sexta-feira, 1 de março de 2019

Rodrigo Maia da lavada em Miriam Leitão. Que já deveria ter se internado. A idade está pesando.

Em 2 meses de governo, número de seguidores de Bolsonaro no Twitter sobe 25%

  Presidente ganhou 686 mil novos ‘followers’
É seguido por 3,42 milhões de internautas


Bolsonaro fez, em média, 8,7 postagem por dia no Twitter em 2019

Levantamento feito pelo Poder360 mostra que o presidente Jair Bolsonaro ganhou 686 mil seguidores em seu perfil no Twitter desde que tomou posse, em 1º de janeiro.
O número representa uma alta de 25% em 2 meses (1º.jan a 1º.mar.2019). Nesta 6ª feira, Bolsonaro era seguido por 3,42 milhões de pessoas.

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TWEETS E RETWEETS

Após tomar posse, Bolsonaro fez 516 postagens na rede social. O perfil mais compartilhado pelo presidente foi o vereador Carlos Bolsonaro, gerenciador das mídias do pai, com 18 posts.
Em 13 de fevereiro, por exemplo, Carlos publicou ser “uma mentira absoluta” que Gustavo Bebianno havia conversado com Bolsonaro 1 dia antes sobre as acusações contra ele sobre 1 esquema de desvio de verba pública no PSL durante as eleições.
O pai endossou o filho e compartilhou a mensagem. Bebianno era ministro da Secretaria Geral da Presidência e foi demitido em 18 de fevereiro.
O presidente também passou a compartilhar frequentemente publicações do perfil oficial do Planalto (17 retweets no período).
O ministro mais íntimo no perfil de Bolsonaro é Tarcísio Freitas, com 8 compartilhamentos de tweets dele no período.
Poder360 armazena todos os posts do presidente no Twitter (leia aqui).
Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro fez grande uso das redes para se promover. Ele tem 10,6 milhões de seguidores no Facebook, 10,7 milhões no Instagram e 2,38 milhões no YouTube.

DOIS DIAS FORA DA REDE

Desde às 20h59min de 3ª feira, o presidente não publica nada em seu perfil no Twitter. É o maior período de ausência desde a posse.

BOLSONARO VS TRUMP

A taxa média de interação por tweet do presidente com seus seguidores é de 2%, segundo dados do CrowdTangle, ferramenta de análise de redes sociais.
O volume supera ao do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não ultrapassa 0,3%. Mas o norte-americano parte de 1 patamar maior. Ele tem quase 20 vezes mais seguidores (58,7 milhões) que Bolsonaro.

QUEM BOLSONARO SEGUE

O presidente segue 323 perfis na rede e a lista de quem ele acompanha é eclética, vai desde seus filhos, ministros...
Bolsonaro acompanha o perfil de Donald Trump 


Portal360

Alexandre Garcia faz revelações inéditas sobre o encontro com Bolsonaro ...

"Sobre o populismo", Murillo de Aragão

O debate ideológico no mundo contemporâneo tem certas características que às vezes não são percebidas. Uma delas é o fato de que, a partir dos anos 1980, iniciou-se um movimento de convergência política para uma espécie de centro alargado que abarca soluções de direita e de esquerda. 
No Brasil, os governos de Itamar Franco, FHC e Lula são exemplos — tempos em que as posições e os escritos do sociólogo Anthony Giddens eram exaltados. 
Outra característica de nossos dias é que, além do surgimento do centro alargado — ou terceira via, como identificado por alguns —, pouco aconteceu. Ao menos no mundo ocidental. 
Vivemos limitados pelos antolhos da direita e da esquerda e suas subdivisões propostos ainda no século XIX. Apenas o fortalecimento das teocracias ameaçou o debate ideológico binário.
A terceira característica é a permanência do populismo como processo de embalagem desse debate. De modo geral, o populismo propõe uma narrativa na qual o interesse do povo, do cidadão comum, deve ser imposto sobre o interesse das elites. Mas a questão não é simples, já que muitas elites se apropriam de discursos também populistas. 
O populismo tende a fazer com que os governos orientem suas decisões pela sensação térmica positiva que provoca na população. O pragmatismo é orientado pela capacidade de agradar a maioria. 
Tudo destinado à perpetuação do núcleo político que comanda o show. Assim, o controle do processo político tem no uso intensivo do populismo um recurso primordial. E o populismo vem se revelando mais importante do que as próprias ideias que o movem, independentemente da matriz ideológica.
A sua explosão se relaciona com a banalização da cultura, a decadência da imprensa e a emergência da civilização do espetáculo. Mas sobretudo com uma política que não se baseia em princípios éticos e morais.
A relação do populismo com as ideologias gera narrativas autoalimentadoras de regimes autoritários, tanto de esquerda quanto de direita, bem como nas teocracias. E esse mecanismo abastece o fluxo de informações superficiais, espetaculosas e efêmeras, que apelam mais para os efeitos especiais do que para a racionalidade. 
O lulismo é um exemplo do elitismo de esquerda que se propôs popular e extrapolou no populismo. Recolheu milhões de reais em doações partidárias e eleitorais e naufragou na corrupção para defender os privilégios de uma elite e se perpetuar no poder. 
Os lulistas jamais farão autocrítica sobre o seu populismo. Aliás, populismo e privilégios andam muito mais próximos do que se pensa. E são um disfarce magistral para fascistas de todos os matizes ideológicos.

