quarta-feira, 1 de junho de 2016

Delator diz que ex-ministro (de Lula, o corrupto) das Cidades Marcio Fortes recebeu propina de R$ 1 milhões

RICARDO BRANDT, FAUSTO MACEDO, MATEUS COUTINHO E JULIA AFFONSO - O  Estado de São Paulo




Benedito Rodrigues, o Bené, alvo da Operação Acrônimo, cita ainda ex-ministro Mário Negromonte, sucessor de Fortes, e Pedro Corrêa, ex-líder do PP na Câmara e réu do Mensalão e da Lava Jato

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O ex-ministro Márcio Fortes. Foto: Divulgação
O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, afirmou em delação premiada que o ex-ministro Marcio Fortes (Cidades), do governo Lula, recebeu R$ 1 milhão de um esquema que resultou na contratação da agência de publicidade Propeg, em 2010.
Segundo o delator, outro ex-ministro da Pasta, Mário Negromonte – hoje conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia -, sucessor de Fortes, e o ex-deputado e ex-líder do PP na Câmara Pedro Corrêa teriam recebido valor equivalente a 10% do contrato de publicidade.

Em sua delação, Bené afirmou que o Grupo CAOA, do setor automotivo, teria pago R$ 20 milhões a Pimentel. A CAOA nega categoricamente o repasse ilegal.A delação de Bené foi homologada na semana passada pelo Superior Tribunal de Justiça, no âmbito da Operação Acrônimo – investigação da Polícia Federal que atribui crime de corrupção ao governador de Minas Fernando Pimentel (PT), ex-ministro do Desenvolvimento do governo Dilma.
A delação do empresário preenche 20 anexos. Um deles é dedicado aos ex-ministros Marcio Fortes e Mário Negromonte e ao ex-deputado Pedro Corrêa – este também delator, mas de outra operação, a Lava Jato.
Bené afirmou que por volta de 2010 Negromonte o procurou. Segundo o delator da Acrônimo, Negromonte pretendia ‘influenciar’ em licitação da área de publicidade do Ministério das Cidades. O plano seria beneficiar a Propeg.
Negromonte e Pedro Corrêa – na época, réu do Mensalão – iriam receber, segundo Bené, 10% do ‘resultado’ da operação.
O acordo previa que o ministro Márcio Fortes, que ocupou o cargo entre 2005 e 2011, e um assessor dele, conhecido por ‘Alcione’, ficariam com uma parte do valor do contrato, desde que a Propeg fosse a escolhida.
Segundo Bené, Mário Negromonte e Pedro Corrêa receberam total de R$ 1 milhão cada.
O ex-ministro Marcio Fortes também teria recebido R$ 1 milhão, valor pago, segundo ele, ‘durante mais de um ano’
COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DA PROPEG:
“É falso o enredo por meio do qual se tenta envolver a Propeg em assuntos que são inteiramente estranhos à agência. Jamais, em tempo algum, houve pagamento a políticos por meio da empresa.
Em 2010 a Propeg e outras três agências de propaganda venceram licitação para atender ao Ministério das Cidades. O certame escolheu aquelas que apresentaram as melhores propostas nas modalidades técnica e preço – como rege a lei.”
COM A PALAVRA, MÁRIO NEGROMONTE:
O criminalista Carlos Fauaze, que defende o ex-deputado, informou que não vai se manifestar por não ter tido acesso à documentação constante nos autos do processo. Mário Negromonte afirmou que a empresa Propeg é da Bahia, seu Estado, e que ele não precisaria da intermediação de Bené para tratar de qualquer assunto envolvendo a empresa. “A Propeg é da Bahia. Eu ia precisar do Benedicto para fazer alguma intermediação de conversa?Não tem sentido. Jamais procurei ele para esse tipo de contato”, afirmou.

