terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Deu no 'JN': Investigadores dizem que Zwi pagou reforma para dirigente da Petrobras

TV Globo

Investigações apontam que o engenheiro Zwi Skornicki intermediou contratos de dois estaleiros com a Petrobras que somam quase US$ 4 bilhões.





As investigações da Lava Jato sobre a atuação do operador do petrolão Zwi Skornicki, que está preso desde segunda-feira (22), revelaram que ele pagou US$ 4,5 milhões a João Santana. Mas, além disso, ele também teria assumido despesas de reforma de casa e a compra de aparelhos de ginástica para ex-dirigentes da Petrobras.
As investigações apontam que o engenheiro Zwi Skornicki intermediou contratos de dois estaleiros com a Petrobras que somam quase US$ 4 bilhões.

Os contratos, segundo a investigação, geraram propina para o Partido dos Trabalhadores, por meio do ex-tesoureiro João Vaccari Neto. E também para o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e para o ex-diretor da estatal Renato Duque.

Pedro Barusco disse em depoimento à Justiça que recebeu de Zwi Skornicki o pagamento de US$ 2 milhões em propina na Suíça e que Renato Duque recebeu outro pagamento, de US$ 12 milhões, também na Suíça.

A Polícia Federal afirma que Zwi Skornicki não repassava a propina apenas em depósitos no exterior. Os procuradores dizem ter provas de que Zwi comprou com dinheiro desviado da Petrobras aparelhos de ginástica para o ex-diretor da estatal Renato Duque.

“Em relação aos equipamentos, foi analisado no material apreendido lá na nova fase, no começo do ano passado, que o Zwi estava tratando do pagamento de, se eu não me engano, um aparelho, não sei se era uma esteira, peço desculpa também, vai ser confirmado no material que vira a público. No valor de R$ 25 mil em favor do Renato Duque”, diz o delegado da PF Filipe Pace.

A Lava Jato também investiga obras feitas na casa de Armando Ramos Tripodi, funcionário da Petrobras.

A Polícia Federal diz que Zwi Skornicki pagou R$ 16 mil na automação e instalação de equipamentos na casa de Tripodi. E afirma que embora o serviço tenha sido pago pelo operador Zwi, as notas fiscais estavam em nome de Armando Tripodi.

Os investigaram concluíram que Zwi Skornicki ofereceu vantagem indevida a Armando Ramos Tripodi, que a recebeu, de maneira consciente, tanto que os dois se esforçaram para esconder quem pagou as obras usando notas fiscais falsas.
“A gente vai intimar os representantes da empresa que fez esse serviço para que esclareça porque no conteúdo que a gente analisou, também no material apreendido do Zwi, mostra que essas pessoas participaram das reuniões e que ficou estabelecido que, e as reuniões dão a entender que Armando Tripodi estava presente e tinha total ciência de que os valores seriam pagos por Zwi”, afirma o delegado Filipe Pace.
Armando Tripodi entrou na Petrobras em 1978 por concurso. Foi chefe de gabinete do ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli. Tem ainda ligações com sindicatos do setor de petróleo.

A Petrobras afastou na segunda-feira (22) Armando Tripodi do cargo de gerente de sustentabilidade e afirma que abriu uma comissão interna para investigar o pagamento.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou Armando Tripodi na delação premiada. Costa disse que em 2010 foi Tripodi quem deu o sinal verde para o pagamento de R$ 10 milhões ao então presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, que morreu em 2014. A propina seria para que Sérgio Guerra ajudasse a barrar uma CPI sobre a Petrobras.
Em nota, a Petrobras informou que Armando Tripodi pediu a rescisão do contrato de trabalho dele. A empresa declarou ainda que reitera o compromisso com o pleno andamento das investigações e o apoio ao trabalho das autoridades policiais.
A defesa de Zwi Skornicki voltou a declarar que só vai falar nos autos do processo. A defesa afirma ainda que considera a prisão desnecessária, já que desde a nona fase da lava jato, há mais de um ano, ele sempre esteve no Brasil e à disposição para prestar esclarecimentos.
O jornal Nacional não conseguiu contato com os advogados de Renato Duque e de Armando Tripodi.