IstoE

Subornos brasileiros em contas secretas abasteceram governo de Hugo Chávez, segundo Jamil Chade

Aqui


"Do lado certo", por J.R. Guzzo

O fato é que o governo do Brasil 

estaria dando apoio pleno a Maduro

se o resultado do segundo turno 

da eleição tivesse sido o contrário

do que foi



Há certas horas, no Brasil de hoje, em que é realmente um alívio lembrar que o presidente da República não é Fernando Haddad. Agora, justamente, é uma hora dessas. 
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, está em guerra contra a maioria da população do próprio país; sua última ideia foi fechar as fronteiras com o Brasil e a Colômbia para não deixar que entrem na Venezuela alimentos, remédios e outros artigos de primeiríssima necessidade. 
É um novo patamar, ao que parece, em matéria de brutalidade. 
Da mesma maneira que um exército trata de cortar todos os possíveis suprimentos da força inimiga, os militares, as “milícias” armadas e os outros gângsteres que mandam hoje naquele país acham que, quanto mais fome, doença e calamidades os venezuelanos sofrerem, mais fraca vai ficar a oposição. Pode ser. 
Pode não ser. 
O fato é que um pacote de arroz ou uma bolsinha de soro fisiológico viraram alvo estratégico a ser destruído. 
Outro fato é que o governo do Brasil estaria dando apoio pleno a Maduro se o resultado do segundo turno da eleição tivesse sido o contrário do que foi.
Muito se ouviu falar da situação perigosíssima que teria sido criada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro ao declarar-se, antes mesmo de tomar posse, absolutamente contra a ditadura venezuelana. 
De lá para cá, pelo menos cinquenta outros países com credenciais democráticas acima de qualquer discussão tomaram a mesma decisão — Maduro, neste lado do campo, nem sequer é mais reconhecido como o presidente legal da Venezuela. 
Fica difícil entender, então, por que o Brasil estaria numa posição mais segura se tivesse ficado dentro do bando de regimes fora da lei, do ponto de vista democrático, que apoia a tirania — lugares como Cuba, Rússia, China e outros da mesma natureza. 
A verdade, para não “problematizar” uma situação em que não há problema nenhum a ser esclarecido, é que a esquerda brasileira, em geral, e o PT, em particular, não quiseram até agora reconhecer o fato de que a Venezuela, há muitos anos, se transformou numa tirania imposta pela força bruta de um condomínio de malfeitores. 
(O ex-presidente Lula chegou a dizer que o verdadeiro problema da Venezuela era ter “democracia demais”.) 
Por preguiça mental, covardia e simples cobiça, preferiram abraçar a mentira, sempre muito bem remunerada pelas Odebrecht da vida, de que o “bolivarianismo” era um movimento “de resistência à direita”. 
Daí não conseguiram sair nunca mais.
“Para quem torce contra o governo, as crises, infelizmente, acabam rápido demais”
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Uma das chateações dos cidadãos que não gostam do governo Bolsonaro, muitos dos quais sonham que ele não complete os quatro anos previstos na lei, é a curta duração que os seus problemas têm tido até agora. É uma decepção. 
Os bolsonarianos, segundo garante o noticiário cotidiano, vivem gerando crises descritas como mortais dentro do governo; mas as crises, infelizmente para quem torce contra, estão acabando rápido demais. 
Já se perdeu a conta de quantos terremotos ameaçaram liquidar o governo nesta sua existência de meros dois meses, ou nem isso; a esperança é que o próximo cataclismo, enfim, consiga pegar. 
Um dos melhores momentos nessa sucessão de problemas que queimam a largada teve como herói o filho do meio do presidente. 
Como Oliver Cromwell pouco depois da guerra civil na Inglaterra do século XVII, o rapaz parece ter declarado a si próprio uma espécie de Lord Protector do reino; mas o seu papel de protetor do pai e da República, que estaria afundando o governo em desordem fatal, não durou nem quarenta dias úteis. 
Aparentemente, ele está de volta às suas atividades normais como vereador do Rio de Janeiro. 
Se a escrita seguida pelo governo até agora for mantida, é por lá que deverá ficar.
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Num artigo publicado dias atrás sobre a epidemia de abusos sexuais praticados pelo clero da Igreja Católica, o jornalista Clóvis Rossi escreveu que sua neta Alice, de 10 anos, só vai à missa acompanhada pelos pais. É uma dessas frases que, pensando um pouco, definem com espetacular eficácia uma situação e uma época — muito melhor do que qualquer relatório de 10.000 páginas elaborado por alguma comissão investigativa cinco-­estrelas, ou mais que isso. Pelo contexto do artigo, um comentário equilibrado, sereno e inteligente sobre a questão, parece claro que o jornalista apenas relatou um fato, sem a menor intenção de montar uma sentença destinada a virar letreiro. Mas aí é que está: um padre católico, que tanto servia como símbolo de proteção, é hoje alguém com quem não se aconselha deixar uma criança de 10 anos sozinha. Pior que isso não fica. 

