sábado, 25 de abril de 2026

Ana Paula Henkel - O farol e a forja de Juliano Cazarré

Episódio mostra o desconforto visceral que parte da cultura atual sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor da masculinidade boa e necessária


Juliano Cazarré |-Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução/Redes Sociais

O ator Juliano Cazarré é um querido amigo. Porém, não escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo como mulher, mãe e cidadã que reconhece, com clareza e gratidão, a necessidade vital de homens como ele em nossa sociedade. Homens integrais, responsáveis, enraizados em valores permanentes e corajosos o suficiente para nadar contra a corrente da histeria contemporânea. Escrevo como alguém que entende, com absoluta convicção, a necessidade de homens como ele em uma sociedade que parece cada vez mais desconfortável com a própria ideia de masculinidade. 

Esta semana, Cazarré anunciou o evento O Farol e a Forja, um retiro de três dias voltado exclusivamente para homens que desejam recuperar propósito, disciplina, liderança familiar, fé e uma masculinidade madura. A resposta foi imediata e feroz: cancelamento em massa, especialmente vindo de setores da classe artística e dos mesmos ativistas de plantão que demonizam valores familiares e eternos. Acusações graves, machismo, misoginia, “evento que mata mulheres”, foram lançadas como se o simples ato de convidar homens a se tornarem melhores fosse, em si, um crime contra a humanidade.


Cazarré anunciou o evento O Farol e a Forja, um retiro de três dias voltado exclusivamente para homens - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O que aconteceu com Cazarré nesta semana não foi um episódio isolado. Foi um ritual. Um daqueles momentos em que a máquina de cancelamento se move com velocidade, previsível, quase automática, contra qualquer tentativa de resgatar princípios que, até pouco tempo atrás, eram considerados não apenas legítimos, mas necessários. 

O episódio desta semana não é um fato isolado, nem um ruído circunstancial. É, ao contrário, mais um capítulo de um movimento mais profundo e persistente que tenta redefinir — ou, em muitos casos, simplesmente deslegitimar — o papel do homem no mundo contemporâneo.


� ♥️ Ana Paula Volei -Tenho a honra de poder dizer que Juliano Cazarré é meu amigo. Ele e Letícia são parte da minha vida e presentes de Deus. 

Porém, não escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo como mulher, mãe e cidadã que reconhece, com clareza e gratidão, a necessidade vital de homens como ele em nossa sociedade. 

Esta semana, ao anunciar o evento “O Farol e a Forja”, Juliano sofreu mais um cancelamento feroz.

- Acusado de machismo por convidar homens a serem mais responsáveis, presentes View more on Instagram e íntegros, e para falar de fé, responsabilidade, disciplina e família. O “horror”!! 

Vivemos um tempo em que a masculinidade foi distorcida e colocada no mesmo lugar que o abuso. Em que ser homem, por si só, passou a ser visto com suspeita. E isso não torna a sociedade mais justa - torna mais fraca, mais confusa e menos capaz de enfrentar o que realmente importa. 

Foram homens de bem que ajudaram a construir o mundo mais livre que conhecemos hoje; foram homens fortes que desembarcaram na Normandia para lutar contra o mal. Homens que protegeram, trabalharam e assumiram responsabilidades quando era mais difícil. 

Homens que não pedem desculpas por existir. Que não se curvam à histeria coletiva. Que assumem seu papel com responsabilidade e coragem. 

👉E talvez seja exatamente isso que incomoda tanto os jacobinos de plantão com suas guilhotinas malditas. Mas Juliano não recuou. Ele nunca recua. Foi lapidado no fogo de vários cancelamentos e só se ajoelha diante de um único Senhor: Jesus Cristo. Isso é caráter. Isso é farol. Isso é forja. Obrigada, meu amigo. Deus te abençoe. 🙏❣️ View all 2,916 comments Add a comment... 


