sábado, 31 de janeiro de 2026
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Morre Catherine O'Hara, estrela de Esqueceram de Mim, aos 71 anos
A atriz faleceu em sua casa em Los Angeles depois de enfrentar uma breve doença; vencedora de dois Emmys, a canadense marcou gerações
A atriz Catherine O’Hara morreu nesta sexta-feira, 30, em sua casa em Los Angeles, no Estado norte-americano da Califórnia. A artista de 71 anos enfrentou uma breve doença antes do falecimento. Representantes da agência CAA confirmaram a informação à imprensa.
Nascida em Toronto, no Canadá, a artista construiu uma carreira sólida na comédia e no drama. Ela iniciou sua trajetória no teatro de improviso Second City, onde atuou como substituta de Gilda Radner. Posteriormente, integrou o elenco do programa SCTV, responsável por lançar nomes como John Candy e Rick Moranis.
Sucesso no cinema e papéis marcantes de Catherine O’Hara O’Hara alcançou projeção global ao interpretar Kate McCallister nos cinemas. Ela viveu a mãe de Kevin nos sucessos de bilheteria Esqueceram de Mim (1990) e Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York. A performance tornou a personagem uma referência nas exibições de fim de ano.
A atriz manteve uma colaboração duradoura com o cineasta Tim Burton. Ela interpretou Delia Deetz no clássico Os Fantasmas se Divertem e retornou ao papel na sequência lançada em 2024. O currículo inclui ainda participações frequentes nos filmes de Christopher Guest, como O Melhor do Show e A Mighty Wind.
Renascimento na TV e premiações recentes
A série Schitt’s Creek marcou um renascimento profissional na última década. O’Hara venceu o Emmy de Melhor Atriz em Comédia em 2020 pelo papel de Moira Rose.
A personagem excêntrica, uma exatriz de novela rica que perde a fortuna, conquistou uma nova base de fãs no streaming. Ela continuou ativa na televisão com papéis de destaque até os últimos dias. Em 2025, a academia indicou O’Hara duplamente ao Emmy por suas atuações na série dramática The Last of Us e na comédia The Studio. Na produção da Apple TV+, ela interpretava a executiva Patty Leigh.
Trabalhos finais e família
A atriz estava envolvida nas gravações da segunda temporada de The Studio desde meados de janeiro. A produção satiriza os bastidores de Hollywood e conta com Seth Rogen no elenco. A morte de O’Hara interrompe sua participação na série e deixa o projeto sem uma de suas protagonistas. Catherine O’Hara deixa o marido, o designer de produção Bo Welch, e dois filhos, Matthew e Luke.
Catherine O’Hara deixa o marido, o designer de produção Bo Welch, e dois filhos, Matthew e Luke. A família também inclui seis irmãos da artista. O legado da canadense abrange desde a escrita de esquetes premiados na década de 1980 até a consagração definitiva na era das plataformas digitais.
Revista Oeste
Auschwitz e o dever da memória', por Ana Paula Henkel
O Holocausto foi motivado por uma ideologia que via os judeus como um mal a ser erradicado. Retirar essa verdade da narrativa histórica não torna o passado mais inclusivo ou mais humano. Torna-o falso
N a manhã de 27 de janeiro de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial entrava em seus dias finais e a Europa começava a emergir dos escombros, soldados do Exército Vermelho avançavam pela Polônia ocupada sem imaginar que estavam prestes a atravessar um dos limites mais sombrios da história humana. O que encontraram em Auschwitz-Birkenau não foi um campo de batalha, nem os vestígios comuns de uma guerra em retirada. Encontraram silêncio. Um silêncio pesado, quebrado apenas por corpos esqueléticos que ainda respiravam — e por milhões de vozes que jamais voltariam a falar.
Os soldados não compreenderam imediatamente o que viam. Barracões intermináveis. Fornos. Pilhas de roupas, sapatos infantis, óculos, malas com nomes escritos à mão. Homens e mulheres que pareciam ter envelhecido décadas em poucos meses. Crianças sem infância, sem família, sem futuro. Auschwitz não se revelava de uma vez. Ele se impunha aos poucos, como uma verdade que o espírito humano reluta em aceitar.
Os relatos daqueles soldados descrevem um espanto para o qual nenhuma instrução militar poderia prepará-los. Alguns acreditaram, num primeiro momento, tratar-se de um hospital improvisado ou de um campo de prisioneiros comum. A compreensão veio lentamente e, com ela, o choque moral. Muitos sobreviventes estavam fracos demais para falar. Outros tentavam explicar o inexplicável, misturando línguas, gestos e lágrimas. Havia também os que já não conseguiam chorar: o corpo havia sobrevivido, mas algo essencial já tinha sido levado.
Encontraram crianças órfãs que pareciam idosos, mulheres sem cabelo nem identidade, homens reduzidos a números tatuados no braço. Encontraram também armazéns inteiros cheios de objetos pessoais — malas, fotografias, utensílios simples — a prova silenciosa de que aquelas pessoas haviam chegado ali acreditando que viveriam. Cada mala guardava uma esperança enganada.
Auschwitz não foi revelado ao mundo como um campo abandonado, mas como um sistema em funcionamento interrompido apenas pelo avanço da guerra. Se não tivesse sido libertado naquele momento, teria continuado operando. Esse é um dado que pesa sobre a consciência humana: não foi o arrependimento que encerrou Auschwitz, foi a derrota militar do regime que o sustentava.
Ali, o mal não era explosivo e nem era caótico. Era organizado. Havia horários, listas, funções, turnos. A morte tinha método. O assassinato em massa havia sido transformado em rotina administrativa. Auschwitz não foi um desvio da civilização moderna, mas uma de suas possibilidades quando a técnica se divorcia da moral e a ideologia substitui a consciência.
Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas naquele lugar. Judeus, em sua esmagadora maioria, mortos não por crimes, não por escolhas, mas por aquilo que eram. O antissemitismo, elevado à condição de política de Estado, produziu uma máquina de aniquilação sem precedentes. Auschwitz foi o ponto em que o ódio deixou de ser retórico e se tornou industrial.
Quando o mundo finalmente entendeu o que havia acontecido, veio o choque — e depois, o juramento. Nos anos seguintes, os Julgamentos de Nuremberg buscaram algo inédito: responsabilizar indivíduos por crimes cometidos em nome de um Estado. Ali, a humanidade tentou reafirmar um princípio essencial: há limites que nenhuma autoridade pode ultrapassar, e obedecer ordens não absolve o mal.
Nuremberg não foi apenas um tribunal. Foi um esforço moral. Uma tentativa de dizer que a civilização ainda reconhecia a diferença entre o justo e o injusto, entre o crime e o dever. O mundo prometeu a si mesmo que Auschwitz não se repetiria. Que aquele grau de ódio, aquela escala de extermínio, jamais seriam tolerados novamente. A expressão “Nunca Mais” nasceu ali — não como slogan, mas como compromisso civilizacional.
Os Julgamentos de Nuremberg marcaram uma ruptura histórica profunda. Pela primeira vez, líderes de um Estado soberano foram julgados não apenas por perderem uma guerra, mas por crimes cometidos contra a própria ideia de humanidade. Ali, o mundo rejeitou formalmente a defesa que se tornaria tristemente famosa: “eu apenas obedecia ordens”.
Nuremberg afirmou um princípio que deveria ser eterno: há ordens que não podem ser obedecidas, leis que não podem ser cumpridas, autoridades que perdem legitimidade no momento em que violam os limites morais fundamentais. Esse foi talvez o maior legado de Nuremberg — mais importante até do que as sentenças. A ideia de que o indivíduo nunca está completamente dissolvido no Estado, de que existe uma consciência que antecede o poder político. E de que a civilização depende da coragem de reconhecer essa hierarquia.
Quando esse princípio é esquecido, quando a responsabilidade moral é terceirizada, o caminho para novos Auschwitz se abre; ainda que com outros nomes, outros métodos, outras justificativas. Durante décadas, a memória do Holocausto funcionou como um limite. Auschwitz tornou-se referência negativa absoluta: o ponto a partir do qual se dizia “daqui não passaremos”.
Ensinar aquela história não era apenas lembrar o passado, mas vacinar o futuro contra a tentação do totalitarismo, da desumanização e do ódio organizado. Mas a memória, como toda construção humana, exige vigilância. E hoje, 80 anos depois, sinais inquietantes começam a surgir.
No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, instituído pela ONU justamente para preservar essa lembrança, a BBC foi obrigada a pedir desculpas após omitir, em sua cobertura, que os 6 milhões assassinados pelo regime nazista eram judeus. Falou-se em “6 milhões de pessoas”. Um detalhe, dirão alguns. Um erro de redação, alegou a emissora.
Mas não é um detalhe. Não é um erro neutro. Quando se apaga o sujeito do crime, o crime se dissolve. Quando se dilui a identidade das vítimas, o ódio que as matou perde forma — e, sem forma, perde também o limite que o contém.
O Holocausto não foi uma tragédia genérica. Não foi um desastre impessoal da guerra. Foi um genocídio dirigido, motivado por uma ideologia que via os judeus como um mal a ser erradicado. Retirar essa verdade da narrativa histórica não torna o passado mais inclusivo ou mais humano. Torna-o falso.
Não é por acaso que a primeira batalha travada por regimes totalitários ocorre na linguagem. Antes de prender, censurar ou matar, é preciso redefinir palavras, suavizar conceitos, apagar distinções morais. O Holocausto foi precedido por eufemismos. Deportações sem destino viraram “realocação”. Campos de extermínio foram chamados de “centros de trabalho”. O assassinato em massa foi escondido atrás de termos técnicos e burocráticos. A linguagem foi usada como anestesia moral.
Por isso, quando hoje uma grande emissora evita nomear os judeus como vítimas centrais do Holocausto, não estamos diante de um simples erro editorial. Estamos diante de um eco histórico perigoso. A diluição da linguagem sempre precede a diluição da responsabilidade. A história mostra que o mal prospera quando deixa de ser nomeado com precisão.
A relativização da memória não acontece de forma abrupta. Ela começa com ajustes de linguagem, com generalizações convenientes, com o receio de nomear. Aos poucos, o mal deixa de ter rosto, o crime perde autoria, e a história se transforma em uma abstração inofensiva. É assim que Auschwitz deixa de ser advertência e passa a ser apenas um capítulo distante dos livros de história.
Esse processo não é acidental. Toda vez que a memória incomoda o presente, há uma tentação de suavizá-la. Toda vez que a verdade exige coragem, surge a alternativa do silêncio educado. Mas a história ensina — de forma implacável — que o silêncio nunca é neutro.
O antissemitismo, hoje, não veste mais o uniforme do século 20. Ele reaparece sob novas máscaras: linguagem acadêmica, slogans políticos, revisionismo seletivo, ataques simbólicos. Cresce em universidades, nas redes sociais, nas ruas da Europa e do mundo. E cresce, sobretudo, onde a memória foi enfraquecida.
Lembrar Auschwitz não é um exercício acadêmico. É um ato moral. É reconhecer que a civilização depende de verdades inegociáveis: que não existem vidas descartáveis, que não há causas que justifiquem o extermínio, que nenhuma ideologia autoriza a negação da humanidade do outro.
Cada geração acredita, em algum momento, que aprendeu definitivamente as lições do passado. Mas a história é menos otimista. O aprendizado civilizacional não é cumulativo por natureza — ele precisa ser reafirmado, ensinado e defendido continuamente. A memória do Holocausto não é garantida pelo tempo. Pelo contrário: quanto mais distante Auschwitz parece, maior é o risco de que se torne abstrato, simbólico demais, inofensivo demais.
