quarta-feira, 7 de março de 2018

Prestes a virar político preso, Lula, depravado condenado, se autoproclama um novo preso político

Com Blog do Josias, UOL
Em vídeo gravado no mesmo dia em que amargou derrota de 5 a 0 no Superior Tribunal de Justiça, Lula começou a remodelar sua pose. Após o indeferimento do habeas corpus preventivo, o líder supremo do PT já considera a hipótese de passar uma temporada atrás das grades. Num esforço antecipado para se diferenciar de outros políticos presos, Lula se autoproclama um “preso político”.
“Se não provarem um real na minha conta, um dólar na minha conta, uma telha na minha conta que não seja minha, terei que ser considerado um preso político”, disse o candidato à hospedaria do Complexo Médico-Penal de Pinhais, habitat paranaense dos encrencados da Lava Jato.
Para não perder o hábito, Lula injetou em sua retórica uma ameaça velada: “Eles terão que arcar com a responsabilidade de ter a pessoa que foi o melhor presidente do Brasil, que lidera todas as pesquisas de opinião pública, […] eles vão ter que arcar com o preço de decretar minha prisão.”
Lula não diz qual seria o “preço” do seu encarceramento. Mas o truque é conhecido. Em 2015, quando ainda guerreava contra o impeachment de Dilma Rousseff, o futuro presidiário dizia ser “um homem da paz e da democracia”. Mas esclarecia: ''Também sabemos brigar, sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas''.
Mais recentemente, Lula declarou não ver “razão para respeitar” o 3 a 0 do TRF-4. Foi ecoado por Stedile, o general de tropas invisíveis: ''Aqui vai o recado para a dona Polícia Federal e para a Justiça: não pensem que vocês mandam no país. Nós, dos movimentos populares, não aceitaremos de forma nenhuma que o nosso companheiro Lula seja preso''.
Ao declarar que “eles vão ter que arcar com o preço” de sua prisão, Lula manipula o medo embutido num comentário fúnebre da senadora Gleisi Hoffmann, colocada por ele na presidência do PT. ''Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente”, declarou a companheira antes do veredicto que elevou a pena do grande líder para 12 anos e 1 mês de cana.
Conforme já comentado aqui, Lula derrete sem a solidariedade das multidões. As ruas parecem informar que têm mais o que fazer. Talvez por isso o Judiciário ainda não caiu no truque que começa com ameaça de praças cheias e termina com a pose de onipotente, único capaz de restabelecer uma paz social que jamais esteve ameaçada.
Enquanto observa os efeitos da mágica sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal, Lula leva ao seu baralho a carta da fuga. Faz isso para assegurar que não irá usá-la: “Tem gente que achava que eu deveria fugir, ir para outro país, para uma embaixada. Não vou. Vou para minha casa. Sou brasileiro, amo esse país, tenho certeza do que eu fiz por esse país. Tenho certeza do que eu posso fazer por esse país. E eles sabem que, neste momento, possivelmente eu seja uma das poucas pessoas que possa consertar o estrago que eles fizeram e devolver esse país para o povo brasileiro, restaurando a soberania neste país.”
A confusão mental exibida por Lula no vídeo tem pouca serventia. A única utilidade da exposição do desespero do personagem é o reforço da tese segundo a qual o brasileiro merece um governante eticamente sustentável. No momento, nada ajudará mais a “consertar o estrago” do que a exclusão de um ficha-suja graúdo da corrida sucessória. A condução de Lula à cadeia emitiria um sinal de vitalidade que as instituições brasileiras estão devendo ao país.
Urnas servem para contar votos, não para expedir habeas corpus. Uma vez consolidado esse princípio elementar, o Judiciário poderia se concentrar no seu trabalho, providenciando o julgamento de tantos outros políticos corruptos que aguardam na fila, entre eles muitos candidatos às urnas de 2018.