sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Fachin derruba pedido de Moraes para investigar Mendonça no Inquérito das Fake News

 Presidente do STF transfere o pedido de investigação para o processo sobre as suspeitas do Banco Master


Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou do Inquérito das Fake News o pedido de Alexandre de Moraes para investigar o ministro André Mendonça nesta sexta-feira, 4. O chefe da Corte transferiu a ação contra Mendonça do inquérito controlado por Moraes para o processo geral criado para investigar o escândalo do Banco Master. Fachin fixou o prazo de cinco dias úteis para o  procurador-geral Paulo Gonet e, sucessivamente, para Mendonça responderem sobre a investida.

O parecer da Procuradoria-Geral da República vai analisar a validade da medida e o mérito das acusações contra o relator. Moraes atribui a Mendonça crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa na condução dos inquéritos do Banco Master e do INSS. O ministro André Mendonça apresentará a sua defesa sobre a investida e sobre as acusações logo em seguida.

Fachin tirou os documentos do controle exclusivo de Moraes para submeter o caso ao conjunto dos ministros no plenário. A unificação dos papéis no processo principal da crise busca checar se as acusações do magistrado possuem respaldo legal.


Prazos e apuração sobre abusos policiais


O despacho desta sexta-feira amplia as cobranças feitas na quinta-feira, 3. Fachin abriu o prazo comum de cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, prestarem esclarecimentos por escrito.

O presidente da Corte cobrou explicações sobre o respeito às leis da magistratura nas ações da PF. O magistrado exigiu dados sobre o acesso indevido a documentos particulares e sobre o vazamento de informações sigilosas. A apuração avalia os procedimentos policiais usados na crise entre os integrantes do tribunal. 


Erich Mafra e Cristyan Costa - Revista Oeste

Alexandre de Moraes usa relatório sem assinatura e sem valor probatório para acusar Mendonça, diz jornal O Estado de São Paulo

 O próprio relatôrio, anônimo, classifica a confiabilidade dos seus relatos como “baixa a moderada”



Ministro do STF Alexandre de Moraes. Foto: Luiz Silveira/STF


O ministro Alexandre de Moraes, do STF, baseou o pedido de investigação contra o colega André Mendonça em um relatório interno da Polícia Federal, anônimo, que o próprio documento classifica como “sem caráter decisório e sem valor probatório”. O material não tem cabeçalho oficial da corporação nem assinatura de delegado, segundo informou reportagem de Carolina Brígido e Aguirre Talento, no Estadão.

O texto, citado por Moraes para acusar Mendonça de “abuso de autoridade e interferência indevida em inquéritos”, reúne relatos anônimos. Segundo essas fontes, o relator das operações Sem Desconto (fraudes no INSS) e Compliance Zero (Banco Master) teria tentado influenciar acordos de delação premiada e dito que não confiava no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nem no procurador-geral da República, Paulo Gonet. Uma das informações anônimas afirma ainda que Mendonça instaurou procedimento para avaliar o afastamento de Rodrigues por suspeitas ligadas à investigação que alcançou o filho do presidente Lula.

O próprio relatório, no entanto, classifica a confiabilidade desses relatos como “baixa a moderada”, justamente por se apoiarem apenas em depoimentos sem provas documentais.

Sobre a ordem de Mendonça para identificar o interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apagadas do celular, o documento considera o pedido “ato preliminar defensável e possivelmente devido”. Já a exigência da íntegra de todas as conversas dos interlocutores é vista como investigação indevida, por poder extrapolar a competência do relator. O texto também registra que Mendonça já havia perguntado, em reuniões com a PF, o que havia no aparelho de Vorcaro em relação a Moraes.

O relatório contradiz ainda a conclusão de Moraes de que o material apontaria direcionamento indevido das apurações contra cinco ministros do STF. Os nomes aparecem em outros contextos e com confiabilidade baixa. Em um trecho, o documento afirma que as suspeitas da PF sobre a relação de Dias Toffoli com Vorcaro eram graves e não foram apuradas no Supremo. Em outro, registra preocupação de Mendonça com acusações infundadas contra Kassio Nunes Marques.

