sexta-feira, 3 de abril de 2026

Capitalismo e regulação no futebol: uma comparação entre Inglaterra e Brasil, por Douglas Schossler

 

“Sem dúvida, as pessoas chutam frutas e cabaças há mais tempo, pedras e seixos de vez em quando, crânios talvez e qualquer tipo de objeto aproximadamente esférico que o mundo apresenta. Claro que sim, é um ato irresistível: espiar o objeto, imaginar sua trajetória futura, moldar e equilibrar o próprio corpo e então dar um golpe poderoso. Melhor ainda, vem o delicioso momento do impacto e a sempre extraordinária sensação de energia e movimento passando da perna para o objeto inanimado”.

Assim começa o livro “The Ball is Round: a Global History of Football”, de David Goldblatt. Este fenômeno, que transcende a mera prática esportiva, consolidou-se como um gigante social e econômico de alcance global. No entanto, em meio a essa grandiosidade, surge uma questão intrigante: como pode uma organização que movimenta quantias exorbitantes sobreviver com dívidas bilionárias? Para desvendar essa complexidade, é fundamental analisar os modelos jurídicos e econômicos que moldaram o futebol, especialmente no Reino Unido e no Brasil, sob a ótica da Escola Austríaca de Economia.

A Escola Austríaca oferece um arcabouço teórico robusto para analisar a intervenção estatal e seus efeitos. Ludwig von Mises, em sua obra Ação Humana, destaca que a ação humana é sempre proposital, visando a melhoria da condição do indivíduo, e que a propriedade privada é o fundamento para que essa ação se desenvolva livremente, permitindo a alocação eficiente de recursos e a formação de preços. A ausência de propriedade privada clara, ou sua constante ameaça por intervenção estatal, desincentiva o investimento e a inovação. Friedrich Hayek, por sua vez, enfatiza a importância da ordem espontânea e a dispersão do conhecimento, argumentando que a intervenção estatal centralizada é incapaz de processar a complexidade das informações de mercado, levando a distorções e ineficiências.

Complementarmente, Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe aprofundam a crítica ao estado. Hoppe, em Democracia: O Deus Que Falhou, argumenta que a democracia, ao substituir a propriedade privada do governante (monarquia) pela propriedade pública (democracia), incentiva a exploração de curto prazo em detrimento da sustentabilidade no longo prazo, dada a característica transitória dos governantes. Essa lógica pode ser aplicada à gestão de clubes de futebol, onde a ausência de um proprietário claro e responsável pode levar a decisões financeiras insustentáveis. Mesmo considerando o futebol como uma indústria cultural global, com características únicas como a paixão dos torcedores e a imprevisibilidade dos resultados, como descreve Goldblatt, os princípios econômicos da Escola Austríaca permanecem relevantes, especialmente no que tange à eficiência da gestão e à sustentabilidade financeira.

Assim, na análise dos modelos jurídicos e econômicos do futebol britânico e brasileiro, revelam-se contrastes marcantes que podem ser explicados pela maior ou menor aderência aos princípios da Escola Austríaca de Economia. O futebol britânico, berço do esporte moderno, profissionalizou-se em 1885 e, desde então, seguiu um caminho de menor intervenção estatal e maior liberdade de mercado. Os clubes britânicos, em sua maioria, adotaram a forma de sociedades anônimas (public limited companies – PLCs) desde o início do século XX. Essa estrutura permitiu a captação de investimentos privados, a profissionalização da gestão e a busca por lucratividade. A criação da Premier League em 1992, como uma liga independente da Football Association (FA), foi um marco nesse processo, consolidando um modelo de negócio altamente capitalista e globalizado. A Premier League é um exemplo de ordem espontânea, onde a competição entre clubes e a busca por eficiência geraram um produto de alta qualidade e rentabilidade. A clareza na propriedade e a responsabilidade financeira dos acionistas incentivaram a boa gestão e o investimento de longo prazo.

Em contraste, o futebol brasileiro foi historicamente marcado por intensa intervenção estatal e um modelo associativo. Os clubes, em sua maioria, operam como associações civis sem fins lucrativos, o que dificulta a captação de investimentos e a profissionalização da gestão. A legislação brasileira, desde a Lei Zico (1993) até a Lei Pelé (1998), tentou, por vezes, forçar a transição para clubes-empresa, mas sem sucesso generalizado devido à resistência e à falta de incentivos claros. A intervenção estatal se manifestou em diversas frentes: desde a regulamentação de contratos de atletas até o socorro financeiro a clubes endividados, criando um ciclo vicioso de irresponsabilidade fiscal. A ausência de propriedade privada clara e a gestão por conselhos deliberativos, muitas vezes politizados, levaram a decisões de curto prazo, endividamento crônico e falta de planejamento estratégico, corroborando a crítica de Hoppe sobre a gestão de bens públicos.

Tabela 1. Comparação entre modelo associativo e de propriedade privada

 Modelo AssociativoModelo de Propriedade Privada
Estrutura JurídicaAssociações civis sem fins lucrativosSociedades Anônimas PLCs
PropriedadeColetiva/difusaPrivada/acionistas
GovernançaConselhos deliberativos, eleições políticasProfissional, foco em resultados
IncentivosCurto prazo, populismoLongo prazo, skin in the game
Resultados FinanceirosDívidas crônicasSustentabilidade e crescimento

Fonte: Elaborado pelo autor.

As diferenças nos modelos jurídicos e econômicos resultaram em consequências financeiras e esportivas distintas. O futebol britânico, com sua estrutura capitalista, alcançou um patamar de receita e lucratividade invejável, atraindo os melhores talentos e investidores globais. A Premier League é a liga mais rica do mundo, com clubes que operam como empresas eficientes. No Brasil, a maioria dos clubes enfrenta graves problemas financeiros, com dívidas crescentes e dependência de receitas pontuais, como a venda de jogadores. O gráfico abaixo ilustra a disparidade entre a Premier League e a Série A do Campeonato Brasileiro em termos de relação dívida/receita.

Gráfico 1. Relação Dívida Líquida/Receita Líquida (Premier League vs. Série A)

Fonte: Elaborado pelo autor.

