sexta-feira, 1 de abril de 2022

'A segunda onda de carros chineses chegou', por Bruno Freitas

 

Linha de produção do carro chinês Han EV | Foto: Divulgação/BYD


Novas montadoras chegam ao mercado nacional com acesso do motorista por reconhecimento facial, sem chaves, e oferta de estação doméstica de recarga


Tem consumidor brasileiro com o pé atrás até hoje. Outros aceleram sem receio. Os carros da China vêm circulando pelas ruas do país há mais de uma década, e já deixaram de ser novidade. Mas, agora, a potência asiática prepara uma espécie de “segunda onda” no Brasil, com moldes diferentes daqueles dos anos de estreia, com JAC e Cherry. Depois de uma primeira investida considerada problemática em termos de estratégia de negócio, as novas montadoras que agora chegam dizem que estudaram erros anteriores.

A promessa desta vez é ousada — e para bolsos privilegiados. As chinesas querem seduzir os consumidores com um pacote que une eletromobilidade — sistemas que englobam veículos híbridos e elétricos e toda a infraestrutura envolvida — e muita tecnologia de ponta. Uma das montadoras, inclusive, propõe que os brasileiros instalem estações completas de carregamento dentro de casa.

Quem puxa esse segundo momento das montadoras chinesas no Brasil é a Great Wall Motors (GWM). Com anúncio de injeção de R$ 10 bilhões em sua operação no país, a montadora faz o caminho inverso do de algumas asiáticas, que começaram com importações para sentir o mercado e só então partiram para uma planta por aqui, como foi o caso de Toyota, Honda e Hyundai.

A GWM começa a partir da compra da fábrica da Mercedes em Iracemápolis, a 170 quilômetros de São Paulo. No local, vem sendo viabilizada uma operação que será a maior da montadora fora da China, com capacidade produtiva de 100 mil veículos por ano e promessa de geração de 2 mil empregos. Já a expectativa é de faturamento anual de R$ 30 bilhões até 2025. O local vai servir também como base de exportação para a América Latina.

No mais, o plano da Great Wall é ter 130 concessionárias em 112 cidades até meados de 2023, quando vai iniciar a comercialização dos carros nacionais, depois de uma primeira etapa vendendo importados. Números que representam uma fé no Brasil em um momento em que ícones estrangeiros, como Ford e Mercedes-Benz, deixaram o país, alegando dificuldades de conjuntura. “Mesmo com os problemas que alguém argumente que possa ter, o Brasil continua sendo o sexto ou o sétimo maior mercado automotivo do mundo”, disse Pedro Bentancourt, diretor de relações externas e governamentais da montadora. “Tem um mercado que consome em torno de 2 milhões de unidades por ano. Para uma empresa que tem o pensamento chinês, existe uma ideia de que a sociedade avança mesmo nos percalços.”

Fundada em 1984, a montadora é hoje a sétima fabricante de automóveis mais valiosa do mundo, produz o sétimo SUV mais vendido do planeta (Haval H6) e a quarta picape mais vendida internacionalmente (GWM Poer). Mas a missão no Brasil não vai ser fácil na briga com modelos híbridos e elétricos de marcas já consagradas, como Toyota, Volvo, Audi, Renault e Nissan. A disputa por espaço envolve também outra chinesa.

Uma estação de carregamento solar na garagem

Em tempos de incerteza sobre preços de combustíveis, com cotação do barril do petróleo oscilando ao sabor do conflito entre Rússia e Ucrânia, a eletromobilidade aguarda sua vez. A crença de montadoras que apostam nos carros elétricos é que a chave do mercado vai virar em questão de tempo. Mas quando?

No Brasil são mais de 5 mil veículos 100% elétricos em circulação, diz a Associação Brasileira dos Veículos Elétricos (ABVE), com previsão de 80% de crescimento em 2022. Considerando os híbridos, a frota de eletrificados leves já é superior a 82 mil carros, com expectativa de romper a marca dos 100 mil no segundo semestre.

Os novos carros da GWM vêm com comando por voz para controlar funções como fechar vidros ou abrir o teto solar e serão equipados com rede 5G

É diante desses números que a chinesa BYD se lança no mercado nacional. Culturalmente, a meta da montadora é das mais ambiciosas. Além de carros, a empresa vai oferecer pacotes nos quais os compradores poderão instalar painéis fotovoltaicos e bancos de bateria residenciais. Ou seja, a proposta é que o brasileiro troque a rotina de abastecer em postos de gasolina por sessões de recarga na tomada de casa.

Os primeiros rumores a respeito da venda de automóveis da BYD no Brasil aconteceram em 2014, depois de a empresa anunciar a construção de uma fábrica de ônibus elétricos em Campinas (SP). Agora, a operação de carros destinada a pessoas físicas é para valer. No fim do ano passado, a fabricante lançou o Tan EV, o primeiro SUV de sete lugares elétrico disponível no país, com preço na faixa entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. Nos próximos meses, chega ao mercado o sedã Han EV.

Na estratégia para o Brasil, consta o plano de abrir concessionárias em 45 cidades até o fim do ano. Serão nestes espaços que se dará o desafio de vender o pacote de carros com a solução para abastecimento das baterias por meio de placas de energia solar.

