terça-feira, 14 de abril de 2026

Ex-presidentes do Banco Central receberam R$ 20 milhões em consultorias do Master, banco da quadrilha de Lula

O detalhamento dos repasses veio à tona depois que a CPI aprovou a quebra dos sigilos fiscal e bancário da instituição de Vorcaro




Movimentações financeiras que envolveram o Banco Master e expresidentes do Banco Central chamaram atenção depois que a instituição foi alvo de liquidação extrajudicial. Três ex-chefes do BC receberam valores expressivos por serviços de consultoria entre 2022 e 2025, segundo dados da Receita Federal analisados pela CPI do Crime Organizado do Senado.

Os pagamentos somaram R$ 25,8 milhões para empresas ligadas a Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan. Depois das deduções fiscais, o total repassado ficou em torno de R$ 20,2 milhões. Esses contratos ocorreram antes da liquidação do Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado.


Detalhes dos contratos de consultoria e beneficiários 

O detalhamento dos repasses veio à tona depois que a CPI aprovou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do banco, o que permitiu acesso à Dirf e esclarecimento de pagamentos feitos a pessoas físicas e jurídicas associadas a ex-autoridades do setor econômico e jurídico. 

Ex-presidentes do Banco Central receberam R$ 20 milhões  em consultorias do Master Gustavo Loyola, que comandou o BC em dois períodos, foi contratado por meio da Gustavo Loyola Consultoria Ltda e recebeu R$ 6,7 milhões brutos entre 2023 e 2025, com pagamentos mensais de R$ 250 mil. 

Depois dos impostos, a consultoria ficou com R$ 6,3 milhões. Loyola esclareceu à CNN que prestou serviçõs que “não envolveram nenhum pleito a órgãos e autoridades públicas a respeito da instituição” 

Segundo a empresa, o trabalho envolveu pareceres, análises técnicas, laudos para ações judiciais e revisões de créditos, sempre dentro do escopo financeiro e econômico. Henrique Meirelles, que liderou o BC de 2003 a 2010, foi o maior beneficiado e recebeu R$ 13,4 milhões líquidos em dois pagamentos, feitos em 2024 e 2025. O valor bruto somou R$ 18,5 milhões. Meirelles declarou apenas que atuou como consultor de macroeconomia e mercado financeiro para o Master entre março de de 2024 e julho de 2025, de forma opinativa, sem comentar os valores.

Pedro Malan, à frente do BC entre 1993 e 1995, aparece como sócio do escritório Mirza e Malan Sociedade de Advogados, que recebeu R$ 106,5 mil brutos em 2022. A banca, que tem Diogo Malan, filho de Pedro Malan, como sócio, informou que a consultoria prestada teve relação com um processo na 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, sem participação direta de Pedro Malan. 


Investigações sobre relações e favorecimentos 

Paralelamente aos contratos de consultoria e advocacia, surgiram informações de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, mantinha contato com servidores do Banco Central que atuavam como informantes. Dois funcionários afastados do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, viraram alvo da Operação Compliance Zero e de auditoria interna, que apurou possíveis indícios de favorecimento. 


Yasmin Alencar - Revista Oeste