Preservar essa memória exige mais do que cerimônias. Exige honestidade intelectual. Exige disposição para enfrentar narrativas confortáveis. Exige a coragem de afirmar que houve vítimas específicas, algozes específicos e uma ideologia específica responsável pelo maior crime do século 20.
Sem essa precisão, a memória se transforma em ritual vazio — e rituais vazios não impedem a repetição do mal.
Por isso, o 27 de janeiro não pertence apenas aos museus ou aos livros de história. Ele pertence ao presente. Cada geração recebe Auschwitz como herança moral — e decide o que fazer com ela. Preservar a memória exige esforço, responsabilidade e vigilância constante.
Auschwitz nos lembra que a civilização não cai de uma vez. Ela se deteriora aos poucos, quando aceita pequenas concessões à mentira, quando relativiza o mal, quando troca a verdade pelo conforto. E onde a memória falha, a civilização recua.
Ana Paula Henkel - Revista Oeste
Carlo Cauti - 'O Banco Master chegou ao Planalto'
Uma delação premiada de Vorcaro abalaria a República de uma forma que nunca se viu
D aniel Vorcaro se encontrou com Lula de forma sigilosa no dia 4 de dezembro de 2024. A reunião não foi inserida na agenda oficial do presidente. Mas a entrada do banqueiro no Palácio do Planalto aparece nos registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e foi divulgada somente após um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
Apenas esse episódio justificaria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. Uma reunião secreta entre o presidente da República e o protagonista do maior escândalo bancário da história do Brasil é, por si só, uma indecência.
Mas o que gera ainda mais ojeriza é que Vorcaro não esteve apenas uma vez no Planalto. Entre 2023 e 2024, ele entrou pelo menos outras quatro vezes na sede da Presidência. Quase certamente foi o banqueiro que mais pisou no Palácio no terceiro mandato de Lula. Até seu pai, Henrique Vorcaro, esteve no Planalto em reunião que não consta nas agendas oficiais divulgadas. Sem sequer ter um cargo no Banco Master. Como todos os escândalos do Brasil, tornou-se um caso de família.
Em nota, o Palácio do Planalto negou qualquer encontro de Lula ou ministros com Daniel e Henrique Vorcaro nas datas registradas pelo GSI. Basicamente, chamou de mentirosos os responsáveis pela segurança do presidente, que teriam, portanto, forjado a entrada da dupla nos sistemas informáticos governamentais. Surrealismo palaciano.
Uma reunião ocorrida no final de 2024 no Palácio do Planalto, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — não constou na agenda oficial da Presidência, segundo reportagem do Metrópoles. O encontro, realizado no gabinete presidencial, teria durado cerca de uma hora e meia e contou com a presença de figuras do mundo político e financeiro. 
De acordo com o Metrópoles, além de Lula e Vorcaro, participaram da reunião o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (que teria articulado o encontro), o governador Rui Costa o senador Alexandre Silveira o então indicado à presidência do Banco Central Gabriel Galípolo e o então CEO do banco, Augusto Lima. A ausência do encontro na agenda oficial gerou questionamentos sobre transparência por parte da Presidência. 
A informação sobre a reunião fora da agenda também foi apurada e publicada por outros veículos de economia e política, que confirmaram que o encontro foi realizado em dezembro de 2024 e relataram que Guido Mantega teve papel na articulação da reunião. Esses relatos reforçam a sequência factual trazida inicialmente pelo veículo. 
A omissão do registro na agenda oficial e a participação de nomes ligados ao governo e ao setor financeiro ocorrem em meio a apurações e investigações sobre operações vinculadas ao Banco Master, tema que ganhou destaque na imprensa e motivou alertas e pedidos de apuração por parte de autoridades e do mercado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou sobre o caso, dizendo que Galípolo “herdou” problemas relacionados ao Master e que a apuração deve ser feita com rigor pelas instituições competentes. 
A assessoria da Presidência, segundo o Metrópoles, não explicou publicamente o motivo da não inclusão do encontro na agenda oficial. Já para analistas e opositores, o registro tardio (ou a ausência de registro) levanta dúvidas sobre transparência e sobre a natureza dos temas tratados na reunião. 📸 MONTAGEM DE FOTOS REAIS NA IA View all 4,790 comments Add a comment...
Indicado por Jacques Wagner ao cargo após uma tentativa fracassada de nomeá-lo presidente da Vale, Mantega finalmente começou a receber um salário suntuoso, adequado para resolver seus problemas financeiros. Sua função era apenas uma: abrir as portas dos palácios do poder em Brasília. Cumpriu a missão.
Em setembro de 2023, o governo Lula anunciou uma medida inesperada: o pagamento de quase R$ 95 bilhões em precatórios por ano. Mesmo com uma PEC que limitava o pagamento para não sobrecarregar as contas públicas, e apesar de o orçamento público estar no vermelho profundo, o Executivo pediu ao Supremo a autorização para pagar essas dívidas tirando-as do Arcabouço Fiscal. O STF prontamente acatou. Uma avalanche de dinheiro entrou nos cofres de quem tinha comprado precatórios. O Banco Master foi um dos mais beneficiados com a medida.
Na época, até mesmo Ciro Gomes se sentiu obrigado a criticar o Planalto, declarando em várias entrevistas que os precatórios iriam ajudar sempre os “mesmos bancos amigos do governo”. Ninguém fez nada. O pagamento de precatórios deu novo fôlego ao Master, que poderia ter quebrado muito antes caso não o tivesse recebido. Tudo decidido no mesmo palácio muito frequentado pela família Vorcaro.
Contratações generosas
Os contratos com Lewandowski e Mantega eram generosos. Mas nada comparável aos R$ 3,6 milhões mensais pagos pelo Master ao escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, em um contrato-monstro de R$ 130 milhões sem sequer um escopo bem definido. Ela, egressa do curso de Direito da Unip e sem nenhuma especialização, atuou em um único processo, movido pelo banco contra um investidor por difamação, e conseguiu perder em duas instâncias.