Em 2021, as vendas de eletrificados chegaram perto de 35 mil unidades, somando automóveis híbridos (aqueles que consomem energia do próprio carro, com baixa autonomia elétrica), híbridos plug-in (com bateria maior, que pode ser carregada na tomada, e maior autonomia de rodagem elétrica) e 100% elétricos. Para o presidente da ABVE, Adalberto Maluf, o crescimento deve ser exaltado, mas o ritmo ainda está muito aquém do de outros mercados. “As vendas no Brasil estão crescendo. Entretanto, se compararmos só os veículos elétricos, o Brasil emplacou apenas 0,9% do total em fevereiro.”

A cultura local da eletromobilidade ainda está bem atrás da Alemanha, por exemplo, onde as vendas de elétricos saltaram de 3%, em 2019, para 26%, em 2021. Já na China, o comércio de veículos do gênero atingiu 13% do gigantesco mercado doméstico no ano passado. Na Europa, essa fatia de mercado já representa 17%. Empurrar os brasileiros nessa direção é uma tarefa que passa pela sedução de luxo.

Adeus, chaves. É hora do reconhecimento facial

“À medida que o consumidor conhecer as diferenças e as vantagens da eletromobilidade, dos veículos interconectados, será a mesma coisa que comparar uma linha fixa com um smartphone.” É assim que o executivo Pedro Bentancourt define a missão da brasileira GWM. A visão conceitual que a empresa espera vender é essa: um carro para satisfazer o consumidor como um iPhone de última geração costuma fazer, por meio do prazer da experiência. Com essa premissa, a GWM promete os primeiros carros do mercado nacional com acesso do motorista por reconhecimento facial, sem chaves, e comando por voz para controlar funções como fechar vidros ou abrir o teto solar. Além disso, todos os veículos serão equipados com rede 5G.

Talvez mais importante, os chineses dizem que trazem um motor com autonomia bem acima da registrada no mercado mundial, com 208 quilômetros de funcionamento elétrico antes de o abastecimento ser necessário. Atualmente, em média, os SUVs híbridos plug-in têm entre 40 e 50 quilômetros de alcance puramente elétrico. Ainda segundo a montadora, a bateria poderá ter 80% do nível de carga recuperado em 30 minutos. A GWM vai fazer seu primeiro lançamento no fim deste ano, com o importado Haval H2. Até 2025, no primeiro ciclo de investimento, serão lançados dez modelos, enquanto o primeiro veículo produzido no Brasil estreia no segundo semestre de 2023..

Haval H2, lançamento da GWM | Foto: Divulgação

Se a BYD quer fazer os brasileiros prepararem estações domésticas, a GWM promete facilitar a vida de seu consumidor na rua. A empresa anunciou em março que vai instalar cem pontos de recarga pelo Estado de São Paulo, com duas tomadas cada um, e a maioria deles estará no interior. O carregamento será gratuito.

O que deu errado para as primeiras chinesas

Os chineses deram as caras no Brasil em um momento de efervescência, com o otimismo do final da primeira década do século. O país vinha embalado pela aposta do então governo Lula em ampliar o crédito interno em meio ao colapso financeiro global. Foi nesse ambiente que as fabricantes tentaram o primeiro movimento coletivo de “invasão”, mas ainda sem muito preparo estratégico. Com produtos de baixo custo, as montadoras focaram inicialmente nos segmentos populares.

Então veio o protecionismo federal do Inovar-Auto, no governo da petista Dilma Rousseff, com polêmicos incentivos fiscais para operações brasileiras e dificuldades para os importados. Depois, foi uma sucessão de crises econômicas. No fim, poucas chinesas sobreviveram. Operações como Lifan e Effa Motors desistiram do país, enquanto a JAC ainda permanece por aqui, agora investindo em elétricos, depois de enfrentar uma complexa recuperação judicial.

“Se a gente pegar os primeiros carros chineses que entraram no mercado brasileiro, tinha o Effa M100, um veículo popular”, analisa Murilo Briganti, da Bright Consulting, consultoria automotiva que trabalha para mais de 50% do mercado de carros leves, abaixo de 3,5 toneladas. “Mas era um carro de extrema baixa qualidade. Por isso acabou não dando certo no mercado brasileiro, porque a concorrência era robusta.”

Effa M100, carro popular chinês | Foto: Divulgação

“A China sempre acompanha o que há de mais avançado, foi uma estratégia deles na época. Tentaram trazer alguma coisa que fosse nova para o mercado brasileiro, mas pecaram na qualidade”, acrescenta o consultor. “Agora estão fazendo justamente o contrário, com carros com alto valor agregado e com preços lá em cima, em torno de R$ 400 mil, R$ 500 mil, com tecnologia de ponta.”

A Cherry é considerada uma exceção na história das primeiras montadoras chinesas no Brasil. Depois de um início de operação desafiador, a empresa conquistou seu espaço no mercado depois de se unir ao grupo brasileiro Caoa, em 2018. Quando apostava inicialmente em produtos populares, como o pequeno QQ, tratado como “o carro mais barato do Brasil”, a montadora acabou sufocada por uma concorrência bem estabelecida. Depois do casamento com a Caoa, no entanto, a Cherry partiu para produtos mais tecnológicos e conseguiu respirar. O sucesso veio com o SUV Tiggo 2, uma adaptação do hatch Celer, com suspensão mais alta, visual redesenhado e alguns detalhes a mais na carroceria, em nome de um ar mais sofisticado.