A Escola Austríaca oferece uma lente clara para entender as disparidades. A liberdade de mercado e a propriedade privada no Reino Unido permitiram a formação de preços reais, a alocação eficiente de capital e a inovação, resultando em um ecossistema futebolístico robusto. A competição entre clubes, sem a interferência estatal, impulsionou a busca por excelência e a satisfação do consumidor (torcedor).

No Brasil, a intervenção estatal e a ausência de propriedade privada clara nos clubes geraram incentivos perversos. A falta de responsabilidade fiscal, a dependência de subsídios e a dificuldade em atrair investimentos de longo prazo são consequências diretas da desconsideração dos princípios de Mises e Hayek. A Lei da SAF (Lei nº 14.193/2021) representa uma tentativa de alinhar o futebol brasileiro com os princípios capitalistas, permitindo que os clubes se tornem empresas e atraiam capital privado. Se bem implementada, pode atrair investimentos, profissionalizar a gestão e promover a sustentabilidade financeira dos clubes, alinhando-os com as práticas de sucesso observadas globalmente.

E, para onde podemos ir? Observam-se três vertentes principais: (1) clubes tradicionais (associativos, com aproximadamente 100 anos de existência, presentes nas principais séries do Campeonato Brasileiro, que enfrentam maior resistência interna e externa, e que, a depender do nível de endividamento, poderão fazer a mudança); (2) clubes de menor expressão (com uma mudança mais rápida, menor pressão e custos de oportunidade); e (3) novos clubes (SAF nativos, focados na revelação de talentos). O Brasil, um celeiro de jogadores, verá os clubes tradicionais terceirizarem o desenvolvimento para esses novos modelos, gerando uma nova dinâmica de mercado e, assim, escalar a produção de talentos qualificados técnica e socialmente.

Em conclusão, a comparação entre os modelos jurídicos e econômicos do futebol britânico e brasileiro, sob a ótica da Escola Austríaca de Economia, revela que a menor intervenção estatal e a predominância da propriedade privada no Reino Unido foram cruciais para o desenvolvimento de um ecossistema futebolístico eficiente e sustentável. Em contrapartida, o futebol brasileiro, com sua histórica dependência da regulação e intervenção estatal, e a predominância de clubes como associações civis, acumulou dívidas e ineficiências. A ausência de incentivos claros para a boa gestão e a falta de responsabilidade fiscal são reflexos diretos da desconsideração dos princípios de propriedade privada e ordem espontânea. O quadro abaixo sintetiza a evolução dos tipos jurídicos no futebol britânico e brasileiro, destacando a diferença de trajetória.

Tabela 2. Evolução dos Tipos Jurídicos no Futebol

 BrasilReino Unido
Início (século XIX)Clubes amadores, associaçõesClubes amadores, associações
Profissionalização (início do século XX)Associações civis sem fins lucrativosSociedades Anônimas (PLCs)
Final séc. XX – Início séc. XXIManutenção do modelo associativo, tentativas de “clube-empresa” (Lei Zico, Lei Pelé) com pouco sucessoConsolidação das PLCs, criação da Premier League, globalização
AtualmentePredominância de associações, surgimento da SAF (Lei nº 14.193/2021)PLCs dominantes, clubes como grandes corporações globais

Fonte: Elaborado pelo autor.

A lição da Escola Austríaca é clara: a liberdade econômica e a proteção da propriedade privada são os motores do progresso. Para que o futebol brasileiro alcance seu pleno potencial, é imperativo afastar-se da mentalidade intervencionista e abraçar os princípios de mercado que tanto sucesso trouxeram ao futebol britânico e a outras indústrias prósperas.



 - Douglas Schossler Mises Brasil

Comitê da Câmara dos EUA acusa Alexandre de Moraes de ‘censura global’

Empresas como X e Rumble são citadas como exemplos de plataformas punidas pela quadrilha Lula-STF


Lula (PT) e o 'ministro so STF' Alexandre Moraes - Foto: EBC


O Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgou nesta semana um relatório que acusa o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de impor uma “censura global” por meio de decisões judiciais com efeitos extraterritoriais. 

O documento afirma que ordens brasileiras levaram à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais fora do território nacional, inclusive publicações de usuários americanos. Empresas como X e Rumble são citadas como exemplos de plataformas punidas após resistirem a determinações de bloqueio de contas ligadas a influenciadores de direita.

O parecer destaca que as medidas de Moraes atingiram conteúdos produzidos nos Estados Unidos, incluindo manifestações de jornalistas brasileiros e comentaristas que vivem no país, além de postagens que elogiavam o presidente Donald Trump e criticavam o ex-presidente Joe Biden. 

Segundo o relatório, as plataformas foram pressionadas a cumprir as ordens sob risco de sanções, como a suspensão temporária da Rumble no Brasil em fevereiro do ano passado, revertida apenas após a empresa bloquear perfis, pagar multas e regularizar sua representação legal no país.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, criticou o documento, afirmando que ele distorce o funcionamento do sistema jurídico brasileiro. Fachin ressaltou que a liberdade de expressão é um direito fundamental protegido pela Constituição, mas não é absoluto e pode ser limitado quando há prática de crimes. 

O STF informou que eventuais esclarecimentos serão feitos pelos canais diplomáticos adequados.

Diário do Poder

Dupla medonha Moraes-Toffoli já soma 12 novos pedidos de impeachment depois do caso Master

 No total, o Senado concentra 102 pedidos de impedimento contra ministros da Corte


Moraes e Toffoli somam 12 novos pedidos de 'impeachment' 


Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), receberam 12 novos pedidos de impeachment depois dos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master. Cada um foi alvo de seis representações. No total, o Senado acumula 102 ações desse tipo em tramitação. O levantamento é do site Poder360 e considera pedidos desde 4 de janeiro de 2021. 

Naquela data, o então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), arquivou todos os processos contra ministros da Corte. Do total acumulado no período, Moraes registra 50 pedidos. Gilmar Mendes aparece com 13. O decano é seguido por Dias Toffoli (12) e Flávio Dino (8).


Relação de Moraes com o Master 

A relação de Moraes com o caso Master envolve o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci. A banca firmou contrato com o banco de Daniel Vorcaro com honorários mensais de R$ 3,6 milhões. O serviço, previsto para durar 36 meses, totaliza R$ 129 milhões, um valor considerado alto em comparação com outros escritórios de advocacia.

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou nota em 9 de março sobre os serviços ao Master. O texto cita 94 reuniões e 36 pareceres jurídicos e alega que não atuou perante o STF.

No caso de Toffoli, a ligação ocorre pela venda de ativos da empresa Maridt Participações para fundos vinculados ao banco de Vorcaro. A Maridt possuiu cotas do Grupo Tayaya Ribeirão Claro, no interior do Paraná, até fevereiro de 2025.

A participação foi vendida em 2021 ao Fundo Arlen, que tinha Fabiano Zettel como cotista. Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Em fevereiro, a empresa de Toffoli vendeu o restante da posição para a PHD Holding. 

No entanto, o ministro afirma que nunca recebeu valores do exbanqueiro ou de Zettel. Toffoli também declarou que não era administrador da companhia, apenas integrava o quadro societário e recebia dividendos. 


Letícias Alves - Revista Oeste

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Aviões ligados a Vorcaro: voos de Alexandre de Moraes custam R$ 1 milhão

O ministro e sua mulher usaram aeronaves privadas em ao menos oito deslocamentos entre Brasília e São Paulo, incluindo jato sem autorização para táxi aéreo


Escritório de Viviane Barci informou que os voos foram pagos 'compensando honorários advocatícios nos termos contratuais' | 


Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci, realizaram ao menos oito viagens em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, exdono do Banco Master. Considerando valores de mercado, os trajetos entre Brasília e São Paulo podem custar mais de R$ 1 milhão. 

A apuração mostra que Moraes realizou sete viagens em jatos da Prime Aviation, vinculada a Vorcaro, e uma em aeronave da FSW SPE, ligada a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. Um analista de fretamento aéreo calculou os valores médios.


Valor das viagens de Moraes 

Nos jatos Phenom 300, com capacidade para até dez passageiros, cada trajeto entre Brasília e São Paulo custa entre R$ 106 mil e R$ 136 mil. No modelo Phenom 100, menor e com capacidade para sete pessoas, o preço médio é de R$ 77,4 mil. Já o Legacy 650, com espaço para 14 passageiros, chega a R$ 290 mil por itinerário. 

O casal Moraes também utilizou uma aeronave Falcon 2000, da FSW. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, esse modelo não possui autorização para operar como táxi aéreo, o que impossibilitou a cotação oficial. Para estimar o custo, o analista usou como referência uma aeronave semelhante, o Hawker 850XP, cujo valor médio para o mesmo trajeto é de R$ 157,6 mil.


Contrato milionário 

O escritório de Viviane Barci informou que os voos foram pagos “compensando honorários advocatícios nos termos contratuais”. Na ocasião, a banca mantinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Valores estavam muito acima da média de mercado.

Procurados, Alexandre de Moraes e Viviane Barci não se pronunciaram sobre os custos das viagens. A defesa de Vorcaro preferiu não comentar, e a de Zettel não respondeu.

Pamela Zacarias - Revista Oeste

Sérgio Moro lidera com mais de 50% e pode vencer 1º turno no PR, diz pesquisa

 Ex-ministro de Bolsonaro aparece com até 52,8% e abre larga vantagem sobre Requiãode

 

Foto: Reprodução / @SF_Moro (antigo Twitter


O senador Sergio Moro lidera com ampla vantagem a disputa pelo governo do Paraná e pode vencer ainda no primeiro turno, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (2).

No primeiro cenário, Moro aparece com 51,1% das intenções de voto, contra 28,4% de Requião Filho. Na sequência, Rafael Greca soma 8,4%, seguido por Guto Silva com 5,6% e Luiz França com 2,9%. Votos em branco e nulos são 1,5%, e 1,8% não souberam responder.

No segundo cenário, Moro amplia a vantagem e chega a 52,8%, enquanto Requião Filho registra 27,0%. Alexandre Curi aparece com 9,8%, Greca tem 3,7% e França soma 3,3%. Brancos e nulos são 1,5%, e 1,7% estão indecisos.

Em uma terceira simulação, Moro mantém patamar elevado, com 52,6%, contra 28,8% de Requião Filho. Greca marca 7,0%, o prefeito de Curitiba Eduardo Pimentel tem 5,0%, e França aparece com 2,7%. Brancos e nulos são 2,0%, e 1,9% não sabem.

A pesquisa também avaliou o impacto de apoios políticos. Em um cenário com respaldo de Jair Bolsonaro, Moro registra 52,1%, enquanto Requião Filho, apoiado por Luiz Inácio Lula da Silva, chega a 30,6%. Greca aparece com 6,8%, Guto Silva — aliado de Ratinho Jr. — tem 6,1%, e França soma 2,4%. Brancos e nulos são 0,9%, e 1,1% não responderam.

Em eventual segundo turno, Moro também venceria Requião Filho por 58,4% a 38,7%.

O levantamento ouviu 1.254 eleitores entre os dias 25 e 30 de março, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo PR-00105/2026. No cenário presidencial no estado, o senador Flávio Bolsonaro também aparece à frente, com 52% das intenções de voto contra 33,5% de Lula no primeiro turno, e 55,6% a 34,6% em eventual segundo turno.



Diário do Poder

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Transparência Internacional cobra da PGR investigação sobre relação de Alexandre de Moraes com Master

 

ONG, que atua no combate à corrupção, fez uma postagem sobre a falta de reação da Procuradoria-Geral da República diante das denúncias que envolvem o ministro do STF


Um casal medonho - Foto Isac Nóbrega/PR

A organização não governamental (ONG) Transparência Internacional, que atua no combate à corrupção, cobrou da Procuradoria-Geral da República (PGR) uma reação sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o Banco Master.

A instituição bancária, liquidada pelo Banco Central em novembro, é o centro de um escândalo de corrupção que envolve um rombo bilionário e nomes de ocupantes de cargos de alta hierarquia na política brasileira. Um deles é Moraes. 

A mais recente revelação é que ele e sua mulher, a advogada Viviane Barci, voaram ao menos oito vezes em aeronaves ligadas ao Master. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, que obteve documentos com a confirmação dos voos e dos passageiros. Em nota, Moraes negou. 

Em postagem no X, a Transparência Internacional citou esse e outros casos que ligam Moraes ao Master. Além disso, a ONG cobrou a PGR por uma investigação.