COM A PALAVRA, O EX-MINISTRO MARCIO FORTES:
“Nego veementemente as acusações, e me coloco à disposição das autoridades competentes para esclarecimentos que eventualmente forem necessários.”
Marcio Fortes de Almeida

Discurso errático faz do PT uma legenda cômica, além de corrupta

Com Blog do Josias - UOL



O PT reuniu sua Executiva nacional nesta terça-feira (31). Divulgou uma resoluçãoque desdiz o conteúdo de outra resolução aprovada pelo Diretório nacional da legenda há apenas duas semanas. Ao perceber que o primeiro documento, divulgado nas pegadas do afastamento de Dilma Rousseff, saiu rapidamente de moda, o partido encurtou um pouco a bainha, tingiu de outra cor, alargou nos ombros, apertou na cintura, colocou uns babados e saiu à rua como se a manifestação original não existisse.
Na resolução de duas semanas atrás, datada de 17 de maio de 2016, o PT referiu-se à investigação que quebrou as pernas da oligarquia política e empresarial corrupta nos seguinte termos:
“A Operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista. Alicerçada sobre justo sentimento anticorrupção do povo brasileiro, configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações ao Estado Democrático de Direito.”
No novo texto, de 31 de maio de 2016, a Lava Jato deixa de ser um instrumento a serviço dos “golpistas” e vira um incômodo do qual os mesmos “golpistas” querem se livrar. Crítico contumaz dos vazamentos de fragmentos da investigação, o PT serviu-se gostosamente dos diálogos gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e divulgados por uma velha inimiga do petismo: a “mídia golpista”.
O PT realça os trechos do autogrampo de Sérgio Machado que derrubaram dois ministros do governo de Michel Temer: Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).
Sobre os áudios que capturaram a voz de Jucá, o PT anotou: “…Fica claro que a deposição da presidenta Dilma tem por um dos objetivos o estancamento das investigações no âmbito da Operação Lava Jato relacionadas aos partidos que engendraram o golpe. Como disse Jucá: 'tem que ficar onde está…', ou seja, seletivamente apenas criminalizar o PT e seus dirigentes.”
“Nas gravações do ex-ministro Fabiano Silveira, este oferece orientações de como escapar do processo de investigação da Operação Lava Jato e suas ramificações, justamente o ministro encarregado da transparência e combate à corrupção”, acrescentou a nova resolução petista. “A suposta agenda ‘ética’ do governo golpista se esfarela. Tudo confirma que uma das faces do golpe é a interrupção do combate à corrupção, processo que avançou enormemente com as medidas implementadas durante os governos Lula e Dilma.”
Um detalhe potencializa o caráter humorístico da segunda manifestação do PT: foi nos governos de Lula e Dilma que o PMDB tornou-se cúmplice do PT no assalto à Petrobras e a outros nichos do Estado. Só na Transpetro, Sérgio Machado, um afilhado político de Renan Calheiros, plantou bananeira dentro do cofre durante 12 anos. Ou seja, mais do que medidas anticorrupção, o que o PT ofereceu mesmo à PF e à Procuradoria foi matéria-prima para inquéritos e denúncias.
Também na economia, as duas resoluções do PT se entrechocam. Na primeira, o partido esculhambou Dilma. Sustentou que a crise empurrou a presidente petista para “uma encruzilhada: acelerar o programa distributivista, como havia sido defendido na campanha da reeleição presidencial, ou aceitar a agenda do grande capital, adotando medidas de austeridade sobre o setor público, os direitos sociais e a demanda, mais uma vez na perspectiva de retomada dos investimentos privados.” E Dilma optou pela agenda do “grande capital”, concluiu o seu partido.
Para o PT de 15 dias atrás, o ex-ministro Joaquim Levy, o tucano a quem Dilma confiou a pasta da Fazenda no primeiro ano do segundo mandato, levou o governo ao inferno. “O ajuste fiscal, além de intensificar a tendência recessiva, foi destrutivo sobre a base social petista, gerando confusão e desânimo nos trabalhadores, na juventude e na intelectualidade progressista, entre os quais se disseminou a sensação, estimulada pelos monopólios da comunicação, de estelionato eleitoral. A popularidade da presidenta rapidamente despencou…”
No novo documento, o PT desta terça-feira defende a volta de Dilma sob o argumento de que o interino Michel Temer tenta “implementar e aprofundar o programa neoliberal derrotado nas eleições de 2014”. Ora, mas Dilma já não tinha abandonado esse programa de 2014? Não foi por conta do estelionato eleitoral que sua popularidade “despencou”?
Analisando-se as duas resoluções do PT, chega-se à seguinte conclusão: Fora a falta de rumo, a incoerência, a ausência de autocrítica, a flacidez ideológica, a descortesia com os aliados de mais de uma década e a autodesoralização, o novo discurso do PT é uma boa peça… de humor.