Chery QQ, da Caoa | Foto: Singha Songsak/Shutterstock

De lá para cá, a fabricante, baseada em Jacareí (SP) e Anápolis (GO), lançou vários outros produtos e, enfim, está consolidada no país. Tanto que já aparece entre as mais vendidas do mercado brasileiro, colocando o pé dentro do top 10 de market share de 2021. Hoje, o ensinamento da primeira leva chinesa é útil para as novatas no Brasil. “Entendo que, desde 2010 ou 2011, a Great Wall já tem olhado para o mercado brasileiro”, disse Bentancourt, veterano executivo, com passagens por General Motors e Nissan. “E olhando o comportamento das outras chinesas que se instalaram, o comportamento das outras empresas que estão hoje estabelecidas e o comportamento das que hoje estão indo embora do Brasil.”

Etanol brasileiro vai inspirar segundo momento

Um dos objetivos da Great Wall Motors no Brasil envolve o etanol. A montadora planeja criar centros de pesquisa e desenvolvimento para estudar como o combustível brasileiro pode abastecer motores a hidrogênio. Essa é uma corrida tecnológica que já foi deflagrada internacionalmente, por montadoras como a japonesa Nissan. A ideia é somar forças com universidades do país e ir atrás de soluções. Mas este passo está previsto só para um segundo momento, provavelmente a partir de 2026.

Antes de investigar as possibilidades do etanol, a missão é fazer o consumidor local se apaixonar de vez pelos carros concebidos do outro lado do mundo, agora chineses made in Brazil. Desta vez, a aposta é que a eletromobilidade paute os próximos capítulos da indústria automotiva brasileira e também acelere a segunda onda chinesa.

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Revista Oeste

Brasil vai enfrentar Sérvia, Suíça e Camarões na 1ª fase da Copa

 Seleção vai fazer a estreia no torneio contra a Sérvia, em 24 de novembro

Brasil revê na primeira fase dois adversários enfrentados em 2018
Brasil revê na primeira fase dois adversários enfrentados em 2018 | Foto: Reprodução/Mídias Sociais

A seleção brasileira conheceu nesta sexta-feira, 1º, os adversários na primeira fase da Copa do Mundo deste ano. O sorteio dos grupos realizado no Catar definiu Sérvia, Suíça e Camarões como oponentes da equipe dirigida pelo técnico Tite.

O Brasil foi designado como cabeça-de-chave do Grupo G e repete dois confrontos com relação à primeira fase na Copa do Mundo anterior, em 2018. Sérvios e suíços mais uma vez atravessam o caminho dos pentacampeões mundiais.

A estreia brasileira acontecerá contra a Sérvia, no dia 24 de novembro. Já a segunda partida será contra a Suíça, que conseguiu segurar um empate por 1 a 1 contra os favoritos sul-americanos há quatro anos. Este confronto está agendado para 28 de novembro.

A última partida dos brasileiros na fase de grupos será contra Camarões, em 2 de dezembro. As duas seleções mais bem colocadas da chave asseguram classificação para as oitavas-de-final, entre os 16 melhores.

Caso avance para a fase eliminatória, o Brasil necessariamente vai enfrentar uma das seleções integrantes do Grupo H (Portugal, Gana, Uruguai ou Coreia do Sul).

Maior campeão da história da Copa, o Brasil vai tentar no Catar seu sexto título mundial. A seleção dirigida por Tite se classificou para o torneio na condição de primeira colocada nas eliminatórias da América do Sul.

A partida inaugural da Copa vai envolver o anfitrião Catar contra o Equador, em confronto válido pelo Grupo A. O torneio começa em 21 de novembro.

Confira os grupos da Copa do Mundo 2022

Grupo A: Qatar, Equador, Senegal e Holanda
Grupo B: Inglaterra, Irã, EUA e seleção vinda da repescagem europeia
Grupo C: Argentina, Arábia Saudita, México e Polônia
Grupo D: França, seleção vinda da repescagem mundial, Dinamarca e Tunísia
Grupo E: Espanha, seleção vinda da repescagem mundial, Alemanha e Japão
Grupo F: Bélgica, Canadá, Marrocos e Croácia
Grupo G: Brasil, Sérvia, Suíça e Camarões
Grupo H: Portugal, Gana, Uruguai e Coreia do Sul

Revista Oeste

'Estatais X R$ 1 trilhão em benefício de todos', por Salim Mattar

 

Logomarcas das empresas estatais brasileiras | Foto: Montagem Revista Oeste/ Shutterstock


Essas empresas foram criadas por governos sociais-democratas e, ao longo do tempo, têm servido muito mais a interesses pessoais, políticos e partidários do que aos cidadãos pagadores de impostos


As estatais, suas subsidiárias, coligadas e aquelas nas quais possuem investimento e participação valem R$ 1 trilhão. O Estado infrator possui o controle ou investimentos em cerca de 680 empresas que afrontam a Constituição, cujo art. 173 estabelece que “…a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo…”. 