O marido, por sua vez, foi mais incisivo e começou a pressionar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para que encontrasse uma solução para o Master. Em um só dia, ligou seis vezes para o banqueiro central. Se não fosse um caso despudorado de advocacia administrativa, que é crime, seria stalking, que também é.
Moraes teria se encontrado com Vorcaro na mansão de 1,7 mil metros quadrados e R$ 36 milhões do presidente do Master, para beber vinhos caros e fumar charutos, na mesma noite em que estaria presente no local o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O encontro, revelado pelo portal Metrópoles, teria ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, quando o BRB começava o envolvimento na operação de compra do Master. Uma trapalhada grotesca, incompreensível para os especialistas desde o primeiro minuto após o anúncio, e que sequer o presidente do BRB conseguiu explicar nos meses seguintes. Tanto que, em setembro, o Banco Central vetou a aquisição e o Master foi liquidado poucas semanas depois.
Mas nesse tempo, o BRB tinha repassado pelo menos R$ 12 bilhões ao Master, comprando carteiras de crédito podres. Um absurdo para um banco com uma receita bruta de cerca de R$ 1 bilhão por trimestre, e depois da liquidação do Master provocou uma crise financeira grave no BRB. A vergonha foi tamanha que o banco não publicou os balanços dos últimos dois trimestres. E tentou recrutar influenciadores digitais do setor financeiro para espalhar informações positivas sobre a gestão bancária.
Modus operandi já visto no final de 2025, quando outra milícia digital teria sido contratada pelo Master para falar mal do Banco Central e criticar a liquidação. Em um e-mail surreal, a assessoria do BRB chegou a escrever “Nota Fiscal poderá ser emitida após a assinatura do contrato” e “Pagamento em 40 dias”. O banco negou ter conhecimento da ação.
O ministro Moraes soltou uma nota definindo a matéria do Metrópoles como “falsa e mentirosa” e que “segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal”.
O Metrópoles não retrocedeu um milímetro e manteve todas as informações. Se isso tivesse acontecido há 24 meses, a Polícia Federal já estaria fazendo busca e apreensão na redação do portal e os repórteres teriam sido incluídos no Inquérito das Fake News por “desordem informacional” e “ameaça ao Estado Democrático de Direito”.
Nada aconteceu.
Sinal dos tempos e de um Supremo cada vez mais acuado. Até pelo fato de Moraes ter arquivado em março de 2025, mesmo período em que frequentava a mansão de Vorcaro, o inquérito que investigava o governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), por suposta omissão na contenção dos atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Ibaneis tinha sido afastado do cargo por 90 dias pelo próprio Moraes no dia seguinte aos protestos. Quase perdeu o cargo por um impeachment liderado por sua vice. E foi o único que viu sua posição arquivada por ausência de elementos probatórios.
Poucos dias depois do arquivamento da investigação, o BRB, banco público do Distrito Federal, comunicou a compra do Master. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi nomeado por Ibaneis. E o governo do DF fez de tudo para agilizar essa compra, enviando a toque de caixa a autorização para a Assembleia Legislativa, que a aprovou em quatro dias, sem sequer ter recebido os relatórios fiscal e de riscos. Coincidências.
Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro admitiu que falou com Ibaneis sobre a compra do Master pelo BRB. Os dois se encontraram pelo menos quatro vezes nos últimos dois anos. Algumas delas, na mansão de Vorcaro.
Descalabro Toffoli
Se isso tudo pode parecer espúrio, representa apenas a parte visível da encrenca. O que é realmente escabroso são os irmãos e um primo do ministro do STF Dias Toffoli se tornando sócios de fundos do Master em um hotel de luxo no Paraná. Pessoas que nunca administraram uma pensão estudantil de terceira categoria, que viviam e continuam vivendo apertos financeiros, e que inesperadamente se tornam proprietários do Tayayá Resort, em Ribeirão Claro. Um dos irmãos, inclusive, é padre. Que com certeza não fez voto de pobreza. Suas participações foram adquiridas por valores milionários pelo fundo Arleen, gerenciado pelo Master e controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Toffoli era um assíduo frequentador do resort e é apontado como o real proprietário por funcionários do local. Mesmo assim, não teve qualquer problema em se tornar juiz do caso Master no Supremo, decretar sigilo absoluto, suspender qualquer operação policial por mais de 15 dias e mandar até mesmo recolher e lacrar as provas já obtidas pelos investigadores e enviá-las para Brasília.
Em 2025, a propriedade do Tayayá Resort passou antes para Alberto Leite, amigo de Toffoli, que chegou a acompanhá-lo na final de Champions League em Londres em 2024, e em seguida foi vendida para Paulo Humberto Barbosa, advogado da JBS. Toffoli nunca parou de se hospedar no local.
Fala, Vorcaro!
As ligações obscuras entre o presidente do Master e Brasília não se limitam ao Executivo e ao Judiciário. O Legislativo também está envolvido até os cabelos. Exemplos são as “emendas Master” apresentadas por expoentes do centrão para favorecer descaradamente o banco. Uma delas foi a do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que, em agosto de 2024, tentou na malandragem alterar a PEC que garante autonomia financeira ao Banco Central e enfiar uma emenda que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Não colou.
Outra tentativa, em setembro de 2025, foi a de amedrontar os diretores do Banco Central. Os deputados Claudio Cajado (PP-BA) e Doutor Luizinho (PP-RJ) concediam ao Congresso a prerrogativa de demitir diretores do Banco Central se sua atuação fosse considerada “incompatível com os interesses nacionais”.
Sem sequer detalhar critérios técnicos para isso. A proposta contou com o apoio de 300 parlamentares e foi apresentada no mesmo mês em que o Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB. Não passou por pouco. Além de todas essas informações sobre as ligações entre Vorcaro e Brasília, há muito mais elementos dentro do telefone do banqueiro, apreendido pela PF, e na própria cabeça dele. Os promotores estariam tentando negociar um acordo de delação premiada e abrir o telefone para reconstruir essa teia de relacionamentos e, eventualmente, apurar se havia ilícitos por lá. Por enquanto, sem sucesso.
