Com O Globo e agências internacionais
LA PAZ, Bolívia — As primeiras pesquisas de boca de urna indicam uma derrota do presidente boliviano Evo Morales no referendo, realizado neste domingo, que decidirá se ele pode concorrer a um quarto mandato consecutivo em 2019. Segundo levantamento do instituto Ipsos, 52,3 % dos eleitores teriam votado contra a mudança constitucional, enquanto 47,7% teriam votado a favor. A diferença é menor ainda segundo o instituto Mori, que aponta 51% dos votos pelo "não" e 49% pelo "sim".
Uma vitória permitiria a Morales se candidatar em 2019, para tentar permanecer no poder até 2025. Eleito em 2006, ele está há dez anos na Presidência, e esta é sua primeira grande derrota.
Mais cedo, Morales pedira para que a população compareça em peso à votação. Até a semana passada, as intenções de voto para o "sim" e para o "não" estavam praticamente empatadas. No entanto, com recentes denúncias de corrupção atingindo o partido e suspeita de tráfico de influência em relação a uma antiga namorada, as pesquisas começaram nas últimas semanas a indicar que os partidários do "não" superam o "sim".
Em uma consulta em que o voto é obrigatório, cerca de 6,5 milhões de bolivianos devem decidir sobre a reforma da Constituição. Esta é a primeira vez que os bolivianos votam sobre uma reforma parcial na Constituição Política de Estado.
De acordo com o tribunal eleitoral, foram autorizadas a votar 6,2 milhões de pessoas dentro da Bolívia, e 258 mil cidadãos bolivianos no exterior. O departamento tem o maior número de eleitores é a capital, La Paz, com 1,7 milhão.
CÉDULAS QUEIMADAS EM SANTA CRUZ
O principal incidente do dia foi registrado em uma escola em Santa Cruz. A falta de atas de registro atrasou a votação, e eleitores revoltados colocaram fogo nas cédulas. Segundo a emissora de TV Unitel, estas seções deverão repetir a votação em 6 de março.
Em outros locais, a falta de material fez com que as seções só fossem abertas ao meio-dia, prolongando a votação até as 20h (21h no Brasil).
A votação dos bolivianos que vivem no exterior será realizada em 33 países. A maioria na Argentina, com 116 mil, seguido pela Espanha, com 70 mil; pelo Brasil, com 31 mil; e pelo Chile, com 15 mil; e pelos EUA, com 12 mil.
Os bolivianos que vivem en Seúl, na Coreia do Sul, foram os primeiros a votar neste domingo, devido ao fuso horário.
— Oficialmente, iniciou-se o referendo com o primeiro voto em Seúl, e estamos preparando as mesas de votação em Pequim, na China, e em Tóquio, no Japão — disse à TV estatal da Bolívia o porta-voz do Tribunal Supremo eleitoral, José Luis Exeni.