Ceitec (empresa que produz o chip do boi), Nuclep, Ceasaminas, Hemobrás, Valec, EPL (empresa que deveria viabilizar o trem-bala), bancos, empresas cartões de crédito, seguros, capitalização, saúde, odontologia, meios de pagamento, produção de pólvora e tantas outras explorando atividades comerciais nos mais diversos setores da economia competem, na maioria das vezes, de forma desleal com a iniciativa privada e infringem a Constituição.

Essas estatais foram criadas por governos sociais-democratas e, ao longo do tempo, têm servido muito mais a interesses pessoais, políticos, partidários, corporativos, de fornecedores e governamentais do que aos cidadãos pagadores de impostos, que acabam financiando seus rombos, desvios, malversação de recursos, corrupção, superfaturamento e fundos de pensão deficitários. Também a ineficiência é uma característica dessas empresas.

Gradualmente, o Estado foi se agigantando e absorvendo os recursos arrecadados coercitivamente dos pagadores de impostos

Um país que ainda possui 11 milhões de analfabetos e 38 milhões de analfabetos funcionais, gente comprando ossos para saciar a fome, miséria, pobreza e extrema pobreza e ausência de saneamento básico para milhões de brasileiros nas periferias das cidades não pode se dar ao luxo de ter um BNDESPAR investindo capital dos pagadores de impostos em debêntures, ações, fundos de investimento e participação em empresas privadas. Importante lembrar que os recursos arrecadados pertencem à sociedade, e o governo deveria ser um mero administrador desses recursos, com a responsabilidade de alocar correta e eticamente esse dinheiro em benefício de todos.

Gradualmente, o Estado foi se agigantando e absorvendo os recursos arrecadados coercitivamente dos pagadores de impostos. Esses recursos têm, ao longo dos anos, sido abocanhados pelos grupos de interesse mais organizados instalados no poder. A renda per capita do brasileiro é de R$ 35 mil, a menor é do Maranhão, com R$ 14 mil; em São Paulo, o Estado que mais produz, R$ 51 mil; enquanto no Distrito Federal, que nada produz senão um Estado excessivamente burocrático e voraz por impostos que inferniza a vida do cidadão e das empresas com a sua monstruosa máquina de legislar, é de R$ 91 mil. Essa concentração de recursos gera uma disparidade na renda e, por consequência, tamanha pobreza no país.

Assim, não faz sentido manter um Estado-empresário, que investe o dinheiro dos pagadores de impostos em empresas de qualquer espécie ou segmento de negócio. O Estado deveria ser um exemplo em cumprir a Constituição e precisa, urgentemente, se desfazer desses investimentos e alocar os recursos arrecadados com a venda das estatais, suas subsidiárias, coligadas e todos os demais investimentos de capital em benefício de todos os brasileiros, principalmente erradicando o analfabetismo e o analfabetismo funcional, a miséria, a pobreza e a extrema pobreza, realizar obras de saneamento básico e proporcionar moradias para os mais vulneráveis.

Vendendo suas empresas por R$ 1 trilhão, o Estado ficaria mais enxuto com redução e extinção de inúmeros órgãos, que se tornariam desnecessários e nossas instituições mais aliviadas poderiam se dedicar ao cidadão, diferentemente de como hoje as coisas acontecem. Com essa dinheirama na economia, os reflexos serão altamente positivos, com uma brutal geração de empregos na atividade de melhorar a qualidade de vida do cidadão. E, por outro lado, abriríamos espaço para a iniciativa privada continuar operando todos esses negócios sem nenhum prejuízo à sociedade, pois haverá uma melhoria substancial de produtividade e maciços investimentos.

A manutenção deste Estado-empresário pelo establishment é inconstitucional e imoral. É hora de o Estado retornar às suas origens e focar naquilo que é importante para o cidadão, investindo os recursos arrecadados dos pagadores de impostos em benefício deles mesmos, com substancial melhoria na contraprestação de serviços à população.


Salim Mattar é empresário e presidente do Conselho do Instituto Liberal

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Revista Oeste

'Como foi que deixamos o lockdown acontecer?', questiona Fraser Myers, da Spiked

 

Espaço publicitário em Newport, no País de Gales, usado para avisar ao público para ficar em casa durante a pandemia (28/04/2020) | Foto: Gareth Willey/Shutterstock


Dois anos depois da primeira ordem de “ficar em casa”, precisamos prometer nunca mais paralisar a sociedade


“Vocês precisam ficar em casa.” Dois anos atrás, em 23 de março de 2020, o primeiro-ministro Boris Johnson deu essa orientação para o povo britânico, introduzindo o primeiro lockdown da história do Reino Unido.

lockdown pode estar ficando para trás, graças, em parte, a outras crises internacionais mais urgentes. Mas, conforme aprendemos a “seguir em frente” em relação à covid-19, nunca mais podemos deixar que uma política tão extremada, excepcional e cruel seja vista como normal ou necessária.