Vorcaro se entrincheira em um silêncio cúmplice.
Mas se ele voltar para a cadeia e perceber que está sozinho nessa guerra, que perdeu o banco para sempre, que seu patrimônio pessoal está sob sério risco, dificilmente vai se segurar. Uma delação premiada do banqueiro abalaria a República de uma forma que nunca se viu. Uma bomba nuclear pronta para explodir nas eleições de 2026. Pelo bem do Brasil, fala, Vorcaro!
Carlo Cauti - Revista Oeste
Adalberto Piotto - 'Acabou o recreio'
Os brasileiros perderam o medo, não aguentam mais o que está aí e exigem o Brasil de volta
U m deputado federal decide fazer uma caminhada pelos sertões do Brasil, anda mais de 250 quilômetros por sete dias consecutivos debaixo de sol escaldante e chuvas torrenciais, arregimenta milhares ao longo do caminho e chega a Brasília para dizer “Acorda, Brasil!”, o lema do seu movimento. Um detalhe precioso: faz isso em pleno recesso parlamentar de janeiro, sem puxadinhos de sindicatos e “organizações sociais”. A adesão das pessoas é voluntária, na base do “eu vim de graça”, como nas manifestações da direita na Avenida Paulista e nas praças pelo Brasil, em que se reclamava da pressão ou se pedia pela anistia.
Uma contraposição assertiva à manipulação que a esquerda faz com distribuição de sanduíches a pessoas que carregam bandeiras vermelhas sem saber o motivo ou porque estão presas à promessa de que um dia receberão algo, como os explorados dos acampamentos do MST. Se o PT já teve de fato a hegemonia das ruas — o que pessoalmente sempre coloquei em dúvida — perdeu de vez. O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, mostrou pelas estradas e ruas de cidades do interiorzão do Brasil profundo o que já fazia com maestria nas redes sociais: os brasileiros perderam o medo, não aguentam mais o que está aí e exigem o Brasil de volta.
Trata-se de um recado duro e claro a uma parte do país que ainda tem evitado o debate real sobre o país com receio da própria bolha desconectada da realidade ou por interesses escusos. Pretendendo-se democratas 4.0, evitam o necessário embate político e evitam as ruas que apontam os dedos a mais uma tragédia moral e de retrocesso socioeconômico do atual governo de Lula, cada vez mais emaranhado no escândalo da vez: o do Banco Master. Basta ver que Daniel Vorcaro, o banqueiro amigo de autoridades da República lulopetista, contratou a preço de ouro a assessoria jurídica de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes — um aliado de primeira hora de Lula no STF e fonte amiga de parte da imprensa inquisidora.
O dono do Master ainda trouxe para sua linha de frente ex-ministros de Lula e Dilma — como Ricardo Lewandowski (um híbrido de ministro do STF e da Justiça) e Guido Mantega — indicados a Vorcaro por ninguém menos que o líder do PT no Senado, Jacques Wagner, o ex-governador da Bahia descrito nas rodas dos isentões como petista moderado.
Os novos defensores do Master não decepcionaram. Quando ainda em ação pelo seu banco, Vorcaro teve encontro com o presidente Lula fora da agenda oficial, acesso ao Banco Central e intermediação de autoridades para seus anseios. Depois de preso pela Polícia Federal por um escândalo financeiro bilionário, teve a prisão relaxada pela Justiça — que o STF não revogou — e responde em liberdade. O escândalo também ganhou a alcunha de “Toffolão”, em referência ao ministro Dias Toffoli, um ex-advogado do PT, reprovado em dois exames para a magistratura e que chegou ao Supremo, a mais alta corte do país, pela indicação de Lula.
Toffoli tem anulado acordos de leniência da Lava Jato em que empresários, assistidos por caros advogados, confessaram a malandragem em esquemas de corrução, desvio de dinheiro público e conluio de autoridades — a maioria ligada aos governos petistas de Lula e Dilma, como os irmãos Batista, da J&F. Não bastasse sua pregressa e errática atuação na Corte (o termo “errática” é um respiro de elegância diante do assombro), Toffoli ainda precisa explicar um resort, vídeos com banqueiros e lobistas e o sigilo absoluto que aplicou ao caso do Master.
Ao avocar toda a investigação para seu gabinete, retirou o telefone de Vorcaro que estava com a CPMI do INSS, determinou medidas que inibiram a investigação policial e uma série de ações que condenaram a transparência de um caso que interessa ao país. Longe de proteger o processo, a atuação do ministro parece muito mais interessada em acobertar os nomes dos envolvidos dos três Poderes da República do consórcio Lula-STF.
E esse é o ponto. Numa democracia real, de verdade, séria, constitucional, jamais um caso como o do Banco Master teria surgido. Já tivemos bancos quebrando no Brasil antes. Já tivemos, na verdade, quebradeira sucessiva de bancos. Dado que o risco sistêmico do setor estava posto, o governo da época, liderado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, instituiu medidas mais duras de controle por parte do Banco Central e a criação do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos — uma medida para proteger os clientes e trazer novamente confiança no sistema bancário. Mas nada chega nem perto do escândalo atual.
E por quê? Porque toda aquela balela maldita que impuseram ao Brasil de “estamos salvando a democracia” criou um Supremo Tribunal Federal acima de tudo e todos. Uma corte sem limites, acima da lei, da Constituição e, sobretudo, de quem ousasse questioná-la. Ao perseguir a oposição e seus críticos, atropelar a lei, os direitos individuais, praticamente extinguir a liberdade de expressão e anular o Congresso Nacional com o cabresto do foro por prerrogativa de função, o STF se tornou intocável e poderoso demais. Anabolizado em relação aos outros poderes, tornou-se imperial, um porto seguro para quem tivesse acesso privilegiado — e sabe-se lá mais o quê — aos ministros ativistas.