Transpatrência Internacional Brasil - “A imprensa investigou que a mulher de Moraes tinha contrato com o Master com valor muito acima de mercado, que teve aumento patrimonial de 232% em um ano, que Moraes frequentou a casa de Vorcaro, que trocava mensagens com Vorcaro inclusive no dia da prisão, que teve reuniões com o presidente do Banco Central, que a família Moraes voava em aviões de Vorcaro”, escreveu a ONG. “O que a Procuradoria-Geral da República investigou?


Além disso, dados telemáticos de Vorcaro mostram que Moraes e ele se comunicavam por mensagens de WhatsApp. Moraes, para não ser identificado, fazia um print do que escrevia e mandava a imagem em visualização única. No dia da prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, em vez de se comunicar com a advogada Viviane Barci, ele mandou mensagem para Moraes. 

Entretanto, a PGR não instaurou nenhum inquérito para apurar a conduta de Moraes em relação a Vorcaro nem ao Master. 


Loriane Comeli - Revista Oeste

Ex-presidiário Lula é reprovado por 56% dos eleitores em MG

Outros 42% aprovam a gestão do petista; 2% não sabem ou não responderam



Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Um levantamento feito pelo instituto AtlasIntel, divulgado nesta quarta-feira (1º) mostra que 56% dos eleitores em Minas Gerais reprovam o trabalho do presidente Lula (PT).

Outros 42% aprovam a gestão do petista; 2% não sabem ou não responderam.

Aprovação de Lula – Minas Gerais

  • Reprovam: 56%
  • Aprovam: 42%
  • Não sabem/não responderam: 2%

Em outro questionamento da pesquisa, Lula aparece com empate técnico contra Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), em um eventual 2º turno pela Presidência do país.

Lula também empataria com Jair Bolsonaro (PL), que atualmente se encontra preso e inelegível.

A pesquisa AtlasIntel entrevistou 2.195 eleitores de Minas Gerais, entre os dias 25 e 30 de março, por meio de recrutamento digital. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo MG-01664/2026.

Diário do Poder

Folha de São Paulo, depois de quase 10 anos defendendo a cumplicidade criminosa Lula-Alexandre de Moraes, agora, vendo o fim da quadrilha, cita 8 voos do ministro dos R$ 129 milhões em jatos ligados a Vorcaroo

'Ministro' do STF refuta ter viajado com esposa em jatinhos do banqueiro preso por fraudes bilionárias do Banco Master


Alexandre de Moraes e a esposa Viviane Barci de Moraes - Foto: redes sociais


Depois de quase 10 anos defendendo a cumplicidade indecente Lula-Alexandre de Moraes, Folha de São Paulo, agora, vendo o fim da quadrilha, reportagem do jornal expôs, nesta terça-feira (31), que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez ao menos oito voos em jatinhos de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso pela maior fraude financeira da história do Brasil. 

Segundo a Folha de S.Paulo, os aviões teriam decolado entre 16 de maio e 16 de outubro de 2025, com o ministro e sua esposa Viviane Barci de Moraes, que teve seu escritório contratado por R$ 129 milhões para defender o banco.

Por meio de seu gabinete, Moraes alegou que seriam “ilações” e “absolutamente falsas” as informações do jornal sobre os voos em jatinhos de empresas ligadas a Vorcaro e ao cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel (também preso pelo esquema bilionário). Além disso, o ministro afirma que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.

Os registros dos voos com Moraes e Viviane foram obtidos pela Folha a partir de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), vinculado ao Comando da Aeronáutica, e do Registro Aeronáutico Brasileiro, mantido pela Anac.

Tais informações indicaram que sete dos voos com o ministro foram em aviões da empresa Prime Aviation, da qual Corcaro era sócio por meio do fundo Patrimonial Blue. E a casa do banqueiro seria de propriedade da mesma empresa autorizada a operar táxi aéreo com seus jatinhos.

E outra viagem com o ministro e sua esposa, registrada em 7 de agosto de 2025, foi operada pelo jato executivo Falcon 2000 da Dassault, que tem prefixo PS-FSW. A aeronave sem autorização para táxi aéreo tem Zettel como um dos sócios e está registrado em nome da empresa FSW SPE, ainda segundo a Folha.

Ao jornal, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes alegou ter critérios operacionais sem ligação com qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos para contratar serviços de táxi aéreo. Admitiu contratar diversos serviços de táxi aéreo, entre os quais, “em algum momento” está o da empresa Prime Aviation. 

Mas refutou: “Em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”.


Diário do Poder

Moraes e mulher - um casal medonho - viajaram em aviões ligados ao Master

Documentos oficiais revelam que, em 2025, casal viajou ao menos oito vezes em aeronaves vinculadas a empresas de Vorcaro


O ministro do STF Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci: aviões de Vorcaro - Foto: Ricardo Stuckert/PR 


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci, realizaram ao menos oito voos em jatos executivos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As viagens ocorreram de maio a outubro de 2025, segundo documentos obtidos pela imprensa. 

A identificação dos voos foi feita a partir do cruzamento de três bases de dados: registros de embarque no terminal executivo do Aeroporto de Brasília, mantidos pela Agência Nacional de Aviação Civil; dados de decolagens compilados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, órgão ligado ao Comando da Aeronáutica; e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro. 


Moraes e o avião do cunhado de Vorcaro

Dos oito deslocamentos, sete foram em aeronaves operadas pela empresa Prime Aviation, da qual Vorcaro era sócio por meio de um fundo patrimonial. A companhia possui licença para operar serviços de táxi aéreo. 

A única exceção foi um voo em 7 de agosto de 2025, realizado em um jato Falcon 2000, registrado em nome de uma empresa não autorizada.

Esse avião está ligado a uma sociedade que inclui o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele foi alvo de operação da Polícia Federal e negocia acordo de delação premiada com a ProcuradoriaGeral da República.

Os registros detalham uma sequência de viagens partindo de Brasília, majoritariamente com destino a aeroportos executivos em São Paulo. Em alguns casos, o ministro viajou apenas com a mulher; em outros, houve a presença de poucos passageiros adicionais. Há também um voo em que Moraes embarcou sem Viviane. Procurado pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro não se manifestou. 