Na época, o termo “sem precedentes” foi muito usado. Mas o que Johnson anunciou não era apenas sem precedentes. Semanas antes, teria sido impensável — pelo menos em uma democracia liberal do Ocidente. Não era algo que as autoridades, como um consultor científico definiu, acreditaram que “conseguiriam fazer”. Talvez um regime autoritário como a China pudesse colocar sua população em prisão domiciliar — mas com certeza isso não aconteceria na Inglaterra.

lockdown pareceu anular muitas de nossas suposições mais básicas sobre a vida em uma democracia liberal. Durante aquele período, deixamos de ser um povo livre. Fomos proibidos de sair de casa e banidos de todas as interações sociais fora do nosso ambiente doméstico. Havia apenas uma gama estreita e limitada de exceções obrigatórias. O período entre março e maio de 2020 foi, nas palavras de um juiz da Alta Corte britânica à Comissão Mista de Direitos Humanos, “possivelmente o regime mais restritivo sobre a vida pública das pessoas e das empresas que já existiu”.

Vista aérea de ruas vazias na Cidade do Cabo, África do Sul, durante o bloqueio da covid-19 | Foto: Shutterstock


Muitas pessoas sem dúvida vão argumentar que o lockdown foi uma precaução sensata, necessária para reduzir o contato humano e a disseminação de uma doença mortal. Mas esse relato não faz jus ao clima de histeria, de apocalipse e de autoritarismo que tomou conta da nação nessa época. O Reino Unido se tornou uma distopia. E essa espiral de loucura não só foi tolerada, ela foi ativamente incentivada em todos os níveis da vida pública.

A polícia se deliciou com sua nova autoridade ao impor a ordem de que todos ficassem em casa. Tanto que muitas vezes foi muito além do que de fato era exigido pela lei — que já era a mais rígida da história britânica, não nos esqueçamos. Drones da polícia vasculharam o interior, com medo de que a população fosse fazer exercícios “não essenciais”. Oficiais inspecionaram carrinhos de compra em busca de itens “não essenciais”, como ovos de Páscoa. Alguns chegaram até a colocar tinta preta nos lagos para impedir reuniões perto dessas belas paisagens.

Nada disso tinha nenhuma justificativa legal — não estava nas regulamentações introduzidas usando o Ato de Saúde Pública (que deu efeito legal ao lockdown) nem no Ato do Coronavírus de 2020 (que concedeu poderes de deter pessoas “potencialmente contagiosas”). Na verdade, ainda que poucos tenham notado na época, o lockdown não teve início legalmente até 26 de março, três dias depois do anúncio de Boris Johnson. Mas, no Estado policial da covid-19, a palavra dos ministros do governo foi tratada pelas autoridades como indistinguível da lei.

Mesmo que você tenha ficado obedientemente em casa, os policiais do coronavírus ainda podiam ir atrás de você. Surgiram filmagens de policiais derrubando a porta de um homem só para encontrá-lo sozinho em casa assistindo à televisão. A polícia teve de se desculpar por dizer a um homem que ele estava proibido de ficar em seu próprio jardim. Estar em situação de rua também não era uma desculpa para não ficar em casa. Um morador de rua foi levado ao tribunal pelo crime de “sair de seu lugar de moradia” — “a saber, sem endereço fixo”.

Mais tarde ficou claro que a maior parte das pessoas que morreram durante a primeira onda de covid-19 pegou o vírus durante o lockdown

Você poderia ter esperado que nosso confiável sistema legal entrasse em ação a essa altura, que as Cortes fizessem pressão contra esses abusos óbvios da autoridade policial. Mas, em abril de 2020, uma mulher foi presa, mantida sob custódia da polícia por 48 horas e depois condenada por um crime que não existe. Em fevereiro de 2021, todo processo movido sob o Ato do Coronavírus, ao ser revisado, foi considerado ilegal.

De fato, o lockdown trouxe o pior das pessoas à tona. Muitos descobriram seu xerife interno da covid-19. Ligações para o serviço de emergência médica e policial dispararam, com vizinhos entregando vizinhos por não obedecerem às regras sobre os exercícios, ou seja, sair para mais de uma corrida por dia. Algumas forças policiais encorajaram isso ao criar portais on-line e serviços de atendimento telefônico para denúncias ligadas ao confinamento. Ao fim de abril de 2020, a polícia do Reino Unido tinha recebido 194 mil ligações sobre esobediências de lockdown..

A Times Square vazia, com o outdoor #NYSTRONG, durante o bloqueio pandêmico, em abril de 2020 | Foto: Shutterstock

Esse ódio descontrolado por quem não seguiu as regras significa que não houve espaço para discernimento nem compaixão. As regras de distanciamento social foram aplicadas rigorosamente em todas as circunstâncias. As pessoas foram impedidas de visitar familiares que estavam morrendo — e foram impedidas de confortar umas às outras nos funerais.

A mídia teve um grande papel nisso tudo. Além do alarmismo apocalíptico sobre o vírus, os jornalistas prepararam alegremente seus dois minutos de ódio diário contra o novo inimigo público número 1 — os chamados “covidiotas”, aqueles que foram vistos fazendo contato com outras pessoas em parques e praias, causando dano a exatamente ninguém.

