
Henrique Gomes Batista, O Globo
NOVA YORK - O acordo entre Boeing e Embraer pode ser finalizado ainda neste mês. As empresas e o governo brasileiro estão fechando os últimos detalhes da joint venture que deve dar à americana o controle sobre a área de jatos regionais da Embraer. A rapidez em fechar um acordo, de acordo com o que O GLOBO apurou, ajudaria a afastar as incertezas sobre as vendas da Embraer – que hoje divulgou forte redução dos lucros no quarto trimestre do ano passado – e seria também para evitar a "politização" do acordo no ano eleitoral.
Se for finalizado até o fim de março, o acordo teria mais três meses para ser aprovado por todos os acionistas. No caso do Brasil, o grande objetivo é convencer o governo brasileiro que não haverá influência americana em questões de defesa brasileira.
DRIBLANDO RESTRIÇÕES AMERICANAS
Nas negociações, os americanos estão tentando mostrar que não será uma compra simples e que a Boeing pode usar o Brasil para desenvolver produtos na área de Defesa que seriam mais facilmente vendidos para terceiros mercados, sem a restrição das leis americanas que impedem a exportação de tecnologia sensível da área militar a outras nações.
A empresa americana tem se esforçado para mostrar que o negócio é bom para o Brasil. Já há companhias aéreas globais que estão querendo realizar compras e veriam com bons olhos a união da Boeing com a Embraer para ter, em um único fornecedor, uma gama completa de aeronaves. Alguns negócios podem estar suspensos ou sendo atrasados por causa desta indefinição na finalização do acordo.