Já o escritório de advocacia de Viviane Barci afirmou que contrata regularmente serviços de táxi aéreo, incluindo, em algumas ocasiões, a Prime Aviation. Segundo a defesa, não há relação pessoal com os proprietários das aeronaves e os voos seguem critérios operacionais, com pagamentos realizados conforme contratos advocatícios.

A empresa Prime Aviation declarou que não divulga informações sobre usuários de suas aeronaves, citando cláusulas de confidencialidade e a Lei Geral de Proteção de Dados. A defesa de Vorcaro informou que não comentaria o caso, enquanto o advogado de Zettel não respondeu. O episódio também ocorre no contexto de uma relação contratual entre o escritório de Viviane e o Banco Master. 

Em 2024, foi firmado um acordo que previa honorários mensais milionários ao longo de três anos (cerca de quase R$ 130 milhões), encerrado em novembro de 2025, depois da liquidação da instituição financeira, então controlada por Vorcaro, pelo Banco Central. 

Revista Oeste

terça-feira, 31 de março de 2026

Estatais federais têm pior prejuízo da História: R$4,16 bilhões em 2 meses

 

Correios registraram um prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre - Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado


As empresas estatais federais registraram nos dois primeiros meses de 2026 o prejuízo de R$ 4,16 bilhões, o maior de todos os tempos, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (31). O montante estabelece o novo recorde de resultado negativo para o período de janeiro e fevereiro desde que a série estatística foi implementada, em 2002. O índice anterior de maior gravidade havia ocorrido tabém no governo Lula (PT), em 2024, quando o rombo foi de R$1,36 bilhão.

A rapidez da deterioração fiscal chama a atenção, visto que o prejuízo acumulado em apenas dois meses já representa quase a totalidade do déficit de R$ 5,1 bilhões registrado em todo o ano de 2025. O cálculo apresentado pelo BC engloba companhias como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobrás e Emgea. Vale ressaltar que bancos públicos, Petrobras e Eletrobras não fazem parte deste balanço. Enquanto o governo utiliza a métrica “acima da linha” (receitas menos despesas, sem juros), o Banco Central baseia-se na variação da dívida.

A situação financeira dos Correios é apontada como um dos fatores para o resultado negativo. A estatal postal acumulava R$6 bilhões em perdas até setembro de 2025, mas projeções indicam que o rombo pode ter escalado para R$ 9,1 bilhões no fechamento do ano passado. Para tentar estabilizar o caixa e honrar compromissos, a empresa obteve, em dezembro, um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pelo Tesouro Nacional.


Juan Araujo -Diário do Poder

Mais de 77% dos brasileiros querem redução da maioridade penal

Enquanto o mundo atualiza legislação reduzindo maioridade, Brasil segue fornecendo jovens para o crime organizado


Internação de menores infratores não os tem recuperado - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.


Levantamento nacional realizado pelo instituto Paraná Pesquisas para a Rádio Bandeirantes aponta que 77,2% dos brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal no País, a exemplo do que acontece em todo o mundo.  De acordo com a pesquisa, divulgada no programa Jornal Gente nesta terça-feira (31), apenas 18,1% são contrários à redução da maioridade penal e 4,7% não sabem ou não opinaram.

O Brasil é um dos poucos, talvez o único, a manter maioridade penal aos 18 anos, apesar de menores de 16 já poderem votar para presidente da República, por exemplo. A Argentina reduziu de 16 anos para 14 anos, há cerca de um mês, e a Suécia de 15 para 13 anos, após a polícia desbaratar uma quadrilha de matadoras de aluguel menores de 15 anos.


Veja os números do apoio à redução da maioridade penal:



No Brasil, a maioridade penal de 18 anos beneficia sobretudo organizações criminosas que recrutam menores, já com constituição física formada, para praticar os crimes mais graves das quadrilhas, sob a garantia da legislação em vigor que impede a “internação” se “menores infratores” por período superior a 3 anos, independente da gravidade do crime cometido.

O governo Lula (PT) e a esquerda são contrários à redução da maioridade penas e forçaram a retirada desse dispositivo da versão final da PEC da Segurança Pública, desfigurando o relatório final do deputado Mendonça Filho (União-PE), que se limitou a incluir medidas como descentralização, autonomia dos Estados e restrição à progressão de pena para crimes hediondos.

Veja onde o apoio da redução da maioridade é maior ou menor:





O apoio à redução da maioridade penal é menor entre eleitores dos 16 aos 24 anos, mas, ainda assim, chega a 69,2% contra 27,2 que são contra. Esse apoio cresce para 74,4% entre pessoas dos 25 aos 34 anos e passa dos 80% na faixa etária dos 35 aos 59 anos. Entre brasieiros acima dos 60 anos, o apoio à redução chega a 76,8%.

O apoio à redução é maior entre homens (79,2%) do que entre mulheres (75,4%) e também predomina em todos os níveis de escolaridade e em todas as regiões do País.

O Paraná Pesquisas entrevistou 2.060 eleitores nos 26 Estados e no Distrito Federal entre os dias 27 e 30 deste mês, com margem de erro de 2,2 pontos, para mais ou para menos.


Diário do Poder

Rothbard sobre o ouro - Lew Rockwell

 



O que as pessoas usariam como dinheiro em um mercado genuinamente livre? Muitas pessoas respondem à pergunta da seguinte maneira. Na verdade, não sabemos ao certo qual seria a resposta. Isso dependeria das pessoas que vivem naquela sociedade. Porque, em um mercado genuinamente livre, não haveria estado algum; não haveria dinheiro imposto pelo estado. As pessoas competiriam para estabelecer o dinheiro de que mais gostassem. Talvez as pessoas optassem por um padrão-ouro ou um padrão-prata, como fizeram no passado. Mas talvez não. Elas poderiam preferir uma moeda eletrônica como o bitcoin. Ou talvez houvesse todos os tipos de diferentes dinheiros, sem um vencedor claro.

