quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Investimento cresce em junho, mas recua 1,3% no 2º trimestre

Daniela Amorim - O Estado de S.Paulo


O País registrou melhora nos investimentos na economia na passagem de maio para junho, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrou elevação de 1,4% no período. No segundo trimestre, porém, os investimentos diminuíram 1,3% em relação aos primeiros três meses do ano. O consumo aparente de máquinas e equipamentos teve crescimento de 4% sobre os três primeiros meses de 2017, mas a construção civil encolheu 3,2%.
Maquinário
Indicador do Ipea mostrou recuo de 10,7% ante junho do ano passado e de 6,2% acumulado em 12 meses Foto: Reuters
Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, Indicador Ipea de FBCF registrou uma perda de 7,1% no segundo trimestre deste ano. Em relação a junho de 2016, porém, o índice recuou 10,7% em junho deste ano. A queda acumulada em 12 meses até junho ficou em 6,2%.
O crescimento entre maio e junho foi puxado pelo Consumo Aparente de Máquinas e Equipamentos (Came), que é obtido através da soma da produção doméstica e das importações, excluídas as exportações. O Came apresentou alta de 4,1% em junho ante maio. Também mostrou bom desempenho o indicador de Construção Civil, que aumentou 1,8%, o primeiro avanço após três meses de resultados negativos. 
O agravamento da crise política e o consequente aumento das incertezas no campo econômico não afetaram os investimentos. A notícia da delação do empresário Joesley Batista, um dos sócios do grupo JBS, foi divulgada em 17 de maio. O escândalo, envolvendo a gravação de uma conversa entre Joesley e o Presidente Michel Temer, repercutiu no mês seguinte na queda da confiança do empresariado brasileiro, segundo as sondagens conduzidas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 
"Apesar do aumento dessa incerteza, houve crescimento do investimento, o que é positivo. Pelo menos com base nos dados que estão disponíveis não há nenhum sinal de que haverá piora não", afirmou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Junior.  "A construção está com um desempenho muito errático ainda, o saldo é negativo", ponderou Souza Junior.
Segundo o diretor do Ipea, existe uma ociosidade elevada em estabelecimentos comerciais e corporativos, assim como na capacidade instalada industrial, o que impede uma demanda imediata por novas obras caso seja recuperada a atividade. No caso da construção civil residencial, a retomada depende ainda da melhora no crédito e no mercado de trabalho.
"A construção vai depender ainda de uma recuperação maior da economia brasileira", resumiu Souza Junior. "A gente espera que a infraestrutura seja o primeiro segmento da construção a se recuperar, com essa tentativa de deslanchar o programa de concessões", completou.

Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o Indicador Ipea de FBCF registrou uma perda de 7,1% no segundo trimestre deste ano. Houve redução tanto no consumo aparente de máquinas e equipamentos (-5,6%) quanto na construção civil (-8,1%).

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