sexta-feira, 1 de julho de 2016

Reinaldo Azevedo: "O Gato quântico de Gaspari"

Folha de São Paulo


Aos 54 anos, cheguei à idade em que cobro dos interlocutores a objetividade necessária. Com mais tempo pela frente, talvez eu condescendesse com imprecisões. Mas tenho pressa, não minto. E deixo claro: recomendo aos jovens que não tolerem feitiçarias intelectuais. É perda de tempo.

Nesta semana, três doutores, cada um em seu ofício, convocaram em mim o apreciador da matemática e da física, as disciplinas das quais fui monitor no ensino médio, que se chamava "colégio". Sempre que alguém começa a passear pela metafísica, eu protejo a minha carteira existencial.

Elio Gaspari, uma espécie de decano moral do jornalismo –de tal sorte o é que eu, elogiosamente, o apelidei cá comigo de "aiatoélio"–, escreveu uma coluna (http://goo.gl/x2Iafj) nesta Folha intitulada "Há golpe". No muito antigamente, uma das disciplinas próximas da matemática era a gramática. Reaproximo-as.

Um tantinho de filosofia da linguagem a partir da análise sintática.

Gaspari não escreveu "impeachment é golpe", circunstância em que haveria um sujeito ("impeachment"), um verbo de ligação ou cópula, como era chamado ("é"), e um predicativo do sujeito ("golpe"), com um substantivo fazendo as vezes de adjetivo ("derivação imprópria"). Se alguém diz que "impeachment é golpe", elimina circunstâncias e história e se fixa numa imanência. Nesse caso, o impeachment carrega a sua qualidade ou estado.

Como Gaspari não é burro –ou "aiatoélio" não seria–, ele optou pelo "há golpe".

Sua coluna, de fato, nega que o impedimento carregue em si a imanência inconstitucional e ilegal. Ele reconhece que, ainda que Dilma não pudesse responder pelas pedaladas (e a perícia não entrou nesse mérito), bastaria a edição dos decretos de créditos suplementares, sem autorização do Congresso, para caracterizar o crime de responsabilidade.

O autor, então, driblou imanências e escolheu a fórmula "há golpe". Ah, que mal fizeram os "modernos" aos brasileiros, né?, ao eliminar o ensino da gramática em benefício da "interpretação de texto", que é o doutor Thomás Turbando da linguagem.

O "há" de Gaspari é verbo transitivo direto; "golpe" é objeto direto, e essa é uma Oração Sem Sujeito – ou de sujeito inexistente. Por isso, se eu perguntar ao autor quem deu o golpe, ele não conseguirá me dizer. Se eu quiser passar a oração para a voz passiva, não tenho como porque, inexistindo sujeito na voz ativa, não há agente da voz passiva. Gaspari optou por uma fórmula gramatical que o exime de dizer aos brasileiros quem golpeou quem.

Como ele nega, em sua coluna, a fórmula "impeachment é golpe", mas diz que "há golpe", estamos diante do "Gato de Schrödinger" da política, que pode ser chamado de "Gato de Gaspari": há uma realidade que, não sendo golpe, porque isso ensejaria um sujeito, existe, no entanto, como objeto direto de um verbo sem sujeito. É o golpe quântico!

Não é Reinado Azevedo quem cobra uma resposta do autor. É a gramática.

Ancestral como os primeiros grunhidos.

Os outros dois que provocaram as minhas virtudes matemáticas, físicas e nunca metafísicas foram Rodrigo Janot e Roberto Barroso. Ficam para outras colunas. 

Lá se foram os meus caracteres todos. Eu me apaixonei pelo Gato Quântico de Gaspari. Aquele que, embora não sendo, há.

Maria Cristina Frias: "Energia solar de geração 'caseira' dobra em 2016"

Folha de São Paulo


A energia solar fotovoltaica de microgeração aumentou em mais de quatro vezes nos últimos doze meses, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Só neste ano, o número de conexões instaladas no país subiu 99%. Até o fim de 2016, o setor projeta que a alta total chegue a 800%.

A disparada é fruto das recentes mudanças de regulamentação, aprovadas no fim do ano passado e em vigor desde março, que permitem que o excedente gerado possa ser descontado da fatura de energia elétrica.

"Além disso, o tamanho máximo dos sistemas subiu para 5 megawatts e foram criados mecanismos de compensação para condomínios e consórcios", afirma o presidente da Absolar (entidade do setor), Rodrigo Sauaia.

A tributação da energia ainda é um entrave, segundo ele.

Hoje, 16 Estados têm um convênio com o Confaz (conselho de política fazendária) para que o ICMS não recaia sobre energia gerada, o que reduz o custo em 20%, diz o presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello.

Outra barreira é o alto preço dos equipamentos, hoje importados. A célula fotovoltaica representa 80% do custo de geração, segundo Mello.

Um programa de incentivo à microgeração, anunciado pelo governo federal em dezembro de 2015, promete desonerar a importação e criar novas linhas de financiamento ao setor. A implementação do projeto está em análise.