Moraes usou o inquérito das fake news, do qual é relator, para encaminhar o material ao presidente do STF, Edson Fachin, e pedir providências. Fachin abriu procedimento para apurar o caso.

Diário do Poder

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes

 ChatGPT e Claude apontaram repetição de estruturas e regularidade textual; Gemini e Grok chegaram a conclusões diferentes 


Reprodução


Um relatório de inteligência da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no Inquérito das Fake News, contém padrões de linguagem e estrutura compatíveis com textos produzidos ou revisados com auxílio de inteligência artificial (IA), segundo análises feitas pelo ChatGPT e pelo Claude. 

Os dois modelos estimaram em 75% e 73%, respectivamente, a probabilidade de participação de IA na elaboração do material. Outros dois modelos submetidos ao mesmo teste chegaram a resultados opostos: o Gemini estimou a probabilidade em 5%, enquanto o Grok apontou 15%.

Entre os critérios estão repetição excessiva de palavras ou estruturas sintáticas, regularidade do estilo, construções semelhantes a modelos predefinidos, naturalidade do discurso, contextualização e qualidade dos exemplos.

 As quatro ferramentas recberam o mesmo documento e o mesmo comando de análise. O prompt foi elaborado pelo professor Marcelo Sabbatini, da Universidade Federal de Pernambuco, para identificar características aparentes associadas a textos gerados por IA. As avaliações não permitem determinar a autoria do documento nem comprovar o emprego da tecnologia



Agentes da Polícia Federal | Foto: Divulgação/ PF


Estruturas repetidas chamaram atenção da IA

 ChatGPT e Claude apontaram como um dos principais indícios a repetição de uma mesma estrutura ao longo do relatório. O documento apresenta, várias vezes, uma sequência com fatos, avaliação, grau de confiança, hipóteses alternativas, riscos e recomendações. Expressões como “Avalia-se que”, “Registre-se” e “Grau de confiança” também aparecem com frequência.

Os dois modelos também destacaram a repetição de frases construídas em oposição, como “não é X, mas Y”. O Claude chamou atenção ainda para frases de efeito usadas no fim de análises e para trechos em que o texto explica os limites das próprias conclusões.

Para o ChatGPT, a repetição dessas estruturas e a forma como os argumentos são organizados são compatíveis com o uso de IA na redação, organização ou revisão do relatório. Isso não significa, porém, que todo o conteúdo tenha sido produzido pela tecnologia.

O Claude chegou a uma conclusão semelhante. Entre os principais sinais, apontou “a uniformidade estrutural”, “a repetição quase mecânica das tríades de ‘grau de confiança’” e a repetição de formas semelhantes de construir argumentos e explicar o grau de certeza das análises.

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes https://revistaoeste.com/politica/os-indicios-de-uso-de-ia-no-relatorio-da-pf-usado-por-moraes/ 5/11 No entanto, o relatório traz informações específicas, como datas, números de procedimentos, leis, valores, nomes e referências a documentos. 

Para ChatGPT e Claude, esse nível de detalhe pesa contra a hipótese de um texto genérico produzido por IA, mas não afasta a possibilidade de uso da tecnologia para organizar, redigir ou revisar informações fornecidas por uma pessoa. Gemini e Grok discordaram Gemini e Grok interpretaram de maneira diferente parte dos mesmos padrões. 

Para as duas ferramentas, a regularidade e a repetição observadas podem decorrer da natureza técnica e institucional do relatório. O Gemini classificou como “Muito baixa / improvável” a probabilidade de geração por IA e atribuiu índice de 5%. O modelo destacou a densidade de informações específicas, a metodologia analítica e a padronização do documento. 

O Grok também considerou baixa a possibilidade e estimou 15%. Segundo sua análise, a repetição de expressões como “Grau de confiança”, “Avaliação” e das classificações “[D]”, “[R]” e “[A]” teria função metodológica. 


Usuário acessa o aplicativo do ChatGPT pelo celular; criadora da ferramenta de inteligência artificial, a OpenAI deu o primeiro passo para abrir capital na bolsa | Foto: Reprodução/Freepik

Sabbatini, autor do prompt usado nos quatro testes, ressalta que a ferramenta não deve servir como prova de autoria. Ao apresentar o método, em março de 2025, o professor recomendou cautela na interpretação dos resultados: “Em hipótese nenhuma assuma que é um veredito inquestionável e objetivo”. 

Assim, as estimativas variaram de 5% a 75%, uma diferença de 70 pontos porcentuais. As análises identificaram padrões semelhantes no documento, mas divergiram sobre se eles constituem indícios de uso de inteligência artificial ou características da redação técnica adotada no relatório.

Mateus Conte - Revista Oester

Covil do Lula - Escândalo Vorcaro/Moraes deixa Brasil à beira da desobediência civil, alerta especialista

 

Christian Lobauer, professor e cientista político - Foto: Wikipedia.


O Brasil está à beira de uma crise institucional sem precedentes e até da desobediência civil, adverte o cientista político Christian Lobauer, após as reações de pouco caso das autoridades diante do relatório da Polícia Federal documentando a relação de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, com o ex-banqueiro tratando o ministro do STF como a um subalterno. Piorou muito depois da divulgação do flagrante em foto de ministros do STF às gargalhadas, entre eles o próprio Moraes.

Vexame histórico

Também mostravam as amídalas de tanto gargalhar os ministros Gilmar Mendes, Christiano Zanin e até o próprio presidente, Edson Fachin.

Ele perdeu a linha

Atônito, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, o tribunal que julga o STF, mandou às favas os escrúpulos e a isenção: não terá impeachment.

Brincando com fogo

O País ficou sem respostas: Lula (PT) se omitiu, Hugo Motta (Rep) se escondeu, Fachin gargalhou e Alcolumbre atacou os indignados.

Ilegitimidade, a chave

“Quando as decisões deixam de ser reconhecidas como legítimas”, avisa Lobauer, “entramos no terreno perigoso da desobediência civil.”



Diário do Poder

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vorcaro atribui fracasso de delação a chefe da PF

 Ex-banqueiro afirma que colaboração poderia atingir Andrei Rodrigues; PGR diz que propostas anteriores tinham conteúdo frágil



Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal -  Foto: Reprodução/YouTube


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master, afirmou que as negociações para fechar uma delação premiada não avançaram porque uma eventual colaboração envolveria o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

 A declaração foi dada durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento realizado sem a participação da PF.

Segundo Vorcaro, ele e Rodrigues tiveram uma relação anterior e chegaram a viajar para eventos juntos. Na avaliação do ex-dono do Banco Master, essa proximidade teria levado delegados da PF a evitarem o avanço das negociações. Vorcaro afirmou que uma eventual colaboração poderia prejudicar pessoas que estavam “do outro lado da mesa”, mas não teria apresentado detalhes sobre a alegação.


O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro - Foto: Divulgação/Banco Maste

O ex-banqueiro também disse que não houve abertura para que fosse ouvido. Ele afirmou acreditar que existem pessoas interessadas em impedir a divulgação dos fatos que diz ter para revelar. Segundo ele, uma eventual delação envolveria ainda “pessoas de um núcleo político”.

 Vorcaro, preso desde novembro, já teve propostas de colaboração recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as autoridades, o ex-banqueiro omitiu informações e não apresentou conteúdo suficiente para justificar um acordo.

No depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro sinalizou disposição para uma nova tentativa de colaboração premiada, desta vez incluindo informações sobre sua relação com Rodrigues. Ele também relatou ter sofrido ameaças na prisão e afirmou que poderia citar integrantes do governo federal. A defesa de Vorcaro não quis comentar o conteúdo do depoimento, que está sob sigilo. Rodrigues também não havia se manifestado.

PGR pede arquivamento de denúncias de Vorcaro Na quarta-feira 2, a PGR pediu o arquivamento das denúncias de intimidação apresentadas por Vorcaro. Em manifestação encaminhada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Vorcaro não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos capazes de sustentar as acusações. 

Gonet também mencionou as tentativas anteriores de colaboração premiada. Segundo a PGR, a PF rejeitou uma proposta por considerar que Vorcaro não apresentou informações inéditas. O próprio Ministério Público também recusou um acordo por avaliar como frágil o conteúdo apresentado.


Rachel Dias - Revista Oeste

Ministros gargalham com Moraes e ignoram infâmia cercando Supremo

Foto no jornal O Globo expôs clima descontraído nos bastidores da 1ª sessão após novo escândalo entre ministro e Daniel Vorcaro

 

Capa do jornal O Globo estampa presidente do STF Edson Fachin e ministros rindo com Alexandre de Moraes em meio a escândalo com Banco Master. (Foto: Reprodução/Brenno Carvalho/O Globo)


Uma foto publicada no jornal O Globo, nesta quarta-feira (3), revoltou brasileiros nas redes sociais por expor gargalhadas em clima de descontração entre ministros, nos bastidores da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF). O flagrante registrado pelo repórter fotográfico Brenno Carvalho foi obtido horas após o ministro presidente da Corte, Edson Fachin, pregar “serenidade e firmeza” e prometer medidas cabíveis pela integridade da cúpula da Justiça do Brasil, contra novas suspeitas de uma relação rentável e escandalosa entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcarm, que está preso por crimes bilionários na maior fraude financeira do País.

As risadas nos bastidores da primeira sessão após o ministro André Mendonça escancarar o relatório da Polícia Federal com suspeitas sobre Moraes uniram-se simbolicamente ao silêncio sobre o caso Master e reforçaram a mensagem de que não haveria preocupação da Corte sobre a infâmia que tem cercado o Supremo no caso Master.

O ex-governador mineiro e candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) traduziu da seguinte forma os sorrisos da fotografia e pediu a prisão de Moraes: “Esse é o sorriso tranquilo de quem sabe que é intocável. O Supremo RI DA NOSSA CARA enquanto a gente sustenta essa farra. Ficaram milionários às nossas custas, mas quem ri por último ri melhor, e a justiça será feita CHEGA DE INTOCÁVEIS. Moraes na cadeia!”, escreveu.

Outro candidato a presidente, Renan Santos disse em entrevista que os ministros estaria “comemorando, basicamente, que eles estão armando a marmelada” com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que disse ontem não ter que analisar o caso e não pauta nenhum dos 109 pedidos de impeachments de ministros do STF enviados para o Congresso Nacional apreciar.


“É uma risada na cara de todo mundo. […] Porque o país acabou, o país já era. Esse país não existe, isso não é um país. Os caras tão dando risada e tão curtindo, tipo: ‘Ó, demos o nosso jeito, demos o nosso jeito’”, declarou Renan, no FlowPodcast.

A mensagem de despreocupação também foi expostas em comentários da foto postada nas redes sociais pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), que pediu “legenda” para a imagem aos seus seguidores. “Vergonha pro país inteiro principalmente pra quem ocupa cargo de senador e deputado”, reagiu um seguidor. “Vergonha na cara. Não é pra qualquer um!”, disse outra internauta.

O Diário do Poder pediu à assessoria de imprensa do STF um posicionamento da instituição e dos ministros a respeito da imagem e da reação crítica que ela motivou.


Diário do Poder







Diário dop Podetr

André Mendonça invoca Deus e pede que Judiciário honre a confiança do povo brasileiro

Durante cerimônia no TSE, ministro defendeu atuação de líderes religiosos pela paz e tolerância nas eleições


Ministro do STF, André Mendonça. (Foto: Carlos Moura/STF)

Em meio à nova crise no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça fez uma referência religiosa nesta quinta-feira (3) e pediu que Deus abençoe os integrantes do Judiciário para que possam “honrar a confiança” da população.

A declaração ocorreu durante cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que marcou a assinatura de um pacto com organizações religiosas voltado à promoção da “paz e tolerância” durante as eleições.

Em seu discurso, Mendonça destacou a influência de líderes religiosos sobre os eleitores e defendeu que eles contribuam para transmitir segurança à população, além de reforçar a importância do voto e da participação social. O ministro afirmou que o período eleitoral deve reforçar a igualdade, independentemente de condição econômica, raça, fé ou sexo.

“Que Deus os abençoe nessa missão e nos abençoe, desse lado da mesa, a todos que representam o Poder Judiciário e o sistema de Justiça. Que nós possamos honrar a confiança que o povo, o cidadão, deposita em nós e em cada um dos senhores”, afirmou.

A manifestação ocorreu dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o relatório, Vorcaro teria solicitado a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações.

Diário do Poder