Murray Rothbard não concorda com isso. Ele estava ciente da ideia de moedas concorrentes, porque F. A. Hayek a havia sugerido. As pessoas têm o direito de oferecer moedas concorrentes, como Hayek defendia. Mas Murray achava improvável que elas fizessem isso. A competição já havia ocorrido, e os metais preciosos foram os vencedores. Por que passar por esse mesmo processo novamente? Como Murray explica em seu ótimo artigo, The Case for a Genuine Gold Dollar [“O Argumento para um Dólar Genuinamente lastreado em Ouro”, em tradução livre]:

“Nos últimos anos, um número crescente de economistas tem, compreensivelmente, se desiludido com o histórico inflacionário das moedas fiduciárias. Eles, portanto, concluíram que deixar o governo e seu banco central com o poder de ajustar finamente a oferta monetária, mas apenas exortá-los a usar esse poder sabiamente de acordo com várias regras, é simplesmente repetir o provérbio de deixar a raposa encarregada do galinheiro. Eles chegaram à conclusão de que apenas medidas radicais podem remediar o problema, que é, em essência, o problema da tendência inerente do governo de inflacionar uma oferta monetária que ele monopoliza e cria. Esse remédio nada mais é do que a estrita separação entre o dinheiro e sua oferta proveniente do estado.

A proposta mais conhecida para separar o dinheiro do estado é a de F. A. Hayek e de seus seguidores. A ‘desnacionalização do dinheiro’ de Hayek eliminaria as leis de curso forçado e permitiria que cada indivíduo e organização emitisse sua própria moeda, na forma de bilhetes de papel com seus próprios nomes e marcas. O governo central manteria seu monopólio sobre o dólar, ou o franco, mas outras instituições teriam permissão para competir no negócio de criação de dinheiro ao oferecer suas próprias moedas de marca. Assim, Hayek poderia imprimir hayeks, o presente autor poderia emitir rothbards, e assim por diante. Misturado à mudança legal sugerida por Hayek está um esquema empreendedor por meio do qual um banco inspirado em Hayek emitiria ‘ducados’, que seriam emitidos de modo a manter constantes os preços em termos de ducados. Hayek está confiante de que seu ducado facilmente superaria, na concorrência, o dólar inflacionado, a libra, o marco, ou qualquer outro.

O plano de Hayek teria mérito se a coisa — a mercadoria — que chamamos de ‘dinheiro’ fosse semelhante a todos os outros bens e serviços. Uma maneira, por exemplo, de se livrar do ineficiente, atrasado e, às vezes, despótico Serviço Postal dos EUA é simplesmente aboli-lo; mas outros defensores do livre mercado propõem o plano menos radical de manter o correio intacto, permitindo ao mesmo tempo que toda e qualquer organização concorra com ele. Esses economistas estão confiantes de que empresas privadas logo seriam capazes de superar o correio na concorrência. Na última década, economistas tornaram-se mais simpáticos à desregulamentação e à livre concorrência, de modo que, superficialmente, desnacionalizar ou permitir livre concorrência em moedas pareceria viável por analogia com serviços postais, combate a incêndios ou escolas privadas.

Há, entretanto, uma diferença crucial entre o dinheiro e todos os outros bens e serviços. Todos os outros bens, sejam eles serviço postal, barras de chocolate ou computadores pessoais, são desejados por si mesmos, pela utilidade e pelo valor que proporcionam aos consumidores. Os consumidores, portanto, são capazes de ponderar essas utilidades entre si em suas próprias escalas pessoais de valor. O dinheiro, porém, é desejado não por si mesmo, mas precisamente porque já funciona como dinheiro, de modo que todos confiam que a mercadoria monetária será prontamente aceita por qualquer pessoa em troca. As pessoas aceitam avidamente bilhetes de papel marcados como ‘dólares’ não por seu valor estético, mas porque têm certeza de que poderão vender esses bilhetes pelos bens e serviços que desejam. Elas só podem ter essa certeza quando o nome específico, ‘dólar’, já está em uso como dinheiro.

Hayek está certamente correto ao afirmar que uma economia de livre mercado e a devoção ao direito de propriedade privada exigem que todos tenham permissão para emitir quaisquer nomes de moeda e bilhetes que desejarem propor. Hayek deve ser livre para emitir hayeks ou ducados, e eu para emitir rothbards ou o que quer que seja. Mas emissão e aceitação são duas questões muito diferentes. Ninguém aceitará novos bilhetes monetários, ao contrário do que poderia ocorrer com novas organizações postais ou novos computadores. Esses nomes não serão escolhidos como moedas precisamente porque não foram utilizados como dinheiro, nem para qualquer outro propósito, anteriormente.

Hayek e seus seguidores falharam completamente em absorver a lição do ‘teorema da regressão’ de Ludwig von Mises, um dos teoremas mais importantes da economia monetária. Mises mostrou, já em 1912, que, como ninguém aceitará qualquer coisa como dinheiro a menos que ela tenha sido anteriormente demandada e trocada, devemos, portanto, retroceder logicamente (regredir) ao primeiro dia em que uma mercadoria passou a ser usada como dinheiro, como meio de troca. Como, por definição, a mercadoria não poderia ter sido usada como dinheiro antes desse primeiro dia, ela só poderia ter sido demandada porque era utilizada como uma mercadoria não monetária e, portanto, possuía um preço preexistente, mesmo no período anterior ao início de seu uso como meio de troca. Em outras palavras, para que qualquer mercadoria passe a ser usada como dinheiro, ela deve ter se originado como uma mercadoria valorizada por algum propósito não monetário, de modo que já possuía uma demanda e um preço estáveis antes de começar a ser utilizada como meio de troca. Em suma, o dinheiro não pode ser criado do nada, por contrato social, nem pela emissão de bilhetes de papel com novos nomes. O dinheiro precisa se originar como uma mercadoria não monetária valiosa. Na prática, metais preciosos como ouro ou prata, metais com demanda estável e elevada por unidade de peso, prevaleceram sobre todas as outras mercadorias como dinheiro. Assim, o teorema da regressão de Mises demonstra que o dinheiro deve se originar como uma mercadoria não monetária útil no livre mercado.

Mas um problema crucial com o ducado hayekiano é que ninguém o aceitará. Novos nomes em bilhetes não podem esperar competir com dólares ou libras, que se originaram como unidades de peso de ouro ou prata e que agora têm sido usados há séculos no mercado como unidade monetária, meio de troca e instrumento de cálculo e contabilidade monetária.

O plano de Hayek para a desnacionalização do dinheiro é utópico no pior sentido: não porque seja radical, mas porque não funcionaria e não poderia funcionar. Imprima-se quantos nomes diferentes se quiser no papel, e esses novos bilhetes ainda assim não seriam aceitos nem funcionariam como dinheiro; o dólar (ou a libra ou o marco) continuaria a reinar sem contestação. Mesmo a remoção do privilégio de curso forçado não funcionaria, pois os novos nomes não teriam surgido de mercadorias úteis no livre mercado, como o teorema da regressão demonstra que devem surgir. E, como a própria moeda do governo, o dólar e similares, continuaria a reinar sem contestação como dinheiro, o dinheiro não teria sido desnacionalizado de forma alguma. O dinheiro ainda estaria nacionalizado e seria uma criatura do estado; ainda não haveria separação entre o dinheiro e o estado. Em suma, ainda que desesperadamente utópico, o plano de Hayek dificilmente seria radical o suficiente, já que o atual sistema inflacionário e administrado pelo estado permaneceria intacto.

Mesmo a variante de Hayek segundo a qual cidadãos privados ou empresas emitiriam moedas de ouro denominadas em gramas ou onças não funcionaria, e isso é verdade mesmo considerando que o dólar e outras moedas fiduciárias se originaram séculos atrás como nomes de unidades de peso de ouro ou prata. Os americanos estão acostumados a usar e calcular em dólares há dois séculos, e continuarão a se apegar ao dólar no futuro previsível. Eles simplesmente não abandonarão o dólar para adotar a onça ou o grama de ouro como unidade monetária. As pessoas tendem a se apegar firmemente aos nomes tradicionais de suas moedas; mesmo durante hiperinflações e a virtual destruição da moeda, o povo alemão se manteve fiel ao marco em 1923 e os chineses ao ‘yen’ na década de 1940. Mesmo reavaliações drásticas das moedas em colapso que ajudaram a encerrar a inflação mantiveram o nome original ‘marco’ ou outro nome parecido com a moeda.

Hayek menciona exemplos históricos em que mais de uma moeda circulava na mesma área geográfica ao mesmo tempo, mas nenhum desses exemplos é relevante para o seu plano do “ducado”. Regiões de fronteira podem aceitar duas moedas governamentais. Mas cada uma possui poder de curso forçado, e cada uma foi utilizada por longo tempo dentro de sua própria nação. A circulação de múltiplas moedas, portanto, não é relevante para a ideia de uma ou mais novas moedas privadas de papel. Além disso, Hayek pode ter mencionado o fato de que, nos Estados Unidos, até que a prática fosse proibida em 1857, moedas estrangeiras de ouro e prata, bem como moedas privadas de ouro, circulavam como dinheiro lado a lado com moedas oficiais. O fato de que o dólar de prata espanhol havia circulado por muito tempo na América juntamente com moedas metálicas austríacas e inglesas permitiu que os novos Estados Unidos mudassem facilmente do cálculo em libras para o cálculo em dólares. Mas, novamente, essa situação não é relevante, porque todas essas moedas eram diferentes pesos de ouro e prata, e nenhuma era dinheiro fiduciário governamental. Era fácil, então, que as pessoas remetessem os diversos valores das moedas aos seus respectivos pesos em ouro ou prata. Ouro e prata, é claro, já circulavam há muito tempo como dinheiro, e a libra esterlina ou o dólar eram simplesmente diferentes pesos de um ou de outro desses metais. O plano de Hayek é muito diferente: a emissão de bilhetes privados de papel marcados com novos nomes, na esperança de que sejam aceitos como dinheiro.

Se as pessoas gostam e continuarão a se apegar aos seus dólares ou francos, então há apenas uma maneira de separar o dinheiro do estado, de realmente desnacionalizar o dinheiro de uma nação. E isso é desnacionalizar o próprio dólar (ou o marco ou o franco). Somente a privatização do dólar pode pôr fim ao domínio inflacionário do governo sobre a oferta monetária da nação”.

Se a concorrência entre moedas não é o caminho, como chegamos ao dinheiro de livre mercado? Como de costume, Murray tem a resposta:

“Concluímos, então, que o dólar deve ser redefinido em termos de uma única mercadoria, em vez de em termos de uma cesta de mercado artificial composta por duas ou mais mercadorias. Qual mercadoria, então, deveria ser escolhida? Em primeiro lugar, os metais preciosos, ouro e prata, sempre foram preferidos a todas as outras mercadorias como meios de troca onde estiveram disponíveis. Não é por acaso que esta tem sido a história de sucesso invariável dos metais preciosos, o que pode ser parcialmente explicado por sua demanda não monetária superior e estável, seu alto valor por unidade de peso, durabilidade, divisibilidade, reconhecibilidade e outras virtudes descritas detalhadamente no primeiro capítulo de todos os manuais de moeda e bancos publicados antes de o governo dos Estados Unidos abandonar o padrão-ouro em 1933. Qual metal deveria ser o padrão, então, prata ou ouro? Existe, de fato, um argumento em favor da prata, mas o peso dos argumentos favorece um retorno ao ouro. A crescente abundância relativa da oferta de prata depreciou consideravelmente seu valor em termos de ouro, e ela não tem sido utilizada como metal monetário geral desde o século XIX. O ouro foi o padrão monetário na maioria dos países até 1914, ou mesmo até a década de 1930. Além disso, o ouro era o padrão quando o governo dos Estados Unidos, em 1933, confiscou o ouro de todos os cidadãos americanos e abandonou a conversibilidade do dólar em ouro, supostamente apenas durante a emergência da depressão. Ademais, o ouro, e não a prata, ainda é considerado um metal monetário em toda parte, e os governos e seus bancos centrais conseguiram acumular uma enorme quantidade de ouro que atualmente não está em uso, mas que poderia novamente ser utilizado como padrão para o dólar, a libra ou o marco.

Isso levanta um corolário importante. Os Estados Unidos, e outros governos, de fato nacionalizaram o ouro. Mesmo agora, quando cidadãos privados têm permissão para possuir ouro, a grande maior parte desse metal continua guardada nos cofres dos bancos centrais. Se o dólar for redefinido em termos de ouro, o ouro, assim como o dólar, poderá ser desnacionalizado conjuntamente. Mas, se o dólar não for definido como um peso de ouro, então como poderia ocorrer uma desnacionalização do ouro? Vender o estoque de ouro seria insatisfatório, pois isso (1) implicaria que o governo tem direito às receitas da venda e (2) deixaria o dólar sob o controle fiduciário absoluto do governo.

É importante compreender o que implicaria uma definição do dólar em termos de ouro. A definição deve ser real e efetiva, e não meramente nominal. Assim, os estatutos dos Estados Unidos definem o dólar como 1/42,22 de uma onça de ouro, mas essa definição é apenas um dispositivo formal de contabilidade. Para ser real, a definição do dólar como uma unidade de peso de ouro deve implicar que o dólar seja intercambiável e, portanto, resgatável por seu emissor nesse peso, que o dólar seja um direito de resgate à vista para esse peso em ouro.

Além disso, uma vez selecionada, a definição, qualquer que seja, deve ser fixada permanentemente. Uma vez escolhida, não há mais justificativa para alterar a definição do que haveria para alterar o comprimento de uma jarda padrão ou o peso de uma libra padrão.

Antes de prosseguirmos para investigar qual deveria ser a nova definição ou peso do dólar, consideremos algumas objeções à própria ideia de o governo estabelecer uma nova definição. Uma crítica sustenta que seria fundamentalmente estatista e uma violação do livre mercado que o governo, em vez do mercado, fosse responsável por fixar uma nova definição do dólar em termos de ouro. O problema, porém, é que agora estamos lidando com a questão no meio do caminho, depois que o governo retirou o dólar do ouro, praticamente nacionalizou o estoque de ouro e emitiu dólares por décadas como dinheiro arbitrário e fiduciário. Como o governo monopolizou a emissão do dólar e confiscou o ouro do público, somente o próprio governo pode resolver o problema ao desnacionalizar conjuntamente o ouro e o dólar. Objetar à redefinição e privatização do ouro pelo governo equivale a reclamar da revogação, pelo governo, de seus próprios controles de preços, sob o argumento de que a revogação constituiria uma ação governamental, e não privada. Uma acusação semelhante poderia ser feita contra a desnacionalização, pelo governo, de qualquer produto ou atividade. Não é defender o estatismo exigir que o governo revogue suas próprias intervenções.

Uma crítica correlata, e uma das favoritas dos monetaristas, pergunta por que os defensores do padrão-ouro gostariam que o governo ‘fixasse o preço (em dólar) do ouro’ quando, em geral, se opõem à fixação de quaisquer outros preços. Por que deixar o mercado livre para determinar todos os preços, exceto o preço do ouro?

Mas essa crítica compreende totalmente mal o significado do conceito de preço. Um ‘preço’ é a quantidade trocada de uma mercadoria no mercado em termos de outra. Assim, no escambo, se um pacote de seis lâmpadas é trocado no mercado por uma libra de manteiga, então o preço por lâmpada é um sexto de uma libra de manteiga. Ou, se há troca monetária, o preço de cada lâmpada será um determinado peso de ouro ou, atualmente, um certo número de centavos ou dólares. O ponto importante é que o preço é a razão entre as quantidades de duas mercadorias que estão sendo trocadas. Mas, se o dinheiro estiver em um padrão-ouro, o dólar e o ouro não serão mais duas mercadorias independentes, cujo preço deveria flutuar livremente no mercado. Eles serão uma única mercadoria, sendo uma uma unidade de peso da outra. Pedir um ‘livre mercado’ no ‘preço do ouro’ é tão absurdo quanto pedir um livre mercado de onças em termos de libras, ou de polegadas em termos de jardas. Quantas polegadas equivalem a uma jarda não é algo sujeito a flutuações diárias no livre mercado ou em qualquer outro mercado. A resposta é fixada eternamente por definição, e o que um padrão-ouro implica é uma definição fixa, absoluta e imutável, como no caso de qualquer outra medida ou unidade de peso. O mercado necessariamente troca duas mercadorias diferentes, e não uma mercadoria por si mesma. Pedir um livre mercado no preço do ouro seria, em suma, tão absurdo quanto pedir um preço de mercado flutuante para dólares em termos de centavos. Quantos centavos constituem um dólar não está mais sujeito a flutuação diária e incerteza do que polegadas em relação a jardas. Pelo contrário, um verdadeiro livre mercado no dinheiro existirá apenas quando o dólar for novamente estritamente definido e, portanto, resgatável em termos de pesos de ouro. Depois disso, o ouro poderá ser trocado, a preços livremente flutuantes, pelos pesos de todos os outros bens e serviços no mercado.

Em suma, a própria descrição de um padrão-ouro como uma ‘fixação do preço do ouro’ é uma grave interpretação equivocada. Em um padrão-ouro, o ‘preço do ouro’ não é arbitrariamente fixado por intervenção governamental. Pelo contrário, o ‘dólar’, que durante o último meio século tem sido apenas um bilhete de papel emitido pelo governo, voltará a ser definido como uma unidade de peso de ouro”.

Como de costume, Murray está certo. Devemos defender um retorno ao padrão-ouro, e não desperdiçar tempo com fantasias excêntricas sobre novos tipos de dinheiro.


Lew Rockwell - Mises Brasil


Governo corrupto do ex-presidiário Lula torra R$107 milhões em viagens em 18 dias

 

Foram torrados R$233,1 milhões somente nos primeiros 85 dias do ano


Dinheiro público tem garantido a alegria de servidores que viajam e empresas aéreas que faturam alto - Foto: EB


As despesas do governo Lula (PT) com viagens dispararam mais de R$107 milhões em 18 dias, segundo o Portal da Transparência. No total, a gestão petista conseguiu torrar R$233,1 milhões nos primeiros 85 dias do ano. Foram quase R$127 milhões para bancar diárias de servidores e mais R$105 milhões com passagens aéreas. Em 9 de março, eram R$126,4 milhões no total. Até dia 27, já passava dos R$233 milhões. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

O Portal da Transparência registra também R$1,28 milhão com “outros gastos” de viagens do governo do PT; são taxas, seguros etc.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública concentra a maior parte dos gastos com viagens do governo Lula, este ano: R$61,7 milhões.

Em 2025, o governo Lula bateu (pelo terceiro ano seguido), o recorde histórico de gastos com viagens: R$2,44 bilhões.

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