Veja

'Não dou bola para isso', afirma Mourão sobre críticas nas redes

Saiu de cena o general que em 2015 chamou a eventual queda da então presidente Dilma Rousseff de “descarte da incompetência, má gestão e corrupção”. E que, dois anos depois, acusou o governo de Michel Temer de ser “um balcão de negócios”. Em seu lugar, entrou em cena o político de terno bem cortado, autor de declarações que colidem com o que diz e pensa seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro. A Venezuela pega fogo? “É problema dos venezuelanos, não vamos nos meter”, disse ele. Jean Wyllys renunciou ao mandato de deputado pelo PSOL por se sentir ameaçado? “Lamento, pois numa democracia todo mundo tem o direito de defender suas ideias”, decretou. Antonio Hamilton Martins Mourão, de 65 anos, torcedor do Flamengo e jogador de vôlei, está à vontade no cargo de vice-­presidente, e com a corda toda. A seguir, sua entrevista.
O senhor acaba de participar na Colômbia de uma reunião sobre a Venezuela. A crise venezuelana tem jeito? Tem. E passa pela saída de Maduro e sua turma mais próxima. Em seguida, por meio de eleições livres, justas e sob supervisão internacional, os venezuelanos escolherão seu novo presidente. A não ser assim, a crise ainda se arrastará por muito tempo.
O senhor achou desleal o vazamento dos áudios trocados por Gustavo Bebianno e o presidente? Conversas íntimas são íntimas. Se Bebianno queria provar que se comunicara com o presidente, poderia ter escolhido outro diálogo qualquer para divulgar. Aquele sobre a Amazônia, por exemplo, em que o presidente cancela uma viagem à região. E não uma conversa em que o presidente se refere a uma rede de televisão (a Rede Globo).
O presidente não teria sido desleal antes, ao chamar seu ministro de mentiroso em público? No momento da troca de mensagens, o presidente se recuperava de uma cirurgia. Estava sob o efeito de antibióticos fortes. Não era momento para discussões.
Até quando os filhos do presidente se meterão em assuntos do governo? A família do presidente é muito unida por tudo o que enfrentou. Com ele em forma, cada filho entenderá o tamanho da cadeira que tem.
É certo que uma pessoa vá despachar com o presidente e encontre ali um de seus filhos? Se o assunto a ser despachado for sigiloso, acredito que o presidente não permitirá a presença do filho.
A atuação dos filhos preocupa a ala militar do governo? A grande preocupação que temos é que o governo realize aquilo a que se propôs. Que não se perca num emaranhado de questões menores. Que se concentre no que de fato é relevante.
O senhor já conversou com o presidente sobre a questão dos filhos? Não. Desde que sofreu o atentado, o presidente tinha uma situação de saúde difícil, com risco de vida, e a família se aproximou muito dele. Era a defesa do patriarca. Agora, ao ver que o pai está bem, cada um dos filhos cuidará de suas atividades. Se a partir de agora ocorresse algo distinto, aí seria o caso de eu conversar com ele.
Esgotou-se a crise provocada pelo episódio que envolveu Bebianno e o presidente? Sem dúvida. Acho que há um espírito crítico muito aguçado sobre o nosso governo, principalmente em torno da figura do presidente. Desde o primeiro dia é uma cobrança para que tudo seja resolvido logo, como se tivéssemos uma varinha de condão. Estão aí o projeto da nova Previdência, o do combate ao crime e à corrupção. Acho natural a pressão sobre o governo, mas o episódio Bebianno acabou.