Reajuste generalizado de servidor é temeridade

Com Blog do Josias - UOL


O grande problema dos economistas do governo não é fazer planos. Isso Henrique Meirelles e sua equipe fazem em cima do joelho. A questão é convencer o Congresso e a máquina do Estado da importância do equilíbrio entre receita e despesa. O conceito de que não é possível gastar mais do que se ganha é difícil para pessoas que tratam a verba pública como dinheiro grátis.
Agora mesmo, informa o repórter Leonel Rocha, o Congresso se equipa para aprovar, até agosto, um pacote de reajustes salariais para os servidores do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Os percentuais vão variar no elástico intervalo entre 10,7% e 55%.
Considerando-se que o governo acaba de aprovar no Congresso uma meta fiscal que consiste numa cratera de R$ 170,5 bilhões, a concessão de reajustes generalizados é uma temeridade. Vai ser difícil para Meirelles usar a analogia que equipara o governo a uma família.
Há na praça 11,4 milhões de desempregados. Tem família ameaçada de perder a casa e o carro. Sem dinheiro para encher a geladeira, muitas famílias recorrem ao agiota. Ou ao cheque especial, que é a mesma coisa. Ou ao rotativo do cartão de crédito, que é ainda pior.
O conselho dos economistas para essas famílias é não gastar mais do que ganham. E retirar as crianças da sala na hora que os parlamentares forem votar os reajustes de até 55% para o funcionalismo. Seria uma crueldade permitir que as crianças descobrissem tão cedo que o Brasil continuará endividado até a raiz dos cabelos delas.

O porcentual mínimo de Luleco

Com O Antagonista


Lula é inocente?
A coluna do Estadão informa que Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Luleco, destinou para o patrocínio do futebol americano “apenas um porcentual mínimo dos quase R$ 10 milhões que recebeu”.
É o oposto do que alegou sua defesa.

Dilma 'trambique' não é inocente. Sem novidade no front

Com O Antagonista



A repórter chapa branca da Folha de S. Paulo reproduziu aquilo que O Antagonista publicou no domingo, só que com menos detalhes:
- “A Odebrecht se comprometeu a dar informações sobre conversas que teve com o governo de Dilma Rousseff para que ele a ajudasse na Justiça”.
- “Outro personagem, além de ex-ministros de Estado, que pode emergir da delação da Odebrecht é Giles Azevedo”.
Se você traiu O Antagonista no domingo (envergonhe-se!), releia o que publicamos sobre o assunto:
Dilma Rousseff agiu para melar a Lava Jato.
Foi o que disse Marcelo Odebrecht em sua delação.
O Antagonista soube que o empreiteiro confirmou os relatos de Delcídio Amaral de que Dilma Rousseff nomeou Navarro Dantas ao STJ com o propósito de tirá-lo da cadeia.
E:
Marcelo Odebrecht, em sua delação, disse que se encontrou mais de uma vez com Giles Azevedo - o principal assessor de Dilma Rousseff - para discutir uma maneira de melar a Lava Jato.
O Antagonista soube que um dos caminhos acertados foi a troca de comando da PF.