"Com a crise, porém, dificilmente algo sairá agora."

98%
dos sistemas instalados são solares fotovoltaicos
48%
dos sistemas está em Minas, São Paulo e Rio
29,74 MW
é o potencial instalado por micro e minigeração
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BOM PARA QUEM?

A decisão de manter a meta de inflação em 4,5% em 2018 surpreendeu parte do mercado, que esperava uma redução para 4%.

Para a equipe econômica, porém, uma queda da meta anunciada pelo Conselho Monetário Nacional não seria benéfica e passaria uma mensagem de tendência ao aperto monetário.

"Indicaria que os juros iriam ficar mais altos", disse um membro da área.
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Executivos gastam mais tempo com dívida no Brasil

As altas alavancagens das empresas e a dificuldade para acessar crédito são problemas específicos de diretores financeiros das companhias abertas do Brasil.
A avaliação é de Tim Koller, sócio da McKinsey em Nova York e autor de um livro sobre precificação de negócios, que está em São Paulo.

"Gerenciar dívida e conseguir acessar crédito é muito mais desafiador do que em outros mercados onde o setor financeiro pode gastar mais tempo com investidores."

O papel dos diretores financeiros tem mudado ao longo dos anos, diz, e uma das novas funções é decidir quais unidades de negócios vão servir para crescer e quais poderão dar retorno.

"A questão é encontrar o balanço correto dentro de cada empresa", afirma.
Devem sair do mercado de capitais os primeiros sinais robustos de que a crise chega ao fim, diz Koller.

Existe um padrão em recessões, diz: a economia cai, lucros caem e preços de ativos financeiros acompanham.

"Os agentes não percebem pontos de inflexão no comércio de ações, mas, se olharmos pelo lado bom, eles antecipam as melhoras."
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PEDE PARA VIAGEM
Das cem lojas que a rede de lanchonetes Bob's pretende abrir neste ano, 65 serão localizadas em cidades do interior. Em 2015, foram inaugurados 102 pontos de venda.
A previsão de investimento com as novas unidades é de R$ 80 milhões.


"Desde 2009, quando começamos o movimento de interiorização da marca, percebemos o potencial de negócios desses locais", diz Marcello Farrel, diretor-executivo da cadeia de restaurantes.

Na época, a empresa iniciou a expansão por municípios com 200 mil habitantes. Hoje, opera em localidades com 60 mil.

"Um dos nossos principais focos serão as cidades do Estado de São Paulo, onde há muito campo para crescermos."

A partir deste mês, o grupo vai promover encontros no interior com potenciais franqueados.

1.130
são os pontos de venda
18 MIL
é o número de funcionários
-
Caução O Instituto Butantan receberá R$ 33 milhões do Ministério da Saúde para produzir vacina contra a dengue. É a segunda parcela da mesma soma. A previsão é que sejam repassados R$ 100 milhões.

Força... A quantidade de riqueza nas mãos dos super-ricos aumenta a cada ano, segundo a Capgemini. Impulsionados pelos setores de serviços e tecnologia, os asiáticos agora controlam mais capital.

...oriental Em 2015, eles tinham US$ 17,39 trilhões (R$ 57,8 trilhões) nas mãos. O Brasil foi o país em que os muito ricos mais perderam poder nesse período: queda de 8% em relação a 2014.
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DESCE SÓ UMA, GARÇOM

A produção de cerveja em garrafas retornáveis caiu 5,8% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2015, segundo dados do Sicobe (Sistema de Controle da Produção de Bebidas).

Aumentar a oferta de produtos nesse modelo de embalagem, que tem melhor custo-benefício, era uma das estratégias das empresas do setor para vender mais e contornar a crise no início do ano.
"A garrafa é vantajosa, mas se o consumidor tem menos na carteira, não adianta a embalagem de um litro ser mais barata. Nesse sentido, as latas, que exigem desembolso menor, têm vantagem", diz Paulo Petroni, da CervBrasil (das fabricantes do setor).

No mesmo período, a produção em latinhas teve uma queda menor, de 1,3%.

HORA DO CAFÉ
com FELIPE GUTIERREZDOUGLAS GAVRAS e TAÍS HIRATA

Secretária linha dura se coloca como opção para cargo de premiê britânica

Leandro Colon - Folha de São Paulo


Seria equívoco vincular a sinalização da secretária do interior do Reino Unido, Theresa May, 59, a favor da aliança britânica com a União Europeia a algum tipo de simpatia migratória aos vizinhos de bloco.

Em outubro de 2015, durante discurso na anual conferência do Partido Conservador, May sintetizou sua prioridade de gestão como secretária de David Cameron: a luta pelo controle das fronteiras no Reino Unido.

Str/Xinhua
A secretária do Interior britânica, Theresa May, lança sua campanha em Londres nesta quinta-feira (30)
A secretária do Interior britânica, Theresa May, lança sua campanha em Londres nesta quinta-feira (30)

"Reduzir e controlar imigração está ficando difícil, mas não há motivos para desistir. Como diz nosso manifesto, 'nós temos que trabalhar para controlar a imigração e colocar o Reino Unido em primeiro lugar'".