A cobrança não acontece com todos os governos? Acompanho o trabalho dos analistas. Mas o que disseram sobre a eleição do presidente do Senado? Que se Renan Calheiros fosse eleito seria ruim para o governo. Ele perdeu. O que passaram a dizer? Que a derrota dele seria ruim para o governo. Nossos analistas ainda estão querendo entender o que se passa. Por exemplo: a história de ala militar do governo. Não tem, não tem grupo militar.
Não tem? Existem militares que foram selecionados pelo presidente. Eu me coloco fora disso. Fui eleito junto com ele. Nada tenho a ver com o pacote grupo militar. O general Augusto Heleno também não, porque ocupa cargo destinado a militar. Você sempre poderá dizer que o general Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, ocupa um cargo que na maioria das vezes pertenceu a um civil. Mas ali ele não é um estranho no ninho. Parece até que os militares se reúnem todo dia e se perguntam: “E aí, o que vamos fazer agora?”. Não existe isso.
O presidente consulta os militares antes de tomar uma decisão? Não, não. A imprensa está criando uma tutela que não existe.
“Agora, ao ver que o pai está bem, cada um dos filhos cuidará de suas atividades. Se a partir de agora ocorresse algo distinto, aí seria o caso de eu conversar com ele”
Nos três últimos governos do período militar havia, em cada um deles, sete ministros militares em cargos tradicionalmente destinados a civis. Agora, são oito. O presidente é oriundo do meio militar. A relação com seus auxiliares mais próximos é de confiança. Tenho confiança em fulano, vou botar o fulano. O que acontecia antes? Você pegava o ministério A e o entregava ao partido B. E seguia o baile. Era assim que funcionávamos.
O general Eduardo Villas Bôas disse que é preciso separar o Exército do governo. Concordo com ele. O Exército continua a cumprir sua missão constitucional.
Para quem está de fora é difícil achar que governo e Exército seguem separados. Tem de ser visto assim, cada um do seu lado.
Se o governo der errado, o fracasso poderá respingar nas Forças Armadas?Risco há, mas as Forças Armadas sempre serão uma instituição permanente. Devido a erros recentes, criou-se a mentalidade de que a correção de rumos só se daria por meio de um grupo militar. Ela ocorrerá, sim, pela ação dos brasileiros de bem.
O senhor recebe com frequência pessoas das quais o presidente prefere manter distância. Qual é a ideia? O presidente, assim como eu, tem uma visão clara: fomos eleitos para governar para o país todo. Hoje eu me vejo como uma pessoa que pode receber muita gente, estabelecendo assim um diálogo. O presidente é mais ocupado, tem de tomar decisões o tempo todo.
Isso cria ruído entre o senhor e o presidente? Não. Eu recebo as pessoas, suas demandas, e as que considero justas encaminho aos ministérios competentes, ou então vou conversar com o presidente a respeito.
Por que o presidente se mantém afastado da mídia ou de parte dela? Parte da mídia nunca foi condescendente com o presidente. Tratou-o até com certo sarcasmo, como uma figura folclórica. Ele não é isso. Sempre foi um homem de ideias, quer você concorde ou não com elas. Ele ainda está magoado. Só o tempo poderá resolver.
O senhor não tem mágoa? Nunca sofri as críticas que ele sofreu. Às vezes falam, basta olhar as redes sociais. Mas não dou bola para isso.
Trump e Bolsonaro dão, não? Esse ainda é um caminho que está sendo descoberto. As redes sociais viraram o que era o sonho da esquerda: a democracia direta.
