terça-feira, 1 de julho de 2014

"Inflação de Dilma preocupa no aniversário do Real", editorial de O Globo

Quem era criança em 1994 passou a adolescência sem conviver com uma inflação elevada e persistente. Naquele ano, o Plano Real, lançado no governo de Itamar Franco por uma equipe de economistas brilhantes liderada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique, começou a debelar um processo endêmico de inflação e que acelerava para entrar em fase terminal, de destruição da moeda e mergulho do setor produtivo em cava recessão — em 1993, os preços, em média, haviam subido 2.500%. Chegava-se à hiperinflação.

Surgiu, devido ao Plano Real, uma primeira geração que cresceria na estabilidade monetária, sem se preocupar com taxas de rendimento de caderneta de poupança, sem conhecer “correção monetária", etc. Mais do que um plano de reforma econômica, o Real foi um projeto exitoso de mudança cultural, de conversão da estabilidade econômica em patrimônio da sociedade. 

Vinte anos depois de lançamento do plano, o Brasil se encontra num momento de inflação elevada e também persistente — ronda o limite superior ( 6,5%) da meta de 4,5% e, mais grave do que isso, é uma inflação subestimada, porque os chamados “preços públicos”, de tarifas e combustíveis, estão contidos artificialmente. A inflação efetiva estaria acima dos 7%/8%. A preocupação aumenta se considerarmos que o Brasil está na contramão de um mundo ainda em deflação.

Mas ninguém espera que volte o passado da inflação sem controle. Não apenas há a rejeição política à elevação desvairada dos preços, mas reformas feitas na esteira do Plano Real dotaram o país de um outro ambiente institucional, em que é mais fácil atuar contra fontes de alimentação da alta de preços. É preciso, porém, decisão política para enfrentar a inflação.

A instituição da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2000, no segundo governo de FH, tem, apesar dos percalços, servido de antídoto contra a atávica tendência do político brasileiro de considerar o Tesouro fonte inesgotável de recursos. E o desregramento nos gastos foi indiscutível fator de aceleração da inflação. Outro avanço ocorreu na atuação do Banco Central, dotado de todas as condições de administrar a política de juros para defender o poder aquisitivo da moeda. Se tem maior ou menor margem de manobra, depende do Planalto.

Se nada indica que haja mais um ciclo de superinflação à espreita, também é verdade que a estabilização da economia ainda é uma tarefa incompleta. Foi um erro do PT não realizar reformas complementares às feitas pelos tucanos na esteira do Real: a trabalhista e a tributária, por exemplo. É certo que a política e a ideologia foram empecilho a isso, embora Lula houvesse se valido da política econômica tucana para salvar seu primeiro governo de grave crise econômica.

Haja o que houver em outubro, o inquilino do Planalto a partir de 1º de janeiro deveria retomar a rota das reformas. Para que de fato a estabilização decorrente do Real se perenize.

Gilberto Carvalho, aquele da mala preta do caso Celso Daniel, deixa governo Dilma para atuar na campanha de... Dilma

CATARINA ALENCASTRO - O Globo

Ministro será o responsável pela interlocução com movimentos sociais

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, vai deixar o governo para integrar a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Gilberto vai ser responsável pela interlocução da campanha com os movimentos sociais, exatamente uma de suas principais atribuições hoje dentro do governo. Embora tenha dito que preferia permanecer à frente da Secretaria Geral, Gilberto afirmou que estava à disposição de Dilma. E a presidente já o escalou para a nova função.

A combinação é que o ministro espere o fim da Copa, já que esteve pessoalmente em todas as cidades-sede antes do Mundial, estabelecendo diálogo com a juventude e os movimentos organizados da sociedade civil. Mas, segundo um auxiliar da presidente que participa das reuniões sobre as eleições, como a Copa está sob controle, é possível que antes mesmo do fim do evento Gilberto já assuma o cargo na campanha.

- O nível de planejamento e monitoramento que o governo está fazendo na Copa é altamente profissional. Não houve caos aéreo nem grandes manifestações, tudo está funcionando. Está todo mundo apoiando a Copa, é uma festa, está um clima bonito, e os brasileiros estão lotando os estádios e prestigiando a Copa - avaliou esse auxiliar.

