sexta-feira, 29 de março de 2019

MPF suspeita de vazamento da operação contra Temer e Moreira Franco

O ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Moreira Franco, ambos do MDB, se falaram por meio de um aplicativo de mensagens na madrugada do dia em que foram presos, 21 de março, segundo o Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro, que apresentou, nesta sexta-feira, 29, denúncia contra os dois por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção na construção de Angra 3.
De acordo com os procuradores, a comunicação entre os dois é um forte indício de que eles tiveram informações privilegiadas sobre a prisão iminente. E, também por isso, uma justificativa suficiente para o pedido de prisão preventiva dos dois.
O primeiro contato ocorreu à 1h24. Temer manda uma mensagem para Moreira perguntando se ele estava acordado. Por volta da 1h40, o ex-ministro tenta telefonar para o ex-presidente, sem sucesso. Ele, então, responde dizendo que está acordado e que tentou ligar.
Os procuradores rastrearam os contatos entre os dois por pelo menos oitenta dias, revelando que, ao longo desse período, eles nunca se falaram de madrugada. “Nos causou espécie que a menos de cinco horas da prisão eles tenham se comunicado de madrugada”, disse Eduardo El Hage, coordenador da força-tarefa do MPF. “É um indício de um possível vazamento”, acrescentou.

Almirante

O MPF informou ainda que o ex-presidente da Eletronuclear almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva e suas duas filhas, Ana Cristina e Ana Luisa, mantinham quatro contas não declaradas no exterior para recebimento de dinheiro oriundo de propina. Os três foram denunciados pelos procuradores na mesma denúncia que envolve Temer e Moreira Franco.
Pelas quatro contas na Suíça passaram cerca de 60 milhões de reais, advindos de atividades ilícitas relacionadas a empresas envolvidas na construção de Angra 3, afirmou o MPF. “Queria lamentar, pessoalmente, o envolvimento do almirante Othon nesses crimes de corrupção”, afirmou o procurador Leonardo Cardoso. “Ele é uma referência do programa nuclear brasileiro e certamente não precisava disso. Nós brasileiros também não merecíamos ter uma pessoa dessa envolvida nesses fatos.”

Carros

O bloqueio de bens ordenado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, alcançou também os carros de Temer, Moreira Franco, do coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, e outros investigados. O magistrado havia determinado um confisco total de 62.595.537,32 de reais do ex-presidente.
O sistema confiscou um Prisma, um Audi e um Santana de Temer. Um Jeep Cherokee foi bloqueado da empresa Tabapuâ Investimentos e Participações, da qual o ex-presidente é sócio.
Maristela Temer, filha do ex-presidente, teve um Honda CR-V embargado. A reforma da casa dela é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro do esquema de corrupção cuja liderança é atribuída a seu pai. Moreira Franco teve um Fiat Uno Mille, uma Blazer Executive e um Volvo confiscados.
O coronel Lima teve bloqueado uma perua Saveiro, um Honda/CB e um Opala Luxo. Maria Rita Fratezi, mulher do coronel, teve um Toyota Corolla confiscado. A PDA Projeto e Direção Arquitetônica Ltda., empresa controlada pelo casal, teve embargados um Tiguan, uma Saveiro, um Toyota Corolla e um Toyota Land Cruiser.

Com Estadão Conteúdo

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