Até que a esquerda perdeu a hegemonia nas redes. Na verdade, ela não tinha hegemonia nas redes. Tinha na grande imprensa, por questões que não seria o caso de discutirmos aqui. As redes sociais permitem que todos escrevam o que bem entendem. Não sou fã delas. Estou no Twitter, porque é aquela história: se você não pode com ele, una-se a ele. Tenho um assessor que se encarrega de postar. Mas tudo o que sai ali é sob minha supervisão. Às vezes, respondo a comentários.
O senhor exclui comentários incômodos? Não, deixo lá. Não estou preocupado com essas coisas.
Nem com os comentários do filósofo Olavo de Carvalho? Olavo nunca se sentou para conversar comigo. Nunca li livro dele, mas li artigos em jornais. Em determinado momento no Brasil, ele era o único cara que tinha um pensamento de direita.
O senhor gostava do que lia? De algumas coisas, sim. Outras, eu achava que ele estava muito além do jardim…
Olavo de Carvalho emplacou dois ministros no governo e faz a cabeça dos filhos do presidente e até a dele mesmo. O senhor não o subestima? Não é questão de subestimar. Olavo arrumou aí, em linguagem militar, uma via de acesso por onde progride, conquista adeptos, os filhos do presidente gostam dele… É uma questão de gosto.
O senhor e o presidente conversam muito? Durante a campanha, ele passou boa parte do tempo no hospital ou em recuperação. Depois da posse, viajou e novamente se hospitalizou. Trocamos mensagens pelo celular. Não gosto de perturbá-lo. Prefiro manter uma posição mais recuada, e, quando ele precisa ou eu acho que devo ir lá, vou. Várias vezes, sozinhos, já tivemos longas conversas.
O presidente não poderia aproveitar melhor o senhor? Na primeira reunião depois da nossa vitória, ele perguntou se eu não queria um ministério. Não quis. Até para que ele pudesse compor o governo de maneira mais ampla. A figura do vice existe para assegurar a estabilidade. À medida que for necessário, o presidente poderá me delegar missões. Estou naquilo que em linguagem militar se chama “dispositivo de expectativa”.
“Parte da mídia nunca foi condescendente com o presidente. Tratou-o até com certo sarcasmo, como uma figura folclórica. Ele não é isso. Ele ainda está magoado”
O senhor gostou de trocar a farda pelo terno de político? Meu tempo de farda havia se esgotado. Foram 51 anos usando uniforme.
Quando terminar o mandato, pretende continuar na política? Vamos ver o que acontecerá daqui para a frente. Se o presidente prosseguir…
E se não? Se ele não prosseguir, acho que terminarei por aqui. A renovação é importante.
A democracia brasileira está forte ou inspira cuidados? Forte. A democracia liberal enfrentou e venceu a crise dos impérios na I Guerra, o nazifascismo na II Guerra, o comunismo, e agora vive a crise da sociedade de consumo, da comunicação ampla, da queda de todas as fronteiras. A nossa, em particular, tem dado mostras de sua força. Veja o que enfrentamos nos últimos tempos. E todas as crises foram resolvidas dentro dos limites do nosso sistema.
E assim continuará? É claro. Sou crítico de várias coisas. Do nosso sistema político. Do partidário, que é uma zorra. Deveríamos ter partidos políticos que representassem as várias correntes de pensamento, e aí estaríamos até mais fortes.
O PT fez boas coisas pelo Brasil? Vamos colocar assim… A parcela boa do PT tem o pensamento voltado para a solução dos problemas sociais, apesar de eu não concordar com ela em tudo. Você não tem de dar esmola, mas capacitar as pessoas oferecendo-lhes saúde, educação de qualidade. Não adianta querer fazer tudo por decreto, achar que todos serão felizes, porque os seres humanos são diferentes. Assistencialismo apenas não resolve.

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