Delação de ex-presidente da OAS parece feita para livrar a cara de Lula, o maior corrupto da história. Coisa de mafiosos

Com Blog do Reinaldo Azevedo - UOL


Parece que Léo Pinheiro, ex-presidente e sócio da OAS, resolveu travestir de delação premiada a sua defesa de Lula. Até agora, informa a Folha, a coisa não colou.
Léo contou à força-tarefa da Lava-Jato duas histórias da carochinha. Lula, como de hábito, nada sabia das reformas do sítio e do apartamento no Guarujá. A primeira teria sido feita a pedido de Paulo Okamotto, que é, atenção!, presidente do Instituto Lula e seu sócio na empresa de palestras, a tal LILS. Mesmo assim, o chefão ignorava tudo.
E o apartamento no Guarujá? Ah, a empreiteira teria decidido reformá-lo sem nem Lula tomar conhecimento: seria apenas uma forma de fazer um agrado ao Apedeuta.
Pois é… O TRF de Porto Alegre — ao qual está afeta Curitiba — julga neste mês o recurso de Léo Pinheiro. Se ele perder, poderá voltar para a cadeia, já que o Supremo decidiu que a pena deve começar a ser cumprida já depois da condenação em segunda instância. O empresário queria fazer o acordo antes para não ter de voltar ao xilindró. Mas parece que ninguém está acreditando nas suas histórias.
É claro que os petistas vão berrar: “Ah, quando a delação nos favorece, então não serve?”. Resposta: se o que é narrado está na contramão dos fatos e do que a polícia e o Ministério Público apuraram, então não serve. E não porque beneficie Lula, mas porque não tem apreço pela verdade.

"Fraude no Bolsa Família alerta para cuidado nos gastos", editorial de O Globo

Indícios de desvios que chegam a equivaler a quase 10% do programa em 2016 estimulam ações para que se melhore a qualidade da despesa pública e se flexibilize o Orçamento


A mais grave crise fiscal de que se tem notícia pulveriza a mitologia que acompanha correntes de pensamento político e econômico. Uma delas, que o Estado tudo pode e é agente eficaz de desenvolvimento e eliminação da pobreza.

A simples quebra do Tesouro, pelos excessos cometidos nesta mesma direção pelo governo Dilma Rousseff, já é prova sólida de que existem limites mesmo para a mais firme vontade política. Vontade apenas de nada vale, se as políticas executadas estiverem erradas.

Agora, com a dívida pública próxima de 70% do PIB e ainda em ascensão, um déficit nominal (incluindo os juros da dívida) na faixa dos 10% do PIB, uma situação que aponta para a insolvência do Tesouro, não há justificativa para não se olhar com lupa e método para a qualidade das despesas que faz o Estado, algo como 40% do PIB. Com o dinheiro do acossado contribuinte.

Isso, independentemente de medidas no campo da macroeconomia. Reforça bastante esta necessidade o fato de o Ministério Público Federal haver identificado indícios de fraudes no Bolsa Família, envolvendo pagamentos entre 2013 e 2014 de R$ 2,5 bilhões a 1,4 milhão de beneficiários. Chega a se aproximar de 10% dos R$ 28,8 bilhões orçados para todo este ano.

Identificou-se distribuição de benefícios entre pessoas mortas ou sem CPF, como também com vários números no cadastro da Receita, e assim por diante. Esses desvios devem se repetir em outros programas sociais, porque, se nos 13 anos do PT no Alvorada, o programa de maior exposição da área social não foi controlado como deveria, imagine-se em outros.

É evidente que há muita margem para economizar recursos nesses gastos. Com acerto, o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, deputado Osmar Terra (PMDB-RS), assumiu defendendo um “pente-fino” no Bolsa Família.

É preciso ir mais à frente, estabelecendo-se o mecanismo do “orçamento zero”, proposto no documento “Uma ponte para o futuro”, do PMDB. Por ele, toda despesa precisa ser avaliada a fim de que se faça o Orçamento seguinte não para atender a cotas fixas de recursos para este ou aquele setor, mas a partir da avaliação do resultado do gasto feito no exercício anterior e das necessidades efetivas da área específica.

O princípio do “orçamento zero”, usado na iniciativa privada, é indutor eficaz da cultura da auditoria constante de despesas e, por tabela, do combate a fraudes.

É boa coincidência que a revelação desta enorme fraude no Bolsa Família ocorra no início do governo do presidente interino Michel Temer, cuja missão prioritária é reequilibrar as contas públicas. E isso se relaciona com melhoria dos gastos públicos e flexibilização do Orçamento, engessado por despesas predeterminadas por lei, a antítese de uma gestão orçamentária de boa qualidade.