domingo, 1 de março de 2020

Luxemburgo se torna 1° país do mundo a oferecer transporte público gratuito

O ministro dos Transportes de Luxemburgo, François Bausch, celebrou neste sábado (29) o que classificou como um "grande dia" para o Grão-Ducado, que se tornou oficialmente o primeiro país do mundo a implementar a gratuidade do transporte público em todo o seu território nacional.
Antes da iniciativa luxemburguesa, apenas algumas cidades da Europa tinham executado um plano semelhante.
Passageiros desembarcam de bonde em Luxemburgo - Jean-Christophe Verhaegen/AFP
O país pequeno, porém rico, introduziu a medida como parte de um esforço para motivar seus pouco mais de 600 mil habitantes (equivalente à população de Cuiabá) e os 214 mil passageiros estrangeiros que usam a rede diariamente a mudarem seu comportamento na região montanhosa entre Alemanha, Bélgica e França.
As viagens de ônibus, trens e bondes já eram gratuitas aos sábados, mas todas as tarifas foram abolidas ao final desta semana. 
Antes da abolição, as vendas preexistentes de bilhetes de 2 euros (cerca de R$ 10) geravam 41 milhões de euros (cerca de 200 milhões de reais) —ou 8% do orçamento anual de transportes de Luxemburgo, que supera 500 milhões de euros.
O transporte público agora será financiado em grande parte por meio de impostos que compõem o Orçamento nacional. Isso deve significar uma economia de viagens para famílias de baixa renda, disse o ministério de Bausch.
O esquema se aplica a residentes, viajantes internacionais e turistas". A decisão deve representar cerca de 100 euros (R$ 493) de economia anual por lar.
"Você não precisará mais de uma passagem para embarcar em nenhum ônibus, trem ou bonde nacional", proclamou o consórcio de transporte público de Luxemburgo neste sábado.
No entanto, a empresa alertou os luxemburgueses: "O transporte público gratuito termina na fronteira; portanto, você deve obter um bilhete ou passagem além das fronteiras se planeja viajar para fora do território do Grão-Ducado".
Também será necessário comprar bilhetes para viagens de primeira classe em trens.
As máquinas de bilhetes serão retiradas gradualmente. Contudo, os pontos de venda de bilhetes internacionais —que levarão em conta a gratuidade no Grão-Ducado— e de primeira classe vão permanecer nas estações.
Para combater os congestionamentos, Luxemburgo abriu em 2017 o primeiro trecho de um serviço de bonde desde a periferia sul da capital até o aeroporto ao norte.
Agora, o país está focado em antecipar a demanda de viagens, dobrar as vagas de estacionamento Park + Ride, especialmente nas fronteiras, e estabelecer ciclovias coesas em sua paisagem de 2.586 km². Como comparação, o município de São Paulo tem 1.521 km².
Uma pesquisa realizada em 2018 pela TNS Ilres constatou que os carros em Luxemburgo representavam 47% das viagens de negócios e 71% do transporte de lazer.
De acordo com o Índice de Tráfego Global da empresa de análise de dados INRIX, os motoristas da capital luxemburguesa passaram em média 28 horas presos no trânsito em 2017.

CIDADE DE 200 MIL HABITANTES NA FRANÇA ADOTA PASSE LIVRE

Luxemburgo, por área um dos menores estados soberanos da Europa, abriga edifícios da União Europeia, incluindo o Tribunal de Justiça Europeu e conta com passageiros que viajam diariamente da França, Bélgica e Alemanha.
O ducado de 614 mil pessoas, com salários comparativamente altos em comparação ao resto da Europa, está enfrentando um forte crescimento da população.
Quase metade dos habitantes é estrangeira, incluindo cidadãos portugueses residentes, que representam 18%, e franceses, com 13%.
Bausch, um ex-funcionário ferroviário de Luxemburgo e membro do Partido Verde, também é vice-primeiro ministro do Luxemburgo em um governo de coalizão liberal-social-democrata-verde de três partidos, renovado em 2018 e chefiado pelo primeiro-ministro Xavier Bettel.
O acesso gratuito é apoiado pelo sindicato dos transportes (5.000 membros) Fncttfel-Landesverband.
"Os tempos de viagem devem ser competitivos com o carro", ressalva, contudo, o secretário geral, Georges Melchers. 
Já o Movimento Ecológico diz que não faz questão na gratuitidade do transporte público.
"Para nós, a qualidade da oferta é o ponto crucial para tornar o transporte público mais atraente, e não o fato de ser gratuito. Nos horários de pico, as capacidades esgotam-se", salienta o presidente da associação ambiental, Blanche Weber.
DW

Filme iraniano 'There Is no Evil' ganha o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2020


A atriz iraniana Baran Rasoulof recebe o Urso de Ouro em nome de Mohammad Rasoulof, diretor de


