quinta-feira, 8 de março de 2018

Pré-candidatura de Maia congela articulação de palanques de Alckmin


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante encontro em Brasília - Givaldo Barbosa / Agência O Globo (09/08/2017)


Silvia Amorim, O Globo



O lançamento da pré-candidatura de Rodrigo Maia (DEM) à Presidência da República obrigará o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, a congelar parte da articulação de palanques eleitorais onde PSDB e DEM estariam numa mesma aliança. Estrategistas de Alckmin já calculam que, na melhor das hipóteses, isso levará a um atraso na construção de apoios para o tucano no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia.

Nos três estados, o plano A de Alckmin passa pela formação de um palanque estadual com a participação do DEM, seja se escorando num candidato a governador do partido, como na Bahia, ou tendo-o como companheiro de chapa, como em Pernambuco. A construção de candidaturas fortes a governador é parte da engenharia de campanhas presidenciais para se tornarem competitivas.

Entretanto, se uma candidatura de Maia se confirmar, o atraso hoje previsto pelo PSDB nas articulações se transformará em problema real para o tucano porque é considerada remota a possibilidade de o presidente da Câmara dos Deputados e o governador paulista dividirem palanques estaduais nesta eleição.

A pré-candidatura de Maia também causa impactos na campanha de Alckmin no plano nacional. O tucano deseja o apoio do DEM na eleição presidencial e, para tal, tem feito chegar à sigla que a vaga de vice em sua chapa está reservada a ela. Com Maia pré-candidato, o cenário, que já era incerto, ficou ainda mais nebuloso.

Os tucanos mantêm a esperança de fechar aliança com o DEM na corrida presidencial e em alguns estados porque avaliam que dificilmente Maia se transformará num candidato competitivo em tão pouco tempo. O prazo para o registro das candidaturas é 15 de agosto. Nas pesquisas de intenção de voto até agora o deputado apareceu com 1%.

Entretanto, a direção do DEM tem sinalizado que o jogo vai ser duro. Os sinais, por enquanto, é de que o partido vai apostar na candidatura própria.

Em relação aos palanques estaduais, a pré-candidatura de Maia trouxe más notícias para o PSDB nos dois maiores colégios eleitorais do Nordeste. Na Bahia, o PSDB não tem candidato próprio a governador com chances de vitória. Sem recursos financeiros para desperdiçar com candidaturas inexpressivas, Alckmin tem planos de uma aliança com um candidato do DEM no estado. O nome mais cotado é o do prefeito de Salvador, ACM Neto, que será anunciado o novo presidente nacional do DEM nesta quinta-feira. Neto tem aparecido como favorito na corrida eleitoral baiana e promete tomar uma decisão se disputará a eleição nos próximos dias.

Até que a pré-candidatura de Rodrigo Maia mostre a que veio — se ela se viabilizará ou não — a articulação entre PSDB e DEM no estado ficará paralisada. O PSDB passou a não descartar nos últimos dias lançar um candidato próprio, mesmo que não tenha chances de vitória, apenas para dar suporte a Alckmin no estado se Maia concorrer ao Planalto.

Em Pernambuco, o anúncio de Maia fez as negociações de palanque, que estavam avançadas, retrocederem algumas casas. Lá, PSDB, DEM, PTB e PMDB anunciaram no início do ano uma ampla aliança para enfrentar o candidato à reeleição, Paulo Câmara (PSB). Articuladores de Alckmin dizem que receberam recentemente sinalização do senador Armando Monteiro (PTB-PE) de que o palanque dessa frente política seria do presidenciável tucano. Agora a campanha tucana se pergunta se isso continuará de pé se Maia tornar-se candidato.

— Estamos numa fase fluida. Não acho que há resistência por parte do DEM em apoiar o nosso candidato, mas como há agora no partido uma expectativa de ter candidatura própria, as coisas vão ter que esperar — afirmou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).
Pernambuco e Bahia são estados estratégicos para Alckmin no Nordeste. A região é das mais difíceis para o PSDB por causa da hegemonia do PT.

ALIANÇA NO RIO

No Rio de Janeiro, a situação do PSDB é semelhante à da Bahia. O tucanato não tem, por enquanto, nome competitivo para governador e projeta uma aliança com o DEM para ter um palanque com viabilidade eleitoral. No DEM, é cogitada uma candidatura de César Maia. O PSDB está tentando levar o ex-prefeito Eduardo Paes, hoje no PMDB, para o partido e formar uma aliança com o DEM. O plano é ainda embrionário, mas a pré-candidatura de Rodrigo Maia embolou ainda mais o cenário.

Para piorar, em Minas Gerais, se não conseguir lançar candidato próprio, o PSDB estará na mesma sinuca de bico. Se o senador Antonio Anastasia (PSDB) não aceitar disputar o governo mineiro para dar um palanque próprio a Alckmin, um dos planos B do tucanato passa por uma aliança com o DEM. O deputado Rodrigo Pacheco, hoje no PMDB, pode ser candidato a governador pelo DEM e teria apoio dos tucanos.

— Nossos esforços neste momento estão voltados para convencer o senador Anastasia a ser o candidato do PSDB e compor uma ampla aliança no estado, inclusive com os democratas. Se tudo der certo, uma candidatura presidencial do DEM é que ficaria em situação difícil por aqui — afirmou o presidente do PSDB em Minas, Domingos Sávio.