De modo involuntário, o fenômeno dos covidiotas enfatizou a irracionalidade do lockdown. Tanta energia, tantos recursos, tanto ódio foram direcionados às pessoas que se reuniram em pequenos grupos ao ar livre, onde o vírus tinha dificuldade de se espalhar. E muitos desses supostos vetores de doença eram jovens, portanto, não corriam riscos graves relacionados à covid-19. Mais tarde, ficou claro que a maior parte das pessoas que morreram durante a primeira onda de covid-19 pegou o vírus durante o lockdown, e não antes ou depois. Prestamos relativamente pouca atenção aos mais vulneráveis à covid — os idosos e os doentes, em especial os que vivem em casas de repouso.

Da mesma forma que o lockdown estava trazendo o caos para a vida cotidiana, os danos de longo prazo também começaram a ficar mais evidentes.

Paralisar a sociedade mergulhou a economia na recessão mais profunda da história do capitalismo britânico. Esse transtorno não se fez sentir da mesma forma. Enquanto os mais vulneráveis da sociedade foram ainda mais mergulhados na pobreza, os mais privilegiados na verdade fizeram economias, aumentando sua riqueza e seu conforto, enquanto se adaptavam a um estilo de vida de trabalho remoto. Agora que a economia foi retomada, os efeitos do confinamento estão sendo sentidos com aumentos impressionantes no custo de vida (ainda que os governos ocidentais tenham tentado culpar a invasão da Ucrânia pela Rússia).

As mídias impressa e eletrônica se tornaram animadoras de torcida do lockdown, criticando o governo apenas por não ter agido mais rápido ou com maior rigidez

A educação foi devastada. As crianças em idade escolar perderam 1 bilhão de dias letivos combinados. E milhares de estudantes abandonaram o sistema de ensino por completo. A lacuna de aprendizado entre as escola públicas e privadas se tornou imensa.

Até mesmo a saúde foi monumentalmente prejudicada pelo primeiro lockdown e pela ordem de “ficar em casa” para “proteger o sistema público de saúde”. Pacientes não foram atendidos, e doenças não foram diagnosticadas. Sim, a covid-19 ocupou milhares de leitos de hospital, mas o número de pessoas em busca de tratamento também despencou. Não é uma surpresa que a lista de espera do NHS, o Serviço Nacional de Saúde britânico, esteja batendo recordes.

As privações de curto prazo e os danos de longo prazo estavam claros para qualquer pessoa que se desse ao trabalho de considerá-los. Mas, nos primeiros meses de confinamento, houve uma intolerância extremamente poderosa à divergência. Falar sobre os males causados pelos excessos do lockdown significava ser acusado de estar do lado da doença e da morte..

Praça vazia na frente da Catedral Duomo, em Milão, na Itália, durante o lockdown | Foto: Shutterstock

A oposição à abordagem do governo foi extremamente limitada. As mídias impressa e eletrônica se tornaram animadoras de torcida do lockdown, criticando o governo apenas por não ter agido mais rápido ou com maior rigidez. Plataformas da big tech censuraram vozes dissidentes, rotulando opiniões que contradiziam as orientações de saúde pública da Organização Mundial da Saúde como “desinformação”. O Labour Party — supostamente a “oposição oficial” do Reino Unido — apoiou todas as restrições do governo com veemência.

Por que tão poucos fizeram objeções a medidas tão extremadas? Isso não pode ser explicado pela gravidade da pandemia. Ainda que o lockdown possa ter parecido uma ruptura violenta com o “antigo normal”, ele também se aproveitou e aprofundou uma série de tendências destrutivas preexistentes. A cultura da “segurança”, a ampla difamação da liberdade e da liberdade de expressão, o aumento do Estado-babá e do autoritarismo na saúde pública, bem como a atomização da vida social já estavam claros antes da pandemia. E, mesmo enquanto as regras que nos confinaram eram canceladas, essas tendências problemáticas continuam existindo e assumindo novas formas em reação aos novos desafios.

Ainda que leve anos para entender por completo o que aconteceu nesse período excepcional e desolador das nossas vidas, dois anos depois podemos dizer com absoluta certeza: precisamos não deixar nunca mais que nos confinem.


Fraser Myers é editor assistente da Spiked e apresentador do podcast da Spiked Siga-o no Twitter: @FraserMyers

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Revista Oeste

De onde vem a força avassaladora que sustenta Bolsonaro?

 

Que sujeito inteligente, manobrista da fala, Arthur, representou a voz da multidão conservadora no Brasil.

Mas, o que houve com o cara?

Porque mudou tanto?

Por acaso o homem perdeu a noção da razoabilidade?

Arthur do Val se encontra em meio a um fenômeno que atingiu todos que enfrentaram Jair Bolsonaro.

Parece o lago do encanto. Incrível, mas, os perseguidores de Bolsonaro sempre caem em algum laço.

Não importa quem seja o sujeito; do mais top advogado, a mais poderosa empresa, o artista, o humorista, o jornalista, etc., todos “trupicam”.

Poderia listar nomes em quantidade aqui, incluindo diversidades de atuação.

Lembra do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do Pastor Everaldo, a ‘grande’ Joice Hasselmann, Alexandre Frota? Pois é, a lista só aumenta.

Provavelmente, Davi Alcolumbre não volta mais ao mandato no Amapá.

João Doria, que tentou usurpar o poder executivo nacional na pandemia deve encerrar sua carreira política.

E, a CPI de Randolfe, Renan e Aziz, o tiro saiu pela culatra.

