sábado, 4 de setembro de 2021

O ataque da esquerda ao liberalismo, segundo a revista The Economist

De acordo com a publicação, os esquerdistas modernos estão destruindo os pilares que ajudaram a construir a civilização ocidental


A esquerda liberal é autoritária, segundo a revista <i>The Economist</i>
A esquerda liberal é autoritária, segundo a revista The Economist | Foto: Reprodução/Mídias Sociais

A revista inglesa The Economist publicou, nesta semana, um artigo em que denuncia os cacoetes autoritários da esquerda liberal.

O texto começa destacando a importância do liberalismo clássico para o desenvolvimento da civilização ocidental, lembrando de autores como John Milton, Baruch Spinoza, David Hume e John Stuart Mill, que ajudaram a romper com séculos de autoritarismo.

Contudo, segundo a publicação, uma nova geração de esquerdistas parece reproduzir comportamentos similares aos assistidos no período pré-liberalismo, com versões modernas de juramentos de lealdade e leis de blasfêmia.

Para tornar mais claros seus argumentos, a revista The Economist traz exemplos de manifestações autoritárias e antiliberais dos esquerdistas.

No primeiro deles, a publicação explica que os militantes estabeleceram uma espécie de ortodoxia intelectual no mundo, cujo seio são as universidades. Segundo pesquisa do professor Eric Kaufmann, do Birkbeck College, cerca de 70% a 80% dos acadêmicos de direita e estudantes de doutorado na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos dizem que seus departamentos são ambientes hostis.

No segundo tópico, a revista inglesa denuncia o proselitismo dos esquerdistas. De acordo com levantamento realizado pelo Pew Research Center, 40% dos millennials são a favor da supressão, de maneiras não especificadas, do discurso considerado ofensivo às minorias, em comparação com 27% entre os Gen Xers, 24% entre os baby-boomers e apenas 12% entre os mais velhos.

Millennials são as pessoas nascidas no início da década de 1980 até, aproximadamente, o fim do século. Gen Xers refere-se aos indivíduos nascidos entre meados da década de 1960 e o início da década de 1980. Os baby-boomers são pessoas nascidas entre 1946 e 1964.

No terceiro item, a publicação trata da expulsão de hereges. Em 2018, um pós-doutorando na Penn State University, Colin Wright, escreveu dois artigos argumentando que o sexo é uma realidade biológica, não uma construção social. O acadêmico foi acusado de ser transfóbico e favorável à “ciência racial”. Os alunos da universidade o denunciaram para a direção.

No quarto exemplo, a revista The Economist denuncia o “cancelamento” de livros promovido pelos esquerdistas. Estudantes da Universidade de Oxford queimaram as obras de Thomas Hobbes e John Milton ao lado da principal biblioteca da faculdade, a Bodleiana. Atualmente, os universitários põem alertas de “gatilho” nos obras, alertando os alunos acerca dos perigos de tê-las.

No quinto tópico, a publicação expõe os credos dos esquerdistas. Os candidatos ao cargo de docente na Universidade da Califórnia em Los Angeles devem declarar a maneira como promoverão “diversidade e inclusão” em suas aulas. Em 2019, o departamento de Ciências Biológicas da Universidade da Califórnia em Berkeley rejeitou 76% dos candidatos com base em suas declarações sobre diversidade, ignorando as habilidades como pesquisadores.

No último item, a revista britânica lembra que a Escócia, o berço do liberalismo, aboliu o crime de blasfêmia em março deste ano. Ao mesmo tempo, reintroduziu-o, criando novos delitos como “incitamento ao ódio” e “discurso abusivo”, que preveem até sete anos de prisão.

The Economist ressalta que valores liberais, como a tolerância, são fruto de séculos de discussão e esforço. Por isso, preservá-los é tarefa primordial para o desenvolvimento da civilização.

Leia também: “Ben Shapiro e a doutrinação nas universidades”

Edilson Salgueiro, Revista Oeste