A atriz iraniana Baran Rasoulof recebe o Urso de Ouro em nome de Mohammad Rasoulof, diretor de 'There is no evil' ' Foto: Ronald Wittek/ EFE


BERLIM - Nunca houve uma premiação, pelo menos em anos recentes, como a da Berlinale de 2020. Quando o presidente do júri, o ator Jeremy Irons, falou em filme extraordinário e citou “quatro histórias que nos confrontam com a moralidade e o valor da vida humana”, o público do Palast – e o da sala de cinema em que a imprensa assistia à cerimônia na noite de ontem, 29, no telão –, já começou a aplaudir. À tarde, There Is No Evil, do iraniano Mohammad Rasoulof, já recebera o prêmio do júri ecumênico e o do Guild Film Award. E então veio a coroação: o Urso de Ouro.


Os dois produtores lamentaram que o diretor, confinado – como Jafar Panahi – no Irã, não pudesse estar presente no Festival de Cinema de Berlim. Um agradeceu aos atores, que se arriscaram para dar vida às histórias de homens cujos atos colocam em discussão a moralidade da pena de morte e a propriedade de alguns indivíduos, mesmo com cobertura legal, ao se arvorarem como carrascos de todos. Os atores todos, homens e mulheres, choravam copiosamente. 

As lágrimas escorriam pelas faces gloriosas. O outro produtor, com o Urso na mão, disse que o troféu ia iniciar uma longa viagem até o Irã. Que Rasoulof ia lhe apresentar o país e o Urso ia poder ver que os iranianos são boa gente. (Exceto os terroristas, óbvio)
Quanto ao governo, nada nem ninguém é mais crítico do que o filme. A justiça da República Islâmica é rigorosa e sem apelação, e cabe ao exército executar as sentenças. Mas existem os que se arriscam – os objetores de consciência.
Se o júri da Fipresci, a Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, tivesse atribuído seu prêmio, o da crítica, a Tsai Ming-liang, por Rizi (Days), o mais denso e ousado, como linguagem, dos filmes da competição, crítica e júri oficial teriam feito a coisa certa.
O júri quase sempre acertou. Prêmio de melhor ator para o genial Elio Germano, por Volevo Nascondermi. Grande prêmio para a norte-americana Eliza Hittman, por seu impactante Never Rarely Sometimes Always – sobre a garota que viaja a Nova York com a amiga para abortar. A melhor atriz foi Paula Beer, a moderna pequena sereia do alemão Christian Petzold em Undine (que venceu, um tanto exageradamente, o prêmio da crítica).

Berlinale: Elio Germano ganhou o Urso de Prata de melhor ator
Berlinale: Elio Germano ganhou o Urso de Prata de melhor ator 
Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters


Berlinale: Hong Sang-soo ganhou o Urso de Prata de melhor diretor, poir
Berlinale: Hong Sang-soo ganhou o Urso de Prata de melhor diretor,
por 'The Woman Who Ran' Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters
À tarde, quando foram atribuídos os prêmios paralelos – Anistia Internacional, júri ecumênico, etc. –, a nova diretora executiva da Berlinale, Mariette Rissenbeek, e o diretor artístico Carlo Chatrian já haviam levantado questões como “Para que serve um festival?” e “O que é o cinema?” E ambos chegaram à conclusão de que o cinema, e o festival, devem abrir uma janela para o mundo, refletir a realidade. 
Pode ser que o cinema não mude o mundo, mas os filmes podem afetar as pessoas, fazê-las melhores. É o que propõem o Rasoulof, o Tsai, o Hong Sang-soo e outros grandes filmes exibidos aqui. Por mais irregular que tenha sido a primeira seleção berlinense de Carlo Chatrian – ele era curador do Festival de Locarno –, ela teve seus pontos altos, e o júri internacional soube reconhecê-los.

Berlinale: Paula Beer ganhou o Urso de Prata de melhor atriz
Berlinale: Paula Beer ganhou o Urso de Prata de melhor atriz  Foto: Tobias Schwarz / AFP

Principais vencedores do Festival de Cinema de Berlim

Urso de Ouro

There Is no Evil, de Mohammad Rasoulof (Irã)

Direção 

Hong Sang-soo, por The Woman Who Ran (Coreia do Sul)

Ator

Elio Germano, por Volevo Nascondermi (Itália)

Atriz

Paula Beer, por Undine (Alemanha)

Roteiro

Irmãos D'Innocenzo, por Favolacce (Itália)

Grande Prêmio do Júri

Eliza Hittman, por Never Rarely Sometimes Always (EUA)

Colaboração Artística 

Jürgen Jürges, por Dau. Natasha (Rússia)

Filme de Estreia

Los Conductos, de Camilo Restrepo (Colômbia, Brasil, França)

Generation 14Plus

Meu Nome é Bagdá, de Caru Alves de Souza (Brasil)

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

Com Bolsonaro na posse, Lacalle Pou assume o Uruguai

MONTEVIDÉU - Luis Alberto Lacalle Pou assume neste domingo a presidência do Uruguai em cerimônia que será acompanhada por Jair Bolsonaro. Aos 46 anos, ele chega ao poder em meio ao aumento dos índices de criminalidade e de economia estagnada – fatores que contribuíram para a derrota da Frente Ampla, partido de esquerda que dominou a política uruguaia nos últimos 15 anos. 
Bolsonaro desembarca neste domingo em Montevidéu. 


