sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Pesquisa mostra que eleitores rejeitam políticos corruptos. 79% dos entrevistados preferem candidatos à margem do atual cenário. Lula, Renan, Aécio... fora do jogo

Resultado de imagem para Fotos Lula e Aécio




José Casado - O Globo

Má notícia para políticos envolvidos em casos de corrupção, como os investigados na Operação Lava-Jato, que sonham com a eleição geral do ano que vem: a maioria (57%) dos eleitores acha que não merecem o voto.

É elevada, também, a rejeição (59%) à ideia de eleger o próximo presidente a partir de candidaturas de um dos três maiores partidos, PMDB, PSDB e PT, no Congresso.

A boa notícia está na ansiedade dos eleitores por mudanças, renovação de quadros e forma de fazer política. Mais de dois terços (79%) apreciariam muito se o cardápio eleitoral de 2018 apresentasse novidades, principalmente, candidaturas de pessoas comuns, sem passado, vícios ou à margem da política atual.

É o que mostra pesquisa inédita com 10.063 eleitores dos 37 maiores colégios eleitorais (26 capitais e 11 cidades), realizada por encomenda do Agora!, grupo ativista independente e dedicado à análise de políticas públicas. Feita entre os dias 11 e 25 de julho, por telefone, pela empresa Ideia Big Data, a consulta tem margem de erro estimada em 1,75%.

Os resultados são contundentes. Confirmam a percepção coletiva de descrédito dos métodos habitualmente usados por partidos, parlamentares e governantes para fazer política. Demonstram, também, a exaustão com formatos de polarização aplicados no debate de alternativas para o desenvolvimento do país, como ocorre nas últimas duas décadas, com PT e PSDB.



Diagnóstico da pesquisa


Respostas confirmam percepção coletiva de descrédito na classe política
MUNDO PARALELO

Os eleitores sentem-se abandonados. Oito em cada dez entrevistados consideram que as organizações políticas tradicionais se mantêm numa realidade paralela, distante do mundo no qual sobrevivem. Os melhores intérpretes dos seus problemas, acham, estão à margem dos partidos, ou seja nos movimentos civis em proliferação nas cidades. A massa mais crítica (87%) mora no Sudeste, mas a avaliação negativa é homogênea no Sul (80%), no Centro-Oeste (76%) e no Norte e no Nordeste (ambos com 75%).

Partidos se transformaram em peças irrelevantes aos olhos de ampla maioria (77%). O voto tende a ser definido, cada vez mais, em função das características do candidato no Nordeste (90%), Norte (82%), Centro-Oeste (78%), Sudeste (74%) e no Sul (70%).

Se uma política pública é de direita ou esquerda, não importa. Interessa mesmo à maioria (72%) é se ela vai tornar a vida melhor. É como se vê no Nordeste (80%), no Sudeste (75%), Norte (73%) e Centro-Oeste (71%). No Sul a proporção cai um pouco (65%).

Esse ambiente delimitado pela pesquisa sugere oportunidade não apenas para a renovação nos partidos existentes, como a criação de outros — até sexta-feira contavam-se 70 novos pedidos de registro na Justiça Eleitoral. Propicia, também, a instituição de mecanismos eleitorais inovadores, como o de candidaturas avulsas.

— Mudou o imaginário dos eleitores — diz Ilona Szabó, cientista política, uma das fundadoras do movimento Agora!. — Confirma-se a existência de uma avenida longuíssima para cidadãos comuns assumirem o protagonismo.

O espaço de fato existe, indica a pesquisa, mas não será fácil conquistá-lo. Os eleitores dividem-se, por exemplo, quando perguntados se devem dar mais atenção aos movimentos de fora da política convencional do que aos partidos: 43% concordam e 38% discordam. Ou seja, por qualquer ângulo, prevalece o ceticismo dos donos do voto.

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