Em agosto de 2023, o Supremo Tribunal Federal entendeu, por 7 votos a 4, que não havia mais a proibição de que ministros julgassem casos defendidos por escritórios de advocacia de cônjuges e outros parentes. O parente só não poderia estar diretamente na defesa. No reino dessa Nárnia tupiniquim, esses escritórios passariam a ter paredes estanques e os sócios e advogados jamais tratariam do caso entre si. Inimaginável também a possibilidade de existirem maridos ministros e esposas advogadas sonâmbulos, conscientes ou inconscientemente, ou que falam enquanto dormem, a dividirem a mesma cama e o mesmo teto.
Diante desse STF permissivo, o que fizeram banqueiros e agentes do governo inescrupulosos? Associaram-se a ministros do STF em convescotes de luxo fora do país, patrocinaram eventos de pretenso debate jurídico e correram a contratar os “prestigiados” escritórios de esposas de ministros. Num passe de mágica e por maioria suprema, novas sumidades jurídicas apareceram de repente e foram contratadas. O sobrenome e o parentesco tornaram-se detalhes, não impedimentos éticos.
Desde 2019, uma parte do Brasil, movida a ódio político ou nojinho estético da vitória legítima da direita em 2018, abraçou o arbítrio, o abuso e a inconstitucionalidade como método. Valia tudo para impedir ou tumultuar o governo eleito. O inquérito 4.781 — apelidado de “Inquérito do Fim do Mundo” pelo ministro Marco Aurélio Mello — era irregular na forma e na origem e, por isso, ilegal. Aberto de ofício pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, teve nomeado relator, sem sorteio, o noviço na Corte, Alexandre de Moraes.
Em nome de combater supostas fake news — que só miraram posts e autores da direita conservadora do país — ganharam o apoio imediato — ou a omissão silenciosa — de parte imensa de empresários, associações de classe, universidades, pessoas comuns e imprensa tradicional. A partir dali, o ministro Alexandre de Moraes abriu uma era de medo e repressão num estado de exceção de inquéritos intermináveis sem nenhum limite jurídico. O sigilo das investigações era tamanho que aos advogados dos acusados não era permitido acesso aos autos para saber do que deveriam defender seus clientes. Com a máquina suprema na mão e apoio interno e externo, promoveu perseguições políticas que resultaram em prisões, cancelamentos públicos, asfixia financeira de empresas e pessoas físicas e o fim da liberdade como a conhecíamos e como era garantida na Constituição.
As prisões sem o devido processo legal e o direito à ampla defesa de manifestantes dos atos do dia 8 de janeiro são um exemplo atroz desta era vil da história recente do país. O julgamento da alegada “trama golpista”, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversas autoridades de seu governo, não guarda um mínimo de lógica jurídica, como denunciou o ministro Luiz Fux em seu voto.
No Brasil de hoje, temos dois ministros do Supremo Tribunal Federal acusados de envolvimento até o pescoço no escândalo do banco Master. São os mesmos que protagonizaram a ilegalidade do inquérito de 2019. Nem o contido atual presidente do STF, Edson Fachin, consegue esconder o incômodo de ver seu mandato à frente da Corte sendo enlameado pela atuação de seus colegas.
A sua proposta de código de conduta a homens de reputação ilibada — uma das duas exigências para indicados ao STF — é recibo irrecorrível de que as coisas estão muito mal. Como escândalo pouco é bobagem para o lulopetismo, criador do Mensalão — que comprava votos no Congresso — e da Lava Jato (Petrolão) — que desmoronou a gestão de Dilma e levou o próprio Lula à cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o atual escândalo do Banco Master, se despido do sigilo absoluto decretado pelo ministro Toffoli, tende a ser um terremoto nos três Podres Poderes da atual república. Já está sendo, porque até para aquela gente que se omitiu lá atrás, as coisas passaram dos seus limites elásticos sobre abusos e crimes contra o interesse público.
Menos mal que essa parte sonolenta da imprensa, da sociedade, das universidades, do mercado financeiro e das entidades de classe e empresariais que dormia o sono profundo dos irresponsáveis desde 2019, tenha acordado. O monstro que saiu dessa omissão ou conveniência política tem endereço conhecido na praça mais famosa de Brasília. Que aprendam de uma vez por todas que nenhum arbítrio ou abuso legal vale a pena. Acabou o recreio. Que voltem da fantasia de “salvar a democracia” e se juntem à realidade da maioria dos brasileiros que quer a liberdade e o Brasil de volta, porque nunca deixou de fazê-lo.
Adalberto Piotto - Revista Oeeste
'Imprensa velha adormecida', por Elizário Goulart Rocha
Os "veículos tradicionais" só se interessaram pela caminhada liderada por Nikolas Ferreira quando um fenômeno da natureza abriu as portas para notícias negativas
E nquanto o deputado federal Nikolas Ferreira liderava uma marcha de 250 quilômetros, os chamados “veículos tradicionais” fingiam não ver a mobilização dos brasileiros cansados do atual cenário nacional. A Caminhada pela Liberdade, que saiu do município de Paracatu, em Minas Gerais, com destino a Brasília, não despertou o devido interesse de quem costuma nada enxergar onde tudo há para ver. Milhares de vozes ecoando o bordão “Acorda, Brasil!”, ao longo de uma semana, por vezes sob sol inclemente ou chuva torrencial, não bastaram.
O assunto só chamou a atenção da imprensa velha adormecida quando um fenômeno natural ofereceu a oportunidade de abordá-lo de forma negativa. No domingo, 25, o programa Fantástico, da TV Globo, acabara de exibir uma reportagem sobre a queda de um raio na Praça do Cruzeiro, em Brasília, que atingiu dezenas de participantes da caminhada, muitos dos quais tiveram de receber atenção hospitalar.
Na sequência, entrou no ar a imagem das apresentadoras Maju Coutinho e Poliana Abritta, que anunciaram matéria sobre os 60 anos de carreira do ator Antônio Fagundes.
Seria normal que ambas exibissem um sorriso protocolar ao falar da homenagem a um colega. No entanto, Maju parecia tentar disfarçar um riso excessivo para quem acabara de assistir a uma notícia dramática e que poderia ter se convertido em tragédia.
Ainda que a risada não tivesse relação com o raio, qualquer pessoa com um mínimo de experiência em televisão — ou de bom senso — sabe que apresentadores devem se manter sérios antes, durante e depois de uma notícia negativa. E Maju tem quase 20 anos de Globo. Entre os que estão fartos do governo Lula, do atual STF e do Legislativo de sempre, pegou muito mal. Já os que acham que está tudo certo no Brasil, maravilha da propaganda oficial, nada viram de mais. Ao contrário, sentiram-se representados. Vibraram com o raio como se comemorassem um gol. O comportamento da imprensa velha atende às expectativas de quem, entre seres humanos e um raio, torce pelo raio.
A GloboNews também aproveitou para criticar os organizadores da caminhada. “As lideranças do evento, especialmente o deputado Nikolas Ferreira, deveriam ter suspendido o evento, para dar segurança aos liderados”, disse Gérson Camarotti, um dos principais comentaristas da emissora. Aproveitou para falar dos perigos de caminhar ao longo de uma rodovia, e até mesmo de uma eventual aproximação da área da Papudinha: “Tinha um grupo que achava que poderia chegar até lá”, afirmou, condenando algo que não aconteceu.
GloboNews - As lideranças do evento, especialmente o deputado Nikolas Ferreira, deveriam ter suspendido o evento, para dar segurança aos liderados”, diz @gcamarotti. Raio deixou 34 manifestantes feridos, sendo oito em estado em grave. Assista na #GloboNews: glo.bo/39WjXAu Assista no X 6:26 PM · 25 de jan de 2026 2,8 mil Responder Copiar link para o post Ler 2,2 mil respostas 30/01/2026, 11:56
Depois de visitar os feridos no hospital, Nikolas foi cercado por repórteres das mais variadas origens. A cena deveria ter sido comum ao longo da caminhada e poderia ser celebrada como um bom sinal, ainda que tardio, caso a pauta dos jornalistas ali presentes fosse dar eco ao grito por liberdade dos milhares de manifestantes. Só que não. Na grande maioria, estavam ali pelo raio. “Eu não vi muitos de vocês na caminhada, durante sete dias, e agora, quando acontece um incidente natural, aí vocês aparecem”, disse o deputado. “É muito previsível o que essa parte da mídia faz, porque no fim das contas é querer destruir a imagem de um movimento que foi muito sério, muito bonito.”
Oeste, conforme tem feito desde sua criação, viu o que tinha de ser visto e realizou ampla cobertura da caminhada, desde os preparativos até o encerramento, bem como segue acompanhando as repercussões. Além de abordar o tema em todos os seus espaços, durante cinco dias, o repórter Gabriel de Souza e o cinegrafista Gabriel Nery Reis marcharam lado a lado com os manifestantes, o que rendeu inúmeras entradas ao vivo na programação do canal no YouTube, matérias no site e postagens nas redes sociais da revista.
Gabriel de Souza - Está na chuva, é para se molhar Um pouco da minha cobertura na Revista Oeste sobre a caminhada do Nikolas Ferreira pela liberdade
Além de Oeste, poucos veículos cumpriram seu papel de mostrar as coisas como as coisas são. O site Metrópoles acompanhou a caminhada de perto, o SBT se fez presente, Gazeta do Povo e Jovem Pan também deram cobertura. Uns poucos passaram a noticiar apenas quando a marcha se aproximava da capital federal, ou quando o ministro do STF Alexandre de Moraes proibiu manifestações e acampamentos próximos à Papudinha, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso. O restante, de modo geral, ignorou o movimento ou o relegou a pequenas notas sem destaque até a natureza abrir as portas para manchetes supostamente negativas para a caminhada e seus organizadores.
Se a “grande” mídia ignora ou minimiza eventos que não interessam à sua agenda, veículos de variados portes espalhados pelo país, bem como influenciadores por meio de seus canais no YouTube e nas redes sociais, ajudam a dar voz a grande número de brasileiros. Também colaboram para desnudar este círculo de omissão. “O silêncio da mídia tradicional revela um tratamento desigual e levanta questionamentos sobre pluralidade e liberdade editorial”, questionou, por exemplo, a Rádio Liberdade de Água Boa, Mato Grosso.
A maioria da mídia tratou com frieza, ou relegou ao mínimo espaço possível, a Caminhada pela Liberdade, deixando evidente, mais uma vez, a discrepância entre a mobilização registrada nas ruas e o que ganha destaque nos noticiários. Em tempos já difíceis para veículos de comunicação tradicionais devido às facilidades oferecidas pela internet, onde cada um pode ter e ser seu próprio canal, os avanços das redes sociais, a inteligência artificial e tudo o mais que vem por aí, ignorar milhões de vozes será cada vez mais um péssimo negócio.
A recusa em enxergar a manifestação como fato político relevante não é descuido jornalístico, mas escolha editorial, e revela, mais uma vez, que a imprensa velha não dorme por cansaço, mas por conveniência. Mas o menosprezo não muda os fatos. O Brasil real segue caminhando enquanto parte da mídia insiste em dormir.
Elizário Goulart Rocha - Revista Oeste
'A grande ideia de Nikolas', por Edilson Salgueiro
A caminhada improvisada de 250 quilômetros até Brasília colocou na estrada milhares de brasileiros que saíram da apatia e perderam o medo de lutar pela liberdade
Augusto Nunes - O PT morrerá com Lula
Seitas jamais sobrevivem à partida do seu único deus
Q uando Lula morrer, o que restará do Partido dos Trabalhadores? Nada. Ou zero vezes zero, diria J. R. Guzzo. O PT nunca foi um partido. É uma seita que agrupa os praticantes do lulopetismo. Não são militantes. São devotos de um palanque ambulante promovido a único deus. Condenado por ladroagem em três instâncias, ele seguiu baixando ordens que os lulopetistas engolem sem engasgos e executam sem resmungos. É assim desde 1980, quando foi rezada a missa negra inaugural. E assim será enquanto estiver viva a divindade de botequim.
Da escolha do candidato a prefeito de Potirendaba ao novo ministro das Relações Exteriores, passando pelos tesoureiros das sucursais mais rentáveis do PT, tudo é decidido pelo primeiro presidente da República que fugia da escola com a velocidade de um Usain Bolt. “Não estudei por preguiça”, contou numa entrevista ao diretor de teatro Flávio Rangel. “Acho leitura pior que exercício em esteira”, confessou em outro vídeo. Como isto aqui é o Brasil, um Macunaíma que jamais leu um livro e não sabe escrever elegeu-se presidente da República. Três vezes.
Na cabeça baldia de Lula, nunca houve lugar para elaborações ideológicas, programas administrativos, projetos de país ou planos de governo. Há espaço de sobra para o mundaréu de ideias de jerico, vigarices eleitoreiras, alianças cafajestes e todas as formas de tapeação, concebidas para garantir o voto de milhões de brasileiros condenados à ignorância por um sistema de ensino mambembe e aprisionados pela dependência de adjutórios federais. Para a clientela do Bolsa Família, por exemplo, ser feliz é não morrer de fome — sem trabalhar.
“É o maior programa oficial de compra de votos do mundo”, constatou há anos o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos. Param por aí os sonhos dos desvalidos que ainda enxergam um Pai dos Pobres na mais gulosa Mãe dos Ricos (que, aos 80 anos, quer desfrutar por mais cinco dos palácios de Brasília). Os bolsistas do lulopetismo nem sabem que existe uma Nova York. Não sabem sequer para que serve um documento chamado passaporte. Não fazem ideia do que é zanzar entre nuvens nos jatinhos de amigos ricaços.
É improvável que saibam que o padrinho é o primeiro presidente
brasileiro preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Tampouco sabem que deixaram de existir nos anos em que a seita
esteve fora do poder. “Tirei 60 bilhões da pobreza em oito anos na
Presidência”, jurou numa discurseira recente. (Como há cerca de 8,3
bilhões na Terra, decerto buscou o resto em outros planetas. Não
revelou quais.) “Com o Bolsonaro no governo, os pobres voltaram”, foi
em frente. “Tive de tirar 30 milhões outra vez”. E os bilhões que
existiam na conta anterior? Ninguém sabe.
Quem faz uma coisa dessas não poderia ficar fora do elenco que anda fazendo o diabo no épico caso Master.
É o primeiro faroeste à brasileira com tempero pornopolítico. Junta banqueiros larápios, ministros do Supremo Tribunal Federal, mulheres, filhos, irmãos e cunhados de juízes do STF, advogados que cobram em dólares por segundo, garotas de programa, policiais federais que descobrem bandalheiras escondidas por um procuradorgeral que nada procura, jornalistas alugados, blogueiros que atiram nos inimigos do freguês e matam a gramática e a ortografia, surubas restritas à turma do grupo A e até um padre implorando por excomunhão.
O ministro Dias Toffoli faz bonito no papel de esconderijo de provas. Os episódios históricos mais relevantes atestam que o país foi construído sem povo e sem partidos de verdade. Durante o longo reinado de D. Pedro II, as diferenças entre ministérios formados por liberais e conservadores eram tão pálidas que, caso os dois partidos se fundissem num só, nem o imperador notaria. E o povo contemplava a paisagem política de longe e em silêncio, como um figurante sem direito a falas. Foi assim quando a monarquia foi trocada pela república. “O povo assistiu aquilo bestializado, como se fosse uma parada militar”, resumiu Aristides Lobo, jornalista e integrante do então esquálido Partido Republicano.
Sempre à espera do Homem Providencial, capaz de resolver sozinho e em pouco tempo os problemas passados, presentes e futuros do país, o eleitorado frequentemente forma agrupamentos cuja denominação deriva do prenome do líder. Tivemos o janismo, o brizolismo, o getulismo e outros “ismos”. Só os partidários de Getúlio Vargas conseguiram que o presidente suicida sobrevivesse politicamente à morte física e continuasse a influenciar disputas eleitorais quando haviam chegado os anos 1960. Ciumento como todo populista, Lula impediu o surgimento de possíveis herdeiros. E não seguiu o exemplo de Getúlio, autor da carta-testamento que serviu de guia para devotos. inconformados.
Como um bebê de colo, o octogenário Lula não sabe escrever.
Augusto Nunes - Revista Oeste
CPMI do INSS e Banco Master têm em comum um Lewandowski enrolado
Dois dos maiores escândalos da atualidade têm em comum o sobrenome Lewandowski entre os personagens. No caso do INSS, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (CEBAP), contrataram Enrique Lewandowski como advogado no processo que investiga a ladroagem contra velhinhos e pensionistas. O mesmo padrão se repete na bilionária fraude envolvendo o Banco Master.
O Master contratou o escritório da família Lewandowski, com o patriarca já na cadeira de ministro da Justiça, mediante R$250 mil mensais.
Enrique é filho de Lewandowski, que era ministro da Justiça na vigência do contrato. A Polícia Federal é subordinada ao titular do ministério.
Pedido de convocação de Enrique Lewandowski aguarda votação. Cita o “peso” e a “influência” de ser “filho do então ministro”.
Requerimento da deputada Bia Kicis (PL-DF) para quebrar o sigilo bancário de Enrique, mirando o INSS, pode trazer muito mais que isso.
Diário do Poder