem do egoísmo e do lucro, enquanto o socialismo seria a redenção da humanidade, a solidariedade enfim conquistada entre os homens.

O embuste consiste no seguinte. O capitalismo não é comparado ao socialismo. Se isto fosse feito, a comparação, por exemplo, deveria ser entre a Alemanha capitalista e a socialista, ou ainda, entre a Coreia capitalista e a socialista. Os termos da comparação teriam parâmetros que serviriam de critério para qualquer avaliação.

A “comparação” é de outro tipo. Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles “existem” no capitalismo.
Isto é equivalente a comparar uma sociedade perfeita a uma imperfeita, ou ainda, a comparar o homem a Deus. É claro que o homem, com suas imperfeições, sairá sempre perdendo quando comparado a Deus. O mesmo destino teria a comparação entre uma sociedade perfeita (ideal) e uma imperfeita (real).

Mais curiosa ainda é a afirmação de alguns segundo os quais haveria plena compatibilidade entre socialismo e democracia, quando isto não se verificou historicamente em nenhum lugar. O socialismo no Poder se caracterizou pela tirania totalitária. O “pensamento” esquerdista, se é que se pode utilizar essa palavra, é totalmente capturado pelo dogma, esse repouso dos que se recusam a pensar. É o mundo das ideias descontroladas, que não podem ser verificadas empiricamente. Ora, só onde o capitalismo prosperou é que a democracia representativa foi consolidada e os cidadãos puderam usufruir da liberdade.

Há uma mentalidade religiosa, teológico-política, que guia a esquerda tupiniquim. Vive de “preconceitos” contra a economia de mercado e o direito de propriedade, postulando, como se fosse uma coisa teoricamente séria, a “utopia” ou o “socialismo” enquanto ideias “superiores” ao capitalismo. Na ausência de conceitos, contenta-se com diatribes contra o “neoliberalismo” e outras patranhas do mesmo tipo, como se fazer política residisse somente em enganar o próximo, em abusar da inteligência alheia.

Bolsa brasileira deve fechar 2013 com 2º pior desempenho do mundo

Bolsa brasileira deve fechar 2013 com 2º pior desempenho do mundo

 
  • Ibovespa cai mais de 15% no ano, superado apenas pelo índice da Bolsa do Peru, segundo dados da Bloomberg News.  Dólar comercial tem leve baixa, com poucos negócios, cotado a R$ 2,33
Bruno Villas Bôas - O Globo
 
 
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresenta alta no pregão desta segunda-feira, o último de 2013. Por volta das 10h30m, o Ibovespa, principal índice de ações do país, tinha valorização de 0,43%, aos 51.492 pontos. Mas nada capaz de salvar os investidores das perdas do ano, que chegam a mais de 15%, o segundo pior desempenho entre 94 principais índice de ações do mundo acompanhados pela Bloomberg News, atrás da Bolsa do Peru (-15,47%).

Segundo o estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala, o fraco resultado do mercado de ações brasileiro refletiu o temor de redução dos estímulos nos Estados Unidos desde junho e a fraqueza da economia brasileira, com inflação elevada, baixo crescimento, déficit em conta corrente e piora fiscal.

- O superávit primário foi o pior em nove anos. O déficit de conta corrente é o terceiro maior do mundo. Os investidores olham esses números e ficam com o pé atrás em relação ao Brasil. E não vejo sinais de algo muito diferente em 2014. A chance que temos é a infraesutrutra de fato deslanchar e isso contagiar um pouco - avalia o estrategista da Fator.

Já o dólar comercial opera em queda de 0,25%, cotado a R$ 2,331 na compra e R$ 2,333 na venda, companhando a tendência do mercado internacional de câmbio. O volume de negócios é novamente fraco. O último pregão de valorização da moeda americana frente ao real foi o de 20 de dezembro.

O Banco Central (BC) realizou nesta segunda-feira seu leilão diários de contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente a uma venda de moedas no mercado futuro. Foram vendidos todos os 20 mil contratos oferecidos ao mercado, num total de US$ 497 milhões.