Há, nessa reação, algo que vai muito além da discordância. Existe uma recusa sistemática em aceitar que a masculinidade possa existir fora dos rótulos que lhe foram impostos nos últimos anos. Ao longo de décadas, assistimos à construção de uma narrativa que funde, de maneira deliberada, masculinidade e violência, como se uma fosse consequência inevitável da outra. Trata-se de uma simplificação perigosa, que ignora nuances, apaga distinções fundamentais e, no limite, compromete a própria capacidade da sociedade de identificar e combater aquilo que realmente deve ser combatido. 

Mas o episódio da semana não diz respeito apenas a Juliano. Ele expõe algo muito mais profundo: o desconforto visceral que parte da cultura atual sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor da masculinidade boa e necessária. Vivemos, de fato, um tempo de demonização sistemática do sexo masculino. A masculinidade, essa força civilizatória que construiu nações, protegeu famílias, explorou continentes, enfrentou tiranias e ergueu o Ocidente como o lugar mais seguro e próspero para as mulheres na história da humanidade, foi reduzida a um conceito suspeito. Machismo e masculinidade foram jogados no mesmo balaio. 

Em vez de separar o abusador do protetor, o covarde do homem de caráter, optou-se pelo veredito coletivo: o problema é ser homem. E um homem sem direção não se torna automaticamente melhor; tornase apenas mais vulnerável ao caos. Uma sociedade que trata seus homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser formada, inevitavelmente paga o preço dessa escolha.

Uma sociedade que trata seus homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser formada - Foto: Shutterstock

Como mulher, confesso ter vergonha de muitas vozes femininas que, hoje, dirigem sua fúria mais violenta contra os homens que, exatamente por sua masculinidade orientada para a proteção e a responsabilidade, permitiram às mulheres as maiores liberdades já conhecidas. As mesmas que vociferam esta semana contra Cazarré relativizam opressões brutais em culturas onde mulheres não podem votar ou estudar e meninas são mutiladas genitalmente, casadas na infância, impedidas de estudar ou mortas por “honra”. 

Foram homens como Cazarré — pais, maridos, irmãos, soldados, legisladores — que lutaram, muitas vezes com a própria vida, para que hoje possamos votar, estudar, trabalhar, escolher não ter filhos ou realizar qualquer projeto pessoal. Essa liberdade não foi um presente da natureza nem fruto exclusivo de movimentos feministas. Foi conquistada, defendida e sustentada, em grande parte, pela melhor versão da masculinidade.

Ao longo da história, os momentos de maior estabilidade e prosperidade estiveram associados não à ausência de homens fortes, mas à presença de homens responsáveis. Homens que compreenderam seu papel não como instrumento de domínio, mas como dever de proteção. Homens que assumiram responsabilidades que iam além de si mesmos — pela família, pela comunidade, pela própria civilização. 

Quando o presidente Ronald Reagan, em 1984, homenageou os soldados que participaram do desembarque na Normandia na Segunda Guerra Mundial, ele não falou de poder, nem de superioridade. Falou de fé, lealdade e amor. Valores simples, quase silenciosos, mas que sustentam atos extraordinários. Aqueles jovens não foram movidos pelo desejo de impor algo ao mundo, mas pela disposição de proteger aquilo que deixavam para trás. É nesse tipo de força — discreta, firme, orientada — que reside a essência da masculinidade que hoje tantos insistem em ignorar.

Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem convertido e convicto, encarna essa masculinidade. Ele não prega dominação nem submissão. Defende responsabilidade, papéis complementares, paternidade ativa, disciplina e homens que não fogem do peso de serem provedores emocionais, espirituais e materiais da família. Exatamente o oposto do que a cultura atual celebra: homens hesitantes, envergonhados de sua natureza, que pedem desculpas por existirem e que abdicam da liderança natural no lar.


Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem convertido e convicto, encarna essa masculinidade - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Talvez o incômodo contemporâneo com essa ideia venha exatamente daí. Homens que não se encaixam na caricatura esperada tornam-se desconfortáveis. Homens que não pedem desculpas por existir, que não performam culpa coletiva, que não se submetem à necessidade constante de validação pública passam a ser vistos como ameaça. Não porque sejam perigosos, mas porque são independentes. E a independência, em um ambiente cada vez mais orientado pela aprovação coletiva, tornou-se um gesto de resistência. 

