Após um período de distanciamento e ruídos na relação, o governador eleito João Doria e o ex-governador Geraldo Alckmin, presidente nacional do PSDB, tiveram uma conversa reservada de duas horas durante um almoço no restaurante Piselli, tradicional cantina dos Jardins, nesta quinta-feira, 8, em São Paulo.
Os dois pediram o mesmo prato: raviolli. Doria tomou uma Coca Cola Zero e Alckmin preferiu a versão normal do refrigerante. Durante a refeição, os dois conversaram sobre o futuro do PSDB e, em comum acordo, decidiram realizar em maio de 2019 a convenção nacional da sigla.
Na manhã desta quinta, a antecipação do calendário havia sido defendida pelo governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, durante coletiva realizada no comitê de Doria e da qual participaram o governador eleito do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, e o próprio Doria. Os três também uniram forças para atuar dentro do PSDB.
A convenção nacional elege uma nova direção executiva. Alckmin aceitou abreviar seu mandato à frente do PSDB, que terminaria em dezembro. "Geraldo continua tendo grandeza de alma, espírito elevado e desprendimento. Isso faz dele merecedor de todo respeito e admiração", disse Doria ao Estado. Segundo o governador eleito, a conversa entre os dois foi "construtiva". "Ouvi bons conselhos do Geraldo. Pretendemos fazer um almoço por mês para trocar ideias".
Alckmin contou a Doria que pretende voltar a dar aulas, palestras em universidades e se dedicar à acupuntura como método para colaborar no tratamento contra o câncer. Questionado sobre a formação da nova direção do PSDB, Doria preferiu não falar ainda em nomes. Reservadamente, porém, aliados do governador eleito dizem que o deputado federal Bruno Araújo (PE) é o favorito para comandar a legenda a partir de maio.
Durante o almoço, Doria e Alckmin foram interrompidos várias vezes por conhecidos de ambos que também comiam no mesmo local. Sobre o posicionamento do PSDB em relação ao governo Jair Bolsonaro (PSL), Doria disse que não é preciso "fechar questão" oficialmente. "Não é preciso fechar questão. Isso é passado. Fechamos questão de apoiar o Brasil".
A relação entre Doria e Alckmin estava estremecida desde a campanha eleitoral no primeiro turno. Na última reunião da Executiva Nacional do PSDB em Brasília, após a eleição, Alckmin chamou Doria de "temerista" e insinuou que ele seria um "traidor".
Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