Nas palavras dela, a imigração em massa "ameaça" a união britânica.

Como secretária, priorizou a redução do saldo migratório entre os que chegam de fora e os britânicos que deixam o Reino Unido.

Em 2013, chegou inclusive a cogitar, sem sucesso, o fim da regra de isenção de visto por seis meses para brasileiros que visitam o país a turismo.

May começou a carreira política em 1986, mas só entrou no Parlamento em 1997 pelo distrito eleitoral de Maidenhead, na região sul inglesa. Casada e sem filhos, estudou em Oxford.

Se destacou por assumir funções nos gabinetes paralelos do Partido Conservador. Subiu na legenda entre 2002 e 2003 como primeira mulher secretária-geral.
May está no governo há seis anos, sendo um dos mais longevos secretários do Interior do Reino Unido.

Devido ao estilo linha dura no governo, alguns veículos locais a classificam, com um certo exagero, como a "nova Margaret Thatcher".

Entretanto, pelo menos até hoje, May é muito mais discreta publicamente em questões políticas do que a ex-premiê. Estilo, aliás, que pode ser capaz de unir um Partido Conservador rachado após o plebiscito sobre a separação da UE.

O racha teve de um lado Cameron, a favor da permanência, e, de outro, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson. May, por sua vez, ficou de fora da confusão. Optou por uma postura mais discreta, o que, segundo especialistas, poderá ajudá-la a obter os votos dentro da sigla.

Pesquisas indicam May com mais popularidade que Johnson –que não disputará, o que deve deixá-la sozinha na briga com o secretário de Justiça, Michael Gove.
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OUTROS CANDIDATOS
Leon Neal/AFP
Stephen Crabb, 43
Defensor da permanência do Reino Unido na União Europeia, o secretário do Trabalho prometeu negociar a saída do bloco. Costuma enfatizar sua origem na classe média baixa britânica, em contraste com os adversários
Neil Hall/Reuters
Michael Gove, 48
O secretário de Justiça foi figura importante na campanha pela saída e chegou a apoiar Boris Johnson, mas anunciou candidatura própria. Gove, que já trabalhou como jornalista, era próximo de David Cameron antes do plebiscito
Dylan Martinez/Reuters
Liam Fox, 54
Outro forte defensor da saída do bloco, o ex-secretário de Defesa teve que renunciar ao cargo em 2011 após acusações de que um amigo lobista viajava com ele para compromissos oficiais
Matt Frost/Reuters
Andrea Leadsom, 53
A ministra de Energia afirmou que o Brexit é sua "prioridade absoluta" na campanha pela liderança. Ela defende que a saída pode resultar em acordos comerciais vantajosos para o Reino Unido

Agências reguladoras acabaram capturadas pelo governo, diz FGV

Alan Marques –.fev.2013/Folhapress
Fachada da Anatel - Agencia Nacional de Telecomunicações,em Brasília (DF)
Fachada da Anatel - Agencia Nacional de Telecomunicações,em Brasília (DF)

PF prende doleiro aliado de Cunha e mira JBS em ação em 3 Estados e DF. Diversionismo! E Lula. o chefe da quadrilha?

GABRIEL MASCARENHAS
MÁRCIO FALCÃO
AGUIRRE TALENTO
RUBENS VALENTE
BELA MEGALE

Folha de São Paulo


A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da Operação Lava Jato na manhã desta sexta-feira (1º). Um dos alvos da ação é a empresa JBS, dona da Friboi.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavaski, relator da Lava Jato, e tem como base a delação do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, aliado do deputado Eduardo Cunha. A PF cumpre mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Brasília.

Foi preso o corretor Lúcio Bolonha Funaro, também aliado de Cunha e que vinha tentando negociar um acordo de delação com a PGR (Procuradoria-geral da República).

Há suspeitas de que a JBS tenha pago propina, por meio de Funaro, para obter recursos do fundo de investimentos do FGTS, liberados por influência de Cleto.
Como a Folha revelou em abril, Cleto afirmou em sua delação que havia um esquema de pagamentos de propina para liberação de recursos do FI-FGTS e que o dinheiro era dividido entre ele, Cunha e Funaro.

O STF também autorizou busca e apreensão na casa do lobista Milton Lyra.
Miltinho, 44, como é conhecido, já foi citado por delatores como operador do senador Renan Calheiros no Postalis, o fundo de pensão dos servidores dos Correios. Quatro requerimentos para ouvi-lo foram apresentados na CPI dos Fundos de Pensão, mas não votados.

OUTRO LADO

Na época em que reportagens sobre a delação de Cleto foram publicadas, as defesas do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro negaram as acusações e disseram desconhecer a delação do ex-vice da Caixa Fábio Cleto.

A defesa de Funaro ainda não se manifestou após sua prisão.


"De costas para a realidade", editorial do Estadão

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Fernando Gabeira: "Uma visão tropical"

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