Os investidores pesam nesta segunda-feira o boletim Focus, do Banco Central. Os economistas consultados pela autoridade monetária elevaram para de 5,72% para 5,73% suas previsões para a inflação neste ano. E também elevaram de 5,97% para 5,98% a expectativa para o IPCA em 2014.

Grandes cidades são mais produtivas, afirma Scheinkman

Grandes cidades são mais produtivas, afirma Scheinkman

Para o principal economista brasileiro nos Estados Unidos, São Paulo e Rio de Janeiro precisam melhorar seus serviços para entrar na corrida pela inovação

 
O brasileiro José Alexandre Scheinkman é um dos economistas mais respeitados do mundo. Por 26 anos foi professor de economia na Universidade de Chicago. Depois ficou 13 anos na Universidade de Princeton e, neste ano, foi para a Universidade Colúmbia.

 

Em entrevista a EXAME, Scheinkman falou sobre a importância das cidades para promover inovação e aumentar a produtividade de um país, tema pouco estudado no Brasil.

1) EXAME - Por que as grandes cidades são mais produtivas?
José Alexandre Scheinkman - Cidades são máquinas de aumento de produtividade, produção de conhecimento e circulação de informação. Elas concentram indústrias e serviços inovadores em áreas como software, biotecnologia e finanças. As cidades são polos de produtividade.
Nos Estados Unidos, as regiões metropolitanas de Nova York, Los Angeles, Boston e São Francisco respondem por 45% do total de inovações do país. A produtividade de um trabalhador americano é 4% maior em uma cidade 50% mais densamente povoada.

2) EXAME - Por que isso ocorre?
José Alexandre Scheinkman - Cidades maiores concentram um grande número de pessoas, que ficam mais próximas umas das outras. Há mais relação entre elas. Isso permite uma troca maior de conhecimento e o aprendizado de melhores processos.

3) EXAME - Não é pela presença de melhores escolas?
José Alexandre Scheinkman - De fato, nas cidades, as pessoas têm mais oportunidades de especialização. E a educação é uma etapa fundamental. Dito isso, vale ressaltar que há um enorme ganho de produtividade quando um trabalhador chega ao mercado de trabalho e interage com seus colegas. Importa muito o que você aprende no trabalho.

4) EXAME - Por que algumas cidades crescem e são mais produtivas do que outras?
José Alexandre Scheinkman - As cidades mais produtivas têm economia diversificada e boa educação. Nova York e Detroit ilustram bem isso. Nova York, que tem uma economia mais diversificada e é um polo educacional, continua crescendo. Já Detroit, que acabou de pedir falência, tem baixa escolaridade para os padrões americanos e é dependente do setor automotivo.

5) EXAME - A produtividade brasileira é baixa porque nossas grandes cidades são caóticas?
José Alexandre Scheinkman - Para uma cidade ser bem-sucedida, ela precisa atrair trabalhadores muito qualificados, aqueles que podem escolher onde vão morar. Por que as empresas querem estar em Nova York? Para atrair bons profissionais que querem viver lá. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro competem nesse mercado mundial. E precisam cumprir certos atributos.


6) EXAME - Quais são eles?
José Alexandre Scheinkman - Segurança, transporte, boas escolas, entretenimento e grande oferta de bens culturais são fundamentais. Em segurança, transporte e escolas, o Estado tem papel importante e, no caso brasileiro, o setor público não tem atuado bem.

7) EXAME - No Brasil, o agronegócio teve um imenso ganho de produtividade nas últimas décadas. O campo pode ser tão produtivo quanto as áreas urbanas?
José Alexandre Scheinkman - O fato de cidades grandes e densas serem mais eficientes não significa que outros setores não aumentem a produtividade. Os fatores que levaram ao ganho de produtividade do agronegócio são os mesmos que promoveram o avanço das metrópoles: pesquisa científica, adoção de novas tecnologias e integração à economia mundial.

