segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ministros do STF veem 'absurdo' em ato de Gilmar Mendes contra Zema e criticam tentativa de 'influir na política'

Decano do tribunal enviou uma notícia-crime a Moraes, em virtude de vídeo publicado pelo ex-governador de Minas Gerais nas redes sociais


O decano do STF, Gilmar Mendes, durante o Fórum Jota, em Brasília - 4/12/2025 - Foto: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo 

O pedido do decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para incluir no Inquérito das Fake News o ex-governador Romeu Zema, pré-candidato à Presidência, causou desconforto nos bastidores do tribunal, nesta segunda-feira, 20. 

Um ministro ouvido pela coluna, em caráter reservado, classificou o ato como tentativa de “influir na política”. 

Outro juiz do STF disse que a medida é “um absurdo”. Mais um integrante da Corte acrescentou que o movimento é “preocupante”. 

Mendes mandou uma notícia-crime, contra Zema, ao relator da investigação, Alexandre de Moraes, em virtude de um vídeo publicado pelo ex-governador, nas redes sociais, que alude a Mendes e a Dias Toffoli. 

Moraes, então, enviou o documento à ProcuradoriaGeral da República (PGR), que ainda não se manifestou acerca do caso. Nas imagens, um boneco que imita Toffoli pede ao de Mendes que suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

Dessa forma, o fantoche do magistrado anula a decisão. Em troca, pede “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago”.

Na semana passada, o decano também adotou providências no que diz respeito a outro político: o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Relator da CPI do Crime Organizado, Vieira indiciou Mendes, Toffoli e Moraes, por suposto envolvimento com o escândalo do Banco Master. 


O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado 

Na semana passada, o decano também adotou providências no que diz respeito a outro político: o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Relator da CPI do Crime Organizado, Vieira indiciou Mendes, Toffoli e Moraes, por suposto envolvimento com o escândalo do Banco Master. Mendes, posteriormente, acionou a PGR e pediu investigação do parlamentar, por abuso de poder. 

“O claro desvio de finalidade enveredado pelo relator da CPI do Crime Organizado não encontrou guarida sequer entre os seus pares, que deliberadamente optaram por não aprovar o texto de endereçamento final por ele sugerido”, disse Mendes. 


Cristyan Costa - Revista Oeste