sexta-feira, 29 de maio de 2026

PCC e CV entram na mesma lista de Hamas, Hezbollah e Estado Islâmico

EUA classificaram facções brasileiras como organizações terroristas


Hoje, tanto o PCC quanto o CV operam redes logísticas que atravessam fronteiras - Foto: Reprodução/Redes Sociais 
 


O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Com a medida, as facções brasileiras passam a integrar a mesma estrutura de definição utilizada pelos EUA para grupos como Hamas, Hezbollah, Estado Islâmico, Al-Qaeda e outros movimentos armados e organizações criminosas internacionais já enquadrados pelo Departamento de Estado norte-americano. 

No comunicado, o secretário de Estado classificou PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”. “Juntos, eles comandam milhares de integrantes”, declarou. “E orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis.”

O texto afirma ainda que a atuação das facções ultrapassa os territórios nacionais. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até dentro do nosso país”, diz o comunicado. 

Segundo Rubio, a medida faz parte da política do governo Donald Trump de combate ao narcotráfico e às organizações criminosas internacionais. “Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional”, afirmou. “Mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos.”




Com a decisão do Departamento de Estado, o PC e o CV passam a figurar na mesma relação utilizada pelos EUA para enquadrar grupos mundo afora. A lista norte-americana reúne organizações de diferentes perfis, incluindo grupos jihadistas, milícias armadas, guerrilhas e cartéis ligados ao narcotráfico.

Entre os nomes mais conhecidos estão o Hamas, que atua no conflito entre Israel e Palestina; o Hezbollah, grupo político-militar do Líbano; e o Estado Islâmico, responsável por atentados e pela ocupação de territórios no Oriente Médio. Também integram a relação organizações como a Al-Qaeda, ligada aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, e o Boko Haram, grupo armado que atua principalmente na Nigéria.

Nos últimos anos, o governo norte-americano ampliou o uso da classificação para incluir cartéis e facções transnacionais ligados ao tráfico de drogas e à violência armada. Em fevereiro de 2025, por exemplo, os EUA classificaram organizações como o Cartel de Sinaloa, do México; o Tren de Aragua, originado na Venezuela; e a Mara Salvatrucha (MS-13), facção criada por salvadorenhos e associada principalmente a El Salvador e aos EUA. 

Nesse contexto, a inclusão do PCC e do CV aproxima as facções brasileiras de uma política adotada recentemente por Washington para aplicar classificações de terrorismo não apenas a grupos de motivação política ou religiosa, mas também a facções e cartéis associados ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à violência armada.


Mateus Conte - Revista Oeste

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Governo Trump declara PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Medida passa a valer em 5 de junho e contraria posição do ex-presidiário Lula; anúncio ocorre após ida de Flávio Bolsonaro aos EUA 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Roberto Schmidt/Getty Images)


O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, que irá enquadrar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A previsão é de que o documento oficial com a classificação seja publicado no dia 5 de junho deste ano. A divulgação da nota sobre o assunto ocorre dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedir a medida ao presidente americano, Donald Trump. O presidenciável comemorou a iniciativa americana ao declarar que hoje era um “grande dia”. 

A decisão contraria a posição do governo do ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva, que teme interferência estrangeira no país, inclusive invasão territorial por parte das Forças Armadas americanas para atuar contra os bandos brasileiros. 

De acordo com a divulgação do Departamento de Estado americano, “CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, publicou em suas redes sociais ter designado as facções brasileiras como terroristas. 

“Hoje, eu designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A Administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, disse trecho da publicação. 


Leia a íntegra abaixo:

Secretary Marco Rubio - Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country.  Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated Mostrar mais state.gov Terrorist Designation of Comando Vermelho and Primeiro Comando da … Today, the U.S. Department of State is designating Comando Vermelho (CV) and Primeiro Comando da Capital (PCC) as Specially Designated … 

A atuação dos Estados Unidos para classificar organizações criminosas estrangeiras como terroristas não é de agora. Em fevereiro do ano passado, o governo americano declarou como terroristas grupos do México (cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização Tren de Aragua (Venezuela). 