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O presidente do Uruguai, Luis Calle Pou, com o rei da Espanha, Felipe VI, 
um dia antes da posse, no departamento uruguaio de Canelones. 
Foto: Mariana Greif/Reuters
Logo após vencer as eleições, ele disse que “não faria parte do clube de amigos com base em ideologia, nem de um lado, nem do outro”.
Lacalle Pou aposta no comércio exterior para dar uma guinada liberal, dinamizar o setor produtivo, recuperar a falta de confiança dos mercados e melhorar a economia. Antes mesmo de começar, seu governo anunciou uma desvalorização gradual do peso uruguaio para estimular as exportações. Após a posse, ele pretende adotar medidas para atrair mais investimentos estrangeiros. 
“Ele terá uma relação pragmática em questões importantes para o Uruguai, seja com Brasil, Argentina, EUA ou China”, afirma Mauricio Rabuffetti, colunista e autor de José Mujica – a Revolução Tranquila. 

Aliado regional

Apesar disso, o governo brasileiro vislumbra uma melhora das relações bilaterais e aguarda que o Uruguai se torne uma voz aliada contra Nicolás Maduro, na Venezuela. “Já recebemos indicações de que vai haver mudança de posição em relação a temas centrais para o Brasil na região, como Venezuela e Bolívia. Imagino que isso tenha um impacto na atuação do Uruguai na OEA”, disse o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, secretário de negociações regionais nas Américas.

“O novo governo será uma mais uma voz de pressão contra a Venezuela, mas será do tipo e do estilo que o governo Bolsonaro quer? É muito difícil, porque a política no Uruguai é muito mais gradualista”, observa o cientista político Camilo López Burian, que também aposta em um atuação mais calculada do novo presidente. 

Com informações de Jussara Soares e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

Joe Biden vence primárias na Carolina do Sul e intensifica disputa com Sanders

COLUMBIA - O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden obteve uma vitória convincente nas primárias da Carolina do Sul na noite deste sábado, 29, intensificando a disputa com o senador Bernie Sanders, que até agora vinha sendo um dos protagonistas da campanha do Partido Democrata. O maior apoio de Biden em sua primeira vitória veio de eleitores negros e daqueles com mais de 65 anos, segundo informações divulgadas nesta noite pela imprensa americana. 
A vitória ocorre em um momento crucial na candidatura de Biden, já que ele se recupera de performances consideradas abaixo do esperado nas três primeiras disputas. A campanha agora tem foco total na 'Superterça' da próxima semana, quando eleitores de 14 Estados vão conceder um terço do número total dos delegados.  
"Há alguns dias, a imprensa e os especialistas declararam nossa campanha morta. Mas depois de hoje à noite, está claro que estamos muito vivos - e precisamos da sua ajuda para manter o ritmo", escreveu Biden em seu Twitter após o resultado.

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O candidato Joe Biden em Columbia, na Carolina do Sul 
Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP
Sanders, 78, que se apresenta como um "socialista democrático", lidera a corrida democrata, mas sua ascensão preocupa a ala centrista do partido, que teme que ele seja muito de esquerda para conquistar o apoio necessário para vencer o presidente Donald Trump.
Biden espera que a vitória na Carolina do Sul seja suficiente para estabelecê-lo como alternativa a Sanders à medida que a corrida avança para uma nova fase. No caminho de Biden está também o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, um dos homens mais ricos do país e que gastou mais de meio bilhão de dólares cortejando eleitores em dezenas de Estados que ainda vão votar.
A primária da Carolina do Sul foi o primeiro grande teste do apelo de Joe Biden entre eleitores negros, importante núcleo de apoio dos democratas. E eles deram uma boa vitória ao candidato de 77 anos, que agora terá de provar que possui recursos financeiros e organizacionais para expandir sua campanha. 


Thank you, South Carolina! To all those who have been knocked down, counted out, and left behind — this is your campaign. Together, we will win this nomination and beat Donald Trump.
Ele também precisará confiar em seu relacionamento de décadas no partido para criar um senso de inevitabilidade em torno de sua candidatura, algo que ainda não está enraizado. 

"Se Biden vencer por uma grande margem, isso se traduzirá em um grande dia para ele na terça-feira'', disse o ex-conselheiro sênior de Barack Obama, David Axelrod. "E se ele vencer Bloomberg de forma significativa, Bloomberg terá de considerar o que está fazendo aqui".  

Com AP, AFP  e O Estado de S.Paulo