A ida de Carvalho para a campanha atende a uma pressão da cúpula do PT, que o considera o melhor quadro para intermediar o contato com os movimentos sociais e com as igrejas católica e evangélica. Ex-seminarista, ele tem bom trânsito com os setores religiosos.

Desde o início do ano, o petista, que foi chefe de gabinete de Lula e continua como um dos principais interlocutores do ex-presidente, vem dando sinais de que já cumpriu sua missão no governo. Ele declarou publicamente que este seria seu último ano como ministro, mesmo que Dilma se reeleja. Ele alega cansaço.

Em 2010, Carvalho entrou em campo para tentar quebrar resistências à então candidata Dilma, que, antes da campanha, se manifestou favorável à descriminalização do aborto. Na disputa pela Presidência da República, porém, ela defendeu a manutenção da legislação atual, que permite a prática apenas em casos de estupro, risco de morte para a mãe e anencefalia.

Um dos ministros que mais dá declarações à imprensa, Gilberto se envolveu recentemente em uma polêmica ao declarar que os xingamentos contra Dilma, na abertura da Copa do Mundo, não partiram apenas da "elite branca", como dissera Lula. A avaliação divergente repercutiu mal na cúpula do PT, inicialmente. Depois, o próprio Gilberto minimizou o episódio, afirmando que recebeu o apoio de vários correligionários.


(Colaborou Fernanda Krakovics)


Com o cinismo lulista, Dilma afirma que fatos isolados não abalarão a credibilidade da Petrobras. São quase 12 anos de bandalheira

RAMONA ORDOÑEZ - O Globo



Dilma Rousseff cumprimenta a presidente da Petrobras, Graças Foster Foto: Domingos Peixoto / O Globo
Dilma Rousseff cumprimenta a presidente da Petrobras, Graças Foster - Domingos Peixoto / O Globo





A presidente Dilma Rousseff, disse nesta terça-feira que “fatos isolados” não afetarão a credibilidade da Petrobras. Sem se referir diretamente às denúncias de diversas irregularidades nas contratações da estatal, como a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, alvo de CPI no Congresso, Dilma defendeu a petroleira, no início e no fim de seu discurso na sede da Petrobras, no Rio.

— Não será um fato ou outro isolado que irá abalar a credibilidade da Petrobras — disse Dilma, na solenidade de comemoração pelos 500 mil barris de produção no pré-sal.
Ao final do discurso de defesa da Petrobras, a presidente declarou que a empresa não se tornará vulnerável:

— Enfraquecer a empresa, colocar a seriedade de seu corpo técnico em questão é algo que não vai adiantar. Não vai torná-la vulnerável, não vai torná-la menos capaz de explorar o potencial do pré-sal.

Segundo Dilma o recorde na produção no pré-sal e o contrato feito pelo governo com a Petrobras para exploração de petróleo nos campos excedentes da cessão onerosa, tornam irreversível o crescimento da companhia.

— A Petrobras tem um grande papel no novo ciclo de desenvolvimento do país e garante definitivamente que as riquezas do pré-sal vão se traduzir em patrimônio para o povo brasileiro — destacou Dilma.

— Quero deixar sublinhado que a Petrobras a partir de agora passa a ter acesso a um volume significativo de petróleo. A empresa que adquiriu (o direito) de explorar essas riquezas por lei tem condições excelentes para explorar esse conjunto de campos — destacou Dilma Rousseff.

A presidente se refere ao petróleo excedente nos campos da cessão onerosa que o governo contratou diretamente a estatal sem licitação.

Comemorando o recorde do pré-sal, superado no mês passado, Dilma afirmou que, em 2018, a camada será responsável por mais de 50% da produção de petróleo no país. As áreas de saúde e educação receberão R$ 1,3 trilhão nos próximos 35 anos com os royalties das áreas concedidas para a Petrobras no pré-sal.


LOBÃO: ‘NÃO ACEITAMOS CRÍTICA PELA CRÍTICA’

Também presente à cerimônia, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reclamou da onda de críticas ao governo no país. Segundo Lobão, se dizia que não haveria Copa do Mundo, que não haveria energia elétrica, e que haveria racionamento. O ministro lembrou também das críticas à contratação direta da Petrobras para as áreas excedentes dos campos da cessão onerosa.