“A intenção de designar esses cartéis e organizações transnacionais como terroristas é proteger nossa nação, o povo americano e nosso Hemisfério. Isso significa interromper as campanhas de violência e terror desses grupos cruéis nos Estados Unidos e internacionalmente. Essas designações fornecem a autoridades policiais ferramentas adicionais a fim de interromper as ações desses grupos”, disse Rubio na ocasião. 

“As designações terroristas desempenham um papel crucial em nossa luta contra o terrorismo e são uma maneira eficaz de restringir o apoio a atividades terroristas. As medidas de hoje (fevereiro de 2025) adotadas pelo Departamento de Estado demonstram o compromisso do governo Trump em proteger nossos interesses de segurança nacional e desmantelar essas organizações perigosas.”






Heitor Mazzoca - Revista Veja

Estados Unidos classificam PCC e CV, facções parceiras da quadrilha do ex-pesidiário Lula, como organizações terroristas

'Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais', diz o Departamento de Estado


Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano - Foto: Reuters/Ken Ceden

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado norteamericano, Marco Rubio, e passa a valer a partir de 5 de junho. 

O texto divulgado pelo Departamento de Estado afirma que PCC e CV são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e atribui aos grupos ataques contra forças de segurança, autoridades e civis. “Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis”, diz o comunicado. 

O governo dos EUA também declarou que a atuação dos grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até dentro do nosso país”, afirmou.

O anúncio também associa a decisão à política de segurança do governo do presidente Donald Trump 

No texto, Rubio afirma que a administração norte-americana continuará utilizando instrumentos legais e administrativos para combater grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. 

“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos”, afirmou o secretário. 

Ainda segundo o comunicado, a decisão reforça o compromisso do governo dos EUA no enfrentamento de organizações criminosas na região. “A ação de hoje do Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo norte-americano”, encerrou.


Medida foi um dos principais pedidos de Flávio nos EUA 

O anúncio do Departamento de Estado ocorreu depois de uma série de encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com integrantes do governo norte-americano em Washington. 

Na terça-feira, 26, o parlamentar pediu diretamente a Trump que os EUA classificassem o PCC e o CV como terroristas. No dia seguinte, o senador também se reuniu com Rubio, responsável pelo anúncio da medida, e com o vice-presidente norteamericano, J.D. Vance. 


Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca - Foto: Reprodução/Instagra


Mateus Conte - Revista Oeste

Nova operação mira PCC por R$26 bilhões em crimes no setor de combustíveis

 MPSP, Receita e ANP desfere novo golpe contra faturamento bilionário da facção no setor de combustíveis


Foto: José Cruz/Agência Brasil


O Ministério Público de São Paulo (MPSP) uniu-se à Receita Federal, à Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a órgãos do governo paulista para deflagrar, nesta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto, para conter o avanço da facção criminosa PCC no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimento. Seis novas fintechs serviam de bancos paralelos do esquema, para movimentar mais de R$ 26 bilhões, entre 2022 e 2025. São cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O novo cerco ao crime organizado é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário entre a facção e o setor de combustíveis, em agosto de 2025. E agora investiga mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta (solvente), com quatro fundos usados para desvio de nafta, que têm patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões, fruto de um incremento patrimonial de mais de 200% em pouco mais de um ano.

Segundo a Receita Federal, as operações suspeitas tiveram como características centrais depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação. Uma das fintechs investigadas recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie, no período de 4 anos.

“As estruturas desvendadas na data de hoje utilizaram-se do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta”, expôs o MPSP.

A nova operação mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil. E o MPSP explica que o foco é o desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes. Duas administradoras de recursos e duas gestoras também são investigadas pela Fluxo Oculto.

“Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, foram descobertas mais seis fintechs que atuavam como bancos paralelos da organização criminosa. Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, explica o MPSP.

Esquema denunciado

O núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível foi denunciado pelo MPSP. A apuração conjunta com a ANP, expôs a estrutura de falsidades, que forjou a venda de solventes para empresas-fantasma, na estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do país.

“Os denunciados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo. […] São utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização.”, detalhou o MPSP, sobre este núcleo alvo do GAECO e da Receita Federal.

O MPSP revela que a ocultação dos reais beneficiários da fraude envolvia o repasse dos recursos financeiros obtidos com o esquema para fundos de investimentos.

“Com esta fase da operação, as instituições dão mais um passo aprofundado na atuação integrada e na compreensão do ecossistema criminoso que alimentam as organizações criminosas, especialmente nos mecanismos de lavagem de capitais, que garantem o poderio econômico que as mantém em atividade e fomentam o seu crescimento”, concluiu o MPSP.

Davi Soares - Diário do Poder

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Marco Rubio recebe Flávio na Casa Branca

Senador pede para que Washington classifique PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas


Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca - Foto: Reprodução/Instagram

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu nesta quarta-feira, 27, com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em agenda na Casa Branca. 

Durante o encontro, o parlamentar reforçou ao governo norteamericano o pedido para que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho sejam oficialmente classificados como organizações terroristas estrangeiras.

O senador fluminense chegou à Casa Branca acompanhado do exdeputado federal Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo.

Flávio também se reuniu separadamente com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance e com integrantes do Conselho de Segurança Nacional norte-americano. 

Segundo interlocutores, Marco Rubio demonstrou preocupação com o avanço do crime organizado no Brasil e recebeu de forma positiva a proposta apresentada pela comitiva brasileira. 

A Casa Branca também teria sinalizado interesse em aprofundar a cooperação internacional na área de segurança pública.

A agenda ocorreu um dia depois de Flávio se reunir com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. 

No encontro, os dois discutiram temas ligados à segurança pública, combate ao crime organizado, investimentos estratégicos, minerais considerados críticos e tarifas comerciais envolvendo exportações brasileiras.


Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também participaram do encontro | Foto: Reprodução 

Flávio leva críticas a decretos de Lula sobre redes sociais 

Durante a conversa com JD Vance, Flávio Bolsonaro apresentou críticas aos decretos editados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre regulação de plataformas digitais. 

Segundo interlocutores, o senador afirmou que as medidas ampliam riscos à liberdade de expressão no Brasil em meio ao ambiente préeleitoral. 

A reunião entre Trump e Flávio ocorreu cerca de 20 dias depois de o presidente norte-americano receber Lula na Casa Branca. 

Flávio retorna ao Brasil nesta quarta-feira, encerrando uma série de compromissos políticos em Washington. 

Durante a viagem, o senador participou de encontros com integrantes do alto escalão da política externa norte-americana, entre eles o subsecretário de Estado Christopher Landau e o assessor especial para o Brasil Darren Beattie.


Luana Viana - Revista Oeste

terça-feira, 26 de maio de 2026

STF acaba com aposentadoria compulsória como maior punição a magistrados

Ministros seguiram o entendimento do relator do caso, Flávio Dino

Estátua da Justiça, no STF. (Foto: Marcelo Casal Jr/ABr)

O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, acabar com a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima aplicada a magistrados investigados por infrações disciplinares.

A decisão foi confirmada nesta terça-feira (26) pela Primeira Turma da Corte, que rejeitou um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República.

Os ministros seguiram o entendimento do relator do caso, Flávio Dino, que em decisão individual tomada em março deste ano havia determinado que o Conselho Nacional de Justiça passe a aplicar a perda do cargo como sanção máxima a juízes que cometerem violações graves.

Integram a Primeira Turma os ministros: Flávio Dino (presidente do colegiado); Cármen Lúcia; Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Com isso, magistrados punidos também deixarão de receber salários proporcionais ao tempo de serviço.