Os grandes artistas, a mídia tradicional, a toda poderosa Globo, que levantava ou derrubava quem desejasse.

Isso sem falar na própria campanha política do Jair em 2018. Diga se não  foi desmoralizante aos poderosos. Sem mega estrutura, apenas um perfil público nas redes sociais, pouco dinheiro, pouco tempo de TV, partido pequeno, mesmo assim, colocou todos no chão.

O cara venceu o poder.

Com Jair, o simplório ignorante, o “modus operandi” do Congresso, foi desbaratado e o povão descobriu como agem alguns ministros do Supremo Tribunal Federal. As reportagens usadas contra, a cada matéria, só fez o presidente crescer.

É sobrenatural!

Isso explica o fator Arthur do Val e a queda do MBL. Estão expostos não é por falta de inteligência, perspicácia, não. Estão sofrendo consequências pelo enfretamento ao fenômeno que protege Bolsonaro.

Na teologia esse fenômeno se explica e as histórias dentro da Bíblia são muitas. Por incrível que pareça, a semelhança com o presente é espantoso. Vamos lá.

Você consegue explicar o êxito do rei Davi?

Sem dinheiro, sem influência, sem linhagem monarca, um tosco que vivia no pasto cuidando de ovelhas.

Como esse sujeito conseguiu chegar ao trono?

Ninguém consegue ser tão inteligente, tão perspicaz, sábio dessa forma, a única explicação é que Deus estava com ele.

Em Nome do invisível, Davi, não foi parado por poderosos, ele simplesmente venceu quem ousava se levantar.

O rei Davi ressoa a fala de Bolsonaro: Deus acima de todos.

Essa Fé fez de Davi o maior nome entre os hebreus até hoje.

Bolsonaro colocou seus adversários de joelhos e quanto mais batem, mais ele cresce.

A justificativa mais plausível se encontra na intrepidez de um homem que resolveu crer.

Assim, Bolsonaro nos traz uma lição magna, a Teologia, mantem-se eficiente no trato com os relacionamentos valorizando o ser humano e tornando o simples em potencial.

Desde os dias de Davi, até o exato momento, ninguém supera quem vive pela fé.

Foto de Josinelio Muniz

Josinelio Muniz

Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Logos (FAETEL), matéria em que leciona na Comunidade Internacional da Paz – Porto Velho, RO. Bacharel em Direito pela (UNIRON) e Docente Superior pela (UNINTER).


Jornal da Cidade

'Liminar contra passaporte vacinal na USP', por Guilherme Fiuza

 

Foto: Shutterstock


Apesar do arrastão obscurantista que acabou com a liberdade e a dignidade humana, alguns juízes sérios não se acovardaram diante do lobby onipresente


Como você sabe, o lobby da vacina de covid opera milagres — como a imposição generalizada da inoculação de uma substância que é experimental, com seus estudos sobre eficácia e segurança ainda longe da conclusão, conforme reconhecido pelos fabricantes e pelas autoridades sanitárias. Um passaporte vacinal como condicionante para a vida em sociedade baseado numa vacina que não impede a transmissão do vírus é um escândalo. Mas a sociedade não está escandalizada.

A maioria da sociedade acha que a vida é assim mesmo. Senão o caldo já teria entornado. A propaganda venceu a ciência. Este signatário está com o acesso à sua conta no Twitter (1 milhão de seguidores) bloqueado desde que postou dados da Inglaterra mostrando óbitos por covid mais numerosos entre vacinados do que entre não vacinados. Não pode. É preciso fingir que as vacinas experimentais de covid impedem formas graves da doença. As milícias checadoras dão sua blitz em todo canto onde haja alguma heresia contra a propaganda da Mamãe Farma.

Apesar do arrastão obscurantista que acabou com a liberdade e a dignidade humana…

Parênteses: aos que leram a frase acima e acharam exagero, perguntem a uma mãe que perdeu um filho jovem e saudável para a vacina de covid (porque para viver em sociedade ele foi obrigado a injetar algo cujos riscos não conhecia) se ela acha que a liberdade e a dignidade humana estão intactas. Pergunte a qualquer dos inúmeros parentes de pessoas saudáveis que perderam a saúde ou a vida depois de se vacinarem e estão esperando há meses a investigação dos “casos” pela autoridade sanitária.

Nota aos milicianos da Mamãe Farma: este signatário tem todos os números de registro no VigiMed. Fecha parênteses.

Então, como íamos dizendo, apesar do arrastão obscurantista que acabou com a liberdade e a dignidade humana, alguns juízes sérios não se acovardaram diante do lobby onipresente. Deve-se a isso decisões como a liminar concedida contra o Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo, a Presidente da Comissão de Graduação da Escola de Engenharia de São Carlos/USP e o Diretor da Escola de Engenharia de São Carlos/USP em favor de um aluno — para que ele “não seja constrangido a apresentar comprovante de vacinação para adentrar os estabelecimentos da USP/São Carlos e assistir a aulas presencialmente, de forma que possa exercer seu direito à liberdade de ir e vir e o acesso ao direito fundamental à educação, aulas presenciais e convivência comunitária na universidade”.