Benefícios fiscais sobem 18% e devem superar R$ 300 bi

Benefícios fiscais sobem 18% e devem superar R$ 300 bi


Segundo estudo, governo terá despesa de R$ 323 bi com subsídios e desonerações em 2014; verba para educação e saúde é de R$ 193 bi

 
Lu Aiko Otta - O Estado de S.Paulo

O governo vai gastar, ou deixar de arrecadar, em 2014, R$ 323,17 bilhões com desonerações tributárias e subsídios. É mais do que a verba destinada aos ministérios da Educação e da Saúde somados, que terão disponíveis R$ 192,74 bilhões no ano que vem. A conta é dos economistas Érica Diniz e José Roberto Afonso, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
 

Cortes de tributos sobre setores selecionados e a concessão de empréstimos a juros abaixo do custo de mercado constituíram, desde a crise de 2008, as principais armas do arsenal do governo para levantar o produto interno bruto (PIB).

Eles, porém, fizeram crescer uma conta que é uma espécie de "lado B" do gasto público: os benefícios fiscais. Eles são aquilo que o Estado injeta na economia de forma indireta. Isso ocorre, por exemplo, quando abre mão de arrecadar tributos, como fez com montadoras ou com a desoneração da folha salarial. Ou quando deixa de cobrar integralmente os juros pelos empréstimos que concede, e cobre ele mesmo a diferença entre o que recebe pelo financiamento e o que paga para captar os recursos, criando assim um subsídio.

Só este ano, essas despesas devem atingir R$ 274 bilhões, subindo para R$ 323 bilhões no ano que vem. O grosso dessa conta, que cresceu 38,68% acima da inflação entre 2011 e 2014, não aparece no Orçamento federal, ao contrário do que ocorre com o que é gasto com obras, pagamento de funcionários e de benefícios previdenciários, entre outros. Segundo os autores do estudo, a decisão desses "gastos atípicos" ocorre com pouca discussão com a sociedade.


"Os problemas são inúmeros. O primeiro é a opacidade", diz Afonso. "Essa despesa não aparece no Orçamento, então escapa ao processo normal de controle." O segundo problema é a ineficiência. "Nem concedidos de forma indiscriminada, eles impulsionam a economia." O terceiro, aponta ele, é a iniquidade, pois há grandes benefícios que atendem a poucos.

Procurado, o Ministério da Fazenda não comentou os números.

O estudo chega a essas cifras elevadas ao somar dois dados calculados pela própria Fazenda. A Receita Federal calcula quanto deixa de arrecadar em função dos incentivos tributários e desonerações. E a Secretaria de Política Econômica começou a contabilizar, a partir de 2011, o gasto indireto representado pelos subsídios nas operações de crédito.

Desconsiderando o efeito da inflação, o crescimento dos benefícios foi puxado principalmente pelas renúncias previdenciárias, onde estão as desonerações da folha salarial. Elas respondem por R$ 22 bilhões, de um aumento de R$ 85,15 bilhões no volume de benefícios fiscais estimados para o período entre 2011 e 2014.

Outro fator que puxou os benefícios foram os cortes de outros tributos, como o PIS/Cofins. A desoneração desse tributo fez parte de diversos pacotes anunciados pelo governo, e que representou um aumento da renúncia de R$ 16,44 bilhões. Juntos, os cortes em tributos explicam R$ 66,35 bilhões do crescimento da conta de benefícios.

Já pelo lado dos subsídios ao crédito, o crescimento dos benefícios fiscais foi de R$ 18,77 bilhões. Desses, R$ 2,05 bilhões são explicados pelos empréstimos concedidos pelo BNDES. Mas o maior crescimento, de R$ 5,76 bilhões, foi registrado no Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS), que cobre resíduos dos financiamentos habitacionais.

Para melhor analisar a evolução dos benefícios, os autores do estudo "limparam" as cifras do efeito da inflação, convertendo-as para preços de dezembro de 2013. Por essa conta, os gastos com benefícios aumentam de R$ 219,83 bilhões para uma estimativa de R$ 304,86 bilhões em 2014.