Na prática, a medida encerra a aposentadoria compulsória como principal punição administrativa para casos considerados mais graves.

O modelo anterior era alvo de críticas recorrentes por afastar o magistrado das funções, mas manter o pagamento de vencimentos mensais mesmo após a punição.


Mael Vale - Diário do Poder

Enquanto o governo corrupto do ex-presidiário Lula quer aprovar fim da escala 6x1, a Alemanha pode aumentar jornada de trabalho em até 73,8 horas por semana

Proposta do governo alemão pode permitir jornadas de até 12 horas por dia em nome da competitividade econômica


Enquanto o governo Lula defende a aprovação do fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho, a Alemanha segue na direção oposta. 

O governo de coalizão liderado pelo chanceler Friedrich Merz, da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), prepara uma reforma trabalhista que pode ampliar a carga semanal para até 73,8 horas.

A proposta, anunciada em maio de 2026 pela ministra do Trabalho, Bärbel Bas, do Partido Social-Democrata (SPD), prevê o fim do limite diário de oito horas de trabalho para substituí-lo por um teto semanal. A apresentação formal do projeto de lei ao Parlamento está prevista para junho. 


O que muda na Alemanha 

Atualmente, a legislação trabalhista alemã, regida pela Lei de Tempo de Trabalho (Arbeitszeitgesetz), limita a jornada a oito horas diárias, com possibilidade de extensão a dez horas desde que a média, em um período de seis meses, não ultrapasse oito horas por dia. O intervalo mínimo entre o fim de um turno e o início do seguinte é de 11 horas.

Essa reforma eliminaria o limite diário e imporia apenas um teto semanal, alinhado ao máximo de 48 horas já previsto na Diretiva Europeia de Tempo de Trabalho (2003/88/CE).

O governo argumenta que a mudança daria mais flexibilidade a empresas e trabalhadores para distribuir as horas ao longo da semana conforme a demanda de cada setor. 


O problema está nos cálculos. 

Especialistas trabalhistas do Instituto Hugo Sinzheimer fizeram as contas: caso o período mínimo de descanso entre turnos seja mantido em 11 horas, um trabalhador poderia, em tese, trabalhar até 12 horas e 15 minutos por dia. Se isso ocorresse ao longo de seis dias consecutivos, a jornada semanal chegaria a 73,5 horas. Algumas estimativas chegam a 73,8 horas, dependendo das variáveis do cálculo. 

A ministra Bärbel Bas garantiu que a reforma não permitirá que empregadores obriguem trabalhadores a cumprir cargas maiores e que os padrões de saúde e segurança seguirão protegidos por lei. “A coalização quer tornar as jornadas mais flexíveis, especialmente para as famílias”, disse 

Ela acrescentou que as mulheres, em particular, devem ser protegidas para não sair do mercado de trabalho por não conseguirem conciliar jornadas longas com as responsabilidades domésticas. Sobre a semana de quatro dias, Bas foi direta: “Eu também gostaria de uma semana de quatro dias, mas isso não é realista”. 

Antes de qualquer aprovação, a ministra prometeu consultar os chamados “parceiros sociais”, empresas e sindicatos, e afirmou que as novas regras trarão junto um sistema eletrônico obrigatório de controle de ponto para evitar abusos. 


Alemanha quer aumentar competitividade econômica 

Na Alemanha, a reforma é defendida como resposta à competitividade econômica e às necessidades de setores com demanda variável, como indústria e tecnologia. 

A média real de horas trabalhadas pelos alemães gira em torno de 33,9 horas semanais, segundo dados do Eurostat — bem abaixo do que a nova lei poderia permitir em casos extremos. 

O país também realizou, em 2024, um programa piloto de semana de quatro dias que, dois anos depois, foi mantido por 70% das empresas participantes.

Carlo Cauti - Revista Oeste