sábado, 31 de maio de 2014

"O PIB do fracasso", editorial do Estadão

 

A economia brasileira vai continuar anêmica, sem fôlego para crescer como outros emergentes e sem força, ainda por um bom tempo, para enfrentar os principais competidores. O Brasil seguirá perdendo o jogo por falta de eficiência e de capacidade produtiva.


Esta é a pior notícia embutida nas contas nacionais do primeiro trimestre, balanço de um desempenho abaixo de pífio, com crescimento de apenas 0,2% em relação aos três meses finais de 2013. Projetada para um ano, essa taxa corresponde a pouco mais de 0,8%, em termos acumulados, mas até esse resultado já parece acima das possibilidades, segundo alguns analistas. Mas o detalhe mais negativo é outro: o País permanece condenado a crescer muito menos do que poderia, se fosse governado com alguma competência, porque a taxa de investimento produtivo, já muito baixa nos últimos anos, voltou a cair.

Nos primeiros três meses deste ano o governo e o setor privado investiram em máquinas, equipamentos, instalações e obras de infraestrutura apenas 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa proporção, um ano antes, era de 18,2%. Em outros emergentes essa proporção raramente fica abaixo de 24% e em muitos casos passa de 30%. Na China, tem superado os 40%.

Uma comparação mais completa, e até mais negativa para o Brasil, deveria incluir os números e a qualidade da mão de obra disponível. Não basta gastar mais em educação e promover a multiplicação de vagas de grau superior, se a formação é ruim nos cursos fundamental e médio e a maior parte das faculdades produz mais diplomas do que competências.

O investimento em queda e a indústria estagnada são os detalhes mais assustadores do quadro divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com os novos números do Produto Interno Bruto. A taxa de investimento chegou a 19,5% no primeiro trimestre de 2011, quando a presidente Dilma Rousseff ainda se acomodava no gabinete principal do Palácio do Planalto. Caiu, a partir daí, para 18,8%, nos primeiros três meses de 2012; para 18,2%, um ano depois; e para 17,7%, no trimestre inicial de 2014.

A queda comprova mais uma vez o fracasso, nada surpreendente, da estratégia seguida neste governo e em parte implantada no governo anterior. Falhou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O plano de concessões de infraestrutura, mal concebido e mal executado, demorou a deslanchar e pouco avançou. Os financiamentos com recursos federais privilegiaram grandes empresas do próprio governo e grupos selecionados para tornar-se campeões. Os estímulos fiscais beneficiaram indústrias selecionadas e favoreceram muito mais o consumo do que a produção. O sistema tributário, irracional e absurdamente oneroso, permaneceu quase intacto.

Enquanto isso, o governo continuou gastando, intervindo na economia de forma desastrada e perdendo credibilidade.

O péssimo desempenho da indústria, com recuo de 0,8% nos primeiros três meses e crescimento de apenas 2,1% em quatro trimestres, também mostra a falência de um estilo de política econômica. O protecionismo foi incapaz de impedir a conquista de fatias crescentes do mercado interno pelos produtores estrangeiros. Além disso, seria inútil como instrumento de competitividade para os fabricantes nacionais atuarem no mercado externo. Isso foi sempre óbvio. Mas o governo, com apoio de parte do empresariado, preferiu reeditar um modelo defensável, há décadas, quando ainda tinha sentido falar de indústria nascente.

Mais uma vez a agropecuária impediu um desastre maior. Sua produção no primeiro trimestre foi 3,6% maior que nos três últimos meses do ano passado. Em 12 meses, o crescimento acumulado chegou a 4,8%, enquanto a expansão do PIB total continuou em 2,5%, a mesma taxa de 2013. Este é o número revisto. O dado anterior (2,3%) foi revisto depois de atualizada a pesquisa do setor industrial. Essa atualização pouco afetou o quadro geral do ano passado e as perspectivas deste ano. A estatística melhorou, mas a política é tão ruim.

Mercado piora estimativas e já vê PIB crescendo só 1% este ano

O Globo

 


Uma economia que agora deve crescer entre 1% e 1,6% em 2014 e que permanecerá com avanço modesto no ano que vem. As projeções após o avanço de 0,2% no primeiro trimestre do ano mostram uma deterioração da expectativa de bancos e consultorias.
O Itaú Unibanco está no piso das projeções, com um crescimento estimado de 1% em vez de 1,4%. Para o segundo trimestre, o banco prevê contração de 0,2%.

A Gradual Investimentos também rebaixou as estimativas deste ano de 1,9% para 1,5%. No entanto, o economista André Perfeito considera que a economia pode crescer até 2,8% no ano que vem, com uma base de comparação mais baixa e uma possível melhora no cenário internacional poderá resultar em alta de 3,5% em 2016.
Na onda de revisões, a Rosenberg Associados espera agora por um PIB de 1,6%, em vez de 1,8%. Para 2015, projeta iguais 1,8%. O banco Goldman Sachs rebaixou o PIB estimado de 1,8% para 1,3%.

Já o Banco ABC passou de uma previsão de 1,6% no ano para 1,2%. A consultoria Brasil Plural foi a que mais rebaixou a expectativa, de 1,7% para 1%.

Entre as consultorias ouvidas pelo GLOBO, somente a MB Associados, que projeta expansão de 1,3%, não alterou sua previsão.

A LCA Consultores estima variação entre 0% e 0,5% no segundo trimestre. A LCA e a Tendências Consultoria farão revisões para o ano.

A edição mais recente do Boletim Focus, na última segunda-feira, mostrou que a média das 100 instituições consultadas pelo Banco Central na pesquisa é de alta de 1,63%, ligeira redução em relação aos 1,65% de um mês antes.

Além das revisões, o fraco desempenho da economia fez com que o Brasil ficasse mal posicionado entre as economias que mais cresceram no mundo neste ano. Está na 24ª posição, de acordo com a Austin Rating. Entre os latino-americanos, supera o México, mas está atrás do Peru, 6º colocado, e do Chile, 18º.


Ministro da Justiça, Cardozo tenta justificar escolta da PF à filha

Citando relatório da Polícia Federal, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, justificou a escolta feita por agentes federais para sua filha, Mayra. "Não vou falar de fatos, mas houve um relatório de inteligência da Polícia Federal, que me foi apresentado. A PF sugeriu que fosse feita a escolta", disse o ministro, em São Paulo. Continue lendo http://migre.me/juO6z

Maluf tornou-se símbolo da reabsolvição eterna

Alexandre Padilha apresenta-se ao eleitorado de São Paulo como novidade. É uma alternativa com boa cara para o eleitor que deseja a alternância no poder estadual. Uma opção petista à hegemonia tucana de duas décadas. Para colocar seu projeto em pé, Padilha foi atrás do Maluf, cortejou o Maluf, ofereceu vantagens ao Maluf, seduziu o Maluf. Nesta sexta-feira, em troca de 1min15s de propaganda no rádio e na tevê, Padilha entregou a viabilidade do novo à conveniência do Maluf. Leia mais http://migre.me/juNt0

Otimismo num país que atrasa obra de saneamento é maluquice ou alienação

De todas as crises brasileiras, a mais grave é a crise de semântica. Diz-se à larga que o Brasil está melhorando. Antes de tirar qualquer conclusão é preciso combinar o que é “melhorar”.
A melhoria se mede em número de estádios reformados ou em número de privadas conectadas à rede de esgoto? Falar a mesma língua é a primeira condição para chegar a algum acordo.
Nesta semana, quando se imaginava que tudo caminhava bem —a família Scolari concentrada, a Dilma feliz com o último Ibope, o Aécio achando que vai dar segundo turno, os mensaleiros eufóricos com a aposentadoria do Barbosa…—, vem o instituto Tratabrasil e diz que 58% das obras de esgoto do PAC estão atrasadas.

Leia mais http://migre.me/juNc3

Enquanto isso, na Papuda…!

Blog do Josias 

 
 



- Via Blog do Amarildo.

A farsa dos movimentos sociais

 Blog Reinaldo Azevedo - Veja


A “Carta ao Leitor” da VEJA
 
 
CARTA AO LEITOR
 
 
Une os governos de Lula e Dilma Rousseff o apoio ao que seus ideólogos chamam de “movimentos sociais”, que nada mais são do que grupos organizados para servir de massa de manobra aos interesses políticos radicais. O encarregado de organizar e manter vivos esses grupos é Gilberto Carvalho, que, de sua sala no Palácio do Planalto, atua como um ministro para o caos social. Essa pasta, de uma forma ou de outra, existe em todos os governos populistas da América Latina e se ocupa da cínica estratégia de formar ou adotar grupos com interesses que não podem ser contemplados dentro da ordem institucional, pois implicam o desrespeito às leis e aos direitos constitucionais.
 
Ora são movimentos de índios que reivindicam reservas em áreas de agronegócio altamente produtivas e até cidades inteiras em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, ora são pessoas brancas como a neve que se declaram descendentes de escravos africanos e querem ocupar à força propriedades alheias sob o argumento improvável de que seus antepassados viveram ali. A estratégia de incitar esses grupos à baderna e, depois, se vender à sociedade como sendo os únicos capazes de conter as revoltas é a adaptação moderna do velho truque cartorial de criar dificuldades para vender facilidades.
 
Brasília assistiu, na semana passada, a uma dessas operações. Alguns índios decidiram impedir que as pessoas pudessem ver a taça da Copa do Mundo, exposta no estádio Mané Garrincha. A polícia tentou reprimir o ato, e um dos silvícolas feriu um policial com uma flechada. Atenção! Isso ocorreu no século XXI, em Brasília, a cidade criada para, como disse o presidente Juscelino Kubitschek no discurso de inauguração da capital, há 54 anos, demonstrar nossa “pujante vontade de progresso (…), o alto grau de nossa civilização (…) e nosso irresistível destino de criação e de força construtiva”. Pobre jK. Mostra uma reportagem desta edição que progresso, civilização e força construtiva passam longe de Brasília. As ruas e avenidas da capital e de muitas grandes cidades brasileiras são território dos baderneiros.
 
Há três meses, o MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, mandou seus militantes profissionais atacar o Planalto. Gilberto Carvalho foi até a rua, onde, depois de uma rápida conversa, se combinou que Dilma receberia os manifestantes. “O MST contesta o governo, e isso é da democracia”, explicou Carvalho, o pacificador, que, com um dedo de prosa, dissolveu o cerco feroz.
 
O MST é um movimento arcaico, com uma pauta de reforma agrária do século passado em um Brasil com quase 90% de urbanização e 80% da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros vinda da agricultura familiar. Por obsoleto, já deveria ter desaparecido.
 
Mas Carvalho não permite que isso ocorra. O MST faz parte do exército de reserva e precisa estar pronto se convocado. Foi o que se deu na semana passada, quando João Pedro Stedile, um dos fundadores do movimento, obediente ao chamado do momento, atirou: “Só espero que não ganhe o Aécio Neves, porque aí seria uma guerra”. É impossível não indagar: contra quem seria essa guerra? A resposta é óbvia: contra a vontade popular e contra a democracia.