Numa sociedade onde o coletivo engoliu o indivíduo, onde responsabilidade pessoal virou “privilégio opressor”, os homens estão sendo cobrados por pecados que não cometeram, por dívidas históricas que não contraíram e por um futuro que ainda não existe. Exige-se que peçam perdão simplesmente por serem homens: não conversem, não se reúnam, não rezem, não protejam, não ajam, não cobrem, não existam! Apenas encostem-se ali ao lado, finjam ser partes de uma sociedade doente e cada vez mais fraca e assistam de camarote à queda da civilização ocidental. 

Tenho poucas certezas absolutas na vida, mas uma delas permanece inabalável: existem milhões de mulheres que sabem exatamente o valor de homens bons. Que reconhecem, ainda que em silêncio, o papel desempenhado por pais, maridos, filhos e amigos que sustentam, muitas vezes sem reconhecimento, a estrutura invisível que permite à sociedade funcionar. Esses homens não estão nas manchetes, não participam das disputas ruidosas das redes sociais, não buscam aprovação constante. Estão trabalhando, cuidando, protegendo, construindo. 

Eu, como muitas mulheres que permanecem em silêncio, sou profundamente grata aos bons homens. Ao meu pai. Ao meu marido. Ao meu filho. Aos amigos como Juliano. Homens que não se envergonham de sua natureza protetora, que lideram com humildade, que amam com firmeza e que estão dispostos a sacrificar-se pelo que é certo. 

O cancelamento de Juliano Cazarré, nesse contexto, diz menos sobre ele e mais sobre o ambiente em que vivemos. Um ambiente em que a coragem de afirmar o óbvio — que homens precisam de direção, que masculinidade não é sinônimo de violência, que responsabilidade não deve ser ridicularizada — passou a exigir uma disposição que muitos já não estão dispostos a ter. 

As guilhotinas virtuais do momento revelam, acima de tudo, medo. Medo de que homens voltem a ser fortes, presentes e inabaláveis. Medo de que a família formada por pai, mãe e filhos volte a ser vista como algo desejável e não como estrutura opressora. Medo de que a narrativa de vitimismo perpétuo perca seu poder.


As guilhotinas virtuais do momento revelam, acima de tudo, medo - Foto: Shutterstock

Diante dos jacobinos, Juliano não recuou. Ele sabia que enfrentaria ataques. Ainda assim, seguiu em frente. Isso é ser farol. Isso é passar pela forja. É exatamente disso que nossa sociedade, confusa e enfraquecida, mais precisa: homens que não se curvam à histeria coletiva, que assumem responsabilidade e que inspiram outros a fazer o mesmo. 

Cabe a nós, especialmente às mulheres que compreendem o valor real disso, cumprir o nosso papel: defender com clareza intelectual, gratidão sincera e coragem serena a masculinidade que constrói, protege e eleva toda a sociedade. Uma sociedade sem bons homens não se torna mais justa. Torna-se mais frágil, caótica, triste e, no final, mais violenta para todos. 

Juliano Cazarré já passou por outros cancelamentos antes. Em 2022, escrevi aqui em Oeste sobre o ocorrido (“Homens de geleia, castelos de areia” , Edição 123). Mas ele jamais dobrou seus joelhos à turba. Acusado de machismo por defender papéis distintos entre pais e mães, por falar abertamente de sua fé católica, por colocar a família em primeiro lugar e por não pedir desculpas por ser homem, ele nunca recuou. 

Quem desembarca na Normandia, consciente do que está em jogo, não recua. Lapidado na força tranquila do caráter, Cazarré só se ajoelha diante de um único Senhor: Jesus Cristo. Essa consistência, forjada como um farol ao longo dos anos no fogo das críticas, é o que torna sua voz tão necessária hoje. E isso não é teimosia, é convicção. Não é provocação, é testemunho. Mais uma vez, obrigada, Juliano.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste