terça-feira, 14 de julho de 2015

Após invadir Petrobras, Collor acha PF invasiva

Com Blog do Josias - UOL


Fernando Collor de Mello passou da imoralidade para a amoralidade sem o estágio intermediário de pelo menos algo para chamar mais tarde, numa conversa com os netos, de ‘bons tempos’. Escorraçado da Presidência da República, Collor purgou seu degredo político no circuito Miami-São Paulo-Maceió. Depois, elegeu-se senador, converteu-se aos inimigos, virou lulista de mostruário e achegou-se à Petrobras.

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Operação Lava Jato da PF192 fotos

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14.jul.2015 - Oficiais deixam edifício onde residem senadores, em Brasília, nesta terça-feira (14). A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou a Operação Politéia que tem como objetivo o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, referentes a seis processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato Leia mais Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Pilhado pela Operação Lava Jato comendo com as mãos dentro dos cofres da BR Distribuidora, Collor recebeu nesta terça-feira em seus endereços residenciais e comerciais visitas da Polícia Federal. Confiscaram-lhe os carrões. Não gostou. Em nota, tachou a ação da PF de “invasiva e arbitrária”. Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Indicar prepostos para invadir uma subsidiária da Petrobras pode! Investigar a suspeita de assalto é arbitrariedade.
Collor se queixa de não ter sido ouvido pelos investigadores. Logo perceberá que, numa investigação policial, o tempo é senhor da razão. Será inquirido apenas quando todos os indícios já tiverem cara de provas. Para Collor, o objetivo das autoridades é o de constrangê-lo. Não se deu conta de que, nessa seara, constrangimento maior é a impunidade. Batida policial com autorização do STF é evidência da vitalidade de uma democracia que começa a evoluir do crime para o castigo.
Na valiosa opinião de Collor, a ação “invasiva traduz os tempos em que vivemos, em que o Estado policial procura se impor ao menoscabo das garantias individuais seja do ex-presidente, do senador da República ou do simples cidadão.'' No vácuo moral em que o investigado se habituou a viver deve ser mesmo doloroso verificar a que ponto chegou o Brasil. Um ponto em que a investigação acima de certo nível de poder e renda vai deixando de ser uma coisa antinatural.