A imposição dessa vacinação experimental contra covid é uma aberração

A decisão atendendo a um mandado de segurança do aluno foi assinada pela juíza Gabriela Muller Carioba Attanasio, da Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Comarca de São Carlos. A decisão levou em consideração laudos médicos assinados pela Dra. Maria Emília Gadelha Serra, contraindicando a vacina de covid ao aluno por suscetibilidades de saúde, e pelo infectologista Leonardo Ponce da Motta, atestando imunidade natural suficiente.

“Os laudos médicos assinados pelos profissionais que assistem o impetrante contraindicam, expressamente, a imunização exigida pelas autoridades apontadas”, decidiu a juíza na concessão da liminar ao estudante.

Como os estudos de segurança das vacinas de covid não se completaram, pelo fato de que são vacinas colocadas no mercado em tempo recorde na história da medicina, as suscetibilidades humanas à ação dessas substâncias novas — e utilizando técnicas novas — não estão devidamente mapeadas. E a falta de investigação transparente dos efeitos adversos graves/letais posteriores à vacinação significa, obviamente, que o mapa das suscetibilidades às vacinas de covid não está nem próximo de ser concluído.

Em outras palavras: num universo em que qualquer ser humano, por razões clínicas conhecidas ou desconhecidas, pode estar suscetível a riscos que não estão inteiramente determinados, a imposição dessa vacinação experimental contra covid é uma aberração. Que os agentes do Direito assumam devidamente a sua responsabilidade nessa matéria. E que os responsáveis por essa imposição ilegal e desumana sejam punidos.

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Revista Oeste

'A terceira via e o povo bestializado', por Caio Coppolla

 

João Doria anunciou nesta quinta-feira (31) que deixa o cargo de governador do Estado de São Paulo e segue na disputa pela Presidência | Foto: Governo do Estado de São Paulo


“Opovo assistiu àquilo bestializado…”, a citação passou à história como retrato da Proclamação da República, um movimento alheio aos anseios populares e à participação das massas. Num país dado a conchavos de furna e acertos de gabinete, a frase permanece atualíssima e agora descreve com primor a reação do já minguado eleitorado da terceira via: “…atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”.

Palavras que desmoronam

Verba volant, o brocardo latino nos ensina que as palavras voam. Mas os romanos não conheciam nossos artefatos tecnológicos de registro de som e imagem. Como tijolos, nossas palavras capturadas têm peso, e, uma vez empilhadas da maneira certa, podem até construir algo belo. Às palavras e aos tijolos, então:

Desistir da minha candidatura seria desistir de mudar o Brasil, o que é o meu sonho. Não existe qualquer possibilidade disso vir a acontecer” — tocante, mas o autor dessa fala acordou do seu sonho; ou será que sonhava acordado? Pouco importa, dias depois, publicou por escrito (scripta manent):

Abro mão, nesse momento, da pré-candidatura presidencial e serei um soldado da democracia para recuperar o sonho de um Brasil melhor” — parece que o indeciso sonhador desistiu de sonhar grande e suas palavras, como pesados tijolos mal-arranjados, desmoronaram sobre ele. E por falar em desistência…

O então ministro da Justiça, Sergio Moro, recebeu a Ordem do Ipiranga de João Doria em 2019 | Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo


Desistir de desistir

O anedotário do futebol não é estranho à licença poética e já estamos familiarizados com a ginga do boleiro que “fez que foi, não foi e acabou fondo” — mas quem disse que político não sabe driblar?

A “finta do fondo” foi o drible escolhido por um certo artilheiro que, sabendo que seria substituído por mau desempenho em campo, enganou até a comissão técnica do próprio time ao cavar uma falta na área e colocar a única bola da partida debaixo do braço:

O dia foi de vitória pro artilheiro sem gols que desistiu de desistir

— A gente só continua se eu bater o pênalti, se não desisto do jogo e sumo com a redonda!

O treinador, que já tinha escalado outro jogador pra cobrança, tentou desconversar:

— Devolve a bola, querido! Todo mundo sabe que você é o batedor oficial…

Mas até artilheiro que não marca gol é esperto, e o atacante cobrou seu técnico:

— Então, só pra garantir, avisa aí pra toda essa várzea, em alto e bom som, que eu, só eu!, vou bater esse pênalti…

E, assim, a cobrança foi anunciada pelo alto-falante. Só que a torcida estava distraída — de olho no outro jogador no aquecimento — e pouca gente comemorou… Acontece, mas o dia foi de vitória pro artilheiro sem gols que desistiu de desistir: ganhou aquele abraço do técnico na lateral do campo e recebeu dos companheiros de equipe vários tapinhas nas costas quando entrou no gramado segurando a bola do jogo.

Os protagonistas do sonho e do jogo

Há um denominador comum entre o sonhador indeciso de palavras que não se escrevem (nem se cumprem) e o jogador egoísta que sequestra a partida pra si e nunca joga pelo time: eles esquecem que os verdadeiros protagonistas do seu sonho e do seu jogo estavam lá, assistindo a tudo isso, bestializados. Aos eleitores desencantados, nossa solidariedade na torcida de que eles não percam a esperança no Brasil. Este país é muito maior do que as fantasias de uns e os estratagemas de outros.


Caio Coppolla é comentarista político e apresentador do Boletim Coppolla, na Jovem Pan

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O que une o sonhador indeciso e o jogador egoísta

Revista Oeste