— Nós confiamos na capacidade financeira sim, e na capacidade técnica da Petrobras. A Petrobras continuará a ser este monumento erguido para o povo brasileiro. Este é o Brasil que nós confiamos, que não aceita crítica pela crítica. Nós somos uma grande nação e venceremos — concluiu Lobão que participa da solenidade dos 500 mil barris por dia a produção de petróleo no pré-sal.

A Petrobras comemora ter atingido a produção recorde de 500 mil barris diários somente nos campos do pré-sal nas bacias de Santos e Campos. A produção atinge esta marca recorde apenas oito anos depois de ter sido anunciada a descoberta de reservas gigantescas de petróleo no pré-sal. A produção no pré-sal, que em abril foi de 412 mil barris diários, já havia atingido o pico de 470 mil barris em 11 de maio.

Em discurso na solenidade, a presidente da companhia, Graça Foster, voltou a garantir que não está prevista nova capitalização pelo menos até 2030. Em seu discurso Graça destacou a importância da incorporação nas reservas da companhia de mais um volume entre 10 bilhões a 15 bilhões de barris relativos aos excedentes de óleo na cessão onerosa. Com o aumento das reservas a Petrobras terá condições de manter uma produção média de 4,2 milhões de barris de petróleo por dia de 2020 a 2030.

(Colaborou Juliana Castro)

Barbosa diz que deixa Supremo 'com a alma leve' e sem interesse na política

Laryssa Borges - Veja


Depois de onze anos na corte, Joaquim Barbosa não fez discurso de despedida e reconheceu, em entrevista, que "comprou brigas" no Supremo


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Joaquim Barbosa preside nesta terça-feira (01) sua última sessão do Supremo Tribunal Federal. A aposentadoria do ministro está prevista para este mês
Joaquim Barbosa preside nesta terça-feira (01) sua última sessão do Supremo Tribunal Federal. A aposentadoria do ministro está prevista para este mês - Pedro Ladeira/Folhapress
Em sua última sessão no comando do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa afirmou nesta terça-feira que "comprou briga" por seu estilo duro e confrontador, mas que deixa a corte com "a alma leve" e "com sentimento de dever cumprido". Há um mês, ele anunciou queanteciparia sua aposentadoria para o final do semestre – a aposentadoria compulsória ocorreria somente em outubro de 2024, quando completará 70 anos.
“Saio absolutamente tranquilo, com a alma leve e com aquilo que é fundamental para mim, o cumprimento do dever. É importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade e da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, a lei e a Constituição”, disse, em entrevista, após deixar a sessão desta terça.
Relator do processo do mensalão e presidente da corte durante o desfecho do maior julgamento criminal do STF, Barbosa reconheceu que suas decisões provocaram conflitos. “Esse é o norte principal da minha atuação: pouca condescendência com desvios, com essa inclinação natural a contornar os ditames da lei e da Constituição. Eu comprei briga nessa linha sempre que achei que havia desvios, tentativas de desviar-se do caminho correto, que é aquele traçado pela Constituição. O resto não tem muita importância."
Longe do Judiciário, Barbosa disse que terá liberdade para “tomar posições” porque será "um cidadão como outro qualquer", mas – mais uma vez –, negou ter pretensões políticas apesar de seu nome ser citado com frequência em pesquisas de intenção de voto. “A política não tem na minha vida essa importância toda, a não ser como objeto de estudos e de reflexões. Não tenho esse apreço todo pela politiciènne, essa política do dia a dia. Isso não tem grande interesse para mim."
Barbosa conduziu parte da sessão do Supremo na manhã desta terça-feira e, até o momento, ainda não encaminhou ao Ministério da Justiça seu pedido oficial de aposentadoria. Ele também não fez o tradicional discurso de despedida, quando recebe os cumprimentos dos demais integrantes da corte e de advogados.
Na saída do plenário, afirmou: “Deixo bem, com sentimento de dever cumprido, a sensação é boa. Foi um período de privilégio imenso de poder tomar decisões importantes para o nosso país, um período em que, não em razão da minha atuação individual, mas coletivamente, o STF teve um papel extraordinário no aperfeiçoamento da nossa democracia. Isso é fundamental”.


Sucessão – Com a aposentadoria de Joaquim Barbosa, a presidente Dilma Rousseff vai indicar seu quinto ministro. Embora tenha feito a ressalva de que não daria nenhum tipo de conselho sobre a escolha do sucessor, Barbosa disse que os ministros da mais alta corte do país devem se comportar como “estadistas”.

“Faço questão de dizer que não estou dando nenhum conselho à presidente da República, mas o que penso é que, em primeiro lugar, um membro do STF tem que ter como característica fundamental ser um estadista, ou ser um estadista em gestação que aos poucos vá se aprimorar aqui dentro. O caráter da pessoa escolhida é também muito importante. Esse tribunal toma decisões fundamentais que influenciam enormemente a vida cotidiana de todos os brasileiros”, disse. E concluiu: “Aqui não é lugar para pessoas que chegam com vínculos com determinados grupos de pressão, não é lugar para se privilegiar determinadas orientações. A pessoa tem que chegar com abertura de espírito para, eventualmente, ter até que mudar seus pontos de vista anteriores, tomar as medidas e adotar as orientações que sejam do interesse da nação".

Balança comercial brasileira fica negativa em US$ 2,49 bi no 1º semestre

Veja

Segundo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em junho foi apurado superávit comercial de US$ 2,365 bilhões


Balança comercial é a diferença entre as exportações e as importações
Balança comercial é a diferença entre as exportações e as importações (Ivan Pacheco)
Na onda de más notícias econômicas do governo Dilma Rousseff, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou nesta terça-feira saldo negativo de 2,490 bilhões de dólares na balança comercial brasileira - diferença entre exportações e importações - do primeiro semestre. Mesmo assim, o resultado de janeiro a junho é menor do que o visto no mesmo período de 2013, quando a balança ficou negativa em cerca de 3 bilhões de dólares. 
Em junho, o saldo comercial ficou positivo em 2,365 bilhões de dólares, a melhor performance do ano, influenciada pelas exportações de produtos básicos, com destaque para o petróleo. Contudo, vale ressaltar que o resultado mensal veio pior do que esperado por especialistas consultados pela Reuters, cuja mediana das projeções apontava para superávit de 2,85 bilhões de dólares - as 14 estimativas variavam entre superávit de 2 bilhões a 3,2 bilhões de dólares. A base de comparação de maio também distorce o desempenho, já que no quinto mês a balança comercial havia registrado superávit de 712 milhões de dólares, o pior resultado para o período desde 2002.
No mês passado, as exportações somaram 20,468 bilhões de dólares, com média diária 3,6% superior a maio, mas queda de 3,2% sobre junho do ano passado. Segundo o ministério, em junho as exportações de produtos básicos cresceram 9,5% sobre um ano antes, com as vendas de petróleo bruto praticamente dobrando, a 1,4 bilhão de dólares. Ambos foram as grandes estrelas que ajudaram na boa performance do mês. Do outro lado, as importações somaram 18,103 bilhões de dólares em junho, queda de 3,8% na média diária sobre junho de 2013 e de 5,1% frente a maio. O destaque ficou para as compras de bens de capital e de consumo, que caíram 17,7% e 10,5%, respectivamente.
No ano, as exportações somam 110,532 bilhões de dólares, enquanto as importações, 113,022 bilhões de dólares. A balança comercial brasileira tem sido afetada sobretudo pela conta petróleo. O mau desempenho da balança comercial brasileira afeta as contas externas do país. Entre janeiro e maio passados, último dado disponível, as transações correntes estavam negativas em 40,074 bilhões de dólares.
(com agência Reuters)

PCdoB chafurda na lama há muito... portanto está numa boa ao lado de Collor e Renan

Blog do Josias
Aqui, os detalhes

Serra, em primeiro nas pesquisas, será o candidato ao Senado pelo PSDB

Blog Reinaldo Azevedo - VejaSerra, em primeiro nas pesquisas, será o candidato ao Senado pela frente que apoia Alckmin; boa notícia para o PSDB, que vai enfrentar o PT, desta feita, na pele de Paulo Skaf

“Tudo vai bem quando termina bem.” O PSDB chega à data-limite para a definição dos palanques com, até agora, uma unidade que não se via no partido desde 1998, quando FHC conquistou, no primeiro turno, o segundo mandato presidencial para o partido. Em 2002, 2006 e 2010, fatores vários levaram à derrota dos tucanos, mas uma coisa é certa: se a legenda dependesse da união para vencer, teria perdido. Parece que ao menos parte substancial da lição foi aprendida. Hoje, quem se digladia com estratégias distintas, nem sempre congruentes, é o PT. Numa caminhada com menos tropeços do que se supunha e com mais conquistas, a esta altura, do que se imaginava, o PSDB assistiu a um princípio de crise em São Paulo — mas a tempo solucionada por ações sensatas de homens sensatos. E José Serra será o candidato ao Senado da coligação que apoia a reeleição de Geraldo Alckmin. Dadas as circunstâncias vigentes até domingo, ele estava relutante — e com razão. Mas aí o governador e o próprio presidenciável Aécio Neves atuaram para adaptar a realidade político-partidária à necessidade. Serra vai disputar o Senado tendo o também tucano José Aníbal, hoje deputado federal, como suplente.
No breve período em que o PSB anunciou que teria candidatura própria em São Paulo, Gilberto Kassab, presidente do PSD e aliado incondicional de Dilma Rousseff na esfera federal, negociava o posto de vice na chapa de Alckmin — e a aliança chegou a ser dada como praticamente selada. O PSB voltou atrás, conquistou o lugar de vice, e Kassab passou a ser considerado candidato à vaga ao Senado na chapa encabeçada pelo tucano. Acontece que o PSDB tinha desde sempre o pré-candidato apontado nas pesquisas como o favorito: José Serra.
Sem a garantia da necessária unidade de todos os partidos da coligação em torno de seu nome, o ex-governador estava mesmo decidido a se lançar candidato à Câmara Federal. Kassab preferiu pôr um fim às negociações com o PSDB, migrou para a candidatura de Paulo Skaf ao governo (PMDB) e, num lance ainda mais inesperado, decidiu se lançar ao Senado. Acontece que Serra seguia sendo o nome com mais densidade eleitoral no grupo que apoia Alckmin.  Foi sensível à argumentação da direção do partido, de Aécio e, em particular, do governador, que costurou o apoio das legendas coligadas. A evidência de que se obteve o consenso interno é a indicação do também tucano José Aníbal para a suplência — ele próprio um dos pré-candidatos.
Serra deixa, assim, um lugar que era considerado certo na Câmara dos Deputados para disputar uma vaga que, obviamente, comporta mais riscos. Em 2014, renova-se apenas um terço do Senado, e cada Estado elegerá apenas um representante. É uma disputa majoritária. As pesquisas de opinião o colocam com boa vantagem sobre o segundo colocado, Eduardo Suplicy, do PT, que concorrerá ao… quarto mandato!
Ter um nome forte disputando o Senado é importante tanto para Aécio Neves, que precisa ter votação expressiva em São Paulo — e o paulista Aloysio Nunes não é vice na sua chapa por acaso — como para Geraldo Alckmin, que sabe que enfrentará uma disputa difícil. Como vocês já sabem, com o seu PMDB e o apoio de PDT, PROS, PSD e PP, Skaf será o postulante com mais tempo no horário eleitoral gratuito. O tucano vem em segundo lugar, e, razoavelmente atrás, Alexandre Padilha, que vê sua candidatura ser desvitaminada pelo próprio PT. A esta altura, já escrevi aqui, está claro que o petista fará na disputa o papel daqueles nanicos que se dedicam só à campanha negativa. Ele tentará desconstruir o PSDB, enquanto Skaf se encarregará de fazer “propostas”. O estrategista é Lula.
Logo, não fazia sentido desperdiçar o capital de votos que, segundo as pesquisas, tem Serra. A máquina de desqualificação do petismo, que funcionou com eficiência em 2012, está bastante desmoralizada. Os apenas 17% de aprovação ao petista Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, deixa isso muito claro. A sorte está lançada. O adversário do PSDB no estado segue sendo o PT, desta feita na pele de Paulo Skaf.
PS — Ah, sim! Uma teoria conspiratória que estava em curso se desmoralizou: aquela segundo a qual Serra teria influenciado o apoio de Kassab a Skaf. Acho que não. Serra e Kassab, como se vê, disputam agora o mesmo cargo, não é? Convém não acreditar na versão daqueles a quem a inexistente conspiração interessaria se verdadeira fosse…